O Carro

Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, September 12th, 2009

Hoje em dia ter carro ficou muito mais fácil. São incontáveis prestações a perder de vista.

Mas ter carro é mais do que pagá-lo. Tem a manutenção e os impostos. E o seguro.

Eu sempre que vejo concursos oferecendo carros caríssimos para os ganhadores fico pensando nas despesas que essas pessoas estariam se metendo além do lindo presente de 4 rodas. E fico imaginando que se eu ganhasse um carro num concurso eu o venderia imediatamente. Prefiro minha parte em dinheiro.

Há quase doze anos eu consegui comprar o carro dos meus sonhos: um Defender Land Rover inglês igual ao que via na série Daktari.

Eu o comprei seguindo a filosofia dos Defenders: para sempre e para qualquer ocasião. Para nunca mais me preocupar com carros na vida.

Para isso, eu tive que investir bastante. Tive que escolher construir uma casa ou comprar o carro. Escolhi o carro e deixei a casa para depois.

E daí começou a manutenção e os impostos.

E o seguro.

Uma vez conversando com um amigo, ele estava na dúvida se ficava com um carro importado ou se trocava porque não tinha como pagar o seguro. Não dá para ter carro e não ter seguro. E ele acabou trocando de carro.

Setembro é o mês que eu tenho que pagar o seguro do Defender. Recebi a proposta de renovação da seguradora que eu uso mas quis fazer uma cotação com outras. Foi quando descobri que não seguram carros importados com mais de 8 anos, me obrigando a manter minha seguradora atual que ainda se dispõe a segurar o jipe.

Um Defender de alumínio de 12 anos ainda é criança nas minhas contas, mas já deu para sentir a pressão para se trocar de carro.

Um sujeito há um tempo atrás veio me perguntar se eu andava em BMW velha insistindo que ele tinha uma novinha na garagem. Eu respondi que meu carro tem 12 anos, eu realmente não ligo para idade de carros.

Eu ligo para a função.

A tal BMW acabou atolando na estrada porque ele não quis ir com meu jipe.

Precisou vir meu empregado com um fusquinha desatolar a BMW.

O carro é uma extensão nossa. Serve de apêndice para nos locomovermos, aparecermos em sociedade, uma máscara para nos mostrarmos ao mundo.

Meu jipinho vermelho é a minha cara.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Friday, August 7th, 2009

    E ontem foi um dia tranquilo.

    O Speedy não estava funcionando direito desde que caiu uma árvore na semana passada e cortou a linha telefônica. Então tive que ligar para a companhia para pedir reparo. A conexão funcionava mas caia toda hora. Não dava para manter uma conversa decente no MSN nem navegar em nenhum site com calma.

    Liguei e o call-center me atendeu superbem. Fizeram um teste na linha e o moço avisou: olha, vai cair a internet, tudo bem? E eu disse sim. E fiquei sem internet até o técnico chegar.

    Sem internet é modo de dizer porque eu tenho o tal modem da VIVO mas a velocidade era ridícula. Só dava para pegar emails.

    Mas o técnico da Telefonica me liga logo de manhã dizendo que conferiu minha linha ( o fio mesmo) e ele estava inteiro e  problema era do Speedy e ele mandaria um técnico do Speedy  em uma hora.

    Uma hora?

    Pois é.

    Logo depois me liga uma moça da Telefonica perguntando se o técnico do Speedy poderia ir na minha casa em seguida. Claro que eu disse : claro!

    Foi o tempo do rapaz vir de São José. Uma hora e já estava avaliando tudo, desde a central telefônica da cidade até os postes da minha rua. Depois, ele sobe até aqui em cima com um Asus EEE PC e testa o modem.

    Era o modem que queimou provavelmente na tempestade que fez cair a árvore.

    Trocado o modem, o roteador parou de funcionar.

    “Moço, não vai me deixar sem WIFI, né? Eu gosto de ficar na cozinha!”

    “Mas eu não sei mexer no roteador…”

    Bem, ele foi muito legal. Enquanto eu pegava o manual do roteador, ele ligou para um técnico mais velho que passou as instruções do que fazer. O roteador não conversava mais com o modem.

    Juntos conseguimos fazer tudo funcionar e ficou perfeito. Até a velocidade de download melhorou significativamente.

    Eu só tenho que elogiar todo o pessoal que tive contato na Telefonica.

    Detalhe: não gostei do Asus do técnico. Muito pequeno. Bonitinho mas não dava para enxergar nada nele. Não compraria um.

    Ontem também foi dia da Srta. Manilha passear pela casa. Ela adorou a sala e o escritório. A Dona Joom La seguiu a gata por todo canto mas não fez nada. Porém, ainda não confio nos pastores soltos com a gata no chão. Dr. Tai nem percebeu que a gata estava andando solta e continuou no posto dele, na porta de entrada.

