Todos em casa

Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Thursday, October 15th, 2009

Então o Tai foi de motorista para São José dos Campos tomar banho, fazer curativo, ser tosado e acabou tendo que dormir lá.

Eu passei a noite sem o Tai com um silêncio estranho na casa. Demorei para dormir, uma ansiedade esquisita. Só no dia seguinte percebi que era a ausência dele que me deixou tão incomodada. O Tai nunca havia passado a noite fora de casa, nunca havia viajado sem mim.

O Pepê também foi. Foi ser castrado e a operação correu bem. E confesso que a casa ficou bem silenciosa sem ele. O Pepê já conquistou seu espaço aqui.

Quando estava indo para o trabalho ontem, cruzei com o transporte canino na rua e fiz questão de ver meus bichos. Os dois ficaram tão felizes de me ver que fiquei emocionada. A gente não imagina que pode ser tão importante para os cachorros. O Tai quando me viu queria pular fora do carro e ele nem consegue se mexer direito. O Pepê, que estava na gaiola chorava e lambia minha mão desesperado. Eles realmente estavam felizes de me ver.

Já à noite, os 5 bichos ficaram juntinhos em volta de mim no quarto. Até o Tai.

Falando em bichos, ontem se o Gato Branco fosse uma cobra tinha me picado.

Tem um gato branco que vem comer a ração dos cachorros na varanda toda noite. Já tentei dar ração de gato, me aproximar, mas ele é muito arisco. Eu gostaria que ele fizesse amizade com a Manilha mas parece que ela não quer saber dele. Então ele vem na varanda mesmo comer e beber. Ele é enorme, bonito e bem peludo. Eu o chamo de Gato Branco.

Quando eu fui cuidar do Tai na varanda, reparei que o sapo Mario estava ao lado do Tai. A Joom La cheirou o Mario e ele fugiu para o potinho de água. Ao lado do potinho percebi uma coisa branca que parecia um algodão. Era o rabo do Gato Branco do lado do sapo. A Joom La então viu o gato e começou latir chamando os outros cachorros. E o Gato Branco fugiu quando o Gigio, enorme, apareceu.

Assim, a família estava toda reunida: cachorros, gatos, sapo e eu.

Confesso que esses tempos estão muito especiais. Nunca me senti tão feliz, tão tranquila, tão realizada. Eu mereço!

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  • BláBláBlá O Twitter matou o blog…

    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Saturday, October 10th, 2009

    Matou nada.

    O que mata o blog é não ter tempo nem assunto para postar.

    Nem tuitar eu tuito muito.

    Também não tenho lido feeds. O GReader mostra 1000+.

    Mas eu estou bem contente.

    Estou adorando trabalhar no posto. Curto atender gente. Me divirto com as consultas.

    É um trabalho bem legal a longo prazo cuidar da saúde de toda uma população. Tenho recebido pacientes descompensados e aos poucos vamos acertando medicação, fazendo diagnósticos… Deixando a vida do povo melhor, uma melhor qualidade.

    O feedback dos pacientes está excelente. Estão bem satisfeitos. E eu fico mais satisfeita ainda.

    (Aqui entra uma longa pausa porque o veterinário veio para tratar da cachorrada.)

    Bem, ter 5 cachorros e 1 gata dá um certo trabalho.

    O Tai, muito bravo, não permite que eu cuide dele direito. O resultado é que o câncer de pele dele na bochecha deu bicheira de novo. Ele está velho demais para ser operado e nos resta apenas cuidar das consequências. O veterinário e o ajudante tiveram um trabalhão cortando o pelo em volta da ferida e limpando os bichos. O Tai ficou bem cansado e estressado. Ficou combinado que ele seria internado na semana que vem para ser tosado por um profissional e fazer os curativos na clínica. Tadinho.

    Pepê foi vacinado e vai aproveitar a carona para São José com o Tai para ser castrado. Todos os bichos aqui de casa são castrados. Só falta ele.

    Joom La estava com abscessos por causa de bernes mortos e também foi tratada.

    Gigio e Graça estavam bem e não precisaram de consulta.

    Manilha devia ser vacinada mas desapareceu aqui de perto de casa. Foi vista no platô de baixo perto do jipe e acabou não sendo vacinada.

    O jipe ficou lá para baixo porque Seu Zé jogou terra fofa na estrada e com a chuva ficou impossível de qualquer carro subir, inclusive o jipe. A estrada é muito perigosa. Hoje ainda não choveu e pode ser que eu consiga trazer o carro aqui para cima. Tenho ido trabalhar a pé no barro até onde o jipe está estacionado. É muita vontade de ir trabalhar!

    Sem carro não posso ir no supermercado porque não consigo trazer as compras aqui para cima. O resultado é que estou em abstinência de coca zero. E ninguém pode me visitar inclusive no meu aniversário.

    Já contratei o depósito de construção para jogar pedrinhas na estrada. Mas eles só vem na terça e tem que fazer sol para o caminhão subir e a terra firmar. Morar num sítio exige manutenção constante. E se fica a mercê de barro e outros problemas rurais.

