Sobre Desmoronamentos e Áreas de Risco

Liliana | Política não vivemos sem.,São Francisco Xavier | Friday, April 9th, 2010

São Francisco Xavier é um microcosmo onde todos os acontecimentos do resto do Brasil se repetem em escala.

Na entrada da minha rua havia um grupo de casinhas penduradas na margem do Rio do Peixe, ao lado da estrada para a cachoeira municipal e com um grande morro bem na frente. Morro esse onde eu moro do outro lado.

Esse grupo de casinhas era chamada de “favelinha”. Nem preciso explicar porque.

Pessoas compraram seus lotes na favelinha e construiram casas há dezenas de anos.

Com o tempo, o rio foi comendo a fundação das casas e o esgoto delas caía diretamente nele.

O morro em frente desabava e escorregava terra cobrindo a estrada e ameaçava soterrar as casinhas.

O único problema habitacional de São Francisco era a tal favelinha.

Muitos moradores não queriam morar mais lá com suas casas rachadas e o medo do soterramento.

Uma noite, numa chuva forte, o morro despencou e chegou a cobrir o orelhão em frente.

A defesa civil de São José dos Campos foi acionada e a sentença foi firme: eram casas impróprias para ocupação.

Alguns moradores foram ficar com parentes, outros queriam sair mas não tinham aonde ir e uns poucos não queria se mudar.

A prefeitura de SJC começou a providenciar a construção de um núcleo habitacional para essas pessoas. Porém, elas não queriam se mudar para longe do centro de SFX. Havia apenas um terreno no centro que comportava as novas casas e era do estacionamento da companhia de ônibus.

A prefeitura resolveu desapropriar o tal terreno e o dono, claro, brigou bastante.

Mais de ano demorou até o terreno passar para a prefeitura e enquanto isso os moradores da favelinha continuaram a viver com medo de um soterramento iminente ou da queda das casas no rio.

Quando se iniciou a construção das novas casas, bem no centro de SFX, nova queixa dos moradores: a prefeitura iria vender cada casa por 8 mil reais para serem pagas como eles pudessem. E muitos se recusavam a pagar pelas novas casas porque já tinham pago pelas casas na favelinha.

Teve um morador, dono do bar da favelinha que colocou como condição que a prefeitura construísse um novo bar no conjuntinho habitacional.

A construção foi rápida.

Conheci as casas novas e as ruas e achei bem legal. Casas de dois quartos, com sala, cozinha, quintal, garagem. Muito boas mesmo. Parecidas com uma casa que eu morei por 7 anos quando me mudei para cá.

Esse processo de mudança dos moradores da favelinha durou uns dois anos.

Agora, entendo que todos estão felizes em suas casas novas. A área da antiga favelinha foi reflorestada depois que tudo foi demolido.

O barzinho está lá, na entrada da rua nova e muita gente frequenta.

Assim, temos o exemplo de pessoas que moravam em áreas de risco e podemos concluir que uma parcela tinha consciência do risco e se mudaria para qualquer lugar que lhes fosse determinado. Outros, preferiam continuar na área de risco desde que fosse bem localizada ao centro da cidade e só aceitaram se mudar quando o terreno no centro foi desapropriado. E uma terceira parcela que não esperou ação nenhuma do governo e saiu de lá assim que pode por meios próprios.

E por que eles moravam em área de risco? Porque era mais barato e melhor localizado que um terreno na roça.

c.q.d.

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    Liliana | São Francisco Xavier | Wednesday, March 25th, 2009

    A crise chegou para todo mundo e aqui em casa não foi diferente. Por isso tive que tomar providências e mudei radicalmente minha abordagem de trabalho.

    Depois de anos, fui dar plantão.

    Lá fui eu dar uns plantões avulsos aqui na UPA de São Francisco Xavier. E ontem foi o primeiro deles.

    Confesso que estava bem destreinada mas depois de algumas horas parecia que nunca tinha parado. Principalmente porque os pacientes não paravam de chegar.

    Parece que eu bati uma espécie de recorde de atendimento porque foi uma quantidade absurda de gente. A chefe do posto pedia desculpas e falava: “ai doutora, aqui não é assim não. Aqui é tranquilo. Não sei o que está acontecendo.”

    Eu só ria, para não perder o bom humor.

    Uma enfermeira falou que a culpa era do Seu Acácio que descobriu que eu estava atendendo e saiu falando na cidade. Acho que não chega a tanto, mas que eu escondi meu jipe para ninguém saber que eu estava de plantão, eu escondi.

    Eu mal tive tempo de conversar e tomar cafezinho com o povo de lá e matar as saudades do tempo que eu era a clínica geral do posto.

    Que pena que não posso colocar aqui os “melhores momentos do dia”. O House ia adorar. Mas eu garanto que eu sou  muito mais simpática e paciente que o House.

    No geral foi bem legal e divertido. Consegui dormir um pouco, e o mais importante acredito que todos os pacientes saíram satisfeitos.

    Eu adoro ser médica.

    Bem, sexta-feira tem outro plantão. Disseram que é bem tranquilo…. Eu estou duvidando. Depois eu conto como foi.

