Desde que comecei a ler no 1001 Gatos sobre “Aquecimento Global: Culpado ou Inocente?”, fiquei com uma coceirinha de falar minha opinião. Ninguém me perguntou nada. Mas como eu não preciso que me perguntem para falar. Então lá vai:
Eu me considero INOCENTE.
E vou explicar porque.
Muito antes desse assunto virar moda, vários amigos, meu marido e eu já estávamos fazendo nossa parte. Por nossa conta, sem ninguém pedir nada e sem ganhar nada em troca. Pelo contrário. A gente tem mais é que pagar para ser correto em termos de meio ambiente. Você tem que investir em tecnologias novas, modificar e construir seu ambiente para impactar ao mínimo a natureza. E essas tecnologias novas costumavam ser mais caras que as que faziam mal ao meio ambiente. Sem falar no trabalho extra que a gente tinha.
Assim, anos depois, vivendo uma vida correta do ponto de vista ambiental, é claro que eu quero mais é dizer de boca cheia que eu sou inocente.
Começando pela água aqui de casa, mesmo tendo toda a água do mundo vinda de um poço, restringimos o seu uso a uma caixa de água por semana. E toda ela é jogada num sistema de fossas sépticas especial que retorna esta água para o jardim, devolvendo-a para a natureza limpinha. Minha grama está sempre verde e toda água usada é devolvida para onde foi tirada.
Minha casa foi construída com estruturas de madeira de reflorestamento autorizado e cuja procedência é atestada. Todo o aquecimento de água é com painéis solares e quando não há sol, a gente não toma banho quente. Cada ambiente tem apenas uma lâmpada econômica de longa duração. E só não trocamos para energia elétrica solar total porque teríamos que trocar as baterias a cada 3 anos e elas são resíduos muito tóxicos. Temos uma lixeira dividida em 3 compartimentos para separar o lixo e separamos. Usamos até o cocô dos cachorros para adubar as árvores do jardim.
Tudo aqui em casa é usado até acabar. Nossa televisão durou 16 anos e morreu semana passada após ir ao conserto por 3 vezes. A média de vida dos nossos aparelhos domésticos é de mais de 10 anos. E quando foram quebrando foram trocados por aqueles de baixo consumo e de menor impacto.
Somos contra o consumismo desenfreado e nossos carros são velhos e usados raramente. Meu jipe usa biodiesel e tem mais de 10 anos. O Denis tem um Gol 1000 de 4 anos.
Só compro o que preciso e tenho roupas com mais de 20 anos no armário. A média de idade de minhas roupas e sapatos é maior que 3 anos. Mas tenho muitas peças de quando eu morava em São Paulo, de 10 anos atrás.
Fundei uma ONG de proteção aos animais e fui conselheira de outra para o meio ambiente e ainda faço trabalho voluntário com cães abandonados por conta própria. Participo de atos públicos sobre questões ambientais relevantes. Procuro esclarecer as pessoas ao meu redor sobre questões políticas ambientais sempre que posso sem ser chata.
Sou vegetariana e minha casa é vegetariana.
Além de comprar terrenos com mata nativa para preservação, eu ainda refloresto com mudas de espécies nativas da Mata Atlântica os locais desmatados. Meu sítio é totalmente auto-suficiente em lenha para as lareiras apenas com os galhos que caem das árvores que plantamos. Minha casa é isolada termicamente para se manter fresca no verão e quente no inverno para não precisarmos gastar muita lenha para aquecimento ambiente ou ter ar condicionado. Com o reflorestamento do nosso sítio, toda a fauna que havia desaparecido aqui, retornou. Mantenho áreas de mata sem cerca para que os animais possam circular livremente.
Nossa produção de lixo é mínima.
Ufa. Acho que lembrei de tudo. Que desabafo. (Denis, se eu esqueci de algo, por favor, escreva aí.)
Dito tudo isso, agora podem vir conversar comigo a respeito de aquecimento global e meio ambiente.