A Bruxa

Liliana | Filosofando | Sunday, March 13th, 2011

Quando eu era criança eu adorava os contos de fadas com as princesas lindas, os príncipes garbosos e a indefectível bruxa que era a parte ruim da história e que fazia o impossível, com magia, para afastar a felicidade da princesa.

Toda menina queria ser uma princesa. Toda.

Até eu.

Por anos os meus sonhos foram moldados para ser a princesa da vida real. Achar o príncipe era fundamental.

Eu estava mais para Gata Borralheira porque meus pais não eram aqueles rei e rainha carinhosos e protetores.

Mas os sonhos de princesa estavam lá.

Eu tive meu dia de princesa vestida num longo branco, tiara e véu. O ápice do sonho da princesa e o final do conto de fadas porque daí eram felizes para sempre, sempre.

Eu juro que eu tentei ser a princesa, embora sonhos nada de contos de fadas enchiam minha cabeça. E eu ia atrás dos sonhos e tentava ser princesa.

Claro que não deu certo.

Uma coisa excluía a outra.

Hoje eu me assumo como A Bruxa.

Não aquela bruxa que faz bruxarias e maldades.

Eu sou a Bruxa do Maleus Maleficarum.

Aquela mulher que vive sozinha na floresta, cercada de natureza e bichos, curando os outros.

Aquela que não se encaixa nos padrões da sociedade da vilazinha local.

Aquela que as pessoas procuram apenas quando têm problemas que só uma bruxa curandeira pode resolver mas que depois é esquecida até o próximo problema.

Uma bruxa tipo Geni do Zepelin.

Bruxa Geni.

Hoje eu dormi muito bem como há muito tempo. E tive um sonho muito interessante que resumia minha vida. E no sonho, me comportei exatamente como fiz no decorrer dos anos: lutei, fui atrás dos meus sonhos verdadeiros (e não sonhos que me impunham) e acabei a Bruxa, sozinha incompreendida na floresta da vila.

Essa é a vida de bruxa.

Bruxa de verdade.

Não vou acabar esse texto com um clichê tipo “quem nasceu para bruxa, não chega a princesa”.

Vou dizer que eu tenho orgulho de ser Bruxa. Que se eu tivesse me assumido mais jovem teria sido feliz mais rápido.

Que a liberdade que eu tenho como bruxa me faz voar mais alto que com uma vassoura.

Que eu estou feliz. Estou em paz.

E estou exercendo minha totalidade.

Eu sou a Bruxa que as princesas queriam ser.

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    Liliana | Filosofando | Sunday, March 28th, 2010

    Eu sempre falo que a vida da gente é uma montanha-russa.

    Acho que ninguém pode dizer que não é isso.

    Mas o detalhe dessa montanha-russa é que a gente pode se divertir no trajeto todo, tanto na subida como na descida.

    É difícil se manter feliz e se divertir quando estamos no baixo, por baixo.

    Mas a gente não pode esquecer que passa.

    Tudo passa.

    E depois que passa, corremos atrás do prejuízo.

    Toda recuperação de uma baixa é lenta como a subida do carrinho na montanha-russa.

    Aceitar a vida é aceitar esse sobe e desce constante.

    Ou seja, vamos relaxar nesses movimentos. E compreende-los é passar mais sossegadamente pela vida. O stress diminui se não opomos resistência.

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    Liliana | Filosofando | Thursday, December 31st, 2009

    Eu não ligo para Natal, mas eu ligo muito para o começo do Ano Novo.

    Os dias que o antecedem são marcados por uma profunda reflexão do que aconteceu durante todo o ano velho e principalmente sobre o que aprendi nesse período.

    Não gosto de gente que diz que não tem nada para aprender ou mudar. A gente sempre tem o que melhorar em nós, em nosso entorno e principalmente na nossa qualidade de vida.

    Analisando, 2009 foi um ano muito importante. Foi o ano que estabeleci certos padrões para mim que ainda não estavam claros. Foi o ano que me descobri completamente auto-suficiente. Um ano que atingi uma certa paz que há muitos anos não tinha experimentado.

    E até o penúltimo dia do ano eu ainda estava aprendendo lições. Sobre as pessoas e principalmente sobre mim mesma.

    Fico feliz de me perceber cheia de esperanças boas para 2010.

    Mil planos.

    Mil desejos.

    E muita tranquilidade para realizar tudo.

    Acaba o ano e eu vejo que sou feliz. E que vou ser mais feliz ainda ano que vem com tudo que aprendi nesse ano.