    Mas tirando a chuva, não tenho do que reclamar.

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  • A História de Pepê

    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Sunday, October 4th, 2009

    O tempo fechou e começou uma forte chuva durante a tarde de ontem aqui em SFX.

    Eu estava no quarto, embaixo das cobertas vendo filmes no computador e cercada pelos cachorros. Sabe aquele dia que a gente pensa: queria estar em casa quentinha vendo televisão? Pois é, eu estava.

    De repente a Joom La começa a latir na sala e se comportar de um jeito diferente. Fiquei preocupada porque parecia que tinha alguém rondando a casa. E fui investigar.

    Nos filmes de terror a gente se pergunta por que o mocinho vai lá fora no escuro ou na chuva ver aquele barulho estranho em vez de ficar na segurança do lar. Então, fui lá fora na chuva.

    Podia ser um serial killer.

    Mas não era. Era um cachorrinho do tamanho da Joom La mas bem magrinho e judiado. Amarelo. Assustado na garagem.

    A gata Manilha olhava o cachorrinho do alto da prateleira com curiosidade.

    Os outros cachorros latiam furiosamente e já estavam encharcados de ficar no gramado tentando ver o invasor.

    O que fazer?

    Peguei uma vasilha de comida e uma de água e fui para a garagem. O cachorrinho fugia de mim. Coloquei as vasilhas no chão e voltei para dentro de casa, ensopada de chuva.

    Já no quarto de novo os latidos continuaram. Levantei-me de novo e fui ver: o cachorrinho estava na minha porta. Pulou o murinho da garagem e veio atrás de mim.

    Nessa hora que você olha o bicho através do vidro da porta e pensa: fo-deu.

    Abri a porta e meus cachorros foram cheirar o novato. Rabinhos abanando freneticamente.

    Ninguém mordeu ninguém. Ninguém latiu para ninguém.

    Eu só pensava em voltar para minha cama e mais um cachorro era a última coisa que eu podia querer.

    Deu uma depressão aguda mais um cachorro.

    Pensei: vire-se cachorrinho. Aí tem comida, cama quente, amiguinhos, tudo que você precisa. Pode explorar a casa a vontade.

    Os outros cachorros imediatamente voltaram à rotina e nem ligaram mais para a novidade. Seguiram-me até o quarto de volta, se instalaram e voltaram a dormir. A Joom La é que ficou mais animada de ter alguém da idade dela e do tamanho dela para brincar.

    Não demorou muito e o cachorrinho tímido já estava no meu quarto.

    Mais um pouco ele subiu na minha cama, no meu colo.

    Deitou na caminha da Joom La embaixo da penteadeira e dormiu tranquilo.

    E essa noite eu dormi cercada por 4 cachorros. O Tai ficou na varanda.

    Minha sensação é que eu estava em uma espécie de favela de bichos. Que meu quarto era um cortiço de cachorros. Confesso que não gostei.

    Ao acordar hoje de manhã minha entourage me seguiu como sempre. Mas agora são 4 me seguindo. É ridículo andar pela casa com 4 bichos atrás. Eu só pensava no Cesar Milan com uma matilha enorme.

    Eu fiquei impressionada como o bichinho novo pegou as manhas da casa em menos de 24 horas. Ele já se comporta como se estivesse aqui há muito tempo.

    E já dei um nome: Pepê. Vem de Pedro Pellegrini, mas eu gosto de Pepê. O Pedro Pellegrini era um vizinho meu quando eu era criança que era apaixonado por cachorros e o sonho dele era ser groomer de cães.

    Eu fui chamando o cachorrinho de um monte de nomes. E quando chamei de Pepê ele atendeu. Foi assim que ele ganhou o nome.

    Como podem perceber, não estou animada com o novo bicho. Estou bem contrariada até. Mas o que eu posso fazer?

    Ao mesmo tempo que o Pepê apareceu aqui em casa acontece um evento na cidade em prol de cachorros abandonados. Uma amiga falou com a organizadora do evento para ver se dava um jeito no Pepê e eles não podem fazer nada. Óbvio que não fazem nada. Óbvio que sobrou para mim. Então, não me venham com palestras, workshops, campanhas sobre cães abandonados se ninguém vai me ajudar a pagar as despesas de mais um cachorro que vai saber não foi abandonado de propósito no meu sítio.

    E sabe o que aconteceria se eu pegasse esse cachorro e levasse na estrada para soltar? Adivinhem. (E eu nunca faria isso para começar.)

    Então, Pepê, bem vindo a esse cortiço.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Monday, September 21st, 2009

    Acabei de contar para o Seu Zé sobre o macaco que veio me visitar e mostrei as fotos para ele. Queria saber que espécie de macaco era.

    Seu Zé olhou e deu a opinião: é macaco africano. Ele descreveu perfeitamente o comportamento calmo e quieto do macaco e os pelos pretos e cara com pelos brancos.