    Manilha está crescendo superrápido. Já perdeu o ar de filhotinho e está uma adolescente.  Nem adulta nem filhote, meio desengonçada. Mas é bem bonita, tricolor. Acho que quando ela estiver maior poderá fugir e se defender dos cachorros maiores. Ela dá patadas e chegou a morder a orelha da Joom La que enfiou o focinho por baixo dela. (A Joom La é meio estúpida mesmo…)

    Esta madrugada os cachorros me acordaram por causa de um barulhão no telhado. Um animal esquisito que eu não consegui ver estava berrando lá em cima. Não sei se era mamífero ou ave. Mas era enorme. Parecia que as telhas estavam quebrando. Fica o mistério.

    Bem, este é o relatório de ontem ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Thursday, June 25th, 2009

    Nossa família cresceu: o novo membro é uma gatinha filhote calicó (tricolor) que apareceu aqui em casa e foi roubar comida dos cachorros na varanda.

    Como não nego comida e abrigo aqui no santuário de bichinhos que é minha casa, alimentamos a gatinha e torcemos para que ela fosse embora seguindo com sua vida como vários outros gatos já fizeram ao perceber que a área é primariamente cachorreira.

    Mas a gatinha não foi embora.

    E ficou morando na manilha no pátio de manobrar o carro.

    Quatro dias se passaram e ela firme.

    Com a Joom-La foi a mesma coisa. Ela veio e se instalou na garagem e sua persistência quebrou minha resistência e os outros bichos tiveram que aceitá-la.

    A gatinha venceu.

    Ganhou nome: Manilha por causa do lugar onde se esconde. Ganhou potinho, coleira, vermífugo, casinha e cobertor numa caixa de papelão (que os gatos adoram), ração especial de salmão para gatos(!) e muito colo e agrados.

    Mas como os cachorros estão reagindo? Complicado…

    A Joom-La já encontrou várias vezes a Manilha e late bastante para ela. Manilha fica brava e repele a Joom-La apesar de ser minúscula. A Graça e o Tai têm um histórico de matar gatos. Assim, eu restringi o acesso deles para a garagem, infelizmente. Nossos passeios pela estradinha estão suspensos até Manilha conseguir correr mais que os cachorros grandes que estão velhos. A gatinha é esperta e já percebeu que para o lado de cá da cerca tem cachorros grandes e malvados. Não sei dos antecedentes do Gigio com gatos. Ele é bem boa praça mas não posso arriscar. Assim, o espaço do terreno ficou dividido entre a área dos cachorros e a área da Manilha.

    O próximo passo é a castração da Manilha que vou providenciar nas próximas semanas.

    Bem, nossa família cresceu. E vamos torcer para a Manilha resistir aos cachorros já que parece que ela quer tanto ficar por aqui.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Wednesday, June 3rd, 2009

    O inverno pelo jeito finalmente chegou. Está frio. E quando eu digo frio, é frio.

    É frio de acender a lareira, ficar embaixo do edredon e tomando sopa quente.

    E com o frio recomeça a rotina de ir buscar lenha para alimentar as lareiras.

    Seu Zé recolhe a lenha e parte em pedaços pequenos e deixa secar no barracãozinho no platô de baixo.

    Eu pego sacos de ração de cachorros daqueles grandes, coloco no jipe e vou no barracão encher os sacos e trazer aqui para cima.

    Quatro da tarde é a hora que o sol se põe atrás da montanha e tudo fica gelado. É a hora de acender a lareira e fechar a casa.

    Rapidamente o calor envolve o ambiente e o crepitar da toras dá uma sensação de aconchego.

    Os cachorros se acomodam em volta do fogo. (Menos o Tai que se lembra que é um cãozinho do frio da Manchúria e prefere continuar no seu posto na varanda.)

    Mas este ano tem uma diferença: eu não fui pegar lenha sozinha.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio,No Plantão | Wednesday, May 6th, 2009

    Ainda estou na merda. Mesmo com as bactérias novas que jogamos nas fossas o problema do esgoto continuou. Então resolvemos fazer novas fossas para acrescentar às originais. As famigeradas fossas negras. São buracos enormes e fundos cavados na terra, no caso aqui, no jardim, e o cano do esgoto vai desviar para elas, além dos drenos no gramado que já ficou patente que não estão dando conta de dispersar a água.

    As tais bactérias são incríveis. Muito boas mesmo, porém, o solo está tão encharcado que a água que sobra das fossas sépticas continua voltando pelo ralo da garagem. Seu Zé está cavando a primeira fossa e quinta-feira deve ligá-la ao sistema. Até semana que vem esperamos ter resolvido definitivamente este problema.

    Eu gosto de saber que meus cachorros têm vida própria. Já contei que cada um tem sua rotina, gostos pessoais, personalidade. Esta semana fiquei sabendo que a Joom-La todo dia vai pela manhã até o abacateiro comer abacates do chão. Meu terrenos tem 15 mil metros mas os cachorros sempre estiveram restritos a área perto da casa. Agora mais velhos eles já não fogem. Na verdade não querem fugir daqui e podem aproveitar o terreno todo. Seu Zé contou que o Gigio gosta de ir almoçar com ele, onde ele estiver trabalhando no terreno. O Tai está com muita dificuldade para andar e passeia apenas pelo gramado aqui perto. Mas sempre dá a voltinha dele duas vezes por dia, religiosamente. A Graça é a única que não se afasta da casa. No máximo vai até a primeira curva da estrada dar uma cheiradinha no mato.