    Eu desejo a todos vocês um Ano Novo cheio de esperanças renovadas, muita Saúde e Energia para realizar todos os seus mais maravilhosos planos.

    Feliz 2010!

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    Liliana | Filosofando | Friday, September 11th, 2009

    Eu já fui viciada em adrenalina.

    Teve uma época na minha vida que se eu não estivesse salvando vidas e abrindo cabeças eu achava todo o resto chato e sem graça.

    A mesma coisa com os sentimentos. Se não estivesse visceralmente envolvida com algo ou alguém, a vida era muito chata.

    Ninguém pode dizer que minha existência até hoje foi desinteressante. História atrás de história, aventura atrás de aventura. Algumas fui eu fui procurar, outras a aventura me achou.

    Mas a gente paga um preço por viver no limite das emoções. Cansa muito e tem o período para se refazer.

    Tanta coisa aconteceu comigo durante o último ano que fiquei muito cansada e pela primeira vez desejei na vida paz e sossego.

    E tomei algumas decisões. Elas vão desde continuar morando em São Francisco Xavier, voltar a trabalhar na prefeitura, até o que eu quero para mim num relacionamento. Até a forma de me relacionar com meus bichos está mudando. Não quero mais passar o stress que passei com o Gigio no feriado, não quero mais passar stress.

    Para quem não conseguia viver sem emoções fortes, sentir a paz e sossego agora é uma experiência bem radical e gostosa.

    Eu acredito que isso foi um processo que começou no meu divórcio há quase dois anos e eu demorei esse tempo todo para me achar de novo. E apareceu uma Liliana bem diferente do que eu conhecia. Muito interessante porque uma vez experimentada essa ausência de extremos, não dá mais vontade de sair desses limites confortáveis de paz e sossego.

    É possível viver tranquila e feliz.

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    Liliana | Filosofando | Thursday, September 10th, 2009

    Eu tenho dormido com a janela do quarto aberta.

    Pode parecer bobagem mas eu nunca havia conseguido dormir com uma janela aberta, mesmo aqui na roça.

    Comecei tímida abrindo a persiana porque tinha necessidade de ficar vendo a vista, o gramado, a minha paineira do lado de fora.

    Mas depois, precisei de ar e abri o vidro.

    E o quarto de encheu de um sopro gelado e fresco. Novo. Saudável.

    E não consegui mais fechar a janela.

    Dizem que quando se fecha uma porta, se abre uma janela ou vice e versa. Verdade.

    Minha vida sempre foi literal. Eu sou uma pessoa literal. As coisas são como são. O que se fala é o que se quer dizer. E o que não se fala significa simplesmente que não se quer falar.

    Eu tenho mais assuntos que eu não quero falar do que os que eu quero. Por isso, fico quieta.

    Ter a janela aberta aberta no quarto me faz acordar com os primeiros raios do sol. E eu vejo a neblina entrando e a grama branca resplandecendo orvalho. Eu gosto e fico feliz de poder apreciar. De ver beleza.

    Mas não foi deus ou ninguém que abriu a janela.

    Fui eu que abri.

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    Liliana | Filosofando | Saturday, August 29th, 2009

    Engraçado. Eu jurava que já tinha escrito sobre Mulheres Alfa aqui no blog.

    Enfim, fiz uma pesquisa e não retornou nada.

    Então vou escrever.

    Eu sempre falo que tem um tipo de mulher que é único: Mulheres Com Cachorros Grandes.

    A mulher pode ter de fato o cachorro grande ou só ter a disposição de ser dona de cachorro grande, dá no mesmo.

    Mas o que significa isso?

    Um cachorro grande é uma fera. Um animal irracional que precisa ser adestrado, contido e se não for, pode ferir de verdade alguém.

    Uma mulher que se dispõe a conviver com um cachorro grande não tem medo. É corajosa. É afirmativa. É segura.

    Sabe que pode ter que enfrentá-lo e que vai vencer.

    É dominante e domina o cão.

    Ele se submete.

    Ter essa energia para submeter um cachorro grande implica numa estrutura interna da mulher muito sólida e especial. É a tal história de ser a Alfa da casa.

    Levar mordida de um poodle, de um maltês, de um pug, é uma coisa. Arriscar levar mordida de pastores, rottweilers, dobermans é outra.

    Estou falando de mulheres que moram sozinhas que não têm (e geralmente não querem) um Alfa Male para manter a matilha em ordem. Ela é o Alfa Male, o Número Um.

