Liliana Jr

Liliana | Bichos Incríveis | Sunday, August 1st, 2010

Eu estava indo para o trabalho e na frente da escola percebi no ponto de ônibus, sozinho, um cachorrinho preto minúsculo. Com certeza ele não deveria estar naquele lugar sozinho a não ser que tivesse sido abandonado.

Passei direto com o carro mas não consegui parar de pensar no bichinho durante a tarde toda.

Coisa semelhante aconteceu há 13 anos atrás, quando estava indo para uma reunião de trabalho em São José dos Campos e cruzei numa estrada de terra com um filhotinho preto também minúsculo quase no meio da estrada. Nem prestei atenção à reunião e estava decidida que na volta, ia resgatá-lo.

Foi assim que resgatei a Graça, sua mãe e sua irmãzinha.

Hoje não posso imaginar minha vida sem a Graça, a minha companheira mais fiel e amada.

Treze anos depois, senti a mesma coisa pelo filhote no ponto de ônibus.

Na volta do trabalho pensei: se ele ainda estiver lá, vou pegar.

E estava.

Parei o carro na escola, atravessei a rua e chamei o bichinho escondido atrás do banco.

Era uma femeazinha com uns 2 meses, eu acho.

Coloquei no colo e ela veio sentadinha prestando a maior atenção. Sem medo. Apenas curiosa e contente.

Passamos na loja de ração e comprei o vermífugo e potinhos pequenos para água e comida. Os potes dela.

Apresentar cachorro novo em casa pode ser traumático. Mas eu conheço meus bichos e confio neles que são todos gente boa e não iriam ferir de propósito um cachorrinho novo que eu trouxesse.

Os cachorros antigos da casa querem ter a certeza que minha atenção para eles e meu amor não vai diminuir. Se a gente continua se comportando igual com eles, eles não se importam de dividir um pouco o dono.

Além do mais, era mais um para entrar nas brincadeiras, para interagir.

A Graça, a mais velha, com 13 anos e dor nas costas continuou na rotina dela sem alterar nada. A mesma coisa com o Gigio. Eles estão seguros do lugar deles na casa, na hierarquia e no meu coração. Não vai ser uma cachorrinha pequenininha que vai afetar isso. Como são velhos, não querem brincar e não querem confusão. E a cachorrinha percebeu isso e os deixa em paz.

Joom La, a número 3 em idade, muito mais nova que os pastores, ficou com ciúmes. A cara dela ficou como quando o Pepê apareceu por aqui. Ficou um pouco afastada, rosna para a cachorrinha mas também não resistiu em brincar com ela no gramado. Para mostrar para a Joom La que ela não precisa ficar com ciúmes, agradei bastante e percebo que ela está fazendo a rotina dela de novo, sem se preocupar com a novata.

Pepê era o mais novo. Um meninão. Corajoso, inteligente, amoroso. Muito amoroso. Dá seus passeios pelos sítios vizinhos pulando o muro da garagem. Ele defende a casa, espanta intrusos. E foi criado meio solto, mãe velha tem dessas coisas, eu não tinha paciência para ficar em cima dele então, ele faz praticamente tudo que quer. Isso foi interessante porque ele aprendeu comportamentos com os outros cachorros e não tem medo, não tem traumas, é feliz e acabou ficando muito bem educado. Um cachorro de confiança mesmo. Ele que se interessou mais pela cachorrinha. Ele percebeu que o tempo dele de criança estava passando e que agora era ele que teria que educar a mais nova.

Liliana Jr recebeu esse nome porque eu queria poder dar carinho para a Liliana. Eu estava precisando bem de carinho e compensação por uma infância difícil. E me faz bem cuidar da Liliana, agradar a Liliana, proteger a Liliana, aconchegar a Liliana. Tudo que eu que eu queria que tivessem feito com essa Liliana aqui.

Ela, ao contrário da Joom La que acha que a alfa é a Graça, viu que a mamãe sou eu. E que sua vítima de brincadeiras é o Pepê.

Eu já tive outros filhotes em casa quando eu era mais nova mas por ignorância minha eles sofreram para se adaptar. Muito choro a noite, muita bronca, muito stress para todos.

Liliana Jr é o filhote mais feliz que já vi. Acho que não deu tempo para ela perceber que foi rejeitada e abandonada e logo em seguida foi recolhida por uma mãe carinhosa e num casa grande, com jardim e com irmãozinhos para brincar e nunca ficar sozinha.

Ela está sendo educada e aprende rápido. Já sabe o que é não. Às vezes, não quero ficar falando “não” e só rosno como os outros cachorros para avisá-la que é melhor parar.

Quanta energia!

Ela corre, corre, corre.

Ataca o Pepê se jogando de cima dos móveis.

Ataca minhas pernas e já rasgou meu pijama.

Brinca muito! Na falta de brinquedos para cachorrinhos, serve gravetos que ela leva orgulhosa.