    A dificuldade de locomoção do Tai está muito avançada. Ele consegue andar pela manhã no entanto à tarde, ele já não tem força nas perninhas de trás para se levantar e chora pedindo ajuda. E ele e eu agora temos um ritual: eu pego um cobertor e abro ao lado dele; ele rola para cima do cobertor e fica deitadinho como uma esfinge; então eu puxo o cobertor até o gramado onde ele tem mais aderência para se firmar e ficar de pé. Ele já se conformou com essa ajuda. No começo ele chorava e tentava me morder. Agora ele rola sozinho para o cobertor e abana o rabinho e vai todo feliz enquanto eu puxo. Pois é, tenho um cachorrinho velhinho deficiente.

    Os plantões no posto vão indo bem. O problema é que estou sendo exposta a muitas viroses diferentes e estava desacostumada. O resultado é que peguei uma gripe atrás da outra. E não tem essa de ficar doente. Tem que ir trabalhar. E eu ficava lá ouvindo as pessoas se queixando de tudo que eu estava sentindo. E daí mandava todo mundo descansar, ir para a cama enquanto eu fazia o contrário. O resto do tempo que não estava trabalhando eu só queria cama e sossego. Foram quase 15 dias assim. Sem passear, sem sair de casa, só saindo para trabalhar.

    E finalmente a época das chuvas passou em São Francisco Xavier. Os dias têm sido azuis e maravilhosos e frios. As montanhas estão lindíssimas. Isso me deixa muito feliz porque adoro dias bonitos. Meu humor varia em relação à claridade do dia. E está tudo claro, limpo, agradável. É absolutamente incrível acordar cedo e ver as montanhas branquinhas de névoa e as plantas verdes e viçosas.

    Bem, acho que era isso. Espero que todos estejam bem também.

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    Liliana | Filosofando,Minha vida num sítio | Thursday, April 16th, 2009

    Eu poderia escrever sobre o significado da merda enquanto simbolização de conteúdos digeridos pelo inconsciente e sua expressão mitológica monstruosa como ser independente e silencioso tomando de assalto com sua presença fétida e líquida os recôndidos das instalações sanitárias de meu lar.

    O fato é que as fossas sépticas de casa, são duas no total, estão atoladas de merda. É tanta merda que não sei como, elas se interligaram e agora se tomo banho no meu chuveiro, a merda sai na garagem.

    O solo está tão encharcado que não há vazão do esgoto.

    Estou literalmente na merda.

    Ficar na merda é um processo. Da mesma forma que uma fossa não se enche de uma hora para outra, uma pessoa não se vê na merda de repente.

    A gente tem sinais que algo não está certo. E infelizmente poucos de nós prestamos atenção a esses sinais e tomamos providências logo no início. É uma descarga que não esvazia rapidamente, um ralo entupido, uma irritação aqui, outra acolá.

    Quando se percebe, tem merda saindo por todos os lados e você perde a paciência. Quem olha de fora poderá pensar: “mas o que aconteceu com essa pessoa? Parecia que estava tudo bem!” Mas não. A merda estava acumulando.

    E daí, com merda pelas tampas, qualquer cocozinho já é suficiente para uma reação exagerada.

    As bactérias que limpam fossa chegaram hoje. Já fui no correio pegar e joguei em todos os ralos e privadas. Mas não sei se na atual conjuntura vai ser suficiente para arrumar o estrago. Eu não gostaria de ter que desenterrar as fossas e todo o encanamento e estragar o gramado.

    Mas é claro que a merda real é apenas uma parte da merda simbólica. Porque a gente produz merda o tempo todo e tem que fazer algo com ela, dar o destino certo. Trabalhar a merda. Estou seguindo com meus planos de vida, transformando merda em ouro. Mas devo estar preparada para novas mudanças para justamente não acumular mais merda. E não ter mais que lidar com a materialização de meus problemas saindo pelo ralo da garagem.

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    Liliana | Minha vida num sítio,No Plantão | Monday, April 13th, 2009

    receber visitas!

    Este feriado recebemos a visita de um casal de amigos do Cardoso lá do Rio e foi muito gostoso. Muita conversa boa, churrasco, risadas… A casa fica animada e os cachorros ficam em festa porque recebem muito carinho e muitos elogios. Eu como mãe fico superorgulhosa de ver meus pimpolhos sendo elogiados.

    Passeamos de jipe, fomos comer fora na Nanda e no Will, foi muito bom.

    O plantão do feriado até que foi tranquilo. Atendi metade dos pacientes de um dia normal. E não teve  nenhuma emergência séria. Consegui estudar, ver um filme, dormi um pouco.

