
O tempo fechou e começou uma forte chuva durante a tarde de ontem aqui em SFX.
Eu estava no quarto, embaixo das cobertas vendo filmes no computador e cercada pelos cachorros. Sabe aquele dia que a gente pensa: queria estar em casa quentinha vendo televisão? Pois é, eu estava.
De repente a Joom La começa a latir na sala e se comportar de um jeito diferente. Fiquei preocupada porque parecia que tinha alguém rondando a casa. E fui investigar.
Nos filmes de terror a gente se pergunta por que o mocinho vai lá fora no escuro ou na chuva ver aquele barulho estranho em vez de ficar na segurança do lar. Então, fui lá fora na chuva.
Podia ser um serial killer.
Mas não era. Era um cachorrinho do tamanho da Joom La mas bem magrinho e judiado. Amarelo. Assustado na garagem.
A gata Manilha olhava o cachorrinho do alto da prateleira com curiosidade.
Os outros cachorros latiam furiosamente e já estavam encharcados de ficar no gramado tentando ver o invasor.
O que fazer?
Peguei uma vasilha de comida e uma de água e fui para a garagem. O cachorrinho fugia de mim. Coloquei as vasilhas no chão e voltei para dentro de casa, ensopada de chuva.
Já no quarto de novo os latidos continuaram. Levantei-me de novo e fui ver: o cachorrinho estava na minha porta. Pulou o murinho da garagem e veio atrás de mim.
Nessa hora que você olha o bicho através do vidro da porta e pensa: fo-deu.
Abri a porta e meus cachorros foram cheirar o novato. Rabinhos abanando freneticamente.
Ninguém mordeu ninguém. Ninguém latiu para ninguém.
Eu só pensava em voltar para minha cama e mais um cachorro era a última coisa que eu podia querer.
Deu uma depressão aguda mais um cachorro.
Pensei: vire-se cachorrinho. Aí tem comida, cama quente, amiguinhos, tudo que você precisa. Pode explorar a casa a vontade.
Os outros cachorros imediatamente voltaram à rotina e nem ligaram mais para a novidade. Seguiram-me até o quarto de volta, se instalaram e voltaram a dormir. A Joom La é que ficou mais animada de ter alguém da idade dela e do tamanho dela para brincar.
Não demorou muito e o cachorrinho tímido já estava no meu quarto.
Mais um pouco ele subiu na minha cama, no meu colo.
Deitou na caminha da Joom La embaixo da penteadeira e dormiu tranquilo.
E essa noite eu dormi cercada por 4 cachorros. O Tai ficou na varanda.
Minha sensação é que eu estava em uma espécie de favela de bichos. Que meu quarto era um cortiço de cachorros. Confesso que não gostei.
Ao acordar hoje de manhã minha entourage me seguiu como sempre. Mas agora são 4 me seguindo. É ridículo andar pela casa com 4 bichos atrás. Eu só pensava no Cesar Milan com uma matilha enorme.
Eu fiquei impressionada como o bichinho novo pegou as manhas da casa em menos de 24 horas. Ele já se comporta como se estivesse aqui há muito tempo.
E já dei um nome: Pepê. Vem de Pedro Pellegrini, mas eu gosto de Pepê. O Pedro Pellegrini era um vizinho meu quando eu era criança que era apaixonado por cachorros e o sonho dele era ser groomer de cães.
Eu fui chamando o cachorrinho de um monte de nomes. E quando chamei de Pepê ele atendeu. Foi assim que ele ganhou o nome.
Como podem perceber, não estou animada com o novo bicho. Estou bem contrariada até. Mas o que eu posso fazer?
Ao mesmo tempo que o Pepê apareceu aqui em casa acontece um evento na cidade em prol de cachorros abandonados. Uma amiga falou com a organizadora do evento para ver se dava um jeito no Pepê e eles não podem fazer nada. Óbvio que não fazem nada. Óbvio que sobrou para mim. Então, não me venham com palestras, workshops, campanhas sobre cães abandonados se ninguém vai me ajudar a pagar as despesas de mais um cachorro que vai saber não foi abandonado de propósito no meu sítio.
E sabe o que aconteceria se eu pegasse esse cachorro e levasse na estrada para soltar? Adivinhem. (E eu nunca faria isso para começar.)
Então, Pepê, bem vindo a esse cortiço.