Ela defende o biscoito canino dela com tanta seriedade que nem percebe que os outros são pelo menos 5 vezes maiores que ela. Daí ela chora e vem se esconder comigo. Eu pego no colo, acalmo e logo em seguida ela quer se atirar do colo porque precisa ir resolver algum assunto urgente.

A Zoe e o Tai, meus chow chows que já morreram, demoraram dias para soltar o primeiro latido. Liliana Jr late desde o primeiro dia pondo ordem na bagunça. Tão pequena e mandona. E os cachorros velhos e sábios olham para mim entendendo que agora é a vez dessa pequena descobrir como o mundo funciona.

Nesse momento, estou escrevendo esse texto, tomando meu café da manhã cercada pelas 3 fêmeas e o Gigio. Pepê está de guarda no jardim, dormindo.

Um calorzinho no meu pé direito e é a Liliana Jr dormindo profundamente encostada em mim. esperando qual vai ser a próxima brincadeira.

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  • A Doença do Gigio – Otite Interna em Cachorros

    Gigio é um pastor alemão mestiço de aproximadamente 12 anos de idade.

    Ele começou a ter vômitos e prostração de uma hora para outra sem outras alterações.

    Rapidamente evoluiu para dificuldade de se levantar, permanecendo deitado o tempo todo.

    Aceitou água e soro caseiro por via oral mas não quis comer.

    Em menos de 8 horas de evolução do quadro inicial de vômitos, apresentou instabilidade ao ficar de pé, caindo para o lado esquerdo e andava em círculos para o lado esquerdo também.

    Foi levado à clínica veterinária com suspeita de afecção neurológica de cerebelo com diferencial de labirintite.

    Rapidamente também desenvolveu nistagmo batendo para a esquerda.

    O veterinário fez hipótese diagnostica de Acidente Vascular Cerebral.

    Eu não concordei por causa da localização de labirinto à Esquerda e pela evolução de horas, o que sugere infecção e não quadro vascular.

    Ao exame, além do nistagmo e instabilidade, apresentava vermelhidão e edema de conduto auditivo externo esquerdo.

    Foi medicado com dexametasona, furosemide, flunarizina e uma cefalosporina de quarta geração.

    Em menos de 12 horas o nistagmo e os vômitos cessaram.

    Voltou a comer no terceiro dia e deambulava com ajuda.

    Teve alta para casa no quarto dia e aqui está se alimentando bem, bebendo água e tentando manter sua rotina de me seguir pela casa e ir até o jardim urinar. Teve uma vez diarréia e ainda não evacuou normalmente.

    Observamos que a marcha melhorou muito embora ainda tenha tendência de cair para a esquerda.

    Os exames laboratoriais mostraram um neutrofilia relativa indicando infecção aguda, o que fecha o diagnóstico de otite interna.

    Ainda não sabemos o grau de sequelas que ele terá visto o quadro ainda ser muito recente. Mas a melhora está sendo progressiva e constante.

    Agora quero tecer alguns comentários a respeito do atendimento do Gigio pelos veterinários.

    Ao verem o cachorro instável se fecharam no diagnóstico genérico de “Problema Neurológico”.

    Quem fez o diagnóstico de Otite Interna e instituiu a antibioticoterapia fui eu. A veterinária nunca tinha ouvido falar nisso.

    Otite Interna é uma doença relativamente comum em cães que apresentam Otites Externas de repetição (o caso do Gigio).

    A veterinária não examinou o cachorro. Eu que o examinei enquanto ele estava deitado na sala de exame e constatei a Otite Externa, que sugere o diagnóstico de Otite Interna por continuidade.

    Pessoalmente eu também nunca tinha ouvido falar em Otite Interna em cachorros, mas a clínica é soberana e o quadro neurológico dele indicava comprometimento labiríntico do lado esquerdo.

    Como neurologista, eu nunca tinha visto uma labirintite infecciosa bacteriana em gente nesse grau. Mas cheguei a esse diagnóstico no Gigio apenas considerando sintomas e exame físico. Mais tarde pesquisei em textos médicos veterinários e vi que era uma patologia bem descrita. Raro em gente e comum em cachorro.

    Fico pensando na quantidade de cães que não foram diagnosticados com essa infecção e tratados ou sacrificados por causa de “derrame”.

    Espero que esse relato sirva para alguma coisa.

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    Quando eu era criança, não havia ração de cachorros prontas para comprar.

    Quem tinha cachorro fazia o famoso panelão de fubá com carne e dava um certo trabalho ficar cozinhando para bicho.

    Outro problema na época era que o panelão geralmente não fornecia tudo que o cachorro precisava. A comida feita em casa não era muito lá balanceada.

    Com o advento das rações prontas, a vida dos donos de cachorro se simplificou e dar ração garantia de certa forma a dieta balanceada que eles precisavam.