    A UPA onde trabalho (Unidade de Pronto Atendimento) é muito elogiada e percebi que tem turistas que vão lá passear e aproveitar consultas. Isso revolta pois vem gente de outras cidades onde o atendimento não é lá essas coisas em busca de consultas de rotina no plantão de emergência. E soma-se a isso ao fato que o povo já espalhou na cidade que sou eu que estou de plantão e o pessoal quer passar comigo. Então, fica um monte de pacientes crônicos para atender na UPA e no meu consultório particular, que é bom, nada. Porque ninguém quer pagar. Mas eu explico: olha, eu não tenho acesso ao prontuário online do ambulatório, é apenas atendimento de emergência. Não tem como fazer tratamento crônico no plantão. E tenho que me virar como posso e resolver o problema do paciente com o que eu tenho até ele passar no médico de rotina.

    Este plantão eu atendi tanta gente com pressão alta que lá pelas tantas achei que o defeito era comigo: que eu é que estava ouvindo errado a pressão das pessoas.

    O que que custa tomar a medicação? Ela é fornecida gratuitamente no posto. E os efeitos deletérios da pressão alta são terríveis, se eles soubessem, nunca deixariam de tomar o remedinho. Eu explico, falo, mas parece que o povo não tem amor a vida.

    Não adianta ficar passando no médico se a pessoa não faz a sua parte. O maior interessado é o paciente.

    Eu vejo que uma parcela das pessoas não assume a responsabilidade pela própria vida e pelos cuidados sobre si mesmo. Esses ficam indo no médico por qualquer coisa e geralmente estão descompensados esperando que o médico fique dando “broncas” e incentivando a aderência aos tratamentos. Não é função do médico ficar convencendo o paciente que é melhor ele fazer o tratamento. A pessoa é que deve tomar para si a responsabilidade de querer o melhor para si mesmo. O médico apenas fornece dados e o meio para que isso seja possível. E no caso do posto de saúde, até fornecemos a medicação para que não haja despesa nenhuma. Os profissionais de saúde têm um atuação limitada.

    Bem, era isso do fim de semana. Boa semana a todos!

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    Liliana | Minha vida num sítio | Monday, April 6th, 2009

    E a vida vai indo pelas bandas de São Francisco Xavier.

    O tempo aqui costuma ser horrível. Chove muito. E eu detesto chuva. E está chovendo agora. Mas isso eu já contei e não tem nenhuma novidade. Porém, ficou a dúvida de quando foi a tal Chuva da Goiaba, que é a chuva que fecha a Temporada das Águas. Costuma ser uma tempestade daquelas de cair o mundo. A Nanda falou que já teve. Eu não vi. Para mim foi só chuva normal. E as Águas continuam…

    E estamos esperando a Seca para reenvernizar as janelas. Nem parece que Seu Zé passou verniz em tudo. Ele está fechando as trincas da casa com cimento. Já fechou por fora e em breve vai passar massinha branca por dentro. Mas também estamos esperando secar tudo.

    Outra coisa que as Chuvas fizeram foi entupir todo o sistema de esgotos daqui. O chão ficou tão encharcado que o esgoto começou a voltar pelos canos e ralos e as fossas se encheram de tal forma que agora vou ter que usar de artifícios para esvaziar.

    Acabei de encomendar pela internet um preparado de bactérias que comem dejetos para ser jogado no esgoto e assim esvaziar as fossas. Muito legal.

    Os cachorros estão bem. O Mario sumiu mesmo.

    Eu estou gostando muito de dar os plantões lá no posto. Fui contratada como avulsa para os plantões de sexta-feira este mês.

    Os plantões tem sido puxados porque a população de São Francisco cresceu muito, praticamente dobrou e a quantidade de médicos continua a mesma. A cidade tem um clínico geral em meio período, um ginecologista, tem um pediatra uma vez por semana e o resto sobra tudo para o plantão. Então eu tenho que atender tudo: bebês, crianças, adultos, idosos, todo mundo e em todas as especialidades já que o encaminhamento para os especialistas pode demorar muitos meses.

    É uma experiência bem interessante.

    Enfim, vamos indo.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Thursday, March 26th, 2009

    A Graça estava indo embora ontem, a Graça moça, não a Graça cã, e voltou dizendo que estava saindo água do meio da terra na frente da garagem. Cardoso e eu fomos correndo lá ver com a cachorrada atrás e constatamos que a água minava do chão. O próximo passo foi correr para a torneira mais próxima e ver que estávamos sem água nos canos. Ai, caceta, outro vazamento!

    Peguei o celular e liguei imediatamente para Seu Zé pedindo socorro. Ele falou que não podia vir naquela hora e só poderia consertar o problema no dia seguinte, ou seja, hoje.

    Ficamos a noite inteira sem água.

