A Segunda Metade

Liliana | Filosofando | Friday, March 13th, 2009

Não tem nada mais broxante do que você se empenhar em algo e não ver resultados.

Trabalhar de graça é contra minha religião.

E ultimamente eu só me empenhava e não via resultados.

Claro que broxei. E tive que repensar tudo. Reavaliar tudo.

Para variar, parti do zero e bolei novos planos. Novas estratégias para esses tempos diferentes e para essa nova vida que eu comecei.

Uma noite dessas eu conversei longamente com minha comadre que mora em Miami e ela me contou que está no mesmo pé que eu. E que outra amiga dela, com a mesma idade também se sente assim: começando do zero.

Chegamos à conclusão que seria uma crise da meia-idade feminina.

Eu me sinto como se me preparando para a outra metade da minha vida. Elas também.

Nessa idade que estou, já sei o que quero, o que não quero, o que posso, e não posso. 

E penso no futuro com outros olhos.

Eu acho que a primeira metade da vida serve para formarmos a nossa base: temos nossos estudos, a formação do patrimônio, a lapidação do caráter.

Na segunda metade, temos a manutenção de uma qualidade de vida boa e agradável, fazendo o que gostamos e usufruindo o que conquistamos.

Lógico que só porque estamos na segunda metade da vida não quer dizer que estamos fechados para novidades e novos empreendimentos. Mas, já temos a experiência e sabedoria de como encarar essas coisas novas.

O importante é se mexer. Sempre. Não se cristalizar. Não se enrijecer. E ter sempre planos.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filosofando, Minha vida num sítio, São Francisco Xavier | Wednesday, February 11th, 2009

    A dúvida que não quer calar é: quando eu vou poder comprar algo que não esteja em liquidação/promoção/saldão/baciada?

    Ontem Andréia e eu fomos numa expedição para a cidade grande fazer as compras do mês da casa. Fomos para São José dos Campos um dia depois de uma das piores tempestades dos últimos 30 anos.

    Foi mesmo uma expedição.

    Em quase 12 anos que estou morando aqui e a Andréia que nasceu aqui nunca vimos os estragos que a chuva causou na estrada e nas cidades por onde passamos.

    Para vocês terem ideia, caiu uma barreira dentro do meu sítio: nossa estrada foi fechada porque parte do morro despencou. E em toda a estrada várias barreiras caídas e pior: a estrada de asfalto cedeu em vários pontos e rachou em outros estando prontinha para despencar.

    Partes da estrada também estavam submersas e só jipes e picapes altas passavam.

    Demos carona para uma professora de Monteiro Lobato, a cidade vizinha, e ela nos contou que Monteiro ficou embaixo d’água. A praça principal teve água até metade das portas. Os trialers boiavam. O supermercado foi invadido pelas águas e o estoque foi perdido assim como o da casa de ração. Ela contou que o povo de lá ficou perto do rio esperando as caixas de cerveja e de refrigerante virem rio abaixo.

    Quando passamos por Monteiro, na volta, pudemos ver as marcas da água nas paredes: um metro pelo menos.

    A professora também contou que havia chovido mais de 70 mm de água naquela noite e que deveria chover mais de 120 mm ontem. Então, resolvemos apressar nossa viagem, adiar certas coisas para outro dia e tentar voltar antes da chuva. Mas, de qualquer forma, seria mesmo uma aventura.

    Morar em São Francisco Xavier é uma aventura. É.

    Mas mesmo com a ameaça da nova tempestade não desistimos e fomos para  comprar a ração dos cachorros, nossa primeira parada. Comprei a ração em promoção, lógico.

    A parada seguinte foi no Extra, onde fiz a festa comprando tudo que era marca genérica e mais promoções.

    Depois, fomos até o Pão de Açucar onde tem o açougue que eu gosto apenas para comprar carne. E lá, havia promoção de sorvete Rägen Daaz. Dois potes e um descontão.

