Vamos Indo

Liliana | Minha vida num sítio | Monday, April 6th, 2009

E a vida vai indo pelas bandas de São Francisco Xavier.

O tempo aqui costuma ser horrível. Chove muito. E eu detesto chuva. E está chovendo agora. Mas isso eu já contei e não tem nenhuma novidade. Porém, ficou a dúvida de quando foi a tal Chuva da Goiaba, que é a chuva que fecha a Temporada das Águas. Costuma ser uma tempestade daquelas de cair o mundo. A Nanda falou que já teve. Eu não vi. Para mim foi só chuva normal. E as Águas continuam…

E estamos esperando a Seca para reenvernizar as janelas. Nem parece que Seu Zé passou verniz em tudo. Ele está fechando as trincas da casa com cimento. Já fechou por fora e em breve vai passar massinha branca por dentro. Mas também estamos esperando secar tudo.

Outra coisa que as Chuvas fizeram foi entupir todo o sistema de esgotos daqui. O chão ficou tão encharcado que o esgoto começou a voltar pelos canos e ralos e as fossas se encheram de tal forma que agora vou ter que usar de artifícios para esvaziar.

Acabei de encomendar pela internet um preparado de bactérias que comem dejetos para ser jogado no esgoto e assim esvaziar as fossas. Muito legal.

Os cachorros estão bem. O Mario sumiu mesmo.

Eu estou gostando muito de dar os plantões lá no posto. Fui contratada como avulsa para os plantões de sexta-feira este mês.

Os plantões tem sido puxados porque a população de São Francisco cresceu muito, praticamente dobrou e a quantidade de médicos continua a mesma. A cidade tem um clínico geral em meio período, um ginecologista, tem um pediatra uma vez por semana e o resto sobra tudo para o plantão. Então eu tenho que atender tudo: bebês, crianças, adultos, idosos, todo mundo e em todas as especialidades já que o encaminhamento para os especialistas pode demorar muitos meses.

É uma experiência bem interessante.

Enfim, vamos indo.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Thursday, March 26th, 2009

    A Graça estava indo embora ontem, a Graça moça, não a Graça cã, e voltou dizendo que estava saindo água do meio da terra na frente da garagem. Cardoso e eu fomos correndo lá ver com a cachorrada atrás e constatamos que a água minava do chão. O próximo passo foi correr para a torneira mais próxima e ver que estávamos sem água nos canos. Ai, caceta, outro vazamento!

    Peguei o celular e liguei imediatamente para Seu Zé pedindo socorro. Ele falou que não podia vir naquela hora e só poderia consertar o problema no dia seguinte, ou seja, hoje.

    Ficamos a noite inteira sem água.

    Hoje de manhã Seu Zé abriu um buracão na frente da garagem e contou que lá passavam 4 canos enormes e eu nem sabia! Eu jurava que os canos corriam mais para o cantinho da estrada. Bem, ele descobriu o vazamento e consertou e eu fui tomar banho.

    Porém, ele havia fechado uns registros da caixa d’água e fechou a água fria para a casa. E esqueceu de abrir. 

    Jorrava água quente do boiler do aquecimento solar no telhado.

    E eu quase cozinhei no banho.

    Semana passada tivemos outro vazamento no cano que vem do poço e ficamos também sem água. 

    Aparentemente o tal cano chegou no limite de tempo dele. E é hora de dar manutenção em tudo.

    Ter um casa é cuidar bem dela, fazer a manutenção das coisas, pintar, envernizar, trocar canos… Cada coisa que a gente tem significa uma despesa em manutenção.

    Eu gosto de cuidar bem das minhas coisas para elas durarem bastante. Hoje eu vi um episódio de South Park sobre a crise e havia uma crítica ao consumismo. Se a gente cuida, não precisa consumir tanto.

    Eu também gosto de fazer bem feito de primeira para não ter que ficar repetindo outras vezes depois. Sai mais barato também.

    Eu detesto frases de efeito mas tem aquela famosa: quem ama cuida…

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Estou conscientemente escrevendo este post para adiar por mais uns minutos a faxina aqui de casa.

    Vocês podem achar bobagem isso: fazer uma simples faxina. Mas para mim, é outro mundo.

    Eu sou uma pessoa basicamente cerebral. Eu me movimento, gosto de me movimentar mas escolho me movimentar através de exercícios tipo caminhadas, corridas, musculação, essas coisas. Atividades físicas envolvendo cuidar da casa nunca foram coisas que eu gostasse de fazer.