    Hoje encontramos rações de todos os preços e com teores de proteína diferentes, ao gosto do freguês.

    Porém, alguns cães não conseguem se alimentar com rações prontas. O Tai, por exemplo, não consegue mais mastigar a ração dura por estar velhinho.

    A saída pra o meu chow chow velhinho foi fazer a comida dele em casa, o famoso panelão.

    O segredo da ração caseira é se certificar que ela é balanceada, ou seja, com carne, carboidratos e verduras e legumes. Sal, óleo, temperos, enfim, uma comida rica em todo tipo de nutrientes.

    Eu uso a proporção de metade da panela de carne, um quarto de arroz e um quarto de verduras e legumes.

    É muito bonitinho ver o Tai comendo chuchú e repolho, que no contexto geral ele adora.

    Temperamos a comida com uma pitada de sal, porque não pode ser demasiada salgada e com um fio de óleo para não dar problemas de colesterol e ao mesmo tempo ter gordura que carrega vitaminas.

    Cozinha-se tudo junto e quando o arroz está no ponto, a ração está pronta.

    Eu uso carne magra moída sem gordura.

    Cebola e alho pra temperar.

    Enfim, é uma comida que qualquer pessoa poderia comer tranquilamente. É balanceada, apetitosa e o cachorro gosta muito.

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    Oi Blog, faz tempo, né?

    Eu vim aqui dizer que você não morreu. Mas estou com um probleminha de como lidar com seu conteúdo.

    Afinal, o que vale a pena escrever?

    Quanto eu devo me expor?

    Eu sei que as pessoas gostam dos conteúdos mais picantes e suculentos da vida dos outros, mas será que eu quero dividir tudo isso?

    E tem outra, minha vida esbarra na privacidade de outras pessoas também.

    Eu vi o episódio dessa semana de House[bb] e a tal paciente blogueira escrevia tudo. O que levou a brigas com o namorado.

    No meu caso, não tenho namorado mas tenho uma vida profissional a proteger. Daí, minha auto-censura dá alerta vermelho.

    Fora que contar assuntos chatos, é chato.

    Daí me pego falando de cachorros[bb],gatos[bb], besteirinhas que nem eu aguento mais.

    Mas vamos lá. Relatório dos últimos tempos.

    Graça está bem, com dificuldade de locomoção por causa dacoluna[bb] e está perdendo o controle dos esfíncteres deixando sujeiras pela casa.

    Gigio está ótimo, é o mais saudável dos velhinhos. Chora muito por manha.

    Tai não anda mais. Só fica deitadinho na fralda. Está tomando remedinhos para o coração e a falta de ar melhorou. O veterinário ficou surpreso com a melhora clínica.

    Joom La e Pepê saem pelo campo todos os dias e voltam molhados. Ficam se divertindo o tempo todo e são rebeldes.

    Manilha continua fugindo de mim mas estranhamente não foge da Graça pastora nem da Graça empregada. Ela gosta dos cachorros.

    Eu estou fazendo exames de saúde em São Paulo há duas semanas e ainda falta mais um tanto. O importante é que me sinto melhor. E espero que os exames não mostrem coisa  grave.

    Tenho tuitado até que todo dia. Não muito, mas acho que dá para ter mais idéia de como estou lá.

    Se quiserem, podem me seguir @lilianap

    Beijos e até o próximo post.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Tuesday, December 22nd, 2009

    Ontem à noite, o Tai deu um grito que parecia que estavam esfaqueando o coração dele.

    Fui correndo para a sala ver o que era e percebi que ele estava avisando que alguém ou algo havia entrado no perímetro da casa. O Tai sempre foi o cão de guarda por excelência daqui e ele gritou justamente por não poder ir atrás do invasor.

    Eu abri a porta para ver o que era e imediatamente o Pepê e a Joom La saíram correndo na minha frente.

    Segundo depois, escuto ganidos de outro cachorro que não os meus.

    Algum cachorro perdido veio comer das vasilhinhas que ficam na varanda.

    O Pepê pulou sobre o murinho e perseguiu o cachorro estrada abaixo. E a Joom La o seguiu quando abri o portãozinho da garagem para tentar ver que bicho era.

    Só muito tempo depois que os velhos pastores apareceram, andando devagar e capengando de dor na coluna.

    Os jovens foram ágeis em expulsar o visitante.

    Me senti segura de novo com essa dupla de baixinhos corajosos.

    Alguns minutos depois, eles voltam triunfantes e se instalam a minha volta. Acho que para me proteger. Ou então para aproveitar a maciez da minha cama. Não sei bem ainda.

    Mas eu quero acreditar que é para me proteger. ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis | Monday, December 21st, 2009

    Quando meu pai morreu de infarte fulminante em casa foi aquele alvoroço.

    Primeiro eu atendi meu pai sem sucesso. Depois atendi minha mãe e minha irmã. E depois chamei os parentes.