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    Liliana | Músicas,São Francisco Xavier | Saturday, February 21st, 2009

    Eu nunca fui para San Francisco.

    Mas eu sempre achei que São Francisco Xavier fosse cidade irmã de San Francisco, California.

    Quando eu falo que moro em São Francisco a pergunta que se segue invariavelmente é: Califórnia?

    E eu: Xavier!

    As duas cidades têm muito a ver.

    Sei lá, uma sensação minha.

    Se você vem para São Francisco, tenha certeza de usar flores no cabelo, ok?

    San Francisco – Scott McKenzie

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    Liliana | São Francisco Xavier,Tem de tudo nessa Internet maravilhosa | Friday, February 13th, 2009

    Em 1995, pontas de flechas de sílex foram encontradas em Santa Bárbara, aqui em São Francisco Xavier. Analisadas por arqueólogos, concluiu-se que as mesmas tinham por volta de 3.000 anos. Esse fato não é novidade e vários moradores daqui lembram-se muito bem do episódio. O que pouca gente sabe é que, junto com essas flechas, apareceram placas de cerâmica contendo inscrições e uma série de símbolos. Aos poucos foram sendo decifradas e, até o momento, sabe-se que tais inscrições consistem em associações entre as posições dos astros e alguns animais. Cada um desses animais tem uma característica própria e, em determinadas épocas do ano, um destaca-se sobre os outros. Assim, a pessoa que nasceu no período de destaque de um determinado animal, será influenciada pelas características naturais do mesmo. Existem dezessete animais que se destacam durante o ano, respeitando um ciclo de vinte e um dias. Segundo os estudiosos, esse ciclo coincide com o choco da jacu pelada e inicia-se no dia 27 de setembro, data em que o Sol, ao meio-dia, focalizava seus raios bem em cima daquela fêmea, iniciando-se o primeiro ciclo. Diferentemente de outros horóscopos, o da roça é móvel. Ou seja, de tempos em tempos, cada animal transita por períodos diferentes. E há um animal com o ciclo de oito dias. Parece que há uma relação entre esse animal e a taxa de expansão do universo, que seria compensada com ajustes entre as datas dos respectivos ciclos. Por enquanto, foram descobertas as características das pessoas nascidas em cada um desses ciclos. Confira:

    BESOURO PRETO (ROLA BOSTA) – 27/9 a 17/10: São pessoas que gostam de acumular bens materiais, mas de pouco ou nenhum valor. Precisam da ajuda de outras pessoas para se virar;

    VEADINHO – 18/10 a 7/11 – É o signo dos artistas. Têm gosto refinado e não se apegam a nada nem a ninguém. Nem todo artista pertence a este signo, mas todo veadinho tem a veia artística desenvolvida. Outra característica da pessoa nascida neste período é a de assustar-se facilmente;

    CARRAPATO – 8/11 a 28/11 – As pessoas nascidas sob a influência deste signo tendem a fixar-se em outras pessoas e aproveitam seus relacionamentos ao máximo, que, no final, deixam marcas profundas e duradouras;

    BERNE – 29/11 a 19/12 – Introspectivas, discretas e não gostam de relacionamentos superficiais, como os de carrapato. Vão fundo em suas relações. Também deixam suas marcas;

    TANAJURA – 20/12 a 09/1 – Extrovertidas e exibicionistas, são líderes natos. Não deixam de prover e manter a família unida. Quando em oposição, contudo, são uns bundões;

    CUPIM – 10/1 a 30/1 – Gostam de viver em sociedade, mas, ao mesmo tempo em que constróem, podem destruir tudo a sua volta;

    ARANHA – 31/1 a 20/2 – Adoram tecer intrigas, mas vão pagar o próprio karma, porque vivem do que tecem. Podem ferir, mas só em defesa própria. Destroem todos que se enredam em suas teias. Tendem a praticar esportes radicais, especialmente escalada e rapel;

    MARIMBONDO – 21/2 A 13/3 – São pessoas calmas, mas perigosas. São invasivas e defendem-se a ponto de fazer o inimigo sofrer muito. Dão ótimos engenheiros e peões de obra;

    LAGARTIXA – 14/3 a 3/4 – Frias e distantes, são capazes de permanecer imóveis para atingir seus objetivos. Costumam aparecer sem avisar e vão embora sem alarde;

    PERERECA – 4/4 a 24/4 – Também são frias, mas têm uma forte tendência musical. São boêmias e apreciam as noites chuvosas;

    MICUIM – 25/4 a 15/5 – Só se sentem bem quando em grupo. Apegadas em seus relacionamentos, a ponto de incomodar o companheiro(a);

    MUTUCA – 16/5 a 5/6 – São indivíduos perigosos, atormentadores e seus relacionamentos têm um final bastante doloroso;

    MICO – 6/6 a 26/6 – Geralmente não têm parceiros, terminando a vida sozinhos. Desejam fazer amigos e encontrar um companheiro(a), mas, a princípio, ninguém os quer. Têm uma personalidade irrequieta e irreverente;

    JACU – 27/6 a 17/7 – Não são o que parecem. São pessoas dissimuladas e não ousam grandes vôos na vida. São tímidas e introvertidas;