    Resultado, me dei de presente um sandália Havaianas dourada da liquidação do Extra e um pote de sorvete Rägen Daaz da promoção do Pão de Açúcar. O resto, coisas para minha sobrevivência e dos cachorros.

    A que ponto que a gente chega que nem uma sandália Havaianas eu tenho coragem de comprar se não estiver na promoção?

    A Andréia brinca comigo: você é a rainha da promoção. Caramba, até meu jipe eu comprei numa promoção com desconto.

    Acho que estou tão acostumada a só comprar o que sobrou, o refugo, o que não saiu e que colocaram para torrar, para liquidar…

    Mas isso me incomoda. É como se eu não conseguisse mais desejar algo e simplesmente ir lá e comprar na hora que eu quero. Eu espero entrar na promoção e se ainda sobrar o que eu gostei, daí sim, eu levo.

    Roupa sem estar na liquidação? Nem sei o que é isso.

    Sapatos? Idem.

    Por isso só compro roupas e sapatos nas liquidações de inverno e verão, duas vezes por ano.

    É. Acho que fiquei chocada com a promoção do sorvete. Foi demais.

    Com vocês também é assim?

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Blogworld, Filosofando | Monday, January 19th, 2009

    Quando eu digo que vivo um dia de cada vez, eu me consolo ao mesmo tempo que me admiro com as surpresas da vida, que podem ser boas ou más. Eu nunca sei o que farei no futuro. Impressionante. E parece que quando eu planejo algo, pode escrever: acontece alguma coisa e os planos mudam. Não estou reclamando, de jeito nenhum, porque acontecem coisas muito legais que me fazem mudar de idéia e projetos e me levam às vezes na direção contrária do que eu estava imaginando. Claro que tem as coisas chatas também, mas tem coisas boas.

    O fato é que parece que eu tenho uma predisposição para me deixar levar pela vida, quase uma malemolência gostosa.

    Eu tinha me inscrito para ir passar a semana no CampusParty. A inscrição foi feita com muita antecedência e eu estava toda animada. Estava a fim de acampar com uma amiga e fazer uma bagunça por lá. Mas tanta água rolou por baixo da ponte depois dessa inscrição!

    Teve que eu fiquei doente e estou ainda me recuperando e me declarei de ferias até fevereiro.

    Aconteceu que não estou mais pensando em termos de “eu” e sim em “nós”.

    Teve que eu fiquei tanto tempo fora de casa que meu desejo atual é conseguir passar uma semaninha sem viajar para lugar nenhum.

    E os dias aqui em São Francisco estão tão bonitos!

    Acho que dessa vez não vou aparecer na CampusParty…

    Mas vai saber, né? Ainda tem uma semana inteira pela frente…

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    Liliana | Filosofando | Wednesday, December 31st, 2008

    Mensagem de Final de Ano da Liliana

    Feliz 2009, pessoal! ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis, Filosofando | Saturday, November 29th, 2008

    Acredito que poucas pessoas saibam como me sinto em relação aos animais.

    Vocês não tem idéia do que é conviver com um sapo de estimação solto pela sua casa, andando livremente para lá e para cá podendo dar de cara com ele nos lugares mais inusitados a qualquer momento. Os sustos que levo! O cuidado constante para não pisar nele. Não ferir o sapo. Garantir que ele tenha acesso a água, comida e tudo o mais que um sapo precisa. E estou falando de um sapo! Um bicho que tenho a maior aflição.

    Tudo porque ele decidiu morar na minha casa e meus cachorros o aceitaram. Então, quem sou eu para expulsar o sapo Mario daqui?

    Toda a rotina da casa foi modificada por causa de um simples sapo: a empregada limpa a sujeira do sapo. As visitas são informadas para não pisarem no sapo e prestarem atenção aonde andam. Eu não ando mais descalça para não chutar o sapo com os pés nus. Nem ando no escuro como andava antes para não pisar nele. Temos a Rotina do Sapo. Se ele some, vamos procurar onde ele está dormindo.

