Atenção, o texto abaixo contém cenas perturbadoras para quem tem coração fraco.
Então o Ricardo foi para Aracaju e colocou algumas fotos no Flickr que eu vi ontem. Meu comentário numa foto que mostrava uma linda piscina de água azul foi: eu quero!
Fui dormir e tico e teco aparentemente continuaram trabalhando por conta própria. Porque hoje no café da manhã, googlei pousadas no Rio Grande do Norte e antes de acabar o café já tinha tudo marcado para viajar para São Miguel do Gostoso na sexta-feira.
Passagem aérea, hospedagem, tudo certo.
Depois de feita a lambança, me toquei que tinha alguns detalhes para arrumar antes da viagem, tipo pagar contas e essas coisas fundamentais que a gente não pode simplesmente largar e sair por aí sem lenço nem documento, já que teoricamente sou uma mulher responsável.
E então a correria começou.
Foram algumas horas resolvendo problemas incluindo aí uma noite que vou ter que passar na maravilhosa cidade de Guarulhos.
Mas não foi isso que me fez tremer.
Aparentemente tudo estava certo. Contas agendadas, casa confiada a minha empregada, motorista contratado, cachorros OK, pousada com WI FI para eu poder resolver qualquer problema que surgir…
Foi quando eu lembrei.
E tremi.
A grande dúvida se apossou de mim e meu corpo todo começou a bambear. Perdi o apetite na hora. A boca ficou seca e o estômago embrulhou.
“Será que vou conseguir entrar nos meus biquinis?”
As mulheres agora entendem perfeitamente do que estou falando.
Os homens talvez não façam idéia do que isso significa.
Eu marquei uma viagem numa praia paradisíaca em pleno inverno e não me vejo pelada de biquini há séculos.
Ir para uma praia requer uma certa preparação de uma mulher.
Então, corajosa e sem alternativas, e agora, vem a parte mais emocionante deste relato, me dirigi ao armário.
Abri a gaveta de baixo onde guardo os biquinis e peguei um de florzinhas, bem pequenininho.
Olhei bem para ele.
E comecei a tirar minha roupa.
Tirei a pesada malha de lã. O moleton disforme, o tênis feio, a camiseta de mangas longas. Um frio de cortar me envolveu.
Tirei o resto da roupa mas fiquei de meias.
Fui vestindo o biquini.
Primeiro a parte de baixo.
Parecia que tinha servido.
Depois a parte de cima.
Recoloquei meus óculos para ver de longe e de uma vez me virei para o espelho.
…
Meu coração saía pela boca.
…
E não morri.
O que vi refletido no espelho estava passável, apesar dos brigadeiros, das pizzas e do sofá.
Mas juro, susto como esse, nunca mais.
Segunda-feira começo o regime.