Clodovil
Clodovil morreu.
Em quem vou votar nas próximas eleições?
Eu não sou muito de política porque minha descrença com o ser humano em geral é constante e a classe política é apenas um reflexo dos seres humanos.
Eles saem da mesma massa de gente que os elege. Um reflexo do outro. Assim, nada mais lógico que os políticos tenham comportamentos tão “humanos”.
Não estou defendo ninguém. Muito menos concordando. Apenas entendo o porquê e sei como é difícil mudar esse comportamento.
Por isso política me desanima.
Ontem assisti pela primeira vez o programa CQC e vi as críticas aos políticos brasileiros. As tentativas bem sucedidas de ridicularização. Não é um humor que eu goste. Não acrescenta nada. Não há crítica construtiva, apenas ridicularização.
Eles perguntavam aos políticos onde ficava Guantânamo e a maioria não sabia. Mas tiveram que contar aos espectadores que Guantânamo ficava em Cuba para a piada ter graça. Se eles não esperavam que seus telespectadores não sabiam também onde ficava Guantânamo não precisariam explicar a piada. Ou seja, o roto rindo do rasgado.
Confesso que ri em algumas partes do programa, mas não pretendo vê-lo de novo. Uma vez já foi o suficiente.
Ontem também foi o dia que eu vi o filme Frost-Nixon. Foi um dia de política e políticos.
O trailer do filme estava passando na entrada para o filme Watchmen e me chamou a atenção. Estranhei porque que diabos eu iria querer ver uma entrevista de Richard Nixon?
Não só vi o filme ontem como vi entre ontem e hoje a entrevista original feita em 1977.
O Brasil precisa de um Frost-Nixon.
Foi uma lavada de alma do povo americano. Foi um momento de extrema maturidade política.
Infelizmente o Brasil não está nesse momento.
Nixon pisou na bola e antes de ter seu impeachment, ele renunciou. E na entrevista ele assume e pede desculpas. “Minha carreira política acabou.” “I let the people down. I let the country down.”
Aqui no Brasil isso não acontece. O Brasil magoado perdoa tudo como mulher de malandro. E faz rir.
Cada país tem seu Nixon (ou Collor) que merece.
A British Humanist Association quer colocar posters em ônibus com os seguintes dizeres:
“There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”
Isso, em contrapartida aos anúncios religiosos também nos ônibus.
Eu, aqui em meu bloguinho, me junto à BHA e divulgo campanha:
Se você gostou da campanha, divulgue você também!
Para vocês, a pérola de Outubro de 2000: a Cobertura das Eleições Em São Francisco Xavier no Sítio Paineira Velha por esta pobre repórter que vos escreve.
SUPERCOBERTURA DAS ELEIÇÕES !- SFX delirou com as eleições! As ruas ficaram imundas, os muros emporcalhados, muito comício, carreata, camisetas, teve até batom de brinde. Somos uma cidade muito politizada, conforme alguns turistas reclamaram. Mas aqui é assim, tem que participar, nem que seja votando. E o Sítio foi votar… Na escola da rua da pedra, onde ficam todas as seções. Tinha 4. A seção mais cheia foi a 90, com muitos jovens eleitores. O pessoal da seção 78 disse que a
90 só tinha gente lerda, mentira deslavada! Lá é que só tinha velho. O número de eleitores, segundo fontes extra-oficiais subiu para 1867. Não é muito, mas a gente pode ser bem barulhento. Por isso o pessoal da corte tem que prestar atenção na gente e ver se não inventa merda para cá. Sãochiquenses unidos jamais serão vencidos! Isso aqui não é bairro da corte, é uma cidade com identidade própria que deve ser respeitada. O resultado da eleição foi: alguns ganharam e os outros, perderam.
Agora, dá licença que vou votar…
Vou contar uma historinha meio comprida mas que vale a pena ler até o fim.
Tudo começou há mais de 11 anos atrás quando vim aqui para São Francisco Xavier e estava procurando terras para comprar.
Havia uma grande quantidade de terra para vender na serra, bem em cima da cidade, que pegava toda a face da montanha desde quase a Rua da Pedra até a fronteira com Monte Verde. Era chamada das Terras da Alemoa, porque a dona era uma alemã.
A mulher estava vendendo barato porque rezava a lenda ela tinha desmatado uma grande área e plantado pinus há muitos anos para depois cortar e ficar rica. Mas, ela não tinha conseguido autorização para o corte e a madeira estava lá há décadas e tudo aquilo então não tinha valor.