    Um sapo! Solto! Dono da casa!

    É comum estarmos vendo televisão e o Sapo Mario aparecer ao meu lado para conferir o programa que estamos vendo.

    É divertido darmos besouros para o Mario comer.

    Um sapo!

    E não sou só eu. A empregada Andréia, meus amigos, quem vem aqui, todos gostamos do Mario. Até os cachorros.

    Se fazemos tudo isso com um sapo, imagina com a Joom.

    Imediatamente foi absorvida pela família. Cuidada, alimentada, e inundada de amor.

    Eu estou quieta a respeito da tragédia de Santa Catarina. É defesa minha pois não suporto e não tenho condições de lidar com tais horrores que estão acontecendo por lá. Eu não posso pensar nos animais de lá. Estou com mais de 1000 feeds para ler e caí na besteira de ler posts da Cora Ronai. E justamente havia uma carta de uma mulher descrevendo um resgate com um helicóptero no qual salvaram a família humana e deixaram para trás os 4 cachorros para morrer de fome. Desde então estou passada. Não consigo parar de pensar nisso.

    Para mim, toda forma de vida é importante. E o ser humano por ter mais condições de adaptação é o que menos precisa de ajuda. E enquanto o ser humano continuar só pensando em sua própria espécie, menos vontade eu tenho de pensar no ser humano.

    Se eu estivesse ilhada aqui em cima do morro e viesse um helicóptero me salvar, teria que levar toda minha família junto: um sapo, quatro cachorros, uma mulher teimosa e um blogueiro que aparece de vez em quando.

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    Liliana | Filosofando | Sunday, November 23rd, 2008

    A primeira vez que atendi um paciente foi no primeiro ano de medicina em 1981. A Santa Casa, onde estudei, sempre deu ênfase na parte prática e logo de cara nos colocava em contato com pessoas. E a gente se virava. Nessa situação, eu usava mais meu bom senso que os poucos conhecimentos que eu ainda tinha.

    E também foi nessa época que aprendi que minha própria experiência de vida era fundamental para um bom atendimento. Como médica, não bastava apenas eu falar para os outros fazerem determinada coisa, eu precisava vivenciar aquilo que eu pregava.

    Eu não podia ser hipócrita e pedir ou mandar ou exigir algo que eu mesma não tivesse feito ou passado pelo menos algo parecido. E sim, minha vida me proporcionou muitas experiências enriquecedoras.

    Então, quando eu indicava um tratamento, uma cirurgia, um exame, podia fazê-lo com a convicção que estava certa por já ter passado pela experiência parecida ou igual.

    Eu levava desde o começo a sério o Mito de Quíron (Chiron), o Médico Ferido no qual apenas alguém que padece e conhece o sofrimento pode curar.

    Escrevo esse post porque estou escrevendo uma série de artigos sobre Equilíbrio.

    Não são simples artigos. Eu estou vivendo cada um deles conforme escrevo, por isso a demora de completá-los.

    E ao me propor a escrevê-los, resgato esse maravilhoso arquétipo que estava tão quieto dentro de mim, o de Chiron, o Centauro.

    E devolvendo Chiron ao seu lugar de destaque na minha vida, dou mais um passo na minha jornada maravilhosa que eu chamo de vida.

    Assinado: Liliana, a médica.

    PS- Vejam que texto interessante que achei.

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    Liliana | Blogworld, Filosofando | Monday, November 17th, 2008

    Eu fui das primeiras pessoas que se inscreveu no BlogBlogs quando ele foi criado. Se não me engano eu fui número 54 e estive entre os primeiros lugares bem no início do ranking. Nem me lembro quando isso aconteceu.