    Numa matilha existe o casal Alfa e a Alfa Female é a segunda em comando. Mulheres Com Cachorros Grandes são Alfa Male.

    Não existem muitas mulheres “Alfa Male” por aí.

    Mas elas são menos mulheres? De jeito nenhum. Querem se sentir amadas e protegidas e acolhidas da mesma forma. Porém não se pode negar-lhes sua natureza dominante e isso deve ser respeitado.

    Uma pena que muitos homens se sentem tão intimidados.

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    Liliana | Filosofando | Saturday, July 18th, 2009

    Eu cresci com meus pais me falando que se eu quisesse alguma coisa, um cachorro, determinado  móvel, uma decoração, fazer meus horários, qualquer coisa, eu deveria ter minha casa. Pois enquanto estivesse morando na casa deles eu deveria seguir as regras deles. Naquela época filhos não tinham voz, crianças não apitavam nada, e jovens sem casa eram igual a um zero a esquerda.

    Assim, eu cresci desejando sair da casa dos meus pais e meu sonho era ter minha casa própria, minha liberdade e minhas regras.

    Casei muito cedo, ainda estudante e fui ter minha primeira casa com meu marido. Porém, aquela ideia de ter a minha casa, só minha, sempre continuou apesar de casada. E eu acabei me mudando eventualmente para uma casa sozinha, mesmo casada, mas fui morar sozinha.

    Era o começo da realização de meu sonho de infância.

    Morava numa casa alugada pequena com meus dois chow chows e recebia meu marido nos finais de semana e feriados.

    Com o tempo, consegui construir a casa que moro hoje: um misto de casa com sítio com todas as comodidades que eu sempre quis.

    Moro só com cinco bichos e a sensação de ter realizado meu sonho.

    Minha casa é meu refúgio e refúgio para aqueles que precisam de um tempo. É assim que eu gosto de pensar nela. Adoro receber gente e cuidar bem dos amigos que vem me visitar. E adoro ficar sozinha no silêncio no meio do pasto vendo o céu estrelado.

    Tem gente que precisa viver com outros, que tem necessidade de companhia o tempo todo. Eu gosto de visitas.

    Antigamente eu achava um absurdo me sentir tão mal vinda na casa dos meus pais, e o esforço deles para que eu saísse de casa o mais rápido possível. Acho que isso contribuiu para meu relativo isolamento.

    Hoje eu entendo perfeitamente o que meus pais queriam dizer: ter nossa casa é uma realização maravilhosa. Recomendo ter esse objetivo de vida!

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    Liliana | Filosofando,No Plantão | Monday, April 20th, 2009

    Que felicidade ao me pesar hoje de manhã e ver que estou com 62,9.  Abaixei dos 63 quilos!

    Estou feliz!

    Pode parecer bobagem, mas para mim é muito importante.

    Significa que estou no caminho certo. Que meu corpo está em equilíbrio com minhas novas atividades e medicações. Que minha alimentação está satisfatória.

    Já estou entrando em várias das minhas roupas e não preciso usar moletons o tempo todo. Uma notícia maravilhosa!

    Já escrevi aqui que o processo de emagrecimento é lento, contínuo e reflete o bem estar interno da pessoa, sendo um excelente parâmetro de qualidade de vida. Se você está no peso ideal ou se aproximando dele, então sua vida está indo bem. Qualquer oscilação de peso significa um desarranjo interno que precisa ser corrigido, seja ele psicológico ou orgânico.

    Aparentemente estou mais adaptada aos plantões. Embora não consiga dormir mais que duas horas por noite, meu peso não está mais subindo no pós-plantão. Eu saio do plantão às 7 da manhã de sábado e durmo boa parte do dia. Só viro gente de novo domingo a tarde e olha lá… Os plantões têm sido muito puxados. Não tenho tido tempo nem de sair para fazer as refeições e tenho comido por lá mesmo com marmita.

    Me perguntaram se tem casos sérios mesmo ou se é só besteira que aparece. Ambos. Tem muita besteira que nem precisava passar no médico mas tem vários casos que se não tratados imediatamente colocam a vida da pessoa em risco. E já teve casos de vida ou morte imediata que ao tirar essas pessoas da emergência compensam todas as bobagens que eu tenho que atender.

    Dias desses recebi um telefonema da chefe do posto me contando que um desses pacientes teve alta do hospital e foi no posto me procurar para me agradecer tê-lo salvado. Isso não tem preço.