    Segundo Seu Zé, não havia desse tipo de macaco aqui. Aqui só havia muriquis, saguis, bugios mas esse tipo era africano, estrangeiro.

    “O povo solta esses bichos aqui e agora tem bastante.”

    “Tem até leão.”

    “LEÃO? Como assim, Seu Zé? Tem certeza? Deixa eu te mostrar um foto de um leão.”

    “É esse bicho mesmo. Bonito ele. Tem uma cabeça bonita, peluda.”

    “Seu Zé, você está falando que tem leão aqui em São Francisco? Quando você viu um leão? Aonde?”

    “Eu vi faz uns 5 anos, lá no Queixo D’Anta. E o compadre também viu lá no Santa Cruz. É um bicho maior que a Graça (minha pastora preta enorme) mas estava magro.”

    “Tem certeza que era um leão?”

    “Tenho.”

    Então, vou acreditar no Seu Zé.

    Tem leão em São Francisco Xavier.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Sunday, September 20th, 2009

    O dia acordou lindo e ensolarado aqui em casa e eu dormi bem, até tarde.

    Preguiçosa, tentei tomar o café requentando de ontem mas estava intragável e me dei um café novinho, cheiroso, quente.

    Para me acompanhar no café tardio resolvi ver um filme que baixei ontem, Mamma Mia, com músicas do ABBA. Mas não fui direto para o filme.

    Calmamente fui passear pelos vídeos do Youtube ouvir as músicas, ler as letras e a sensação de calma que eu experimentava se transformou num turbilhão de sentimentos dançantes.

    Amores que se foram, amores por vir, esperanças…

    Então resolvi assistir de fato o filme.

    Sentei-me em minha escrivaninha no meu escritório na frente do computador.

    As portas duplas bem abertas para o gramado e para a linda vista das montanhas e o céu azul.

    Logo no começo do filme, percebo que o filme é para mim: mulher madura, a mãe da noiva, não a noiva. E sou transportada para a Grécia.

    Conheci a Grécia há muito anos, ainda na época que me sentia obrigada a ter uma vida normal.

    Mas todo lugar que eu visitava eu via com olhos de potencial moradora. Eu me apaixonei por Rhodes, e queria ficar lá. Mas claro, não fiquei. Demorou mais uns anos até eu me libertar das convenções e sair fora de tudo. Sendo tudo o normal e o esperado.

    Mas a Grécia é linda.

    Enquanto lembrava de meus passeios por aquelas ilhas ao som do musical, de repente percebi dois olhos diferentes me fitando com curiosidade.

    A dez metros de mim, um enorme macaco preto com cara branca andava tranquilamente atravessando o gramado e me olhava. Curioso.

    Eu olhei para o macaco e demorou uns segundos até perceber que não era um dos meus cachorros na minha frente. E fiquei olhando de volta o macaco quieta até ele sumir atrás da paineira. Mais sensações incríveis passaram pelo corpo. Um macaco me olhando! Passeando! Enorme!

    E tudo se misturou na minha cabeça, Grécia, as Montanhas, as escolhas que fiz, o que perdi, o que ganhei.

    Amores.

    Quando o macaco já estava seguro me levantei e fui com a câmera atrás dele. E comigo foram os cachorros, claro. Tirei fotos de longe, não dá para ver direito.

    Absorvida no meio de música, macaco e lembranças e esperanças senti uma alegria incrível.

    Uma sensação de felicidade mágica.

    Eu desejo que todos vocês possam experimentar isso também um dia. É o supra-sumo de toda uma existência dando uma sensação boa, de que valeu tudo a pena.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Tuesday, September 8th, 2009

    Ontem foi o feriado do meu cachorro. Eu não tive nada a ver com isso.

    Eu, ingenuamente acordei toda animada que ia fazer uma caminhada, como eu gosto de fazer nos finais de semana.

    Tomei um café da manhã gostoso, coloquei uma roupa confortável, calças de moleton branca, camiseta. Arrumei minha mochilinha, o iPod, protetor solar, tirei o Ray Ban há tanto tempo guardado sem uso e me dirigi ao portãozinho.

    Cadelas presas dentro de casa e machos na varanda deitados.

    Agradei a gata na saída e fui embora.

    Daí começa a choradeira do Gigio encostado a cerca.

    Eu aumento o volume do iPod e continuo a descer a estrada íngreme. O dia é meu. Vou almoçar na cidade, ver amigos, andar e espairecer.

    Entretida com a música não percebo que o choro do cachorro parou. Mas eu senti que havia algo errado. Sexto sentido.

    Olhei para trás e lá estava ele andando sorrateiramente atrás de mim, o Gigio.

    Minhas opções eram subir os 400 metros tudo de novo e levar o cachorro a força ou ignorá-lo e tentar ter um bom dia.

    “Você quis vir? Então agora aguente!” E continuei meu caminho.

    Mas mesmo revoltada do jeito que estava ainda não estava preparada para perder um cachorro afogado no rio ou atropelado e passei a tomar conta do bicho que me seguia com dificuldade por causa da idade (12 anos).