    Gente pela casa sem acreditar no que tinha acontecido. Meu pai era muito moço.

    Lá pelas tantas eu lembrei de nossa cachorrinha Yorkshire e fiquei preocupada que ela tivesse fugido pela porta aberta e saí procurando.

    Fui achá-la no lugar mais tranquilo da casa: deitada sobre a barriga do corpo do meu pai no quarto.

    Ele que sempre a levava para passear.

    (Esse post foi inspirado por um twit.)

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Saturday, November 21st, 2009

    Mais uma semana se passou e eu aqui firme e forte.

    O Tai vai bem. Ele acostumou a andar pelo gramado pelo menos duas vezes por dia com a toalha segurando a traseira e parece estar bem satisfeito. Porém quase toda noite tem que dormir com sedativo para não me acordar de madrugada.

    O Pepê ainda morde tudo e todos. Ele só sabe se relacionar pela boca e percebo que já está se refreando um pouco de me abocanhar para chamar a atenção e interagir. Ele sobe na minha cama enquanto estou dormindo, escondido e deita-se em cima de mim, como um gatinho de mais de 20 quilos.

    A Graça vai bem, mas o tumor na traseira cresceu. Tenho que providenciar a cirurgia mês que vem quando eu tirar uns dias de férias.

    Joom La é minha companheira noturna de cuidar do Tai. Ela agora é quem me segue pela casa enquanto os outros dormem.

    O Gigio está ótimo. Brinca com os mais novos e não me chateia.

    O Mario some e aparece à vontade. Quando a gente acha que ele foi embora, ele está no meio da sala e eu quase piso nele.

    Mais dois sapos apareceram na varanda. Sapos genéricos, feios. Um entrou em casa e eu mandei embora com a vassoura. De sapo, só o Mario que eu acho bonitinho.

    O trabalho para variar está puxado. Minha agenda fica cheia todos os dias. Ninguém falta. Não tenho tempo de nada.

    Resolvi aceitar o cargo de diretoria técnica da Unidade e agora estou esperando ser empossada.

    Esta semana meu Macbook queimou numa tempestade. Deixei baixando séries e fui trabalhar. Quando voltei o teclado e o som não funcionavam. Falei com o técnico da assistência técnica da Apple e ele disse que provavelmente era placa lógica, que significava praticamente perda total do computador.

    Ao mesmo tempo, o HD de 500 que eu tinha comprado para ele chegou. Instalei o HD no meu notebook reserva e configurei tudo e o estou usando agora.

    Ainda não sei o que vou fazer com o que queimou. Já instalei um teclado externo USB e o teclado funcionou, porém, o trackpad deu defeito. Assim, acho que vou comprar um mouse USB e experimentar.

    Por várias razões esta semana eu fiquei pensando na Medicina como A Arte de Curar.

    Hanneman, o criador da Homeopatia dizia isso: é a arte de curar.

    Ser médico envolve o conhecimento técnico e um “quê” a mais para fazer a sintonia fina entre o paciente e seu tratamento. Cada caso é um caso. Cada paciente é um indivíduo diferente e único, uma singularidade. E para poder absorver essa totalidade do paciente devemos olhar “de fora da caixa”. O que serve para um, pode não servir para o outro. Tratamento individualizado é a arte de curar.

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Monday, November 16th, 2009

    Alguém do Twitter disse que o Tai era o House e eu estou acreditando nisso.

    O pequeno cachorrinho peludo me escravizou. Mais um final de semana em casa só às voltas com ele, fazendo todas as vontades. E como ele chora! E pede.

    Uma hora quer passear de toalha, outra hora quer correr atrás da gata(!) sendo que eu que tenho que carregá-lo. Ele mexe as patinhas da frente com rapidez e eu vou acompanhando recurvada carregando a parte de trás do corpo dele numa toalhinha de rosto. Ontem ele passeou pelo gramado quase todo, foi até atrás da garagem. Passeou 3 vezes! Eu fico exausta e nem descanso da semana puxada porque ele não dá um minuto de sossego.

    E se eu tento colocá-lo em algum lugar que ele não quer, mudá-lo de posição contra a vontade, ele morde. Tomei uma mordida na mão esquerda porque ele queria ficar na varanda. Nessas horas eu largo tudo, respiro fundo e vou para meu quarto fugir de bichos por pelo menos uma hora. Mas não passa 20 minutos ele começa a chorar de novo me chamando. “Cadê você, mamãe?”

    Eu praticamente não tenho mais vida. Só cachorros, só o Tai. É do trabalho para casa correndo para cuidar do pequeno tirano.

    O Tai não faz essa manha toda com a Graça assistente. Agora por exemplo, que é hora dela cuidar dele e eu poder ficar livre por umas horinhas, ele dorme gostoso. Ele sabe que eu estou pertinho cuidando do sono dele.