    E confesso: faz meses que não tenho feito exercícios. Minha saúde não permitiu. Meus médicos só me mandavam descansar. E eu tentava. Mesmo o trabalho mental era contraindicado mas eu não conseguia ficar sem fazer nada.

    Esta semana, iniciei uma fase nova na minha vida.

    Eu, que sou a rainha de me reinventar e viver um dia de cada vez me vejo numa situação completamente nova: reaver minha casa. Estou descobrindo as coisas qeu eu fechei os olhos e relevei com a empregada. Sujeiras, coisas escondidas, bagunças, uma casa que eu não conhecia. Que eu só olhava por cima e nem queria ver.

    Comecei a limpar do meu jeito. Organizar do meu jeito. Cozinhar do meu jeito.

    Estou me sentindo voltando às origens mais básicas do ser humano: arrumando minha caverna e providenciando o alimento.

    E meu corpo está sentindo a diferença: todo dolorido. Sinto cada músculo mexido como numa das minhas sessões de musculação de antigamente.

    E a satisfação? Enorme!

    Nosso quarto nunca esteve tão gostoso.

    A casa é grande. Não dá para limpar tudo num dia só. E eu ainda não tenho uma rotina. Mas estou me sentindo bem. E tenho certeza que com o tempo teremos a rotina nova certinha.

    Vocês não fazem ideia do que isso significa para alguem com minha saude complicada. Sinto-me vencedora.

    É.

    Estou feliz.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Ontem conversei longamente com Seu Zé.

    Fui contar da saída da empregada ele ficou surpreso com a história toda.

    Falamos do sítio, que está cada vez mais lindo. Falamos da época das chuvas que o deixa muito ocupado e mal conseguindo dar conta da estrada. Falamos de um monte de coisas.

    Mas a conversa que me tocou mais foi quando eu perguntei por que aqui no sítio não dá frutas?

    Desde o começo plantamos mudas de várias árvores frutíferas no platô de baixo: goiabeiras, abacateiros, mangueiras, pitangueiras, jabuticabeiras… Várias… Também fizemos um pomar perto da casa no platô de cima que nunca foi para frente. Porém, lá em baixo as árvores estão grandes e como eu nunca tive frutos de lá?

    Daí Seu Zé me explicou.

    “Sabe, Liliana, aqui tem muito bicho. Não sobra nada. Tem as saracuras, tem os saguis, tem os jacus… Tem até um bando de tucanos que mora aqui. Tem um esquilinho encapetado que sobe até na minha cabeça que não deixa nenhuma goiaba. Êta bichinho endiabrado! Ele não tem medo de mim e sobe pelas minhas costas quando estou trabalhando perto das goiabas. Os abacateiros estão carregadinhos, olha lá. Mas essa cachorrinha (e aponta a Joom-La) vivia de comer abacate enfiada no mato. Foi só quando acabaram os abacates que ela subiu para a sua casa…”

    Quando Seu Zé contou que a Joom-La vivia sozinha de comer abacates caidos no chão no meio do mato eu passei a amá-la ainda mais. Minha cachorrinha arisca, sobrevivente, que se virou como pode e só buscou a casa por fome.

    Entendi que meu sítio não é meu. Todas as árvores plantadas aqui atrairam uma fauna muito diversa. Tem lagartos, sapos, corujas, gaviões, macaquinhos, esquilinhos, uma variedade de pássaros. Onde antes havia um pasto estéril, hoje é um lugar rico e dadivoso em alimento para todas essas espécies. Até para uma cachorrinha abandonada que comeu abacate para não morrer de fome.

    O que mais eu posso pedir?

    “Deixa, Seu Zé, deixa para os bichos.”

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filosofando, Minha vida num sítio, São Francisco Xavier | Wednesday, February 11th, 2009

    A dúvida que não quer calar é: quando eu vou poder comprar algo que não esteja em liquidação/promoção/saldão/baciada?

    Ontem Andréia e eu fomos numa expedição para a cidade grande fazer as compras do mês da casa. Fomos para São José dos Campos um dia depois de uma das piores tempestades dos últimos 30 anos.

    Foi mesmo uma expedição.

    Em quase 12 anos que estou morando aqui e a Andréia que nasceu aqui nunca vimos os estragos que a chuva causou na estrada e nas cidades por onde passamos.