    Chegamos ao centro e fomos direto para o restaurante da Nanda e do Will onde eu não pude entrar por causa do cachorro. Mas tomei uma coca-cola, ele tomou água e começamos a volta para casa.

    O dia estava perdido.

    Sol a pino, cachorro vagabundo e malaco sem guia pelas ruas de São Francisco Xavier e eu histérica o chamando e gritando para os carros desviarem do porquera.

    O Gigio se divertiu muito. Pelo menos alguém se divertiu.

    Ele conversou com todos os cachorros da rua, entrou no açougue, na padaria, pediu agrado para os quatro bêbados que estavam sentados no meio-fio da praça. Bêbado por bêbado. E foi andando para a pousada que fica na direção aqui de casa onde tinha um atalho. Porém, o tal atalho estava fechado com um alambrado pelos donos novos do lugar. E a única saída foi me espremer por baixo de uma cerca de arame farpado me arrastando no chão. Com roupa branca.

    A subida da estrada foi de matar. Sem comer, sem água, calorão, não deu outra: tive uma síncope e cai deitada no meio da estrada. E o puto do cachorro vendo eu deitada na estrada e ele na sombrinha da árvore.

    Eu estava tão brava, tão contrariada que nem sei como eu cheguei até a casa.

    Fiquei de mal dos cachorros.

    Até agora não posso nem olhar para eles.

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  • Quem é o mais inteligente?

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Thursday, August 20th, 2009

    Todas as listas de inteligência de cachorros colocam o Chows Chows nos últimos lugares, como uma raça burrinha.

    Eu discordo.

    O Chow Chow se fosse gente seria considerado muitíssimo inteligente.

    Explico.

    Quando a gente pede para um Chow Chow fazer alguma coisa, por exemplo: Tai, entra!

    O Tai chega até a porta, para e pensa: quero entrar ou não?

    A gente vê a carinha dele raciocinando para saber qual a vontade dele.

    Daí, ele decide: vou entrar x não vou entrar. E acaba fazendo o que ele quer.

    Nós humanos somos burros muitas vezes porque fazemos coisas que não temos a mínima vontade.

    Um mané qualquer dá um ordem: faz tal coisa e a gente pula e faz.

    Não raciocina que nem o Tai.

    Eu vou fazer tal coisa só porque fulano falou? Só porque os outros estão fazendo também?

    Cadê o raciocínio, a discriminação se a coisa é boa para nós ou não? Se é isso mesmo que eu quero?

    E tem mais: eu sou a líder suprema da vida do Tai. Dou comida e água, carrego ele quando ele se entala e não consegue se mexer, sou a fonte única de carinho, enfim, sou a coisa mais importante da vida dele. Ou seria, se ele não se considerasse ele próprio a coisa mais importante da vida dele.

    Se ele pensa antes de me obedecer, eu que sou tudo para ele, por que a gente vai sair seguindo e fazendo o que qualquer um que não é na verdade nada para nós diz para fazer?

    O Tai é um milhão de vezes mais inteligente do que a maioria das pessoas que vejo por aí.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Monday, August 17th, 2009

    Eu escrevi um post enorme sobre “Limites” fazendo um paralelo entre minha caminhada pela estradinha com meu cachorro velho e a gente se machucar fazendo certas coisas. O post foi apagado sem eu querer.

    Gostei do post. Sem modéstia fiquei satisfeita porque refletia exatamente o que eu estava sentindo naquele instante.

    Pela primeira vez eu não estou fazendo algo que eu sempre costumava fazer e acabava me machucando depois.

    Finalmente tinha aprendido a lição.

    A gente é tão acostumado a repetir comportamentos e esses comportamentos têm sempre o mesmo resultado que no fim, a gente até espera se machucar.

    Não parece ser uma coisa muito inteligente.

    Mas quem disse que é coisa da razão?

    A não-ação é algo ativo também. A gente tem que fazer força para quebrar os hábitos.

    E a ausência do mal-estar é um bem-estar.

    Enfim, meu cachorro quis fazer uma caminhada e ele não tem mais idade para isso e acabou mancando, chorando e todo dolorido porque passou por baixo da cerca e me seguiu quando não devia.

    Eu tenho outro cachorro que já sabe seu limite e nem tenta caminhar comigo.

    Quantas vezes o Gigio vai ter que sentir dor até perceber o que pode ou não fazer?

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    Liliana | Bichos Incríveis,Filmes, TV e Séries | Wednesday, August 12th, 2009

    Ontem aconteceu uma coisa inédita: eu parei de assistir o Encantador de Cães no meio do episódio.

    Eu já tinha elogiado o programa e o trabalho do Cesar aqui no blog mas retiro o que disse. Ontem ele fez algo que eu discordo totalmente.

    Havia um cachorro muito territorialista que atacava os visitantes da casa.