    Eu sou blogueira bem antiga da escola da Cora Ronai. Trocava links com o Marmota antes dele ser Miss Cangaíba. Recebia email de final de ano do Catarro Verde. E o Interney era um site amarelo cheio de selinhos pequenininhos na lateral.

    Anos se passaram quando voltei a prestar atenção de novo no BlogBlogs e descobri que meu blog estava entre os 500 primeiros, lá pelo número 250 mais ou menos.

    Claro que fiquei muito feliz.

    Quem não ficaria contente de ter seu trabalho reconhecido por seus pares?

    Há um tempo atrás, o BlogBlogs modificou os critérios de seu ranking e meu blog caiu muitas posições indo parar lá pelo lugar 800 e tanto se contar no domínio principal “liliana.com.br/wp”. Acontece que ele também é linkado pelo domínio “chadehortela.com.br” e “chadehortela.com” e os links se diluem. Então, no fundo, eu sei que o negócio não é exatamente fiel.

    Mas é claro que fiquei triste com a queda de posição.

    Eu sou uma pessoa normal. E ninguém gosta de cair num ranking. Ninguém.

    Então fui ver o que eu estava fazendo de errado para justificar colocação tão ruim nos novos moldes. E percebi que eu estava fazendo exatamente o que eu fazia há anos: escrevia o que eu queria, visitava os blogs que eu gostava, comentava quando achava pertinente, participava em midias sociais tipo Twitter e Blip.fm por prazer e divertimento, participava de blogagens coletivas quando achava pertinente, linkava o que eu achava interessante, conversava em IMs com gente legal… Enfim, estava sendo uma blogueira como sempre fui.

    Esse balanço de minha vida blogueira me tranquilizou. Blogar continuava e continua sendo uma atividade gostosa e factível.

    Não satisfeita ainda, resolvi procurar aqueles blogueiros que começaram comigo, como será que eles estavam se saindo também no tal ranking do BlogBlogs?

    Fora algumas exceções, meus conhecidos estão lá atrás comigo: Cora Ronai, MarinaW, PuraGoiaba, Leite de Pato… Outros, nem cadastrados estão: Catarro Verde, carnecrua

    Percebi então que eu estava muito bem acompanhada. Não que não estivesse antes. Porém, são duas blogosferas diferentes.

    Eu fico feliz de transitar pelas duas. Na blogosfera jovem, dinâmica, agitada, cheia de novidades, de consumo rápido. E na blogosfera clássica, purista, eterna.

    E é com minha relação com os meus blogs bem resolvida dentro de mim que acabo este post.

    Deixo aqui minha experiência para quem quiser.

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    Liliana | Filosofando | Friday, October 31st, 2008

    “Nunca” é uma palavra que eu não costumo usar.

    Não vou dizer que eu nunca uso porque justamente, não sei se um dia vou usá-la. Daí, estaria me contradizendo. E se usasse, me contradiria duplamente.

    “Nunca” é muito definitivo.

    Para mim, definitivo só a morte. Para o resto, tudo tem jeito, tudo tem segunda chance. Posso mudar de idéia a qualquer momento.

    Se eu decreto: “nunca”, estou me limitando, me sabotando, me diminuindo.

    Não gosto de “nunca”.

    Eu gosto de “pode ser”, “talvez”.

    Também gosto de “não”. Claro. A gente tem que falar “não” de vez em quando. Mas “nunca”? Não.

    Eu sou completamente e ilimitadamente infinita em meu pensamento. E isso não combina com “nunca”.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta, Filosofando | Wednesday, October 15th, 2008

    Viver é como pegar onda.

    Tem você, a prancha e o mar.

    Você só tem controle de você e da prancha.

    Você cuida bem de você para estar nas melhores condições possíveis para ir pegar onda.

    Você cuida da sua prancha bem, para ela ter o melhor desempenho possível também.

    Mas o mar…

    Você não pode controlar o mar.

    O mar tem o ritmo dele e é uma força muito poderosa e além de você.