    Para vocês terem ideia, caiu uma barreira dentro do meu sítio: nossa estrada foi fechada porque parte do morro despencou. E em toda a estrada várias barreiras caídas e pior: a estrada de asfalto cedeu em vários pontos e rachou em outros estando prontinha para despencar.

    Partes da estrada também estavam submersas e só jipes e picapes altas passavam.

    Demos carona para uma professora de Monteiro Lobato, a cidade vizinha, e ela nos contou que Monteiro ficou embaixo d’água. A praça principal teve água até metade das portas. Os trialers boiavam. O supermercado foi invadido pelas águas e o estoque foi perdido assim como o da casa de ração. Ela contou que o povo de lá ficou perto do rio esperando as caixas de cerveja e de refrigerante virem rio abaixo.

    Quando passamos por Monteiro, na volta, pudemos ver as marcas da água nas paredes: um metro pelo menos.

    A professora também contou que havia chovido mais de 70 mm de água naquela noite e que deveria chover mais de 120 mm ontem. Então, resolvemos apressar nossa viagem, adiar certas coisas para outro dia e tentar voltar antes da chuva. Mas, de qualquer forma, seria mesmo uma aventura.

    Morar em São Francisco Xavier é uma aventura. É.

    Mas mesmo com a ameaça da nova tempestade não desistimos e fomos para  comprar a ração dos cachorros, nossa primeira parada. Comprei a ração em promoção, lógico.

    A parada seguinte foi no Extra, onde fiz a festa comprando tudo que era marca genérica e mais promoções.

    Depois, fomos até o Pão de Açucar onde tem o açougue que eu gosto apenas para comprar carne. E lá, havia promoção de sorvete Rägen Daaz. Dois potes e um descontão.

    Resultado, me dei de presente um sandália Havaianas dourada da liquidação do Extra e um pote de sorvete Rägen Daaz da promoção do Pão de Açúcar. O resto, coisas para minha sobrevivência e dos cachorros.

    A que ponto que a gente chega que nem uma sandália Havaianas eu tenho coragem de comprar se não estiver na promoção?

    A Andréia brinca comigo: você é a rainha da promoção. Caramba, até meu jipe eu comprei numa promoção com desconto.

    Acho que estou tão acostumada a só comprar o que sobrou, o refugo, o que não saiu e que colocaram para torrar, para liquidar…

    Mas isso me incomoda. É como se eu não conseguisse mais desejar algo e simplesmente ir lá e comprar na hora que eu quero. Eu espero entrar na promoção e se ainda sobrar o que eu gostei, daí sim, eu levo.

    Roupa sem estar na liquidação? Nem sei o que é isso.

    Sapatos? Idem.

    Por isso só compro roupas e sapatos nas liquidações de inverno e verão, duas vezes por ano.

    É. Acho que fiquei chocada com a promoção do sorvete. Foi demais.

    Com vocês também é assim?

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    Bom dia, povo!

    E inicia-se outra semana aqui no sítio.

    O Tai ficou largadão depois da viagem ao veterinário na sexta-feira. Não conseguia se mexer, se levantar, comer sozinho, nem mesmo ir ao banheiro lá fora. Foi deprimente ver o bonitinho todo inválido. Fiquei supertriste, o Cardoso ficou bem preocupado a ponto de dormir na sala com o o Tai tomando conta dele. Eu tinha que puxá-lo com um tapetinho até a grama para ele fazer o xixi dele e dar comida e água na boquinha. A ferida da bicheira melhorou mas está ainda muito grande. Aparentemente não tem bichos vivos lá. Mas tem infecção. Só que hoje, segunda, ele acordou muito melhor! Foi receber a Andréia no portão, e se comportou normalmente. Comeu, tomou leitinho, tomou os remédios, abanou bastante o rabinho, enfim, voltou a ser o Tai. Mas eu tive que desmarcar o banho que estava marcado e sinceramente não sabemos como vamos fazer com os futuros banhos dele porque ele não tem mais condições de ir para São José na Tia Rebekah no Pet Shop.

    Os outros cachorros respeitaram a doença do Tai. Não chatearam ele, não ficaram com ciúmes e nos deixaram cuidar dele sem interferir.