    Cesar arrumou uma raquete de tênis e perseguiu o cachorro até ele entrar dentro da sua casinha. E mesmo ele dentro da casinha ele enfiou a raquete de tênis dentro da casinha e ameaçou o cachorro no intuito que ele mordesse a raquete. O cachorro mordia a raquete e a gente via que ele estava muito nervoso. Tentando fugir da situação no seu refúgio, a casinha, mas Cesar não respeitou isso.

    Eu achei isso uma tortura e parei de ver.

    Cada um dos meus cachorros têm sua cama. E a cama de cada um é o seu santuário. Quando eu dou bronca, e eu dou. Sou muito brava, eles fogem para seu santuário, o lugar onde se sentem seguros e que ninguém vai fazer nada com eles. É a hora que eu paro a bronca e não toco neles pois o ato de fugir para suas caminhas mostra que eles estão com muito medo e que cederam.

    Atacar e ameaçar um animal no seu lugar de refúgio é maldade. É abuso. É over. Desnecessário.

    Cada indivíduo, seja cachorro, gato, gente, passarinho, tem que ter um local onde se sente seguro. Segurança é fundamental para ter uma vida equilibrada. Respeitar esse espaço de segurança é respeitar o indivíduo.

    Meu espaço de segurança é minha casa. Quando quero me sentir bem fico em casa, não saio.

    Mesmo se moramos com mais gente, é preciso ter um espaço de segurança. Uma criança pode se sentir segura na sua cama, ou embaixo dela. Outra pessoa pode se sentir segura no banheiro, ou no escritório. Cada um precisa de um lugar onde os outros devem respeitar e não invadir.

    É nesse lugar de segurança que nos refazemos, nos recolhemos e nos reorganizamos.

    No caso do Cesar, parece que o poder subiu à cabeça dele e ele abusou. Eu teria levado o caso do cachorro de forma bem diferente.

    Sabedoria e equilíbrio é saber dosar de seu poder frente aos mais fracos.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Friday, August 7th, 2009

    E ontem foi um dia tranquilo.

    O Speedy não estava funcionando direito desde que caiu uma árvore na semana passada e cortou a linha telefônica. Então tive que ligar para a companhia para pedir reparo. A conexão funcionava mas caia toda hora. Não dava para manter uma conversa decente no MSN nem navegar em nenhum site com calma.

    Liguei e o call-center me atendeu superbem. Fizeram um teste na linha e o moço avisou: olha, vai cair a internet, tudo bem? E eu disse sim. E fiquei sem internet até o técnico chegar.

    Sem internet é modo de dizer porque eu tenho o tal modem da VIVO mas a velocidade era ridícula. Só dava para pegar emails.

    Mas o técnico da Telefonica me liga logo de manhã dizendo que conferiu minha linha ( o fio mesmo) e ele estava inteiro e  problema era do Speedy e ele mandaria um técnico do Speedy  em uma hora.

    Uma hora?

    Pois é.

    Logo depois me liga uma moça da Telefonica perguntando se o técnico do Speedy poderia ir na minha casa em seguida. Claro que eu disse : claro!

    Foi o tempo do rapaz vir de São José. Uma hora e já estava avaliando tudo, desde a central telefônica da cidade até os postes da minha rua. Depois, ele sobe até aqui em cima com um Asus EEE PC e testa o modem.

    Era o modem que queimou provavelmente na tempestade que fez cair a árvore.

    Trocado o modem, o roteador parou de funcionar.

    “Moço, não vai me deixar sem WIFI, né? Eu gosto de ficar na cozinha!”

    “Mas eu não sei mexer no roteador…”

    Bem, ele foi muito legal. Enquanto eu pegava o manual do roteador, ele ligou para um técnico mais velho que passou as instruções do que fazer. O roteador não conversava mais com o modem.

    Juntos conseguimos fazer tudo funcionar e ficou perfeito. Até a velocidade de download melhorou significativamente.

    Eu só tenho que elogiar todo o pessoal que tive contato na Telefonica.

    Detalhe: não gostei do Asus do técnico. Muito pequeno. Bonitinho mas não dava para enxergar nada nele. Não compraria um.

    Ontem também foi dia da Srta. Manilha passear pela casa. Ela adorou a sala e o escritório. A Dona Joom La seguiu a gata por todo canto mas não fez nada. Porém, ainda não confio nos pastores soltos com a gata no chão. Dr. Tai nem percebeu que a gata estava andando solta e continuou no posto dele, na porta de entrada.

    Manilha está crescendo superrápido. Já perdeu o ar de filhotinho e está uma adolescente.  Nem adulta nem filhote, meio desengonçada. Mas é bem bonita, tricolor. Acho que quando ela estiver maior poderá fugir e se defender dos cachorros maiores. Ela dá patadas e chegou a morder a orelha da Joom La que enfiou o focinho por baixo dela. (A Joom La é meio estúpida mesmo…)

    Esta madrugada os cachorros me acordaram por causa de um barulhão no telhado. Um animal esquisito que eu não consegui ver estava berrando lá em cima. Não sei se era mamífero ou ave. Mas era enorme. Parecia que as telhas estavam quebrando. Fica o mistério.