    No máximo, o que dá para fazer é observar o mar e conhecer o seu ritmo para escolher a onda, escolher o momento, calcular o tamanho da onda, o tamanho do caldo e o tamanho do seu fôlego.

    Só que na vida, não dá para ficar na praia esperando o momento certo para entrar no mar. A gente está no mar em cima da prancha o tempo todo.

    Mas a gente pode escolher se vai pegar a onda, se vai ficar sentado na prancha, se vai ficar para lá ou para cá da arrebentação.

    Mesmo assim com certas escolhas, a gente está no mar. E no mar, tem tubarão, tem tsunami, tem tempestade, tem calmaria, tem as correntezas. Tudo que independem da gente.

    Cabe a nós ficarmos atentos com o mar.

    E sabermos remar.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta, Filosofando | Friday, October 10th, 2008

    Faz parte da vida adulta assumirmos responsabilidades sobre nossa vida.

    Tem gente que prefere ser criança a vida toda e deixar certas responsabilidades para outros. Eu acho uma pena, porque nessa situação, a pessoa perde uma série de direitos adquiridos por tomar conta de seu próprio nariz.

    Ao tomarmos conta de nossa vida, podemos decidir sobre ela e ninguém tem nada a ver com isso.

    Ou melhor, ninguém tem nada a ver com isso na medida que permitimos que as pessoas se metam em nossa vida.

    Obviamente que temos deveres. Mas não é sobre deveres que quero discorrer.

    É sobre a dificuldade de defendermos nossos direitos.

    No dia a dia, o contato com o outro é uma colocação constante de limites de parte de cada um para que não sejam ultrapassados. E uma lembrança constante que seus direitos devem ser respeitados.

    Nossos direitos não são respeitados naturalmente. Assim como nossos limites não são respeitados naturalmente. A tendência do outro é ir avançando. Ou seja, nós também temos a tendência de avançar nos limites do outro porque não podemos ficar pensando 24 horas só no outro. É impossível. Uma hora, vamos escorregar. E o outro vai ter que se impor. Nós vamos ter que nos impor.

    A diferença de pessoa para pessoa é que uns invadem e desrespeitam os direitos e limites do outro de forma contumaz. Enquanto outros, apenas por uma distração momentânea.

    Uns têm má-fé. Outros não.

    Eu observo que geralmente as pessoas ficam sem jeito de defender seus limites e direitos. Talvez por timidez, por vergonha, por medo de confronto, de chamar a atenção, preguiça, por se sentirem imerecedoras de tais direitos. Enfim, várias razões. E daí eu vejo uma cultura do “deixa pra lá”.

    Ao abrir mão de um direito seu, a pessoa está fazendo mal a si mesma. Ela se torna menor. Ela se faz menor do que realmente é.

    Claro que eu escolho minhas lutas. Acho que todo mundo deve saber onde gastar suas velas. (Em referência ao ditado: não use velas boas com defunto ruim.)

    Mas há lutas para serem vividas.

    Não dá para passar a vida em brancas nuvens.

    Uma hora, se tem que falar “não”.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Bichos Incríveis, Filosofando | Wednesday, September 24th, 2008

    Vou tentar ser sucinta.

    Eu estava em São Miguel do Gostoso no Rio Grande do Norte. Fui de mala e chapéu.

    Cheguei lá, minha reforma estava atrasada.

    Quando começaram a reformar a casinha de taipa, perceberam que a estrutura estava podre e não iria aguentar.

    Demolimos tudo.

    Fiquei sem casa.

    E sem como construir uma casa nova.

    Tive que mudar meus planos.

    Voltei para São Francisco Xavier, onde já tenho uma casa.

    Ao mesmo tempo, a Graça ficou doente.

    Eu apressei minha vinda, o que casou com a contratação de uma nova equipe no RN.

    A Graça foi operada na urgência ontem, útero infeccionado, piométria. E agora está bem, recuperando-se aqui em casa após passar a noite no veterinário.