    Por essas e por outras eles querem que eu continue dando os plantões de sexta-feira.

    Eu concordo. Resta ver se a burocracia da prefeitura permite.

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  • Começou a Guerra Contra a Merda

    Liliana | Filosofando,Minha vida num sítio | Thursday, April 16th, 2009

    Eu poderia escrever sobre o significado da merda enquanto simbolização de conteúdos digeridos pelo inconsciente e sua expressão mitológica monstruosa como ser independente e silencioso tomando de assalto com sua presença fétida e líquida os recôndidos das instalações sanitárias de meu lar.

    O fato é que as fossas sépticas de casa, são duas no total, estão atoladas de merda. É tanta merda que não sei como, elas se interligaram e agora se tomo banho no meu chuveiro, a merda sai na garagem.

    O solo está tão encharcado que não há vazão do esgoto.

    Estou literalmente na merda.

    Ficar na merda é um processo. Da mesma forma que uma fossa não se enche de uma hora para outra, uma pessoa não se vê na merda de repente.

    A gente tem sinais que algo não está certo. E infelizmente poucos de nós prestamos atenção a esses sinais e tomamos providências logo no início. É uma descarga que não esvazia rapidamente, um ralo entupido, uma irritação aqui, outra acolá.

    Quando se percebe, tem merda saindo por todos os lados e você perde a paciência. Quem olha de fora poderá pensar: “mas o que aconteceu com essa pessoa? Parecia que estava tudo bem!” Mas não. A merda estava acumulando.

    E daí, com merda pelas tampas, qualquer cocozinho já é suficiente para uma reação exagerada.

    As bactérias que limpam fossa chegaram hoje. Já fui no correio pegar e joguei em todos os ralos e privadas. Mas não sei se na atual conjuntura vai ser suficiente para arrumar o estrago. Eu não gostaria de ter que desenterrar as fossas e todo o encanamento e estragar o gramado.

    Mas é claro que a merda real é apenas uma parte da merda simbólica. Porque a gente produz merda o tempo todo e tem que fazer algo com ela, dar o destino certo. Trabalhar a merda. Estou seguindo com meus planos de vida, transformando merda em ouro. Mas devo estar preparada para novas mudanças para justamente não acumular mais merda. E não ter mais que lidar com a materialização de meus problemas saindo pelo ralo da garagem.

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  • A Segunda Metade

    Liliana | Filosofando | Friday, March 13th, 2009

    Não tem nada mais broxante do que você se empenhar em algo e não ver resultados.

    Trabalhar de graça é contra minha religião.

    E ultimamente eu só me empenhava e não via resultados.

    Claro que broxei. E tive que repensar tudo. Reavaliar tudo.

    Para variar, parti do zero e bolei novos planos. Novas estratégias para esses tempos diferentes e para essa nova vida que eu comecei.

    Uma noite dessas eu conversei longamente com minha comadre que mora em Miami e ela me contou que está no mesmo pé que eu. E que outra amiga dela, com a mesma idade também se sente assim: começando do zero.

    Chegamos à conclusão que seria uma crise da meia-idade feminina.

    Eu me sinto como se me preparando para a outra metade da minha vida. Elas também.

    Nessa idade que estou, já sei o que quero, o que não quero, o que posso, e não posso. 

    E penso no futuro com outros olhos.

    Eu acho que a primeira metade da vida serve para formarmos a nossa base: temos nossos estudos, a formação do patrimônio, a lapidação do caráter.

    Na segunda metade, temos a manutenção de uma qualidade de vida boa e agradável, fazendo o que gostamos e usufruindo o que conquistamos.

    Lógico que só porque estamos na segunda metade da vida não quer dizer que estamos fechados para novidades e novos empreendimentos. Mas, já temos a experiência e sabedoria de como encarar essas coisas novas.

    O importante é se mexer. Sempre. Não se cristalizar. Não se enrijecer. E ter sempre planos.

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    A dúvida que não quer calar é: quando eu vou poder comprar algo que não esteja em liquidação/promoção/saldão/baciada?

    Ontem Andréia e eu fomos numa expedição para a cidade grande fazer as compras do mês da casa. Fomos para São José dos Campos um dia depois de uma das piores tempestades dos últimos 30 anos.

    Foi mesmo uma expedição.

    Em quase 12 anos que estou morando aqui e a Andréia que nasceu aqui nunca vimos os estragos que a chuva causou na estrada e nas cidades por onde passamos.