    ANTA – 18/7 a 7/8 – Têm a tendência a ocupar cargos públicos. Extrovertidas, costumam intrometer-se onde não devem e sentem-se as donas da verdade;

    SUCURI – 8/8 a 28/8 – Traiçoeiras, dissimuladas e dotadas de grande força física. Adaptam-se a qualquer situação adversa;

    TATU – 29/8 a 18/9 – São introspectivas, tímidas e, em uma situação adversa, tendem a refugiar-se em seu lar;

    BICHO-GRILO – 19/9 a 26/9 – É o signo móvel do zodíaco da roça, transitando por todos os outros signos. Assim, todos acabam tendo, pelo menos uma vez na vida, sua fase bicho-grilo. São pessoas que gostam de viver próximas à natureza, não se encaixam em regras, usam roupas coloridas e são pacíficos. Gostam de fingir que são vegetarianos. Desligadas, geralmente não fazem nada e não vão a lugar algum na vida.

    PS- Conteúdo original publicado primeiramente no Sítio Paineira Velha.

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    A dúvida que não quer calar é: quando eu vou poder comprar algo que não esteja em liquidação/promoção/saldão/baciada?

    Ontem Andréia e eu fomos numa expedição para a cidade grande fazer as compras do mês da casa. Fomos para São José dos Campos um dia depois de uma das piores tempestades dos últimos 30 anos.

    Foi mesmo uma expedição.

    Em quase 12 anos que estou morando aqui e a Andréia que nasceu aqui nunca vimos os estragos que a chuva causou na estrada e nas cidades por onde passamos.

    Para vocês terem ideia, caiu uma barreira dentro do meu sítio: nossa estrada foi fechada porque parte do morro despencou. E em toda a estrada várias barreiras caídas e pior: a estrada de asfalto cedeu em vários pontos e rachou em outros estando prontinha para despencar.

    Partes da estrada também estavam submersas e só jipes e picapes altas passavam.

    Demos carona para uma professora de Monteiro Lobato, a cidade vizinha, e ela nos contou que Monteiro ficou embaixo d’água. A praça principal teve água até metade das portas. Os trialers boiavam. O supermercado foi invadido pelas águas e o estoque foi perdido assim como o da casa de ração. Ela contou que o povo de lá ficou perto do rio esperando as caixas de cerveja e de refrigerante virem rio abaixo.

    Quando passamos por Monteiro, na volta, pudemos ver as marcas da água nas paredes: um metro pelo menos.

    A professora também contou que havia chovido mais de 70 mm de água naquela noite e que deveria chover mais de 120 mm ontem. Então, resolvemos apressar nossa viagem, adiar certas coisas para outro dia e tentar voltar antes da chuva. Mas, de qualquer forma, seria mesmo uma aventura.

    Morar em São Francisco Xavier é uma aventura. É.

    Mas mesmo com a ameaça da nova tempestade não desistimos e fomos para  comprar a ração dos cachorros, nossa primeira parada. Comprei a ração em promoção, lógico.

    A parada seguinte foi no Extra, onde fiz a festa comprando tudo que era marca genérica e mais promoções.

    Depois, fomos até o Pão de Açucar onde tem o açougue que eu gosto apenas para comprar carne. E lá, havia promoção de sorvete Rägen Daaz. Dois potes e um descontão.

    Resultado, me dei de presente um sandália Havaianas dourada da liquidação do Extra e um pote de sorvete Rägen Daaz da promoção do Pão de Açúcar. O resto, coisas para minha sobrevivência e dos cachorros.

    A que ponto que a gente chega que nem uma sandália Havaianas eu tenho coragem de comprar se não estiver na promoção?

    A Andréia brinca comigo: você é a rainha da promoção. Caramba, até meu jipe eu comprei numa promoção com desconto.

    Acho que estou tão acostumada a só comprar o que sobrou, o refugo, o que não saiu e que colocaram para torrar, para liquidar…

    Mas isso me incomoda. É como se eu não conseguisse mais desejar algo e simplesmente ir lá e comprar na hora que eu quero. Eu espero entrar na promoção e se ainda sobrar o que eu gostei, daí sim, eu levo.

    Roupa sem estar na liquidação? Nem sei o que é isso.

    Sapatos? Idem.

    Por isso só compro roupas e sapatos nas liquidações de inverno e verão, duas vezes por ano.

    É. Acho que fiquei chocada com a promoção do sorvete. Foi demais.

    Com vocês também é assim?

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    Bom dia, povo!

    E inicia-se outra semana aqui no sítio.

    O Tai ficou largadão depois da viagem ao veterinário na sexta-feira. Não conseguia se mexer, se levantar, comer sozinho, nem mesmo ir ao banheiro lá fora. Foi deprimente ver o bonitinho todo inválido. Fiquei supertriste, o Cardoso ficou bem preocupado a ponto de dormir na sala com o o Tai tomando conta dele. Eu tinha que puxá-lo com um tapetinho até a grama para ele fazer o xixi dele e dar comida e água na boquinha. A ferida da bicheira melhorou mas está ainda muito grande. Aparentemente não tem bichos vivos lá. Mas tem infecção. Só que hoje, segunda, ele acordou muito melhor! Foi receber a Andréia no portão, e se comportou normalmente. Comeu, tomou leitinho, tomou os remédios, abanou bastante o rabinho, enfim, voltou a ser o Tai. Mas eu tive que desmarcar o banho que estava marcado e sinceramente não sabemos como vamos fazer com os futuros banhos dele porque ele não tem mais condições de ir para São José na Tia Rebekah no Pet Shop.