    Amanhã está marcada a mudança de uns móveis que estão num depósito guardamóveis em São Bernardo do Campo. Eles são minha herança da casa de meu avô. Tive que providenciar a transferência deles as pressas. A sorte é que eu já havia mandado Seu Zé construir um barracãozinho de madeirite no platô de baixo justamente para guardar tudo. Pretendo usar os móveis futuramente na minha Hospedagem, quando puder construir mais quartos. Vai ficar bem bonito porque eles são antigos e os quartos vão ficar lindos. Só falta ter como construir…

    Esta semana também acabo de tomar os corticóides que comecei a tomar no hospital. A retirada dos corticóides é uma coisa lenta para o corpo voltar a produzí-los. Pelo jeito estou reagindo muito bem. Que bom. Parar de tomar esses remédios fecha o ciclo de tudo de ruim que me aconteceu no final do ano passado. E não tenho mais desculpas para não entrar num belo regime e perder os 10 quilos que ganhei na brincadeira toda. Não é que engordei 10 quilos. Eu já estava 5 quilos acima e engordei mais 5.

    Com o aumento de peso, além de perder a maioria de minhas roupas, entrei numa faixa perigosa: prediabetes. E o tratamento: perder o peso extra. Mas todo mundo que já fez dieta sabe como é difícil…

    A previsão do tempo para São Francisco Xavier é de chuva a semana toda. E temperatura máxima de 22 graus. Isso me deixa muito puta da vida porque eu detesto chuva. E fico com mais vontade de ir para São Miguel do Gostoso. Porém, minhas viagens para lá estão suspensas até segunda ordem. Em compensação, a previsão para Gostoso é de sol e temperaturas de 32 graus. Que Gostoso!

    Esta semana também pretendo ir para São José pegar a chaminé da lareira do quarto de hóspedes. Só falta essa chaminé para o quarto ficar completo do jeito que eu quero. Ele está com uma lareira linda de ferro. E assim que estiver instalada vou poder tirar fotos. Eu sou perfeccionista, sabem…

    Com os móveis novos que chegam também vou redecorar meu consultório aqui de casa. Não vejo a hora para ver como vai ficar.

    Bem, que eu me lembre esses são os planos para a semana. Vamos ver se eu consigo cumpri-los.

    Boa semana a todos!

    PS- Sim, esse blog é um diário pessoal também ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, January 24th, 2009

    Este é o Tai, o Chow Chow selvagem.

    Não se engane com sua fofura intrínseca porque ele é muito voluntarioso. Os chows chows são assim: cabeças duras. Tem gente que diz que chows chows são burrinhos. Ledo engano. O Tai é bem inteligente: ele só faz o que ele quer. E cabe a nós dobrarmos sua vontade e convencê-lo a fazer o que nós queremos. Se ele achar que vale a pena, ele dá um sorrizinho e lentamente, na velocidade dele, ele faz, na hora que ele decidir.

    O Tai vai fazer 12 aninhos em março que vem. E é o mais velho aqui de casa.

    Ele, não sabemos como nem porque, desenvolveu uma frouxidão ligamentar nas patas traseiras que dificulta muito sua marcha. O chow chow já tem um andar muito engraçado e típico da raça, com as patas esticadas. Mas o Tai, com as patas traseiras bambas, anda com dificuldade e não tem muita estabilidade. Qualquer esbarrão nele e ele cai no chão feito um saco de batatas.

    Essa dificuldade para se mexer fez que ele ficasse mais quietinho no seu canto. E os chow chows já são muito na deles, muito parecidos com gatos, e ficar paradinho horas na varanda só contribuiu para ele ficasse mais gordinho e barrigudinho. Idade, sedentarismo… Um Tai gordinho.

    Mas a rotina dele é bem gostosa: ele adora dormir na varanda tomando a fresca da noite, vendo a lua. Ele adora a lua. Quando teve o eclipse ele até chorou. E ele também adora dar as voltinhas dele no gramado. Ele sai passeando lentamente, no seu passinho desconjuntado e dá uma volta na grama para seu xixi, seu cocô, para cheirar as novidades, para cheirar os xixis das fêmeas, para ver a vista aqui de cima. Ele costuma dar duas voltinhas por dia. E não gosta de ninguém acompanhando ele nos seus passeios solitários. Quer sossego e silêncio. Daí ele volta para seu posto na varanda de frente para a garagem tomando conta de quem chega, mesmo dormindo e cochilando a maior parte do tempo. No fim da tarde, ele entra em casa e vai até mim para o agrado diário. Coloca-se ao meu lado no sofá e respira barulhentamente avisando que quer ser agradado. Quando eu olho para ele, ele abana o rabinho concordando: isso mesmo, me agrade agora. Depois de ser agradado por mim, ele vai até o Cardoso para mais agrados e se não quer voltar para a varanda, ele se enfia no nosso quarto para dormir mais. No escurinho e no silêncio. Quando vamos dormir e vamos todos para o quarto, ele sai de lá incomodado procurando outro lugar mais tranquilo.