    Eu sei que a culpa deve ser minha. Sempre a culpa é minha se minha vida fica de um jeito que eu não gosto. E não estou gostando. Confesso.

    Tenho que fazer mudanças. Mas enquanto dentro do problema fica difícil ver o panorama geral e ter idéias.

    O trabalho está puxado. Todos os dias eu tenho agenda cheia e só casos empepinados. Está sendo muito intenso. Em compensação, a população da cidade e a chefia estão muito satisfeitos e querem que eu trabalhe mais. Ofereceram a Diretoria Técnica para mim mas eu ainda não aceitei.

    Lidar com médicos não é fácil. Existem dois tipos: os de ego tranquilo e os de ego frágil. Os tranquilos gostam de discutir casos, aprender uns com os outros, respeitam sua opinião, sua formação, hierarquia. Os de ego frágil têm a necessidade de se autoafirmar o tempo todo, não discutem casos, fogem e são grossos. No meu trabalho encontro os dois tipos. Trabalhar com outros médico onde há diálogo é uma delícia. Mas eu não tenho a mínima vontade de me relacionar com médicos idiotas e é o que teria que fazer se fosse diretora.

    Será que eu viro a Cuddy de fato?

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Wednesday, November 4th, 2009

    Eu tive o melhor feriado do mundo!

    Não saí de casa nenhum dia. Fiquei de Havaianas, shortinho e top sem pentear os cabelos e óculos. Super a vontade.

    Dormi tudo que precisava dormir e voltei a me sentir forte e disposta como há anos não me sentia. O esforço físico de tratar do Tai junto com a calor e o sol maravilhoso fizeram maravilhas para meu organismo.

    Descobri que quando eu fumo muito, tenho sintomas de envenenamento por nicotina. Nunca ia imaginar que era tão fácil ficar envenenada. Diminui a quantidade de cigarros e quero muito parar de fumar. O bem estar sem o cigarro é visível. Porém, sou completamente viciada e diminuir a quantidade consideravelmente já e um grande passo.

    Os bichos passaram bem o feriado. Grudados em mim. Até o Mario, o sapo, insistiu em ficar perto do grupo.

    Eu descobri que o Tai consegue andar com ajuda de uma toalha na barriga apoiando o quadril. Ele adorou e tem passeado pelo gramado. Agora preciso providenciar aquele aparelho fisioterápico com rodinhas.

    Estava tudo muito bem, tudo muito bom até que acordei na terça-feira já preocupada em pagar as contas. O primeiro dia útil do mês é o pior dia para mim, o mais tenso. Acordei já meio chateada e fui para minha mesa na cozinha quando o computador avisa: “UPA Reposição”.

    Eu me esqueci completamente que havia combinado no trabalho que ia trabalhar todas as terças e quintas de novembro o dia inteiro para tirar uns dias em dezembro. Saí correndo e cheguei com quase meia hora de atraso.

    Eu detesto fazer as coisas correndo, com pressa. Odeio.

    Foi um dia interessante no trabalho. Não foi tão ruim apesar do começo torto. Atendi dois esquizofrênicos e ambos estavam em mal estado clínico. E ambos estavam internados em hospitais até pouco tempo. Isso significa o que eu sempre falo: que não se dá a devida importância para a parte clínica dos pacientes psiquiátricos.

    Doentes psiquiátricos têm mais outras doenças associadas que as outras pessoas. E a medicação que tomam favorece muito isso.

    E aconteceu uma coisa engraçada. Uma paciente chegou com o filhinho pequeno que começou a mexer em tudo pela sala. Ela mal impedia o menino de pegar nas minhas coisas. Uma hora, o garoto foi no interruptor de luz e ficou apagando e acendendo a luz do consultório. Por reflexo eu falei dura: para com isso menino! Como se estivesse falando com o Pepê. Foi tão automático dar a bronca já que eu fico dando bronca nos meus filhotes em casa o tempo todo. Expliquei para a mãe que estava tão acostumada a dar bronca e nem me toquei. Ainda bem que ela riu. De fato, meus cachorros são mais bem educados que aquela criança.

    Enfim, cheguei em casa e achei o Tai espumando e semi-consciente. Ele estava em hipertermia, o que é fatal. Foi uma correria para diminuir a temperatura corporal. Peguei um balde de água gelada e fui molhando o corpo dele até a temperatura abaixar. Meia hora depois ele já estava mais consciente e conseguiu beber água. Foi por pouco. Que susto. O resto da noite ele ficou irritado e muito cansado, obviamente. Até agora está quieto sem querer se mexer.

    Depois da emergência com o Tai, ainda fui cuidar das despesas da casa e só acabei minhas obrigações lá pelas 10 da noite.

    Que dia! Tudo que eu descansei em 5 dias, cansei num só.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Sunday, November 1st, 2009

    O veterinário disse que ele não andaria mais e que eu devia sacrificá-lo.