    Se eu tivesse demorado mais um pouco ela não teria sobrevivido.

    (Fui aconselhada a não colocar aqui as fotos da cirurgia porque aparentemente apenas médicos gostam dessas coisas.)

    Mas uma foto dela na recuperação eu vou colocar:

    Conclusões:

    1. Realmente o melhor é viver um dia de cada vez porque a gente nunca sabe o que vai acontecer.
    2. Eu tenho uma capacidade incrível de adaptação.
    3. Ninguém pode dizer que eu não tento (faço/experimento/me aventuro, etc.).
    4. E se eu acreditasse nessas coisas, diria que alguém com o santo muito forte não quer que eu me mude para o nordeste. ;)

    Beijinhos!

    Beijinho by Liliana

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    Estudos recentes comprovaram o que eu já suspeitava: mulheres são betazóides e homens são klingons.

    Para quem não está familiarizado com o universo de Star Trek[bb], primeiro eu tenho que dizer: sinto muito. Em seguida, eu explico. Betazóides são uma espécie telepata e empática que fica lendo a mente uns dos outros e de outras espécies com raras exceções. Eles são muito sensíveis e francos não tendo segredos entre eles. Falam muito. Os Klingons já são uma raça guerreira e a honra é a coisa mais importante para eles. O que às vezes faz com que façam bobagens em nome dela. Eles gostam de comer alimentos[bb] vivos e de beber[bb] e contar histórias e de guerras[bb]. São briguentos.

    Ahh, que maravilhas os encontros e desencontros de uma união de um klingon com uma betazoide!

    Quem disse que homens são de Marte e mulheres são de Vênus[bb]?

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    Liliana | Filmes, TV e Séries, Filosofando | Thursday, August 7th, 2008

    Decisões e decisões e decisões… O tempo todo um adulto tem que ficar tomando decisões. E parece que ultimamente todas as decisões que eu tenho que tomar são fundamentais. Não tem nenhuma simples.

    E como a gente sabe que está fazendo a coisa certa?

    Espera um sentimento de certeza absoluta subir por dentro do corpo ou vir uma força sobrehumana que nos impulsiona para frente para realizar o que decidimos?

    Uma sensação de felicidade se apossar de nós e nos deixar nas núvens?

    Mas nada disso aparece.

    É um misto de medo e ansiedade. E um desejo muito forte de esquecer esse medo e essa ansiedade a maior parte do tempo para não atrapalhar a realização das coisas que você se propôs a fazer.

    Eu tenho um jeito de lidar com minha ansiedade: eu converso com meu I Ching.

    Vou explicar. O I Ching é um oráculo chinês muito antigo com inúmeras mensagens. Ele não “tira a sorte”. Eu pergunto algo a ele e uma mensagem sai no livro. Obviamente eu vou interpretar a mensagem de acordo com o que eu perguntei. Então, na verdade, quem está analisando e interpretando sou eu mesma. O livro apenas está dando material para eu pensar. E como ele é genérico e sempre fala mais ou menos sobre assuntos gerais, as informações importantes aparecem de verdade mesmo do meu inconsciente.

    É um truque que eu uso para clarear meu pensamento.

    Ontem tive muitas informações novas sobre minha vida em geral. Hoje claro que o dia fica confuso e com muitas coisas para serem processadas dentro de mim.

    Digerir é a palavra correta neste caso.

    Acho importante nos darmos tempo para digerir o que acontece nas nossas vidas.

    Consultei o I Ching e saiu isso:

    Seis na segunda posição significa:
    Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
    A perseverança traz boa fortuna.