    Hoje de manhã Seu Zé abriu um buracão na frente da garagem e contou que lá passavam 4 canos enormes e eu nem sabia! Eu jurava que os canos corriam mais para o cantinho da estrada. Bem, ele descobriu o vazamento e consertou e eu fui tomar banho.

    Porém, ele havia fechado uns registros da caixa d’água e fechou a água fria para a casa. E esqueceu de abrir. 

    Jorrava água quente do boiler do aquecimento solar no telhado.

    E eu quase cozinhei no banho.

    Semana passada tivemos outro vazamento no cano que vem do poço e ficamos também sem água. 

    Aparentemente o tal cano chegou no limite de tempo dele. E é hora de dar manutenção em tudo.

    Ter um casa é cuidar bem dela, fazer a manutenção das coisas, pintar, envernizar, trocar canos… Cada coisa que a gente tem significa uma despesa em manutenção.

    Eu gosto de cuidar bem das minhas coisas para elas durarem bastante. Hoje eu vi um episódio de South Park sobre a crise e havia uma crítica ao consumismo. Se a gente cuida, não precisa consumir tanto.

    Eu também gosto de fazer bem feito de primeira para não ter que ficar repetindo outras vezes depois. Sai mais barato também.

    Eu detesto frases de efeito mas tem aquela famosa: quem ama cuida…

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz.,Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Estou conscientemente escrevendo este post para adiar por mais uns minutos a faxina aqui de casa.

    Vocês podem achar bobagem isso: fazer uma simples faxina. Mas para mim, é outro mundo.

    Eu sou uma pessoa basicamente cerebral. Eu me movimento, gosto de me movimentar mas escolho me movimentar através de exercícios tipo caminhadas, corridas, musculação, essas coisas. Atividades físicas envolvendo cuidar da casa nunca foram coisas que eu gostasse de fazer.

    E confesso: faz meses que não tenho feito exercícios. Minha saúde não permitiu. Meus médicos só me mandavam descansar. E eu tentava. Mesmo o trabalho mental era contraindicado mas eu não conseguia ficar sem fazer nada.

    Esta semana, iniciei uma fase nova na minha vida.

    Eu, que sou a rainha de me reinventar e viver um dia de cada vez me vejo numa situação completamente nova: reaver minha casa. Estou descobrindo as coisas qeu eu fechei os olhos e relevei com a empregada. Sujeiras, coisas escondidas, bagunças, uma casa que eu não conhecia. Que eu só olhava por cima e nem queria ver.

    Comecei a limpar do meu jeito. Organizar do meu jeito. Cozinhar do meu jeito.

    Estou me sentindo voltando às origens mais básicas do ser humano: arrumando minha caverna e providenciando o alimento.

    E meu corpo está sentindo a diferença: todo dolorido. Sinto cada músculo mexido como numa das minhas sessões de musculação de antigamente.

    E a satisfação? Enorme!

    Nosso quarto nunca esteve tão gostoso.

    A casa é grande. Não dá para limpar tudo num dia só. E eu ainda não tenho uma rotina. Mas estou me sentindo bem. E tenho certeza que com o tempo teremos a rotina nova certinha.

    Vocês não fazem ideia do que isso significa para alguem com minha saude complicada. Sinto-me vencedora.

    É.

    Estou feliz.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Ontem conversei longamente com Seu Zé.

    Fui contar da saída da empregada ele ficou surpreso com a história toda.

    Falamos do sítio, que está cada vez mais lindo. Falamos da época das chuvas que o deixa muito ocupado e mal conseguindo dar conta da estrada. Falamos de um monte de coisas.

    Mas a conversa que me tocou mais foi quando eu perguntei por que aqui no sítio não dá frutas?

    Desde o começo plantamos mudas de várias árvores frutíferas no platô de baixo: goiabeiras, abacateiros, mangueiras, pitangueiras, jabuticabeiras… Várias… Também fizemos um pomar perto da casa no platô de cima que nunca foi para frente. Porém, lá em baixo as árvores estão grandes e como eu nunca tive frutos de lá?

    Daí Seu Zé me explicou.

    “Sabe, Liliana, aqui tem muito bicho. Não sobra nada. Tem as saracuras, tem os saguis, tem os jacus… Tem até um bando de tucanos que mora aqui. Tem um esquilinho encapetado que sobe até na minha cabeça que não deixa nenhuma goiaba. Êta bichinho endiabrado! Ele não tem medo de mim e sobe pelas minhas costas quando estou trabalhando perto das goiabas. Os abacateiros estão carregadinhos, olha lá. Mas essa cachorrinha (e aponta a Joom-La) vivia de comer abacate enfiada no mato. Foi só quando acabaram os abacates que ela subiu para a sua casa…”

    Quando Seu Zé contou que a Joom-La vivia sozinha de comer abacates caidos no chão no meio do mato eu passei a amá-la ainda mais. Minha cachorrinha arisca, sobrevivente, que se virou como pode e só buscou a casa por fome.