    Os outros cachorros respeitaram a doença do Tai. Não chatearam ele, não ficaram com ciúmes e nos deixaram cuidar dele sem interferir.

    Amanhã está marcada a mudança de uns móveis que estão num depósito guardamóveis em São Bernardo do Campo. Eles são minha herança da casa de meu avô. Tive que providenciar a transferência deles as pressas. A sorte é que eu já havia mandado Seu Zé construir um barracãozinho de madeirite no platô de baixo justamente para guardar tudo. Pretendo usar os móveis futuramente na minha Hospedagem, quando puder construir mais quartos. Vai ficar bem bonito porque eles são antigos e os quartos vão ficar lindos. Só falta ter como construir…

    Esta semana também acabo de tomar os corticóides que comecei a tomar no hospital. A retirada dos corticóides é uma coisa lenta para o corpo voltar a produzí-los. Pelo jeito estou reagindo muito bem. Que bom. Parar de tomar esses remédios fecha o ciclo de tudo de ruim que me aconteceu no final do ano passado. E não tenho mais desculpas para não entrar num belo regime e perder os 10 quilos que ganhei na brincadeira toda. Não é que engordei 10 quilos. Eu já estava 5 quilos acima e engordei mais 5.

    Com o aumento de peso, além de perder a maioria de minhas roupas, entrei numa faixa perigosa: prediabetes. E o tratamento: perder o peso extra. Mas todo mundo que já fez dieta sabe como é difícil…

    A previsão do tempo para São Francisco Xavier é de chuva a semana toda. E temperatura máxima de 22 graus. Isso me deixa muito puta da vida porque eu detesto chuva. E fico com mais vontade de ir para São Miguel do Gostoso. Porém, minhas viagens para lá estão suspensas até segunda ordem. Em compensação, a previsão para Gostoso é de sol e temperaturas de 32 graus. Que Gostoso!

    Esta semana também pretendo ir para São José pegar a chaminé da lareira do quarto de hóspedes. Só falta essa chaminé para o quarto ficar completo do jeito que eu quero. Ele está com uma lareira linda de ferro. E assim que estiver instalada vou poder tirar fotos. Eu sou perfeccionista, sabem…

    Com os móveis novos que chegam também vou redecorar meu consultório aqui de casa. Não vejo a hora para ver como vai ficar.

    Bem, que eu me lembre esses são os planos para a semana. Vamos ver se eu consigo cumpri-los.

    Boa semana a todos!

    PS- Sim, esse blog é um diário pessoal também ;)

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    Eu confesso: eu só gostava de futebol por causa da Rádio Camanducaia nos finais dos jogos.

    A Rádio Camanducaia teve uma importância na minha vida tão grande que até hoje ela influencia coisas que eu faço e vivo.

    Quando eu cheguei a São Francisco Xavier pela primeira vez, me senti em Camanducaia, a da Rádio e me senti em casa. E viver aqui é como viver na realidade das fantasias de infância que eu ouvia pelo rádio.

    Meus podcasts são saídos diretamente de Camanducaia, do Largo da Matriz. E foi com a Rádio que aprendi que Rádio é para se divertir e fazer dando risada. Um prazer.

    Cada vez que pego meu microfone cinza tenho vontade de dizer: transmitindo do nosso microfone vermelho “aquirílico”…

    Ah… Rádio Camanducaia! Como eu gostaria de trabalhar aí!

    Eu assino o feed da Rosana Hermann porque ela sempre aparece com algo legal da internet. E agora ela veio com o site da Rádio Camanducaia!

    Eu convido a todos para conhecerem essa pérola do rádio que influenciou muita gente e alegrou mais gente ainda.

    Bem vindos a Camanducaia!

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio,São Francisco Xavier | Sunday, November 9th, 2008

    É um alívio poder contar para vocês hoje a aventura que aconteceu esta madrugada e que teve um final feliz.

    Tudo começou ontem a noite quando um amigo que está aqui me visitando e eu fomos sair para um show na cidade lá pelas dez da noite. Eu deixei o Gigio e a Graça para dentro de casa e pensei que o Tai estivesse dormindo em algum lugar escondido.

    Na volta do show, lá pela uma da manhã, eu estava exausta morrendo de sono. Porém, não vi o Tai em lugar nenhum. Ele não veio nos saudar quando o jipe chegou. Isso foi o suficiente para me preocupar e começarmos a procurá-lo em todo canto. Viramos a casa do avesso e nada. Então, fomos olhar onde eu temia: na ribanceira ao lado do gramado, onde há uma valeta lá embaixo.

    Eu gritava pelo nome do Tai e de volta recebia um choro como de um pequeno filhote que nem conseguíamos reconhecer como o latido potente do meu cachorro.

    Troquei de roupa, coloquei roupa de guerra enquanto meu amigo desceu a ribanceira com um lanterna.