    Bem, este é o relatório de ontem ;)

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Bichos Incríveis,Blogworld | Tuesday, August 4th, 2009

    Hoje os gaviões voltaram a sobrevoar o perímetro do terreno. Estava com saudades deles. Acho que é porque o tempo está mais bonito e o sol saiu.

    Chamei a Graça (moça) para vir correndo ver a dança dos gaviões. Muito bonito. Os cachorro brincavam no gramado e a gata no meu colo recebendo a dose dela de atenção.

    Os cachorros estão se acostumando com a gata. O Tai não surtou quando a viu no colo. A Graça (cão) a cheirou e continuou a brincar com a Joom La. O Gigio nem ligou. A Manilha não tem medo dos cachorros enquanto está no meu colo, já confia em mim. E os cachorros quando vêem o portãozinho aberto da garagem vão até o quarto da Manilha (meu consultório) para dar um “oi”. Mas não tentam morder ou pegar. Só cheiram.

    Faz 5 dias que não abro o Twitter e está sendo uma experiência muito interessante. A sensação é de se estar fora da coletividade borg. Vou permanecer fora por enquanto, não me deu nenhuma vontade de voltar. O que eu tenho para escrever, eu escrevo aqui, na minha casa que é o meu blog. E eu não tenho essa necessidade de ficar compartilhando tudo, o tempo todo com todo mundo. E também não tem como receber todas as informações do mundo o tempo todo. Tem que filtrar.

    O ser humano, assim como outros animais é um bicho social. Mas em nome do tal “social” limites ficam imprecisos, há excesso de informações para se analisar, discriminar e guardar. Vira uma grande distração do que é realmente importante. Tem que ter critério e qualidade para o que deixamos entrar em contato conosco.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Monday, August 3rd, 2009

    Ontem eu assisti um documentário inglês feito em 2008 sobre cães de raça e como eles estão sofrendo com doenças transmitidas  geneticamente por causa dos cruzamentos consanguíneos. O documentário mostrou que o pool genético de várias raças está pequeno demais e elas estão em risco de extinção. Dentre elas, o meu querido chow chow.

    Vi com horror a reportagem feita no Crufts, a maior exposição de cães de raça do mundo, mostrando cães deformados em nome de padrões de raça que nem deveriam estar no papel dos kennels clubs que os impõe.

    Eu adoro cachorros. Tanto vira-latas como os de raça. Gosto de cães de raça e o que eles significam. Mas o que vi ontem é um distorção para o mal de tudo que um amante de cães de raça pretende.

    Eu tive dois cães de raça com pedigree: a Zoe e o Tai, que ainda está aqui comigo. Ambos chow chows que vieram do mesmo canil, um canil premiado em exposições.

    Porém, as condições que comprei esses cachorros não tem nada do glamour de um cão com pedigree.

    Zoe estava a venda numa praça, numa gaiola com outros filhotes de outras raças. E ela, chow chow, já pequena se mostrava agressiva exatamente como a raça é. Uma família com crianças ia comprá-la e eu sabia que ia dar merda um cachorro agressivo daqueles com crianças. Passei na frente e a comprei. Mas havia algo errado com ela: ela não tinha rabo. Quando confrontei o criador sobre a falta de rabo da cachorrinha, ele disse que ela seria sacrificada por causa do defeito e que eu poderia devolvê-la e pegar outro cachorro a escolher.

    Obviamente não ia devolver o cachorro por falta de rabo muito menos deixar que ela fosse sacrificada. Mas minhas pretensões de cruzá-la e ter filhotes acabavam aí. Isso é ter consciência do padrão da raça: não vou cruzar um cachorro com um defeito genético. Ainda mais que esse defeito implicava e acabou mesmo implicando em problemas para a saúde dela: uma deformidade da coluna.

    Meses mais tarde recebo um telefonema do tal criador me oferecendo um outro chow chow que era refugo de uma ninhada e que ele me venderia por uma preço simbólico, para não ter que sacrificar. Era o Tai. O Tai é o chow chow mais bonito que já vi. Pelagem, conformação de corpo, tudo perfeito. Exceto o tamanho: ele é muito menor que o padrão da raça. Claro que fui correndo buscar o Tai. O outro “defeituoso”. E com o tempo, os cruzamentos mal feitos e a pobreza de pool genético se mostraram nele: ele desenvolveu um problema para andar nas patas traseiras e ele mal se mexe. A mesma coisa aconteceu  com o Tai: me recusei a cruzá-lo por ele não corresponder aos padrões embora tenha recebido muitas ofertas. Hoje fico aliviada de não ter reproduzido meus chow chows porque ambos sofreram (e sofre) de doenças genéticas, com muita dor envolvida e má qualidade de vida apesar de meus esforços.

    Eu posso dizer com tranquilidade que apesar de ter tido dois cachorros com pedigree, todos os meus cachorros foram resgatados e corriam risco de vida se não fossem recolhidos por mim.

    Como eu falei, eu aprecio muito cães de raça. Cheguei a estudar quando criança para ser juíza de exposições e sempre sonhava em ter uma criação de cães de raça.