    Entendi que meu sítio não é meu. Todas as árvores plantadas aqui atrairam uma fauna muito diversa. Tem lagartos, sapos, corujas, gaviões, macaquinhos, esquilinhos, uma variedade de pássaros. Onde antes havia um pasto estéril, hoje é um lugar rico e dadivoso em alimento para todas essas espécies. Até para uma cachorrinha abandonada que comeu abacate para não morrer de fome.

    O que mais eu posso pedir?

    “Deixa, Seu Zé, deixa para os bichos.”

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    A dúvida que não quer calar é: quando eu vou poder comprar algo que não esteja em liquidação/promoção/saldão/baciada?

    Ontem Andréia e eu fomos numa expedição para a cidade grande fazer as compras do mês da casa. Fomos para São José dos Campos um dia depois de uma das piores tempestades dos últimos 30 anos.

    Foi mesmo uma expedição.

    Em quase 12 anos que estou morando aqui e a Andréia que nasceu aqui nunca vimos os estragos que a chuva causou na estrada e nas cidades por onde passamos.

    Para vocês terem ideia, caiu uma barreira dentro do meu sítio: nossa estrada foi fechada porque parte do morro despencou. E em toda a estrada várias barreiras caídas e pior: a estrada de asfalto cedeu em vários pontos e rachou em outros estando prontinha para despencar.

    Partes da estrada também estavam submersas e só jipes e picapes altas passavam.

    Demos carona para uma professora de Monteiro Lobato, a cidade vizinha, e ela nos contou que Monteiro ficou embaixo d’água. A praça principal teve água até metade das portas. Os trialers boiavam. O supermercado foi invadido pelas águas e o estoque foi perdido assim como o da casa de ração. Ela contou que o povo de lá ficou perto do rio esperando as caixas de cerveja e de refrigerante virem rio abaixo.

    Quando passamos por Monteiro, na volta, pudemos ver as marcas da água nas paredes: um metro pelo menos.

    A professora também contou que havia chovido mais de 70 mm de água naquela noite e que deveria chover mais de 120 mm ontem. Então, resolvemos apressar nossa viagem, adiar certas coisas para outro dia e tentar voltar antes da chuva. Mas, de qualquer forma, seria mesmo uma aventura.

    Morar em São Francisco Xavier é uma aventura. É.

    Mas mesmo com a ameaça da nova tempestade não desistimos e fomos para  comprar a ração dos cachorros, nossa primeira parada. Comprei a ração em promoção, lógico.

    A parada seguinte foi no Extra, onde fiz a festa comprando tudo que era marca genérica e mais promoções.

    Depois, fomos até o Pão de Açucar onde tem o açougue que eu gosto apenas para comprar carne. E lá, havia promoção de sorvete Rägen Daaz. Dois potes e um descontão.

    Resultado, me dei de presente um sandália Havaianas dourada da liquidação do Extra e um pote de sorvete Rägen Daaz da promoção do Pão de Açúcar. O resto, coisas para minha sobrevivência e dos cachorros.

    A que ponto que a gente chega que nem uma sandália Havaianas eu tenho coragem de comprar se não estiver na promoção?

    A Andréia brinca comigo: você é a rainha da promoção. Caramba, até meu jipe eu comprei numa promoção com desconto.

    Acho que estou tão acostumada a só comprar o que sobrou, o refugo, o que não saiu e que colocaram para torrar, para liquidar…

    Mas isso me incomoda. É como se eu não conseguisse mais desejar algo e simplesmente ir lá e comprar na hora que eu quero. Eu espero entrar na promoção e se ainda sobrar o que eu gostei, daí sim, eu levo.

    Roupa sem estar na liquidação? Nem sei o que é isso.

    Sapatos? Idem.

    Por isso só compro roupas e sapatos nas liquidações de inverno e verão, duas vezes por ano.

    É. Acho que fiquei chocada com a promoção do sorvete. Foi demais.

    Com vocês também é assim?

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    Bom dia, povo!

    E inicia-se outra semana aqui no sítio.

    O Tai ficou largadão depois da viagem ao veterinário na sexta-feira. Não conseguia se mexer, se levantar, comer sozinho, nem mesmo ir ao banheiro lá fora. Foi deprimente ver o bonitinho todo inválido. Fiquei supertriste, o Cardoso ficou bem preocupado a ponto de dormir na sala com o o Tai tomando conta dele. Eu tinha que puxá-lo com um tapetinho até a grama para ele fazer o xixi dele e dar comida e água na boquinha. A ferida da bicheira melhorou mas está ainda muito grande. Aparentemente não tem bichos vivos lá. Mas tem infecção. Só que hoje, segunda, ele acordou muito melhor! Foi receber a Andréia no portão, e se comportou normalmente. Comeu, tomou leitinho, tomou os remédios, abanou bastante o rabinho, enfim, voltou a ser o Tai. Mas eu tive que desmarcar o banho que estava marcado e sinceramente não sabemos como vamos fazer com os futuros banhos dele porque ele não tem mais condições de ir para São José na Tia Rebekah no Pet Shop.