Na época, o terreno todo estava a venda por 400 mil reais e diziam que só de madeira tinha uns 900 mil.
Também na Alemoa estava a Cachoeira das Couves. A nascente e o rio que dá nome à minha rua, Rua das Couves, com uma enorme cachoeira linda. E o Rio das Couves sendo o rio que abastece toda a água da cidade de São Francisco Xavier. Ele desce a montanha e parte é desviado para a caixa d’água da SABESP para ser distribuido para todo o centro do povoado de uns 2 mil habitantes no máximo.
Bem, na época que cheguei por essas bandas havia duas abordagens para essas terras: alguém comprar para preservar ou alguém comprar para explorar a madeira que estava lá.
Eu tentei comprar para preservar.
Eu não tinha 400 mil reais, claro. Mas fiz outras propostas, apertei aqui, ali, falei com outras pessoas para juntarmos esforços mas não houve interesse nenhum de vender as terras para quem não fosse explorar a madeira do lugar.
Tempos depois, a região foi vendida para um grupo de investidores cujo representante era um senhor que veio morar aqui em São Francisco Xavier e logo virou persona non grata na cidade por ser o dono da Cachoeira das Couves e por dizer que iria explorá-la. A primeira coisa que ele fez foi fechar a cachoeira para visitantes.
Acredito que a segunda coisa que ele fez foi entrar com os processos de licenciamento para a exploração de madeiras de lá.
Para poder retirar as madeiras de uma Área de Preservação Ambiental, justamente naquele lugar, topo de morro, cercada de nascentes, nascentes que alimentam o rio que abastece a cidade, florestas com animais em extinção, corredores ecológicos e todos os contras que poderiam haver para se ter uma licença, este senhor teve que participar de processos públicos da ordem de Conselhos Gestores, ONGs, partidos políticos. Enfim, ele teve trabalho. Muito trabalho. E despesas.
Funcionários de órgão de licenciamento foram remanejados para outras cidades até. Gente perdeu o emprego, dizem.
No fim, ele conseguiu a licença para retirar a madeira da área.
Durante esse tempo todo, um grupo de pessoas da cidade esteve acompanhando todo este processo de licenciamento desse senhor. Pelo menos até onde podíamos acompanhar.
ONGs foram organizadas quase que exclusivamente para defender a área em questão.
Passeatas, protestos, reuniões, cartas, relatórios. O que puderem imaginar foi feito.
Finalmente, há poucos anos, o corte das árvores começou.
Novamente mais mobilização das mesmas pessoas que não desistiam nunca em defender a região. Sempre de forma legal (no sentido jurídico) e com sacrifício do próprio tempo e dinheiro.
Para dar um exemplo, eu pessoalmente levei no meu jipe os fiscais da Polícia Ambiental até a área da Alemoa para que embargassem o corte, juntamente com outros amigos. O embargo durou uns bons meses.
Em outra ocasião, participei de uma reunião com o novo responsável pela nova licença de corte para determinar as condições do corte e estipular critérios. Tive que me deslocar com outras pessoas para outra cidade para tal reunião.
Nessa reunião uma de minhas colaborações foi determinar que o corte seria restrito apenas a bolsões de árvores de acesso fácil, onde os caminhões não teriam que passar por cima de cursos de água. Isso restringiria a área de corte bastante e protegeria os rios da região.
Foi feito o documento com todas as condições e o dono da área deveria obedecer. E o poder público deveria fiscalizar, visto que o acesso a área privada é proibido e ninguém tem permissão de entrar lá.
Na época, também sugeri que o controle fosse feito por satélite. Que se usasse a tecnologia para fiscalização. Afinal, estávamos na cidade do INPE.
Confesso que encerrei minha participação no assunto “Terras da Alemoa” na feitura desse documento depois de anos envolvida no assunto.
Não havia mais nada que eu pudesse fazer.
Envelheci.
Hoje, a Andréia, minha empregada me pergunta se um político da cidade me telefonou me convidando para uma manifestação na praça.
- Que manifestação?
- Estamos sem água há dois dias.
- Por que? (Lembrem-se que eu tive que gastar uma fortuna abrindo um poço aqui em casa porque se recusaram a me fornecer água e hoje sou completamente independente em termos de água.)