    Outro ritual do Tai é o leitinho.

    Todas as manhãs quando a Andréia chega, ela serve um pouco de leite na vasilha dele. Ele cobra o leitinho indo encontrá-la no portão e acompanhando-a até a cozinha. E não sai de lá até que ela o sirva.

    Quando ela veio me dizer que ele não quis tomar o leitinho, uma sombra de preocupação caiu sobre a casa: o Tai está doente.

    Meus planos de passar uma semana sem viajar se acabaram. Pegamos o jipe e nos dirigimos até a clínica veterinária. O diagnóstico eu até imaginava: bicheira.

    Acontece que o Tai tem um tumor de pele na bochecha. Câncer de pele. E era preciso um superoperação para extirpar todo o tumor. Então, eu estava controlando o crescimento. Esses tumores costumam ulcerar e foi o caso do Tai: ele ficou com uma úlcera no rosto, pequena. Manejável.

    Vocês podem se perguntar: mas como ela deixou ele com um tumor na bochecha? Porque o Tai é muito bravo. Ele morde. E morde de verdade. Bravíssimo se alguém vai fazer algo que ele não quer. Inclusive eu. Mesmo velhinho, mesmo capenga, mesmo gordinho, ele é terrível.

    O tal tumor há meses atrás pegou bicheira e os próprios bichinhos da bicheira comeram boa parte do tumor. Foi um tratamento “alternativo” para o câncer. quase  desapareceu.

    E agora, o tumor ficou com bicheira de novo.

    No veterinário pudemos constatar que o tumor foi todo comido pelos bichinhos. Mas a viagem para São José dos Campos o cansou demais. Daí a idade fez diferença.

    Ficar chacoalhando na traseira do jipe é para cachorros mais novinhos. Tadinho. Ficou largadão. Teve que ser carregado com maca e no colo. E eu fiquei desesperada porque nunca tinha visto meu valente chow chow nessas condições.

    Como chorei… Mãe é mãe…

    Quando voltamos, o Cardoso carregou ele para dentro de casa e do jeito que ele colocou no chão, o Tai ficou até o dia seguinte.

    Só falando com a Moema eu acabei me acalmando. Ela me contou que a Ponte-Preta, a cachorrinha dela que tem a mesma idade do Tai, quando voltou de uma viagem agora de férias ficou dois dias sem se mexer também. Ela disse que a Ponte-Preta ficou tão dolorida que ela não vai mais levá-la em viagens. E eu cheguei à mesma conclusão: agora o Tai só sai de casa se for estritamente necessário. 

    Mas vocês não imaginam a dificuldade de fazer curativo nele. Ele morde. Ele nem se mexe. Mas morde, o safado.

    E está ganhando comidinha, leitinho e aguinha na boca.

    Daí ele abana o rabo.

    Mas tenta fazer o curativo…

    Morde.

    Só mãe mesmo.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Monday, January 19th, 2009

    Eu conto que tenho um sapo de estimação vivendo solto dentro de casa e as pessoas me olham com cara de incrédulas. Conto que o Mario interage comigo e os cachorros e tem os lugares preferidos dele e a reação é a mesma. Digo que ele adora dormir atrás do roteador e que ele é high tech e duvidam de mim.

    Mesmo o Cardoso me olhava torto até a hora que ele falou: olha, tem um sapo atrás do roteador! E eu: é o Mario, Cardoso, eu te disse!

    E o Mario fica para lá e para cá na casa.

    Só que agora ele arrumou outra mania: passear lá fora.

    Eu já tinha reparado que o Mario saía de casa pela porta da frente e perdi a conta das vezes que me despedi dele achando que nunca mais ia vê-lo. Mas, no dia seguinte, estava ele de volta dormindo no roteador ou passeando pela sala de visita.

    Ontem a noite, entendi perfeitamente o que acontecia.

    Achei o Mario de frente a porta da entrada na sala paradão, olhando a porta, dentro de casa, lógico.

    Eu abri a porta para ele.