    Os outros cachorros respeitaram a doença do Tai. Não chatearam ele, não ficaram com ciúmes e nos deixaram cuidar dele sem interferir.

    Amanhã está marcada a mudança de uns móveis que estão num depósito guardamóveis em São Bernardo do Campo. Eles são minha herança da casa de meu avô. Tive que providenciar a transferência deles as pressas. A sorte é que eu já havia mandado Seu Zé construir um barracãozinho de madeirite no platô de baixo justamente para guardar tudo. Pretendo usar os móveis futuramente na minha Hospedagem, quando puder construir mais quartos. Vai ficar bem bonito porque eles são antigos e os quartos vão ficar lindos. Só falta ter como construir…

    Esta semana também acabo de tomar os corticóides que comecei a tomar no hospital. A retirada dos corticóides é uma coisa lenta para o corpo voltar a produzí-los. Pelo jeito estou reagindo muito bem. Que bom. Parar de tomar esses remédios fecha o ciclo de tudo de ruim que me aconteceu no final do ano passado. E não tenho mais desculpas para não entrar num belo regime e perder os 10 quilos que ganhei na brincadeira toda. Não é que engordei 10 quilos. Eu já estava 5 quilos acima e engordei mais 5.

    Com o aumento de peso, além de perder a maioria de minhas roupas, entrei numa faixa perigosa: prediabetes. E o tratamento: perder o peso extra. Mas todo mundo que já fez dieta sabe como é difícil…

    A previsão do tempo para São Francisco Xavier é de chuva a semana toda. E temperatura máxima de 22 graus. Isso me deixa muito puta da vida porque eu detesto chuva. E fico com mais vontade de ir para São Miguel do Gostoso. Porém, minhas viagens para lá estão suspensas até segunda ordem. Em compensação, a previsão para Gostoso é de sol e temperaturas de 32 graus. Que Gostoso!

    Esta semana também pretendo ir para São José pegar a chaminé da lareira do quarto de hóspedes. Só falta essa chaminé para o quarto ficar completo do jeito que eu quero. Ele está com uma lareira linda de ferro. E assim que estiver instalada vou poder tirar fotos. Eu sou perfeccionista, sabem…

    Com os móveis novos que chegam também vou redecorar meu consultório aqui de casa. Não vejo a hora para ver como vai ficar.

    Bem, que eu me lembre esses são os planos para a semana. Vamos ver se eu consigo cumpri-los.

    Boa semana a todos!

    PS- Sim, esse blog é um diário pessoal também ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Saturday, January 24th, 2009

    Este é o Tai, o Chow Chow selvagem.

    Não se engane com sua fofura intrínseca porque ele é muito voluntarioso. Os chows chows são assim: cabeças duras. Tem gente que diz que chows chows são burrinhos. Ledo engano. O Tai é bem inteligente: ele só faz o que ele quer. E cabe a nós dobrarmos sua vontade e convencê-lo a fazer o que nós queremos. Se ele achar que vale a pena, ele dá um sorrizinho e lentamente, na velocidade dele, ele faz, na hora que ele decidir.

    O Tai vai fazer 12 aninhos em março que vem. E é o mais velho aqui de casa.

    Ele, não sabemos como nem porque, desenvolveu uma frouxidão ligamentar nas patas traseiras que dificulta muito sua marcha. O chow chow já tem um andar muito engraçado e típico da raça, com as patas esticadas. Mas o Tai, com as patas traseiras bambas, anda com dificuldade e não tem muita estabilidade. Qualquer esbarrão nele e ele cai no chão feito um saco de batatas.

    Essa dificuldade para se mexer fez que ele ficasse mais quietinho no seu canto. E os chow chows já são muito na deles, muito parecidos com gatos, e ficar paradinho horas na varanda só contribuiu para ele ficasse mais gordinho e barrigudinho. Idade, sedentarismo… Um Tai gordinho.

    Mas a rotina dele é bem gostosa: ele adora dormir na varanda tomando a fresca da noite, vendo a lua. Ele adora a lua. Quando teve o eclipse ele até chorou. E ele também adora dar as voltinhas dele no gramado. Ele sai passeando lentamente, no seu passinho desconjuntado e dá uma volta na grama para seu xixi, seu cocô, para cheirar as novidades, para cheirar os xixis das fêmeas, para ver a vista aqui de cima. Ele costuma dar duas voltinhas por dia. E não gosta de ninguém acompanhando ele nos seus passeios solitários. Quer sossego e silêncio. Daí ele volta para seu posto na varanda de frente para a garagem tomando conta de quem chega, mesmo dormindo e cochilando a maior parte do tempo. No fim da tarde, ele entra em casa e vai até mim para o agrado diário. Coloca-se ao meu lado no sofá e respira barulhentamente avisando que quer ser agradado. Quando eu olho para ele, ele abana o rabinho concordando: isso mesmo, me agrade agora. Depois de ser agradado por mim, ele vai até o Cardoso para mais agrados e se não quer voltar para a varanda, ele se enfia no nosso quarto para dormir mais. No escurinho e no silêncio. Quando vamos dormir e vamos todos para o quarto, ele sai de lá incomodado procurando outro lugar mais tranquilo.