    Há alguns anos decidi que teria outro cão de raça. E fui num canil famoso da raça escolhida. Foi uma decepção. Era uma fábrica de filhotes. Vocês já devem ter ouvido essa expressão: fábrica de filhotes. Pois elas existem. Havia apenas um macho, muito bonito por sinal que cobria todas as fêmeas. Os cães ficavam em jaulas de cimento sem contato nenhum com humanos a não ser na hora de limpá-las. Foi horrível e parecia um campo de concentração ver aquelas jaulas enfileiradas e cinzas, sem amor nenhum.

    Saí de lá correndo.

    Quando eu era criança e fomos comprar o primeiro cachorro da família, num canil que ficava num sítio muito bonito, lembro que me ensinaram: só compre cachorros quando puder ver os pais e que ele tenha nascido numa casa boa, com carinho, como parte da família. Eu nunca pude seguir essa regra porque sempre fui mais uma resgatadora de cães do que propriamente alguém que escolhe seus cachorros. Nunca pude escolher.

    Sou a favor da adoção de vira-latas e mestiços sim. Tenho 3. Mas também sou a favor da defesa dos cães de raça e contra sua exploração.

    Posse responsável.

    Cruzamentos responsáveis.

    Castração quando for o caso.

    E  nada de fábrica de filhotes.

    E, concordando com o documentário: focar na saúde e bem-estar dos animais e não no “padrão da raça” que os deforma e adoece.

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  • Impressionante

    Estava comentando com a Graça, a empregada, não a cachorra, como a ausência da gatinha Manilha é sentida.

    Manilha foi levada para São José dos Campos no veterinário para ser castrada e volta só amanhã, quando o doutor vem fazer um check up na cachorrada velhinha que não pode mais viajar.

    A casa ficou vazia sem a gata. Impressionante.

    E ela nem entra dentro de casa se restringindo a ficar na garagem e pelo jardim.

    Mas eu não queria escrever sobre bichos.

    Ultimamente parece que minha vida gira só em torno deles e essa não é uma boa sensação.

    Bichos são legais, mas como companhias, distração, não como foco de atenção única.

    Ano passado eu fui na Feira Literária aqui de São Francisco Xavier e me encontrei com o Mario Prata que já havia conhecido em outra ocasião. Perguntei se ele se lembrava de mim no que ele respondeu: claro! você é a mulher dos cachorros!

    Por um lado fiquei contente que ele tenha se lembrado de mim, mas confesso que “ser a mulher dos cachorros” não caiu bem de jeito nenhum. Queria ser lembrada por alguma outra qualidade, óbvio.

    Mas quais serão as qualidades que eu quero ser lembrada? Ou seja, que aspectos da minha vida eu devo priorizar para se destacarem?

    O construção da individualidade é um exercício constante.

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  • O Encantador de Cães

    Liliana | Bichos Incríveis | Wednesday, July 15th, 2009

    Comecei a assistir o programa do Cesar, o Encantador de Cães, mais para me afirmar como uma perfeita dona de cachorros e que nunca precisaria dos serviços de tal Encantador. Afinal, eu já havia estudado diversos livros sobre comportamento canino, anos e anos de experiência com a raça mais difícil, o chow chow ( e eu não tinha um chow chow, tinha dois, terríveis). Anos de prática com cães traumatizados de rua sendo que eu introduzi tratamento medicamentoso para agressividade, ansiedade de separação… Enfim, me achava acima de qualquer  problema cachorrístico e ia dar uma chance para o tal Cesar.

    Confesso que nada do que o Cesar faz é novidade para mim. Ele bate na tecla que cachorro precisa de liderança e todo o trabalho dele é feito para reforçar a segurança do dono enfraquecido e retornar o cão à condição de cachorro. Cachorro feliz é cachorro que trabalha. Cachorro que recebe ordens.

    Minha frase favorita em relação aos bichos de estimação, porque inclui gatos também, é: cachorro quer dono.

    “Cachorro quer dono” significa que o bicho quer conviver com o grupo, dentro da casa, com uma função na matilha.

    Aqui, tenho 4 cachorros de personalidades bem diferentes e eles convivem em harmonia, sem brigas. A função principal deles é tomar conta da casa e de mim. Para isso, eles ficam de guarda e dão sinal a qualquer barulho ou movimento estranho e eu reforço isso mandando: tomem conta!

    Todos os dias eu mando e dou ordens: vem aqui ou vamos ali comigo, ou vão fazer xixi, ou “tomem conta da casa”. Até o Tai, o chow chow idoso e deficiente mantém sua função de guarda. Ele fica na porta do meu quarto avisando se alguém se aproximar enquanto os outros ficam em volta da minha cama enquanto eu durmo.

    As regras são rígidas por aqui e nenhum deslize é aceito. A Joom La, a mais nova, já parou de destruir coisas, e sabe que só recebe carinho se ficar sentada calma na minha frente.