- Estão cortando lá em cima e desbarrancou tudo. Entrou terra nos canos e entupiu toda a caixa d’água. Acabaram com o Rio das Couves. É só terra. E agora vem a Vanguarda (TV local da Globo) fazer uma reportagem na praça. Vai todo mundo. O F. falou que ia chamar você porque você sempre foi metida nessas coisas de ecologia e tem um jornal, para você participar.
- Ai, Andréia, desculpa mas eu não vou. Pode ir você. Sai mais cedo. E amanhã me conta como foi que eu coloco no jornal.
It’s too late.
Been there, done that.
Eu já assinei a Petição Online contra a Censura na Internet.
É pouco?
Mas eu fiz alguma coisa.
Eu tomei uma posição.
Eu desci do muro.
Na verdade eu não fico em muros. Eu estou sempre de algum lado, tomando posições, me inteirando de assuntos, me posicionando e agindo da forma que eu posso, nem que seja por uma assinatura digital.
A maioria das pessoas que eu vejo por aí seguem a Cultura do Muro. É tão mais fácil ficar em cima de muros e nunca se comprometer com nada nem com ninguém. Nunca dar opiniões. E quando dão, são as mais vagas e herméticas possíveis sempre querendo dizer nada: em cima do muro. Não tem essa coisa do sou contra ou a favor.
É uma capacidade de ser sabonete na vida. Peixe liso. Gelatina.
E daí vêem a vida passar.
Enquanto outros se posicionam e dão a cara a tapa.
Eu sei que ninguém quer levar tapa. Mas num monte de gente junta, ninguém vai bater.
Enquanto uns gritam, outros torcem, como na sábia piada do inferno de merda, para ninguém fazer onda.
E para que a água não bata na bunda.

O Políbio Braga abriu um processo contra o Nova Corja, mas eu não conheço o Políbio Braga nem seu site, seu blog ou seu jornal. Nunca ouvi falar em Políbio Braga, você já?
Então entre aqui e conheça tudo o que eu sei do Políbio Braga.
OBS: post completamente motivado pelo fantástico processo do Políbio Braga contra um blog. Nem preciso dizer o que acontece quando um monte de gente lincar o nome do Políbio Braga apontando para o blog que ele está processando (GOOGLE BOMB!!!)
Ontem um dos blogs que eu leio, o Papo de Homem publicou um post sobre Aborto.
Eu odiei o texto porque o autor, um leitor convidado, foi muito infeliz ao escrever sua opinião e eu achei que por ser um assunto tão importante, o PdH poderia tê-lo apresentado de outra forma, com mais qualidade e informação. Uma pena. Um desperdício de espaço virtual e de tempo de quem leu o tal post.
Independente se sou contra ou a favor do aborto, a questão primeira que defendo sempre e continuarei defendo é a LIBERDADE INDIVIDUAL DO SER HUMANO DE GERIR SUA PRÓPRIA VIDA.
Quanto mais desenvolvida uma sociedade e seus participantes, precisaríamos de menos leis que a regulassem, teoricamente. Pois as pessoas se auto-regulariam. Isso é totalmente utópico, anárquico. Mas a anarquia parece que é a forma mais avançada de organização social. Por isso estamos longe dela.
Mas todo passo em direção à liberadade individual é bem-vindo.
Hoje, o Estado decide por nós várias coisas. O que podemos ou não fazer. Não temos autonomia de decisão sobre nosso corpo.
Por exemplo, seria meu direito andar de moto sem capacete e ter minha cabeça esbugalhada no asfalto se eu quisesse. Mas a Lei não o permite. Seria meu direito andar sem cinto de segurança e ser arremessada do carro numa batida, mas a Lei não me permite. Esses são exemplos corriqueiros de como o Estado interfere em minha liberdade individual. O mérito do porquê ele o faz, não importa. Mas ele o faz.
Como ia dizendo, eu defendo a liberdade individual, para a pessoa fazer o que bem entender consigo mesma, sem interferir com outros.
Hoje no Brasil é negado o direito de escolha às mulheres do que fazer no caso de engravidarem. A única opção é que levem suas gravidezes a termo salvo no caso de estupro ou risco de vida da mãe me parece.
Isso que me incomoda: a falta de liberdade de escolha. A imposição de um resultado.
Cada indivíduo, na minha opinião deve poder decidir sobre as questões fundamentais de sua vida. E ter uma filho é uma questão fundamental. O Estado não é capacitado para decidir isso por ninguém.
Permitindo a liberdade de escolha, daí sim o indivíduo poderá formular sua decisão baseada em suas próprias convicções morais, religiosas, éticas, culturais, psicológicas, financeiras.