    Outro ritual do Tai é o leitinho.

    Todas as manhãs quando a Andréia chega, ela serve um pouco de leite na vasilha dele. Ele cobra o leitinho indo encontrá-la no portão e acompanhando-a até a cozinha. E não sai de lá até que ela o sirva.

    Quando ela veio me dizer que ele não quis tomar o leitinho, uma sombra de preocupação caiu sobre a casa: o Tai está doente.

    Meus planos de passar uma semana sem viajar se acabaram. Pegamos o jipe e nos dirigimos até a clínica veterinária. O diagnóstico eu até imaginava: bicheira.

    Acontece que o Tai tem um tumor de pele na bochecha. Câncer de pele. E era preciso um superoperação para extirpar todo o tumor. Então, eu estava controlando o crescimento. Esses tumores costumam ulcerar e foi o caso do Tai: ele ficou com uma úlcera no rosto, pequena. Manejável.

    Vocês podem se perguntar: mas como ela deixou ele com um tumor na bochecha? Porque o Tai é muito bravo. Ele morde. E morde de verdade. Bravíssimo se alguém vai fazer algo que ele não quer. Inclusive eu. Mesmo velhinho, mesmo capenga, mesmo gordinho, ele é terrível.

    O tal tumor há meses atrás pegou bicheira e os próprios bichinhos da bicheira comeram boa parte do tumor. Foi um tratamento “alternativo” para o câncer. quase  desapareceu.

    E agora, o tumor ficou com bicheira de novo.

    No veterinário pudemos constatar que o tumor foi todo comido pelos bichinhos. Mas a viagem para São José dos Campos o cansou demais. Daí a idade fez diferença.

    Ficar chacoalhando na traseira do jipe é para cachorros mais novinhos. Tadinho. Ficou largadão. Teve que ser carregado com maca e no colo. E eu fiquei desesperada porque nunca tinha visto meu valente chow chow nessas condições.

    Como chorei… Mãe é mãe…

    Quando voltamos, o Cardoso carregou ele para dentro de casa e do jeito que ele colocou no chão, o Tai ficou até o dia seguinte.

    Só falando com a Moema eu acabei me acalmando. Ela me contou que a Ponte-Preta, a cachorrinha dela que tem a mesma idade do Tai, quando voltou de uma viagem agora de férias ficou dois dias sem se mexer também. Ela disse que a Ponte-Preta ficou tão dolorida que ela não vai mais levá-la em viagens. E eu cheguei à mesma conclusão: agora o Tai só sai de casa se for estritamente necessário. 

    Mas vocês não imaginam a dificuldade de fazer curativo nele. Ele morde. Ele nem se mexe. Mas morde, o safado.

    E está ganhando comidinha, leitinho e aguinha na boca.

    Daí ele abana o rabo.

    Mas tenta fazer o curativo…

    Morde.

    Só mãe mesmo.

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  • Sapo Mario, O Folgado

    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Monday, January 19th, 2009

    Eu conto que tenho um sapo de estimação vivendo solto dentro de casa e as pessoas me olham com cara de incrédulas. Conto que o Mario interage comigo e os cachorros e tem os lugares preferidos dele e a reação é a mesma. Digo que ele adora dormir atrás do roteador e que ele é high tech e duvidam de mim.

    Mesmo o Cardoso me olhava torto até a hora que ele falou: olha, tem um sapo atrás do roteador! E eu: é o Mario, Cardoso, eu te disse!

    E o Mario fica para lá e para cá na casa.

    Só que agora ele arrumou outra mania: passear lá fora.

    Eu já tinha reparado que o Mario saía de casa pela porta da frente e perdi a conta das vezes que me despedi dele achando que nunca mais ia vê-lo. Mas, no dia seguinte, estava ele de volta dormindo no roteador ou passeando pela sala de visita.

    Ontem a noite, entendi perfeitamente o que acontecia.

    Achei o Mario de frente a porta da entrada na sala paradão, olhando a porta, dentro de casa, lógico.

    Eu abri a porta para ele.

    Ele saiu.

    Hoje de manhã cedinho, abri a porta para os cachorros fazerem xixi. Os cachorros saíram e voltaram. E quem voltou atrás junto com os cachorros?

    O Mario.

    Eu não acreditei. Tive que fotografar a cena. Devia ter filmado.

    O Mario entrou calmamente atrás dos cachorros e foi para trás do armário que lhe deu o nome.

    Os cachorros nem ligam. A Joom-La cheira o Mario, dá narigadas. Ele se encolhe mas nem foge.

    Agora pelo que pude ver, o Mario pede para sair a noite e volta de manhã.

    Veja a sequência de fotos do Mario entrando no meu Flickr.

    PS- Um dia eu conto do Loshas, o primo do Mario que mora na varanda.

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