    Aqui descreve-se alguém que não se deixa enganar por ilusão alguma. Enquanto outros se deslumbram com o entusiasmo, ele reconhece claramente os primeiros sinais do tempo. Assim, não adula os que se encontram acima, nem negligencia os que se encontram abaixo. Ele é firme como uma rocha. Quando os primeiros sinais de discórdia surgem, ele percebe o momento próprio à retirada e não se retarda um dia sequer. A perseverança em tal conduta traz boa fortuna.
    Confúcio comenta e respeito dessa linha: “Conhecer as sementes é sem dúvida uma faculdade divina. Em sua relação com seus dirigentes o homem superior não é adulador. Na relação com seus subalternos não é arrogante, pois conhece as sementes. As sementes são os primórdios ainda imperceptíveis do movimento, o primeiro sinal de boa fortuna (ou de infortúnio). O homem superior percebe as sementes e age imediatamente. Ele não espera um dia inteiro.
    Diz-se no Livro das Mutações:
    ‘Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
    A perseverança traz boa fortuna’.
    Firme como uma rocha, para que um dia inteiro?
    Pode-se saber o julgamento.
    O homem superior conhece o oculto e o manifesto,
    conhece a fraqueza e também a força:
    por isso as multidões erguem o olhar para ele”.

    Fui abrir meu iTunes para ouvir uma música e no Aleatório estava para tocar Bonny Portmore. Eu adoro essa música e achei que era pertinente colocá-la aqui para acompanhar este post. Abri o YouTube e para minha surpresa, o video da música era o último episódio de uma série de TV que eu adorava: Highlander.

    Eu já disse que eu acredito piamente em sincronicidade?

    Com tudo isso, eu só posso dizer que a sensação é de uma grande despedida.

    Parece que grandes mudanças vêm por aí.

    Highlander - Bonny Portmore - Último Episódio

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    Liliana | Filosofando, Viagens | Wednesday, August 6th, 2008

    Este mês está marcado por muitos idas a São Paulo. Muitos eventos, compromissos, encontros.

    Eu gosto de ir para lá, embora fique muito cansada com a viagem. Tem dias que é bate-e-volta. Porém, cada ida é uma mudança na minha vida. Cada viagem significa uma lição, um aprendizado, uma experiência diferente.

    De outra forma, por que ir então?

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    Hoje acordei misteriosa, com pensamentos complicados, papo cabeça mesmo.

    E me lembrei de Donnie Darko, um de meus personagens favoritos. Acho que hoje acordei Donnie.

    Vocês conhecem Donnie Darko? Têm que conhecer! Além de ser um garoto brilhantemente interpretado por Jake Gyllenhaal, a história é muito boa e a trilha sonora é de arrepiar. É um dos poucos filmes que eu faço questão de ter em DVD aqui em casa.

    O filme gira em torno de um coelho imaginário, Frank. E isso me remete a outro filme meu preferido que também tem um coelho imaginário, Harvey (também tenho o DVD). Mas dessa vez, o personagem principal não é soturno como Donnie. É um homem desencanado interpretado por James Stewart na comédia antiga Meu Amigo Harvey.

    Não posso deixar de pensar que Donnie Darko foi inspirado em Meu Amigo Harvey. Embora um filme seja leve e comédia e o outro seja um drama de ficção, ambos os protagonistas são muito parecidos por serem homens muito na deles. Completamente na deles. E no fundo, ambos são torturados. Elwood é alcoólatra e Donnie é depressivo. E ambos precisam ficar sós.

    Domingo costuma ser meu dia de reflexão. De ficar sozinha. E nada melhor que a companhia de Elwood, Donnie, Harvey e Frank.

    Coloquei aqui cenas dos filmes. Cuidado que estão cheias de spoilers!

    Donnie e a Professora

    Donnie e os Smurfs

    Donnie e o Profeta

    Donnie e Frank

    O Final Completo de Donnie Darko

    E para terminar, eu lhes apresento Harvey, nas palavras de Elwood conversando com o psiquiatra nos fundos de um bar:

    Elwood e o Psiquiatra

    Elwood e o Outro Psiquiatra

    “I recomend pleasant…”

    Tenham um bom domingo!

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