    Mas não é assim que eu vejo.

    Eu vi um paciente com uma deficiência e fui atrás de como deixar sua vida a mais completa e confortável possível.

    Muni-me de todo um aparato para cuidar dele. Acredito que muitos idosos e deficientes não tiveram essa oportunidade.

    Ele reagiu bem. Curou-se da pneumonia, as escaras estão fechando. Come e bebe bem.

    Porém começou a chorar e eu não sabia o porque.

    Ele queria andar de novo, ir para a grama e dar a voltinha dele diária como fazia toda manhã.

    Levei na grama e observei ele levantando a parte da frente do corpo sem forças de alinhar as pernas de trás. Peguei uma toalha de rosto e fiz uma barrigueira com ela e o suspendi até ele ficar de quatro.

    Ele saiu andando todo feliz pelo gramado, cheirando tudo, comendo graminha, interagindo com os outros cachorros enquanto eu ia atrás segurando o maior peso do quadril. Cansou-se rápido e teve que voltar deitadinho no cobertor. Mas fez seu xixi de pé, como há muito tempo não fazia.

    No dia seguinte, fomos de novo fazer a fisioterapia/passeio no jardim. Ele andou bem mais. Estava muito mais forte. As perninhas de trás aguentaram muito melhor. Quis ir ver a gata. Mas a Manilha, esperta, não apareceu.

    Eu estou escrevendo isso porque o grande diferencial é que o paciente quer melhorar. Não tem nada mais broxante para um médico do que um paciente que não dá a mínima para a própria saúde. Como dizem, dá uma preguiça danada gente que não quer ficar melhor. Gente que acha que está bom assim mesmo. Ou gente que não se importa de estar ruim.

    Vejo esse tipo de gente como médica e no meu dia a dia. Como médica eu tenho uma postura que só meus pacientes sabem qual é. Mas como pessoa, eu procuro me afastar de gente assim. Passa o tempo e o discurso do fulano é o mesmo. As queixas são as mesmas porque nesse tempo todo o dito cujo não mexeu uma palha para melhorar sua situação, se melhorar como pessoa. Esses não merecem falar com meu anjo.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Saturday, October 31st, 2009

    Inspirada no PagoDados.

    O TAI CHORA PORQUE:

    • fez xixi
    • fez cocô
    • quer que troque a fralda
    • quer água
    • quer comer
    • quer entrar em casa
    • quer sair de casa
    • quer ir na grama
    • quer que o vire para o lado certo
    • quer que o desvire de barriga para baixo quando fica igual tartaruga emborcada
    • quer que tire do sol
    • quer que tire da chuva
    • quer companhia
    • quer que apague a luz
    • não quer que os outros cheguem perto dos pratinhos dele
    • quer descer do colchão de água
    • simplesmente quer a mamãe.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Tuesday, October 27th, 2009

    Como as palavras que tenho recebido têm me ajudado! Como é bom sentir o carinho das pessoas!

    Aqui em casa as coisas estão se ajeitando.

    Está claro que o Tai não está sofrendo. Ele agora é um cão paraplégico mas o resto está funcionando de acordo com a idade dele, 12 anos. Ele não está senil, não está triste, pelo contrário, ele quer participar de tudo. Da nossa parte estamos criando uma rotina nova para ele. E ele está gostando, que é o mais importante.

    Ele gostou de usar  fralda. Fica sequinho. Quando a fralda molha ele avisa, nós trocamos e ele fica quieto. Coloco ele deitado sobre uma fralda geriátrica grande e para trocá-la ele rola o corpo. Um amor.

    Esta noite ele me chamou às 11 e eu resolvi levá-lo para meu quarto junto com os outros cachorros. Eu sei que ele não gosta de bagunça mas ele adormeceu olhando para mim. E ficou quietinho a noite toda sem me acordar. Não ouvi um pio dele. Acho que o que ele queria era ficar junto de mim.

    Agora de manhã ele foi levado para a varanda, no lugar preferido dele, onde deverá passar o dia tomando conta da estrada e do jardim, como sempre tomou.

    Eu estou mais calma.

    Ainda com insônia e tendo que tomar remédio para dormir, mas sinto que ele não está sofrendo, está contentinho e recebendo muito carinho.

    A Graça assistente é muito dedicada também. Ajuda muito. E nem parece que essa rotina é novidade.

    Estou esperando chegar pelo correio um colchão de água para escaras. Tomara que o Tai se acostume com o colchão e não sinta muito calor.

    Interessante a reação dos outros bichos. Parecia que eles tinham desistido do Tai. Porém, quando o levei para o quarto ontem, todos foram cheirá-lo, abanando os rabos e o acolhendo.

    Antes que me perguntem, eu conversei com o veterinário sobre cadeira de rodas para o Tai e ele não tem mais indicação por causa da idade e da dor na coluna.