    Mas eu falei tudo isso porque eu queria contar como eu me apaixonei pelo Cesar. Mesmo sabendo de tudo que ele prega, e tendo cachorros bem equilibrados, as aulas de Cesar reforçam minha identidade como líder.

    A coisa favorita que Cesar fala é que “cachorros vivem no agora”. Não importa o que aconteceu antes, o que sofreram, o que passaram, tudo pode começar do zero a qualquer momento. E ele faz os donos passarem a viver no agora, se renovarem e se colocarem de uma forma melhor naquele momento. Essa é a lição mais importante do Cesar que me faz assistí-lo toda semana. Tem a ver com perdoar a si mesmo, esquecer o sofrimento e não ficar remoendo. A outra lição que é bom ouvir toda semana, e que é de graça (não precisa pagar analista para isso) e que você vem em primeiro lugar, você é o líder, o número um de sua vida e o cachorro está aí para servi-lo, como complemento. O cachorro é o número dois. E que o cão está mais saudável nessa posição de número dois. A saúde da matilha depende da força e assertividade do líder, você.

    Eu olho em volta e vejo minha cachorrada tranquila esperando minhas ordens e me seguindo para onde eu vou e vejo que isso está refletindo meu próprio estado de espírito. E fico satisfeita.

    O Encantador de Cães passa no Animal Planet às terças feiras.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Sunday, July 12th, 2009

    Ontem eu tinha uma missão inédita: comprar ração para a gata!

    Quando a Manilha apareceu eu fui me virando com o que deu, uma ração chamada Sabor e Vida que comprei na casa de ração aqui de São Francisco. Ela comeu tudo e parecia gostar, mas tadinha, acho que ela comeria qualquer coisa. Enfim, a ração da Manilha acabou e eu queria conhecer as opções de alimentos para gatos disponíveis.

    Então, peguei o jipe e dirigi 60 km até São José dos Campos onde tem um enorme Pet Shop com muita variedade.

    Chegando lá um simpático vendadedor me acompanhou o processo todo.

    Havia dois corredores para gatos: de rações Premium e Super Premium. Ele me perguntou qual ração eu costumava dar para os cachorros e eu respondi Pro Plan. Então ele me contou que havia Pro Plan para gatos também.

    Foi quando eu caí em mim do que significava ter outro bicho em casa.

    O preço da ração Pro Plan para gatos era extremamente caro (não que eu não ache a ração canina cara também).

    Percebi que havia me comprometido com uma nova despesa mensal fixa e teria que balancear qualidade e custo para que Manilha crescesse forte e saudável. Percebi também pelo quanto eu estava disposta a gastar, o quanto eu já havia me afeiçoado à gatinha.

    Mas não tive condições de comprar as tais rações Super Premium cujo quilo vai até 40 reais. Acabei optando pela PremierPet Golden, ração de segunda linha da PremierPet com 34% de proteínas.

    Os cachorros ganharam a Pro Plan Large Breed mesmo com 27% de proteínas contra os 26% da Premiatta que eu havia comprado aqui em São Francisco numa emergência.

    Manilha ganhou uma caminha só dela e adorou. Ela estava usando uma sacola de transporte de gatos que eu guardei de lembrança de meu antigo gato há mais de 12 anos atrás.

    Também passei na revenda dos cobertores Parahyba e comprei cobertores e retalhos para os bichos porque os antigos estavam todos rasgados. Ficou muito mais barato que comprar aquelas caminhas cheias de coisas para cachorros enormes. Só a Manilha que é pequena merecia uma caminha que era mais em conta.

    E teve os ossos. Cada cachorro ganhou ganhou um enorme osso de boi defumado. Ficaram contentíssimos.

    Todo mundo com cama nova, comida posta, água trocada… E vem uma tempestade de vento de carregar as cadeiras na varanda. Não tive opção a não ser pegar a Manilha e levar para dentro de casa, lá no meu quarto junto com os cachorros. A caminha dela foi levada pelo vento. Coloquei-a numa gaiola de transporte e deitei a gaiola em cima da minha cama. Curiosamente os cachorros grandes não se importaram, mas a Joom La, a terrível, ficou doida com a gata.

    Manilha e Joom La ficaram se estranhando o tempo todo mas a Joom La não tentou mordê-la nenhuma vez. Mas o stress maior foi meu e desisti de ficar com a gata dentro de casa. Então, abri meu consultório na garagem e acomodei a gatinha lá, bem abrigada.

    Hoje de manhã, na hora de colocar a ração, ela ainda estava no consultório em cima da estante. Parece que passou bem a noite no novo abrigo. Ela quando me vê pede colo, sobe nos meus ombros e dá a cabeça para que eu agrade. Nunca vi uma gatinha mais carinhosa que ela.

    A tempestade passou e apesar das folhas e da sujeira espalhada por todo o canto, a casa está tranquila. Os cachorros roem seus ossos, Manilha toma seu banho diário no seu apartamento e eu tomo meu café da manhã escrevendo para vocês e pensando: é, eu tenho um gato!

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