    Ele saiu.

    Hoje de manhã cedinho, abri a porta para os cachorros fazerem xixi. Os cachorros saíram e voltaram. E quem voltou atrás junto com os cachorros?

    O Mario.

    Eu não acreditei. Tive que fotografar a cena. Devia ter filmado.

    O Mario entrou calmamente atrás dos cachorros e foi para trás do armário que lhe deu o nome.

    Os cachorros nem ligam. A Joom-La cheira o Mario, dá narigadas. Ele se encolhe mas nem foge.

    Agora pelo que pude ver, o Mario pede para sair a noite e volta de manhã.

    Veja a sequência de fotos do Mario entrando no meu Flickr.

    PS- Um dia eu conto do Loshas, o primo do Mario que mora na varanda.

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    Liliana | Hospedagem da Liliana, Minha vida num sítio | Sunday, January 18th, 2009

    Uma das mudanças que eu estava devendo aqui em casa faz tempo era a implantação de um cardápio.

    As vantagens de se ter um cardápio fixo em casa são muitas: economia nas compras, não ter que pensar no que cozinhar todo dia, não repetir comidas e não enjoar delas, organizar melhor as listas do supermercado, treinar melhor os funcionários da casa, garantir boa alimentação e balanceada. Enfim, ter um cardápio só tem vantagens.

    E é claro que ele não está escrito em ferro e fogo, pode ser mudado ao gosto do freguês a qualquer hora, mas serve de base para o dia a dia.

    Montar o cardápio foi superfácil (não precisa ter cursos de Nutrologia como eu): bastou uma conversa informal com os moradores para vermos quais nossas comidas preferidas. Não levou nem 15 minutos.

    Daí, partindo dos pratos principais, acrescentei os acompanhamentos que combinavam e as comidas “obrigatórias” e “saudáveis” tipo verduras e legumes, que segundo o outro morador da casa são totalmente dispensáveis…

    Nosso cardápio ficou assim:

     
      

    Daí, pesquisei as receitas de cada prato e adaptei para nosso gosto: usando o mínimo de gordura e o máximo de sabor. E ensinei a Andréia a fazê-las exatamente como eu queria. O resultado foram pratos leves, saudáveis e gostosos, com variedade e economia.

    Agora, quem vier filar bóia aqui em casa já sabe o que vai comer. E os hóspedes da minha Hospedagem também podem contar com uma comidinha caseira caprichada igual a que mamãe fazia.

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  • A Rotina da Água

    Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, January 10th, 2009

    Morar num sítio com um poço e uma caixa de água nos faz consciente do uso dela.

    A água passa a ser algo tangível, medido, armazenado, consumido, gasto e reposto.

    Deixa de ser aquilo que simplesmente corre nos canos e torna-se um bem administrável e fundamental.

    Eu não pago conta de água. Mas minha relação com ela é muito mais direta porque sou eu que tenho que tirá-la do chão.

    Não uso balde.

    Uso uma bomba moderna de mais de 2 metros de altura que fica submersa num poço profundo que chega até a rocha. E eu gosto de imaginar a água vindo por entre as falhas da rocha e subindo pelo cano. Mineral.

    A caixa d’água é grande.

    Nem por isso gasta-se muita água aqui, porque a consciência de enchê-la nos faz perceber o gasto desnecessário. E nos arrependemos.

    E economizamos.

    Os controles da bomba ficam longe da casa como se fosse obrigada a cumprir o ritual de percorrer todo o caminho pela estrada até lá. 

    Descer a estrada até a bomba.

    Ligar os disjuntores.

    Acioná-la.

    Colocar a mão no cano que sai do poço só para confirmar que a água está de fato saindo do chão.

    E voltar pela estrada até a casa numa subida íngreme.

    Eu gosto de ir ligar a bomba nessa caminhada semanal silenciosa. E depois, ir até a caixa d’água e ouvir o som da água caindo quase no fundo vazio. O eco.

    Os cachorros vão comigo. Eles sabem do ritual da água. Eles me veem no painel da bomba e percebem que já é hora de subir de novo.

    Bate e volta.

    Demora duas horas para encher a caixa. E são horas de cuidado. 

    Fico prestando atenção para ouvir se a bomba parou, se houve algum estalo de energia elétrica, se a caixa já encheu.

    A bomba não pode queimar. De jeito nenhum.

    São as horas que me dedico a todo o funcionamento do sistema da bomba.