    Assim, nossa função aqui é deixá-lo bem feliz, com muito carinho, confortável dentro dos limites dele.

    E para não dizerem que não estou ligando para os outros, o Gigio e a Graça cachorra foram tomar banho no Pet Shop de fusca. O Gigio adora andar de fusca. É algo inexplicável o fascínio que ele tem por fuscas. Eles voltaram tão bonitos, tão cheirosos, tão fofos e esvoaçantes!

    O Pepê está na fase do Não. Tudo ele ouve “não”. Não pode isso, não pode aquilo. E eu proibi cachorros em cima da minha cama. E toda manhã, quando eu acordo, tem um Pepê dormindo enroladinho encostadinho em mim (ele sobe escondido durante a noite). Eu finjo que não vi, mas se me mexo ele abana o rabinho.

    A Joom La teve que virar adulta de uma hora para outra por causa do Pepê. Eles brincam quase o tempo todo mas ela sabe que não pode fazer certas coisas e fica com cara preocupada porque sabe que vem bronca. Para a Joom La ser a adulta da dupla é que o Pepê é muito sem noção!

    Bem, há um tempo atrás eu estava cheia de cachorros e bichos em geral e tinha prometido para mim mesma que ia pensar mais em mim. Mas… Olha eu de novo perdida entre seres de 4 patas. Acho que como tudo está se ajeitando vou retomar minha atenção para mim de novo.

    Cuidar de si mesmo é um exercício, que se a gente descuida, se perde em outros assuntos. Minha prioridade é acertar meu sono. Coisa tão básica e tão fundamental para mim. Objetivo: dormir 8 hora seguidas e na hora certa. Eu conseguirei!

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    Liliana | Bichos Incríveis | Sunday, October 25th, 2009

    Finalmente o veterinário veio ver o Tai ontem e ele teve que me acordar com um telefonema do jardim porque eu estava morta desmaiada na cama.

    Levantei correndo com aquela cara de quem não dorme bem há umas duas semanas que é exatamente o que acontece comigo.

    O veterinário ficou muito preocupado. Não com o cachorro. Preocupado comigo.

    Ele examinou o Tai e achou que ele está em más condições. Não volta a andar por causa da coluna, o coração já está se esforçando muito e começou a ter escaras de tanto ficar parado na mesma posição.

    Sugeriu colocar para dormir, que é eufemismo de matar com injeção.

    - Você já pensou nessa possibilidade? – perguntou ele.

    -Já. Mas não gostaria de tomar esse tipo de decisão só porque estou cansada.

    O Tai passa bem o dia na varanda vendo o movimento da casa, come e bebe bem, abana o rabinho de felicidade se a gente conversa com ele. Está lúcido. O problemas são as noites que ele não dorme e fica chorando me chamando. Grita mesmo. E eu não durmo.

    Decidimos então usar um sedativo para ele dormir a noite toda e eu poder descansar também.

    O veterinário foi tão gentil que ele mesmo foi até a cidade e comprou toda a medicação que o Tai precisava só para eu não ter que sair e poder descansar. Ele também avisou uma amiga que eu estava mal e ela veio me fazer companhia e conversar a respeito do assunto.

    O Tai dormiu embalado com o som de nossas vozes porque ele não quer que eu fique longe dele nem por um segundo.

    Respeitando a máxima que não se acorda paciente para dar remédio para dormir, não dei o tal sedativo ontem. Ele me acordou às 4 da manhã e foi até às 5 e meia até sossegar e eu deixá-lo na varanda sem a fralda, sem a  toalha, com a barriga direto no cimento gelado que era o que ele queria. Está muito calor aqui.

    Voltei a dormir até às 7 quando ouvi ele chorar mas não levantei da cama e embalei no sono até 11.

    Hoje me sinto um pouco mais descansada mas não sei o que é uma noite inteira de sono.

    Agora ele já comeu, bebeu, tomou sol,  fez cocô, e só então eu fui tomar meu café da manhã.

    Ontem comprei pela internet um colchão de água para evitar escaras. Espero que ele goste.

    Eu não acho que o Tai está sofrendo. Por enquanto a única sofrendo aqui sou eu.

    Estou acompanhando o final de um ser que eu amo muito.

    O reflexo disso na minha saúde é visível.

    Aparentemente, o Tai está alheio à gravidade da situação dele. E toda noite, antes de eu entrar na casa eu me despeço dele dando a mesma ordem: Tai, cuida da sua comidinha e não deixa o Gato Branco roubar nada!

    Ele abana o rabo.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Friday, October 23rd, 2009

    Acabei de chegar de São José vinda da Atualização de Hanseníase pela prefeitura.

    Foi bem legal. Realmente aprendi coisas que não sabia como por exemplo que a Hanseníase é transmitida por via respiratória principalmente.