    Para vocês terem ideia, caiu uma barreira dentro do meu sítio: nossa estrada foi fechada porque parte do morro despencou. E em toda a estrada várias barreiras caídas e pior: a estrada de asfalto cedeu em vários pontos e rachou em outros estando prontinha para despencar.

    Partes da estrada também estavam submersas e só jipes e picapes altas passavam.

    Demos carona para uma professora de Monteiro Lobato, a cidade vizinha, e ela nos contou que Monteiro ficou embaixo d’água. A praça principal teve água até metade das portas. Os trialers boiavam. O supermercado foi invadido pelas águas e o estoque foi perdido assim como o da casa de ração. Ela contou que o povo de lá ficou perto do rio esperando as caixas de cerveja e de refrigerante virem rio abaixo.

    Quando passamos por Monteiro, na volta, pudemos ver as marcas da água nas paredes: um metro pelo menos.

    A professora também contou que havia chovido mais de 70 mm de água naquela noite e que deveria chover mais de 120 mm ontem. Então, resolvemos apressar nossa viagem, adiar certas coisas para outro dia e tentar voltar antes da chuva. Mas, de qualquer forma, seria mesmo uma aventura.

    Morar em São Francisco Xavier é uma aventura. É.

    Mas mesmo com a ameaça da nova tempestade não desistimos e fomos para  comprar a ração dos cachorros, nossa primeira parada. Comprei a ração em promoção, lógico.

    A parada seguinte foi no Extra, onde fiz a festa comprando tudo que era marca genérica e mais promoções.

    Depois, fomos até o Pão de Açucar onde tem o açougue que eu gosto apenas para comprar carne. E lá, havia promoção de sorvete Rägen Daaz. Dois potes e um descontão.

    Resultado, me dei de presente um sandália Havaianas dourada da liquidação do Extra e um pote de sorvete Rägen Daaz da promoção do Pão de Açúcar. O resto, coisas para minha sobrevivência e dos cachorros.

    A que ponto que a gente chega que nem uma sandália Havaianas eu tenho coragem de comprar se não estiver na promoção?

    A Andréia brinca comigo: você é a rainha da promoção. Caramba, até meu jipe eu comprei numa promoção com desconto.

    Acho que estou tão acostumada a só comprar o que sobrou, o refugo, o que não saiu e que colocaram para torrar, para liquidar…

    Mas isso me incomoda. É como se eu não conseguisse mais desejar algo e simplesmente ir lá e comprar na hora que eu quero. Eu espero entrar na promoção e se ainda sobrar o que eu gostei, daí sim, eu levo.

    Roupa sem estar na liquidação? Nem sei o que é isso.

    Sapatos? Idem.

    Por isso só compro roupas e sapatos nas liquidações de inverno e verão, duas vezes por ano.

    É. Acho que fiquei chocada com a promoção do sorvete. Foi demais.

    Com vocês também é assim?

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  • Não dá para planejar nada

    Quando eu digo que vivo um dia de cada vez, eu me consolo ao mesmo tempo que me admiro com as surpresas da vida, que podem ser boas ou más. Eu nunca sei o que farei no futuro. Impressionante. E parece que quando eu planejo algo, pode escrever: acontece alguma coisa e os planos mudam. Não estou reclamando, de jeito nenhum, porque acontecem coisas muito legais que me fazem mudar de idéia e projetos e me levam às vezes na direção contrária do que eu estava imaginando. Claro que tem as coisas chatas também, mas tem coisas boas.

    O fato é que parece que eu tenho uma predisposição para me deixar levar pela vida, quase uma malemolência gostosa.

    Eu tinha me inscrito para ir passar a semana no CampusParty. A inscrição foi feita com muita antecedência e eu estava toda animada. Estava a fim de acampar com uma amiga e fazer uma bagunça por lá. Mas tanta água rolou por baixo da ponte depois dessa inscrição!

    Teve que eu fiquei doente e estou ainda me recuperando e me declarei de ferias até fevereiro.

    Aconteceu que não estou mais pensando em termos de “eu” e sim em “nós”.

    Teve que eu fiquei tanto tempo fora de casa que meu desejo atual é conseguir passar uma semaninha sem viajar para lugar nenhum.

    E os dias aqui em São Francisco estão tão bonitos!

    Acho que dessa vez não vou aparecer na CampusParty…

    Mas vai saber, né? Ainda tem uma semana inteira pela frente…

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  • Mensagem de Final de Ano da Liliana

    Liliana | Filosofando | Wednesday, December 31st, 2008

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    Feliz 2009, pessoal! ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis,Filosofando | Saturday, November 29th, 2008

    Acredito que poucas pessoas saibam como me sinto em relação aos animais.