    Terminado o processo, a caixa cheia, nova caminhada para desligar tudo e proteger o sistema dos raios.

    E a água é conscientizada por mais uma semana.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Thursday, January 8th, 2009

    Poxa, eu sou uma pessoa extremamente curiosa.

    Não tem coisa que eu não queira saber. 

    Meu jipe, já contei para vocês, é velhinho, vai fazer 11 anos agora em fevereiro. Que bonitinho. E ele nunca me deu trabalho. Nunca.

    Só teve uma vez que a caixa de embreagem travou, mas foi defeito de fábrica e eu fiquei parada com ele na frente da UPA e não teve jeito. Teve que chamar o guincho lá de São José para levar para a oficina em São Paulo. Isso foi logo no começo, há muitos anos atrás.

    Foi bem engraçado porque o motorista do guincho tinha parentes aqui em São Francisco e resolveu visitá-los com meu jipe na caçamba da carreta lá na roça.

    A fofoca que correu na cidade foi que eu não havia pagado o jipe e que vieram pegar de volta.

    Bem, mas os faróis do jipe apagaram no meio da estrada e é claro que estava de noite.

    E a gente passou a cumprir horário de filme de vampiro: tinha que estar em casa antes do anoitecer. 

    Com essas idas e vindas para São Paulo, consertar o jipe foi ficando para o último lugar. Sabe como é, né?

    Finalmente fui no Badaró ontem e ele marcou hora hoje com o eletricista de carros para eu levar o jipinho.

    Sabe o que era?

    Depois de 11 anos, ONZE anos, soltou um fiozinho de uma solda.

    Um fiozinho. Uma soldinha.

    Um nadica de nada.

    O cara soldou na hora e consertou.

    Eu acompanhei tudo direitinho porque percebi que me dá um enorme prazer conhecer meu carro e saber consertá-lo.  Prestei atenção em tudo: em como desmontar o painel, checar os fusíveis, tudinho. Uma gracinha.

    O jipe foi muito elogiado pelo eletricista. Tudo original.

    Que sensação boa ter cuidado bem dele esses anos todos e agora ter esse meu companheiro fiel.

    Eu adoro meu mesmo meu carro.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Thursday, January 8th, 2009

    E hoje saiu o sol em São Francisco Xavier.

    Aqui é um lugar que chove demais. Ao pé da Serra da Mantiqueira, a Serra que Chora, chove muito. E como nos desenhos animados, parece que tem sempre uma nuvem por cima das montanhas.

    Mas o sol saiu.

    O dia está lindo.

    E eu estou cada vez melhor.

    Fui no médico endocrinologista que descartou aquela doença rara de Schmidt. Minha falência adrenal foi por outra razão, segundo ele. Vou fazer mais exames. Procurar coisas na hipófise.

    Enquanto isso, a ordem é descansar. Sossego.

    Ontem fomos na comemoração de 5 anos de casamento de um casal de amigos. Foi muito gostoso. Comida japonesa. Bodas de Madeira. 

    Eu estou ensinando a Andréia a cozinhar. Ela sabe fazer comidas com soja muito bem. Mas os outros pratos estão meio fraquinhos. E todo dia eu vou para a cozinha e fazemos o almoço juntas, alguma receita nova. 

    A casa agora não é mais vegetariana por causa do meu querido que adora carne, e tivemos que mudar todo o cardápio.

    Bem, a vida está indo tranquila por aqui.

    Ainda bem.

    Um bom ano.

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    Eu confesso: eu só gostava de futebol por causa da Rádio Camanducaia nos finais dos jogos.

    A Rádio Camanducaia teve uma importância na minha vida tão grande que até hoje ela influencia coisas que eu faço e vivo.

    Quando eu cheguei a São Francisco Xavier pela primeira vez, me senti em Camanducaia, a da Rádio e me senti em casa. E viver aqui é como viver na realidade das fantasias de infância que eu ouvia pelo rádio.

    Meus podcasts são saídos diretamente de Camanducaia, do Largo da Matriz. E foi com a Rádio que aprendi que Rádio é para se divertir e fazer dando risada. Um prazer.

    Cada vez que pego meu microfone cinza tenho vontade de dizer: transmitindo do nosso microfone vermelho “aquirílico”…

    Ah… Rádio Camanducaia! Como eu gostaria de trabalhar aí!