    Em pouco tempo ele gritou: achei!

    O Tai estava caído dentro de um buraco exatamente do tamanho do corpo dele a mais ou menos 30 metros para baixo da casa. Bem no ângulo da cerca. Entalado. Um lugar quase inacessível.

    Como ele foi parar lá? Provavelmente ele escorregou na grama e rolou para o cantinho. Ou algum dos outros cachorros trombou com ele e ele rolou para lá.

    O Tai é velhinho, mal consegue andar por problemas nas patas de trás. Não tem equilíbrio. É gordinho. Além de estar entalado, não conseguiria subir a ribanceira sozinho. Assim, teríamos que içá-lo os 30 metros.

    Eu consegui desentalá-lo do buraco e rolá-lo para o edredon que seria a maca. Meu amigo fez a maca com os cadarços do tênis e um tronco caído de uma árvore e puxou ribanceira acima por boa parte do caminho.

    Quando chegamos numa certa altura, a mangueira do jardim foi amarrada na maca e conseguimos puxá-la lá de cima.

    Não sei quanto tempo isso demorou. Nos machucamos, fomos picados por formigas, caímos, nos sujamos, saímos doloridos, exautos.

    O Tai chorava de dor e lá pelas tantas entendeu o que fazíamos e ficou quietinho colaborando.

    Eu me lembrei da cena do cavalo sendo içado por um helicóptero.

    Do fotógrafo que não salvou a menina se afogando e em vez disso ficou tirando fotos.

    Pensei: isso dá um post…

    Só não queria pensar no pior.

    Já na varanda, o Tai viu que estava salvo, saiu da maca sozinho, procurou sua vasilha de água, bebeu bastante e se deitou visivelmente abatido. Só então pudemos constatar que ele não estava ferido.

    Hoje pela manhã, estamos todos doloridos. Pelas fotos vocês podem ver que ele está cansado, sujo, mas o rabinho balança de alegria quando falo com ele.

    Meu amigo ainda dorme o sono dos justos. Eu sou eternamente grata a ele por salvar a vida do meu cachorro. Ainda tem gente boa no mundo.

    Esta madrugada foi uma história de superação. Não houve medo de cobras, aranhas, bichos, sono, fome, dor, integridade pessoal. Houve amizade e amor.

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    A vida é engraçada.

    Há anos atrás eu fiz algo semelhante e não foi notícia na BBC.

    Estava eu tranquilamente em minha casa quando recebo um telefonema da veterinária residente em São Francisco Xavier. Ela estava com uma emergência: um pequeno tucano de bico amarelo e corpo preto havia fugido do viveiro por ciúmes de um novo tucano e se enfiou no cano de drenagem. Porém, ele ficou entalado no cano e sofreu um escalpelamento, ou seja, toda a pele de seu crânio foi arrancada. Além disso, teve seu peito aberto por ficar preso no cano.

    A veterinária havia sido chamada e não sabia o que fazer com ele. Então ela me chamou, uma neurocirurgiã.

    Eu fui atender o tucano e é claro, era um caso cirúrgico. Teria que refazer toda a pele do crânio e suturar todo o tronco dele de novo. E pelo tamanho diminuto do paciente, seria quase uma microcirurgia.

    Entramos em contato com uma veterinária em outra cidade especializada em aves que nos orientou quanto à anestesia, preparamos nosso material cirúrgico e eu anestesiei o paciente.

    Operei o tucano numa varanda, sob as vistas da família e sendo auxiliada pela veterinária. Senti-me a própria Daktari.

    O tucano não foi o primeiro animal que eu operava. Eu já havia operado cachorros exatamente com essa mesma veterinária. Mas eu nunca havia tocado numa ave antes! Quanto mais, operar uma.

    A cirurgia transcorreu bem. O tucano acordou logo da anestesia. Voltou para o seu puleiro e parecia bem satisfeito.

    Infelizmente ele morreu no terceiro dia de pós-operatório. A veterinária não soube me explicar o que aconteceu, porque eu o deixei bem.

    Veterinários…

    Bem, mas o tal cirurgião inglês opera um gorila e sai na BBC.

    Eu faço uma neurocirurgia num tucano e tenho que colocar no meu próprio blog…

    Definitivamente eu preciso de um RP.

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    A temporada das chuvas começou e as baixas por raios já me atingiram: tenho duas televisões e o microondas queimados. Assim, como tinha que fazer outras coisas em São José dos Campos, convoquei a Andréia e rumei para lá no jipe que só teve lugar para uma das televisões. A outra vai ficar para outra vez.

    Deixamos a televisão no conserto e fomos procurar a assistência técnica do microondas numa avenida grande e conhecida da cidade. Passamos por toda a avenida e nada. Eu, muito prevenida, estava com endereço, telefone, tudo certinho pois já tinha visto com antecedência pela internet no site do fabricante. resolvi então parar o carro numa vaga e telefonar.

    - Alô? Onde vocês estão? Estou aqui na avenida X no numero Y e não encontrei vocês.

    - Ah, você já nos passou. Você conhece a papelaria W?

    - Sim.

    - Então, estamos a uns 100 metros dela. Num portão azul.