Não precisamos de um Estado paternalista. E sim de um governo que nos respeite.
Eu não sou de ficar falando muito dessas coisas por causa da Primeira Diretriz.
Mas eu não resisto: Mulheres proibidas de deixar o país, Malásia, sem autorização da família ou empregadores.
Depois eu falo que o mundo vai ser apenas de gente burra, fanática religiosa e obesa e acham que eu estou exagerando.
Por falar nisso, vocês viram Idiocracy? Ótimo filme.
Num aniversário, há alguns anos atrás.
- Liliana, este é o Deputado Federal Carlinhos de Almeida.
- Ah! Você é o CarlinhosPontoOrg? Prazer, sou LilianaPontoComPontoBr.
PS- Bloqueado e nunca votado.
Hoje, 22 de janeiro é o Dia de Blog For Choice, dia de manifestação A Favor do Aborto.
A Lucia explicou um ponto de vista social muito importante. Sugiro lerem.
Eu sou a favor da liberação do aborto simplesmente porque o que eu resolver fazer com o meu corpo não é da conta de ninguém. E o que qualquer mulher quiser fazer com seu próprio corpo é só da conta dela. Ninguém tem nada a ver com isso. Muito menos o governo e as leis.
Eu sou daquelas pessoas horríveis que só considera gente viva e com direitos, depois que nasce e respira. Antes disso, o que está dentro do corpo da mãe é uma coisa que ela pode fazer o que bem entender pois está dentro dela. E eu ficaria muito brava se alguém resolvesse dar pitacos sobre o meu corpo.
Socialmente e legalmente a liberação do aborto é uma realidade que tem que ser levada em conta e atualizada.
É foda.
Além de tudo ela era mulher.
Uma mulher que chegou a ser Primeira-Ministra do Paquistão. Isso não é bolinho.
São poucas as mulheres que chegam a cargos como este no mundo ainda.
Poucas.
Todas elas merecem algum crédito.
E não foi em um país de primeiro mundo. Foi no Paquistão. Mais crédito.
É foda.
Só posso dizer isso.
(Continuando a respeitar a Primeira Diretriz)
Quando alguém entrava na casa de meus avós para a ceia na véspera de Natal ninguém dizia que eram ateus.
E era essa mesma a intenção deles.
Durante o resto do ano, não se falava em religião, deus, ou Jesus. Poderíamos discutir Platão, Sócrates, outros filósofos e políticos. Mas santos e deuses, não.
Uma vez por ano minha avó recebia amigos e parentes com a casa toda arrumada para o Natal. Organizava a ceia, montava presépio, árvore, até tinha uma mini-procissão da criança mais nova que levava o menino Jesus para o presépio à meia-noite. Cantávamos músicas natalinas, havia jogral, troca de presentes e um entra e sai de gente que tinha que marcar presença na casa deles ano após ano.
Era um acontecimento social o Natal.
Aquela época eram tempos de vaca gorda. Muita fartura.
Conforme o tempo foi passando, as vacas foram ficando magras e meus avôs foram ficando mais velhos e as pessoas foram rareando no Natal até que pararam de ir. Sem fartura, sem pessoas.
Analisando agora, mais velha, entendo o porquê de atitude tão paradoxal: ateus comemorando o Natal em tão grande estilo.
“Quando em Roma, faça como os romanos.”
Era uma época política que não se podia chamar a atenção para si. Combinada com o desejo de interação social de minha avó.
Por algum tempo chamei-os de hipócritas. Hoje eu entendo.
Não concordo com o que faziam, mas entendo.
Minha avó me passou uma lição errada de que eu tinha que fingir ser uma coisa para ser aceita na sociedade, enquanto em casa, éramos outra. O amadurecimento me permitiu descartar as lições erradas de meus ascendentes e ser eu mesma.
Essa era a vida de uma família atéia na ditadura militar.
A chuva no final da passeata que reuniu neste domingo milhares de filiados e simpatizantes do PPF* não diminuiu o abrilhantamento do evento que levou às ruas uma multidão de gente com boa vontade mas sem computador. Por isso, apesar do apoio incondicional das bases, você ainda tem que votar.
Estamos em primeiro lugar no Concurso apesar das campanhas dos nossos valorosos concorrentes.
Amigo, conto com seu voto!
Obrigada,
Liliana, a Herege.
*Partido do Patinho Feio