    Vocês não tem idéia do que é conviver com um sapo de estimação solto pela sua casa, andando livremente para lá e para cá podendo dar de cara com ele nos lugares mais inusitados a qualquer momento. Os sustos que levo! O cuidado constante para não pisar nele. Não ferir o sapo. Garantir que ele tenha acesso a água, comida e tudo o mais que um sapo precisa. E estou falando de um sapo! Um bicho que tenho a maior aflição.

    Tudo porque ele decidiu morar na minha casa e meus cachorros o aceitaram. Então, quem sou eu para expulsar o sapo Mario daqui?

    Toda a rotina da casa foi modificada por causa de um simples sapo: a empregada limpa a sujeira do sapo. As visitas são informadas para não pisarem no sapo e prestarem atenção aonde andam. Eu não ando mais descalça para não chutar o sapo com os pés nus. Nem ando no escuro como andava antes para não pisar nele. Temos a Rotina do Sapo. Se ele some, vamos procurar onde ele está dormindo.

    Um sapo! Solto! Dono da casa!

    É comum estarmos vendo televisão e o Sapo Mario aparecer ao meu lado para conferir o programa que estamos vendo.

    É divertido darmos besouros para o Mario comer.

    Um sapo!

    E não sou só eu. A empregada Andréia, meus amigos, quem vem aqui, todos gostamos do Mario. Até os cachorros.

    Se fazemos tudo isso com um sapo, imagina com a Joom.

    Imediatamente foi absorvida pela família. Cuidada, alimentada, e inundada de amor.

    Eu estou quieta a respeito da tragédia de Santa Catarina. É defesa minha pois não suporto e não tenho condições de lidar com tais horrores que estão acontecendo por lá. Eu não posso pensar nos animais de lá. Estou com mais de 1000 feeds para ler e caí na besteira de ler posts da Cora Ronai. E justamente havia uma carta de uma mulher descrevendo um resgate com um helicóptero no qual salvaram a família humana e deixaram para trás os 4 cachorros para morrer de fome. Desde então estou passada. Não consigo parar de pensar nisso.

    Para mim, toda forma de vida é importante. E o ser humano por ter mais condições de adaptação é o que menos precisa de ajuda. E enquanto o ser humano continuar só pensando em sua própria espécie, menos vontade eu tenho de pensar no ser humano.

    Se eu estivesse ilhada aqui em cima do morro e viesse um helicóptero me salvar, teria que levar toda minha família junto: um sapo, quatro cachorros, uma mulher teimosa e um blogueiro que aparece de vez em quando.

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    Liliana | Filosofando | Sunday, November 23rd, 2008

    A primeira vez que atendi um paciente foi no primeiro ano de medicina em 1981. A Santa Casa, onde estudei, sempre deu ênfase na parte prática e logo de cara nos colocava em contato com pessoas. E a gente se virava. Nessa situação, eu usava mais meu bom senso que os poucos conhecimentos que eu ainda tinha.

    E também foi nessa época que aprendi que minha própria experiência de vida era fundamental para um bom atendimento. Como médica, não bastava apenas eu falar para os outros fazerem determinada coisa, eu precisava vivenciar aquilo que eu pregava.

    Eu não podia ser hipócrita e pedir ou mandar ou exigir algo que eu mesma não tivesse feito ou passado pelo menos algo parecido. E sim, minha vida me proporcionou muitas experiências enriquecedoras.

    Então, quando eu indicava um tratamento, uma cirurgia, um exame, podia fazê-lo com a convicção que estava certa por já ter passado pela experiência parecida ou igual.

    Eu levava desde o começo a sério o Mito de Quíron (Chiron), o Médico Ferido no qual apenas alguém que padece e conhece o sofrimento pode curar.

    Escrevo esse post porque estou escrevendo uma série de artigos sobre Equilíbrio.

    Não são simples artigos. Eu estou vivendo cada um deles conforme escrevo, por isso a demora de completá-los.

    E ao me propor a escrevê-los, resgato esse maravilhoso arquétipo que estava tão quieto dentro de mim, o de Chiron, o Centauro.

    E devolvendo Chiron ao seu lugar de destaque na minha vida, dou mais um passo na minha jornada maravilhosa que eu chamo de vida.

    Assinado: Liliana, a médica.

    PS- Vejam que texto interessante que achei.

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