    - Mas como eu não vi? Não tem placa?

    - Tem! Claro! Mas na placa está escrito “Eletrolux”.

    - Ah! Então na placa não tem o nome da assistência técnica?

    - Não. Mas a gente conserta Bosch também. (Que é o meu microondas.)

    - Então por isso que eu não vi. Eu estava procurando uma placa com o nome da sua assistência técnica.

    - Ah, não tem…

    - Já entendi…

    E no final, embora eles não sejam os melhores em placas, conseguiram consertar o microondas no mesmo dia e eu pude trazê-lo de volta.

    Aproveitei e fui ao meu supermercado preferido. Meu objetivo era comprar carnes e coca zero. E caí na besteira de ir ao açougue do supermercado com fome. Eu praticamente queria comer tudo alí. Quem te viu, quem te vê. A vegetariana salivando por uns lindos pedaços de filé, de lombo, antecipando o churrasco, o almoço com os amigos, os hamburguers…

    Lá pelas tantas, não resisti e tirei uma foto de uma magnífica peça de alcatra de 3 quilos e mandei para um amigo convidando para um churrasco. Resultado: fui chamada de Dexter. Mas tudo bem. O açougueiro me entendeu perfeitamente.

    Procurando a Coca Zero, eu queria um fardo de 8 e pedi para o moço. Pois não tinha Coca Zero no Pão de Açucar! A desculpa é que agora os fardos vêm com 6 e as entregas ficaram atrapalhadas. Tive que me contentar com a Light.

    Outra coisa que aproveitei para comprar no supermercado foi embalagens econômicas de papel higiênico Neve. Aqueles fardos de 16 rolos. Aqui em São Francisco cada embalagem de 4 custa mais de 5 reais. E o tal fardo de 16 estava por 13 e pouco. Papel higiênico em SFX é artigo de luxo.

    No fim, na fila do caixa, meu carrinho estava bem engraçado: coca cola, carnes e papel higiênico. Quem reparasse ia perceber meu estado de espírito: eu queria mais era me divertir e cagar para o resto…

    Cheguei exausta em casa no começo da noite com a sensação de dever cumprido. Uma pena que ainda vou ter que fazer pelo menos mais uma viagem dessas para consertar a outra televisão e depois voltar para pegá-las de volta. Fora as novas idas ao supermercado, porque ir ao “mariomercadinho” de SFX está inviável.

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    As coisas andam tranquilas pelos lados de São Francisco Xavier.

    Tudo está encaminhado, em dia, todos bem.

    No final de semana fui no Show do Chicão, um amigo que toca e canta muito bem. Filmei uma música mas a conexão aqui anda tão capenga que não consigo subir o video para vocês.

    Mas consegui colocar a foto que a Cris mandou. Ela é leitora do blog e pediu: coloca nossa foto lá? Claro, Cris! Tá aí:

    E com esses problemas de conexão eu mal consegui baixar meus episódios das séries que eu gosto. Com muita dificuldade consegui ver esta semana: True Blood, House e Dexter.

    Eu adoro True Blood. É uma série que mostra as pessoas como elas são de verdade, com um pouco de exagero pois não existem vampiros, mas mostra que todos temos o lado bom e o lado mal. E esses dois lados convivem harmoniosamente em nós.

    Na verdade, as três séries que eu gosto e vi esta semana mostram exatamente isso: que temos os dois lados ao mesmo tempo. E eu gosto disso. A diferença porém nas séries é o que cada personagem faz com essa dicotomia. E aí, as diferenças aparecem e eu me identifico mais com um ou outro e localizo pessoas mais parecidas com um ou outro personagem, de acordo com as reações e aceitação própria.

    Em House, essa semana, Cuddy diz: “por que você sempre tem que ser contrário a tudo?” E ele responde: “não sei…”

    Acho que foi a primeira vez que vi House ser sincero consigo mesmo.

    No caso do episódio, ele estava com ciúmes da Cuddy e o bebê. Ele não queria dividir a atenção e o afeto dela com ninguém. É óbvio que ele sente algo por ela. Tanto que ele a beija. Mas House tem um longo caminho pela frente até entrar em contato com os sentimentos dele e “descobrir” o porque dele ser contrário a tudo. E aí, vão anos de seriado de um médico atormentado.

    Já Dexter, quer sentir. Quer ter sentimentos. Ele vai ser pai, vai casar, e está reconhecendo sua ligação com esses humanos que fazem parte de sua nova família. Ele acha que não sente nada pelas outras pessoas, porém não reconhece que esta ligação que ele tem com sua noiva, seu filho por nascer e os filhos dela são justamente os tais sentimentos que ele gostaria de ter. Cada pessoa experimenta os sentimentos de uma forma. Dexter, a cada episódio, está mais humano.

    Acredito que isso é uma estratégia de marketing para que a série Dexter seja mais aceita pelo público. Afinal, as pessoas devem ter algo com que se identificar com o personagem principal. E a identificação com um serial killer é muito incômoda e não dá muito resultado.

    E por que essas séries que mostram tantas coisas ruins das pessoas fazem tanto sucesso?