    Fiquei boba com a porcentagem de crianças com Hansen, 8% dos doentes em tratamento. O que é muito porque significa que os adultos estão doentes e passando a doença para as crianças.

    Outra coisa interessante são as complicações do tratamento que podem desanimar o paciente a se tratar. Mas tem jeito! Não é desculpa!

    Enfim, valeu.

    O ponto negativo foi o final quando passaram um PPS daqueles religiosos com mensagens de deus te ama e coisas do tipo. Achei super impróprio porque o estado é laico, né? E a ciência mais laica ainda.

    Esta semana foi complicada. estou exausta de uma forma diferente como há muito tempo não ficava.

    Não é depressão, não é desânimo, é exaustão mesmo.

    Eu não tenho dormido bem por causa do Tai. Ele me exige o tempo todo que estou em casa sozinha. Quando a empregada está ele fica quieto e dorme a maior parte do tempo. Mas se eu chego do trabalho, ele fica chorando e me chamando o tempo todo até de madrugada.

    Eu já tenho a rotina de dar a medicação, dar a injeção de antibiótico, o granulado para os pulmões, o remédio para dor, curativo na bochecha, muita água, comida, troco a fralda se está molhada (ele fica deitado sobre uma fralda geriátrica) e só depois de tudo isso eu finalmente chego em casa e vou cuidar de mim. Tirar a roupa do trabalho, jantar, abrir o computador, ver os twitts, os emails.

    Eu nem tenho tido tempo de ver as séries que eu gosto porque sempre no meio do que estou fazendo o Tai chora, grita, e me chama.

    Eu o carrego para a varanda se o tempo está bom, para a sala se está chovendo ou esfriando, para o quarto se acho que ele quer companhia. Mas parece que nada está bom para ele.

    Os outros cachorros obviamente estão ressentidos pela atenção que dou ao Tai e querem mais de mim. O Pepê deu de subir na minha cama durante a noite e deitar sobre mim, o que me acorda de madrugada. No total tenho dormido umas 5 horas no máximo, tudo picado.

    Dormir pouco me faz muito mal. Acaba com minha saúde literalmente.

    A tensão de dormir pouco se soma à tensão de preocupação pela saúde do Tai. Toda a responsabilidade está comigo porque o veterinário simplesmente não apareceu. Ele jura que vem amanhã mas sinceramente, o pior já passou a fui eu que tive que tomar as decisões médicas.

    É horrível o médico tratar o próprio parente. Muito estressante.

    Bem, agora vou ver se relaxo um pouco até o Tai chorar.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Thursday, October 15th, 2009

    Então o Tai foi de motorista para São José dos Campos tomar banho, fazer curativo, ser tosado e acabou tendo que dormir lá.

    Eu passei a noite sem o Tai com um silêncio estranho na casa. Demorei para dormir, uma ansiedade esquisita. Só no dia seguinte percebi que era a ausência dele que me deixou tão incomodada. O Tai nunca havia passado a noite fora de casa, nunca havia viajado sem mim.

    O Pepê também foi. Foi ser castrado e a operação correu bem. E confesso que a casa ficou bem silenciosa sem ele. O Pepê já conquistou seu espaço aqui.

    Quando estava indo para o trabalho ontem, cruzei com o transporte canino na rua e fiz questão de ver meus bichos. Os dois ficaram tão felizes de me ver que fiquei emocionada. A gente não imagina que pode ser tão importante para os cachorros. O Tai quando me viu queria pular fora do carro e ele nem consegue se mexer direito. O Pepê, que estava na gaiola chorava e lambia minha mão desesperado. Eles realmente estavam felizes de me ver.

    Já à noite, os 5 bichos ficaram juntinhos em volta de mim no quarto. Até o Tai.

    Falando em bichos, ontem se o Gato Branco fosse uma cobra tinha me picado.

    Tem um gato branco que vem comer a ração dos cachorros na varanda toda noite. Já tentei dar ração de gato, me aproximar, mas ele é muito arisco. Eu gostaria que ele fizesse amizade com a Manilha mas parece que ela não quer saber dele. Então ele vem na varanda mesmo comer e beber. Ele é enorme, bonito e bem peludo. Eu o chamo de Gato Branco.

    Quando eu fui cuidar do Tai na varanda, reparei que o sapo Mario estava ao lado do Tai. A Joom La cheirou o Mario e ele fugiu para o potinho de água. Ao lado do potinho percebi uma coisa branca que parecia um algodão. Era o rabo do Gato Branco do lado do sapo. A Joom La então viu o gato e começou latir chamando os outros cachorros. E o Gato Branco fugiu quando o Gigio, enorme, apareceu.

    Assim, a família estava toda reunida: cachorros, gatos, sapo e eu.

    Confesso que esses tempos estão muito especiais. Nunca me senti tão feliz, tão tranquila, tão realizada. Eu mereço!

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