    Eu assino o feed da Rosana Hermann porque ela sempre aparece com algo legal da internet. E agora ela veio com o site da Rádio Camanducaia!

    Eu convido a todos para conhecerem essa pérola do rádio que influenciou muita gente e alegrou mais gente ainda.

    Bem vindos a Camanducaia!

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, November 22nd, 2008

    É muito fácil educar um cachorro novo na casa quando já se tem outros cachorros mais velhos.

    O trabalho grosso de educação fica para os cachorros e não para o dono.

    Se você está satisfeito com a educação que deu para seus cachorros velhos, o mais novo irá imitar tudo que os outros fizerem.

    Os hábitos de cocô e xixi, dormir, passeios, vir quando chamado, latir ou silenciar, avisar quando aparecer estranhos ou algum perigo, alimentação, tudo isso será imitado.

    Principalmente o temperamento calmo e seguro dos outros será passado para o cachorro novo. O cachorro novo sentirá o ambiente de segurança e tranquilidade e entrará no “espírito da casa” também.

    No caso da Joom, ela é filhote, deve ter uns 5 meses e tem uma agitação própria de filhote de descobrir o mundo, experimentar as coisas, querer brincar, morder. Testar limites. E isso, por mais que os cachorros mais velhos ensinem, brinquem, vamos ter que participar e dizer “não” e gastar tempo e paciência ensinando algumas coisas. Uma boa infância canina significa um bom cão adulto.

    A primeira palavra que um cachorro aprende é “não”. Antes mesmo do próprio nome. Um “não” firme, sem ser histérico, sem gritar, uma vez apenas. E ao dizer “não” para uma coisa, oferecer uma opção de “sim” em troca. Se não pode mastigar meu sapato, pode mastigar o brinquedo próprio de cachorro.

    Joom já tem dois brinquedos para morder, lembrança da época de filhotes dos outros, ela já sabe que pode morder os brinquedos mas está testando se pode morder outras coisas. E está ouvindo “não”. Ela já brinca com um dos brinquedos, porém numa bobeada minha ela comeu minha pantufa.

    Eu não escondi a pantufa nem fechei armários. Ela vai continuar ouvindo “nãos” e sendo vigiada.

    Educar crianças e animais requer amor, paciência e dedicação.

    Meus cachorros são tranquilos e muito bem educados, recebem elogios das visitas e só me dão alegrias. E espero que a Joom também.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, November 22nd, 2008

    Joom está dentro de casa.

    E sobreviveu. Por enquanto.

    Até que a aproximação com os outros cachorros foi mais rápida do eu esperava.

    Joom não quer saber de mim, e isso ajudou na questão dos ciúmes. Ela quer a companhia dos outros cachorros. Quer interagir com eles.

    Primeiro ela ficou fascinada pelo Tai. Não sossegou enquanto não fez amizade com ele.

    Não foi bem uma amizade porque ele quer mordê-la assim que ela passa perto dele. Mas agora ele não se esforça tanto assim para pegá-la. Ele adorou lamber as orelhas dela. Tentou abocanhar a cabeça dela inteira mas não conseguiu.

    Em seguida, foi o Gigio. O Gigio sempre foi o mais sociável. Mas dessa vez ele está irredutível. Não gosta dela e pronto. Acha ela uma chata. Ela quer brincar com ele e ele não quer brincar de jeito nenhum. Só rosna e reclama. Ela fica tentando mordiscar o focinho dele chamando para brincar e ele vem se esconder entre minhas pernas: “me salva!”

    Mas o meu medo era mesmo a Graça. A Graça sem pre foi o mais ciumenta e já tive uma experiência terrível com a Phellipa, uma outra cachorrinha que tive que dar porque a Graça tentou matar e não aceitou de jeito nenhum.

    Ontem a noite, eu soltei a Graça com a Joom e a Joom ficou absolutamente doida com a Graça. Elegeu a Graça como sua amiga/mãe/brinquedo favorito. E a Graça é a mais nova e mais animada para brincadeiras e consegue brincar um pouco com a Joom. Foi o suficiente para a Joom não querer largar a Graça.

    A Joom nem liga para mim. O que atraiu a Joom para minha casa foram os outros cachorros e a companhia de seus semelhantes.

    Joom, como outros cães abandonados, não confia em gente. Não sei o que ela deve ter sofrido, mas imagino. Ela é arisca e tem muito medo de mim.

    Parece que eu sou o último cachorro que ela fará amizade.

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