    Porque nosso “lado mau” precisa ser trabalhado também. E ver o House ser desagradável, o Dexter matando alguém e as pessoas de True Blood sendo tão verdadeiras e cheias de defeitos funciona como a catarse que nos equilibra numa vida que nos cobra ser bonzinhos e cumpridores das leis e convenções sociais.

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    Liliana | Minha vida num sítio,São Francisco Xavier | Monday, October 20th, 2008

    Então, não basta ter as coisas, tem que cuidar bem.

    Estou com um terreno para vender num bairro aqui em São Francisco Xavier. Eu nem tinha pensado em vendê-lo quando o comprei. Mas com essa história de ir para o nordeste, coloquei a venda.

    Mas a idéia original era fazer minha futura casa lá porque a que eu moro atualmente é muito perto da cidade e como a cidade está crescendo, ia ser legal morar num sítio mais distante.

    Para variar, o terreno é na maior parte um pastão, como a maioria dos terrenos por aqui.

    A coitada da nascente de água está mirrada e desmatada. Tadinha.

    Daí que é minha política reflorestar tudo que tenho com mata nativa e refazer nascentes.

    O lugar que moro hoje está uma belezinha: todinho reflorestado só com árvores da mata atlântica. E elas já estão grandinhas e vistosas. Visto de longe, o terreno está fofo de verde. Uma beleza.

    O outro terreno já começou a ser reflorestado também. E com mudinhas feitas aqui em casa mesmo pelo Seu Zé Laureano.

    Agora que é época das chuvas é a hora ideal de plantar. E vamos começar a plantá-las em volta da nascente para recompô-la. Outras já foram plantadas lá, inclusive muitas araucárias feitas de pinhões que a gente não comeu.

    Eu já fui na sub-prefeitura aqui de São Francisco para saber como tirar as licenças para abrir estradas e platô no terreno. Vou fazer tudo como manda o figurino, como sempre fiz. E o terreno vai ficar uma graça também, como este aqui onde estou agora.

    A vida da gente é tão bagunçada e nós nunca sabemos o que vai acontecer, não é? Vai que um dia ainda moro lá. Mas de qualquer jeito eu não agiria diferente.

    Ser ambientalista é uma filosofia de vida e começa em nossa própria casa.

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    Eu já mencionei diversas vezes que nossos bichos refletem os donos.

    Quando vi que meus 4 filhos, 3 cachorros e o sapo estavam numa boa passeando e dormindo na varanda numa linda noite de lua cheia, fiquei bem feliz.

    O Mario saiu de casa. Segundo o André B., foi dar um rolê por aí e já já volta.

    Os cachorros estão bem.

    A Graça se recuperou e já está engordando de novo. Ela tem brincado com o Gigio todos os dias e ele está todo babado.

    O Tai tem dormido para fora na varanda toda noite. Ele adora tomar a fresca. E nem reclama de manhã quando a Andréia chega que ficou de fora.

    O Gigio pegou a cama da Graça e ela nem ligou. Agora ele está todo contente dormindo do meu lado direito da cama.

    Os dias em SFX têm sido lindos, ainda bem. O sol tem saído e isso deixa todo mundo feliz.

    Cortei o cabelo um pouco e todos aprovaram.

    Vi o primeiro capítulo da tal série True Blood e gostei. Estou baixando os outros.

    Fui fazer massagem na Eliana e fazia tempo que não ia. Foi uma delícia.

    É.

    Está tudo indo bem.

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    Liliana | Política não vivemos sem.,São Francisco Xavier | Sunday, October 5th, 2008

    Para vocês, a pérola de Outubro de 2000: a Cobertura das Eleições Em São Francisco Xavier no Sítio Paineira Velha por esta pobre repórter que vos escreve.

    SUPERCOBERTURA DAS ELEIÇÕES !- SFX delirou com as eleições! As ruas ficaram imundas, os muros emporcalhados, muito comício, carreata, camisetas, teve até batom de brinde. Somos uma cidade muito politizada, conforme alguns turistas reclamaram. Mas aqui é assim, tem que participar, nem que seja votando. E o Sítio foi votar… Na escola da rua da pedra, onde ficam todas as seções. Tinha 4. A seção mais cheia foi a 90, com muitos jovens eleitores. O pessoal da seção 78 disse que a90 só tinha gente lerda, mentira deslavada! Lá é que só tinha velho. O número de eleitores, segundo fontes extra-oficiais subiu para 1867. Não é muito, mas a gente pode ser bem barulhento. Por isso o pessoal da corte tem que prestar atenção na gente e ver se não inventa merda para cá. Sãochiquenses unidos jamais serão vencidos! Isso aqui não é bairro da corte, é uma cidade com identidade própria que deve ser respeitada. O resultado da eleição foi: alguns ganharam e os outros, perderam.

    Agora, dá licença que vou votar…

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    Vou contar uma historinha meio comprida mas que vale a pena ler até o fim.

    Tudo começou há mais de 11 anos atrás quando vim aqui para São Francisco Xavier e estava procurando terras para comprar.

    Havia uma grande quantidade de terra para vender na serra, bem em cima da cidade, que pegava toda a face da montanha desde quase a Rua da Pedra até a fronteira com Monte Verde. Era chamada das Terras da Alemoa, porque a dona era uma alemã.

    A mulher estava vendendo barato porque rezava a lenda ela tinha desmatado uma grande área e plantado pinus há muitos anos para depois cortar e ficar rica. Mas, ela não tinha conseguido autorização para o corte e a madeira estava lá há décadas e tudo aquilo então não tinha valor.

    Na época, o terreno todo estava a venda por 400 mil reais e diziam que só de madeira tinha uns 900 mil.

    Também na Alemoa estava a Cachoeira das Couves. A nascente e o rio que dá nome à minha rua, Rua das Couves, com uma enorme cachoeira linda. E o Rio das Couves sendo o rio que abastece toda a água da cidade de São Francisco Xavier. Ele desce a montanha e parte é desviado para a caixa d’água da SABESP para ser distribuido para todo o centro do povoado de uns 2 mil habitantes no máximo.

    Bem, na época que cheguei por essas bandas havia duas abordagens para essas terras: alguém comprar para preservar ou alguém comprar para explorar a madeira que estava lá.

    Eu tentei comprar para preservar.

    Eu não tinha 400 mil reais, claro. Mas fiz outras propostas, apertei aqui, ali, falei com outras pessoas para juntarmos esforços mas não houve interesse nenhum de vender as terras para quem não fosse explorar a madeira do lugar.

    Tempos depois, a região foi vendida para um grupo de investidores cujo representante era um senhor que veio morar aqui em São Francisco Xavier e logo virou persona non grata na cidade por ser o dono da Cachoeira das Couves e por dizer que iria explorá-la. A primeira coisa que ele fez foi fechar a cachoeira para visitantes.

    Acredito que a segunda coisa que ele fez foi entrar com os processos de licenciamento para a exploração de madeiras de lá.

    Para poder retirar as madeiras de uma Área de Preservação Ambiental, justamente naquele lugar, topo de morro, cercada de nascentes, nascentes que alimentam o rio que abastece a cidade, florestas com animais em extinção, corredores ecológicos e todos os contras que poderiam haver para se ter uma licença, este senhor teve que participar de processos públicos da ordem de Conselhos Gestores, ONGs, partidos políticos. Enfim, ele teve trabalho. Muito trabalho. E despesas.

    Funcionários de órgão de licenciamento foram remanejados para outras cidades até. Gente perdeu o emprego, dizem.

    No fim, ele conseguiu a licença para retirar a madeira da área.

    Durante esse tempo todo, um grupo de pessoas da cidade esteve acompanhando todo este processo de licenciamento desse senhor. Pelo menos até onde podíamos acompanhar.

    ONGs foram organizadas quase que exclusivamente para defender a área em questão.

    Passeatas, protestos, reuniões, cartas, relatórios. O que puderem imaginar foi feito.

    Finalmente, há poucos anos, o corte das árvores começou.

    Novamente mais mobilização das mesmas pessoas que não desistiam nunca em defender a região. Sempre de forma legal (no sentido jurídico) e com sacrifício do próprio tempo e dinheiro.

    Para dar um exemplo, eu pessoalmente levei no meu jipe os fiscais da Polícia Ambiental até a área da Alemoa para que embargassem o corte, juntamente com outros amigos. O embargo durou uns bons meses.

    Em outra ocasião, participei de uma reunião com o novo responsável pela nova licença de corte para determinar as condições do corte e estipular critérios. Tive que me deslocar com outras pessoas para outra cidade para tal reunião.

    Nessa reunião uma de minhas colaborações foi determinar que o corte seria restrito apenas a bolsões de árvores de acesso fácil, onde os caminhões não teriam que passar por cima de cursos de água. Isso restringiria a área de corte bastante e protegeria os rios da região.

    Foi feito o documento com todas as condições e o dono da área deveria obedecer. E o poder público deveria fiscalizar, visto que o acesso a área privada é proibido e ninguém tem permissão de entrar lá.

    Na época, também sugeri que o controle fosse feito por satélite. Que se usasse a tecnologia para fiscalização. Afinal, estávamos na cidade do INPE.

    Confesso que encerrei minha participação no assunto “Terras da Alemoa” na feitura desse documento depois de anos envolvida no assunto.

    Não havia mais nada que eu pudesse fazer.

    Envelheci.

    Hoje, a Andréia, minha empregada me pergunta se um político da cidade me telefonou me convidando para uma manifestação na praça.

    - Que manifestação?

    - Estamos sem água há dois dias.

    - Por que? (Lembrem-se que eu tive que gastar uma fortuna abrindo um poço aqui em casa porque se recusaram a me fornecer água e hoje sou completamente independente em termos de água.)

    - Estão cortando lá em cima e desbarrancou tudo. Entrou terra nos canos e entupiu toda a caixa d’água. Acabaram com o Rio das Couves. É só terra. E agora vem a Vanguarda (TV local da Globo) fazer uma reportagem na praça. Vai todo mundo. O F. falou que ia chamar você porque você sempre foi metida nessas coisas de ecologia e tem um jornal, para você participar.

    - Ai, Andréia, desculpa mas eu não vou. Pode ir você. Sai mais cedo. E amanhã me conta como foi que eu coloco no jornal.

    It’s too late.

    Been there, done that.

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