Ajudar sem humilhar

Liliana | Bichos Incríveis | Thursday, April 2nd, 2009

O Tai é um cachorro de uma raça antiga e orgulhosa, Chow Chow.

Hoje ele está velhinho com 12 anos e tem muita dificuldade de se levantar, de andar. Ele chora quando quer ajuda.

Mas só chora quando realmente precisa de ajuda, depois de ficar horas na mesma posição ou quando quer ir lá fora ao banheiro.

Dai eu chego perto dele e ele abana o rabo. Coloco um cobertor ao lado dele e o rolo para o cobertor. Depois eu puxo o cobertor com ele em cima até o gramado onde ele consegue ter aderência para se levantar sozinho.

Faço tudo isso com muito cuidado para não machucá-lo e para ele não me morder.

Ele se ressente de estar nessa situação e quando vem outro cachorro perto quando ele está no chão indefeso ele fica irritado.

Como falei, ele é um cachorro orgulhoso.

E a gente ajuda, sem humilhar.

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  • Procura-se Mario Desesperadamente

    Liliana | Bichos Incríveis | Friday, March 13th, 2009

    A Graça, a empregada nova, se deu muito bem aqui em casa. Estamos todos felizes. Ela com o trabalho e nós com a casa bem arrumada e as comidinhas gostosas. A moça é um amor.

    Ela se deu bem com os cachorros e com o Loshas.

    Mas o Mario sumiu.

    Ela até hoje não viu o Mario em lugar nenhum.

    Não é que ele não esteja por aqui.

    Eu dou de cara com ele algumas noites na sala, no escritório, dando suas voltinhas. Mas não sabemos mais onde ele anda dormindo de dia. Desapareceu. E a Graça, empregada, não o cachorro, fica olhando com aquela cara de quem não acredita que tem um sapo na casa.

    Até já mostrei fotos dele para ela, mas não adianta. A cara de dúvida continua.

    Noite dessas o Cardoso veio correndo dizer que viu o Mario andando. Que nunca tinha visto sapo andar. Ele achava que sapo só pulava. Nanina. O Mario anda, não pula. Acho que é por isso que eu não tenho aflição dele.

    Achamos que o Mario está embaixo da esteira. Nunca saberemos.

    Acabei de mostrar indícios de Mario atrás da impressora, ex-móvel do roteador. Ele nunca mais foi dormir lá. Acho que foi porque mudamos o roteador de lugar, porém, tinha alguns cocôs.

    Na falta do Mario, ontem a noite apareceu uma senhora perereca no escritório. Uma perereca enorme, gigantesca. Só de falar nela eu já fico arrepiada. Eu odeio perereca.

    Ela estava grudada na parede lá perto do teto. Chamei o Cardoso para tirar porque sapo, tudo bem. Mas perereca, de jeito nenhum.

    Entabulamos numa discussão que ele queria me convencer que era a mesma coisa, sapo e perereca. Eu discordo veementemente. Pererecas saltam e se jogam de cima de coisas em cima da gente. Bem, ele tentou tirar a perereca. Desgrudou-a com uma vassoura e ela se escondeu atrás da estante. Agora, nunca mais conseguiremos tirar a perereca daqui. E eu sou obrigada a ficar no mesmo ambiente que uma perereca escondida. Sabe quando vou pegar algum livro naquela estante? Pois é.

    Eu já falei que odeio pererecas?

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Ontem conversei longamente com Seu Zé.

    Fui contar da saída da empregada ele ficou surpreso com a história toda.

    Falamos do sítio, que está cada vez mais lindo. Falamos da época das chuvas que o deixa muito ocupado e mal conseguindo dar conta da estrada. Falamos de um monte de coisas.

    Mas a conversa que me tocou mais foi quando eu perguntei por que aqui no sítio não dá frutas?

    Desde o começo plantamos mudas de várias árvores frutíferas no platô de baixo: goiabeiras, abacateiros, mangueiras, pitangueiras, jabuticabeiras… Várias… Também fizemos um pomar perto da casa no platô de cima que nunca foi para frente. Porém, lá em baixo as árvores estão grandes e como eu nunca tive frutos de lá?

    Daí Seu Zé me explicou.

    “Sabe, Liliana, aqui tem muito bicho. Não sobra nada. Tem as saracuras, tem os saguis, tem os jacus… Tem até um bando de tucanos que mora aqui. Tem um esquilinho encapetado que sobe até na minha cabeça que não deixa nenhuma goiaba. Êta bichinho endiabrado! Ele não tem medo de mim e sobe pelas minhas costas quando estou trabalhando perto das goiabas. Os abacateiros estão carregadinhos, olha lá. Mas essa cachorrinha (e aponta a Joom-La) vivia de comer abacate enfiada no mato. Foi só quando acabaram os abacates que ela subiu para a sua casa…”

    Quando Seu Zé contou que a Joom-La vivia sozinha de comer abacates caidos no chão no meio do mato eu passei a amá-la ainda mais. Minha cachorrinha arisca, sobrevivente, que se virou como pode e só buscou a casa por fome.

    Entendi que meu sítio não é meu. Todas as árvores plantadas aqui atrairam uma fauna muito diversa. Tem lagartos, sapos, corujas, gaviões, macaquinhos, esquilinhos, uma variedade de pássaros. Onde antes havia um pasto estéril, hoje é um lugar rico e dadivoso em alimento para todas essas espécies. Até para uma cachorrinha abandonada que comeu abacate para não morrer de fome.

    O que mais eu posso pedir?

    “Deixa, Seu Zé, deixa para os bichos.”

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  • Dona Joom-La

    Liliana | Bichos Incríveis | Friday, February 6th, 2009

    Dona Joom-La está terrível.

    Ela comeu o carregador do celular e a fonte do HD externo quando ficou entediada.

    Continua fazendo cocô e xixi no escritório se tem preguiça de ir lá fora. (Porque ela faz as coisas lá fora também: ela adora o banheiro dela no meio das quaresmeiras.)

    E aprendeu a fugir de casa.

    Ela quer me seguir tipo: eu queo minha mãe! E é só eu pegar o jipe que ela foge e vai atrás.

    O terreno é cercado por alambrado. Ela consegue passar por baixo do alambrado.

    Prendi dentro de casa: ela abriu a janelinha lateral basculante e fugiu.

    Fui indo embora com o jipe estrada abaixo e ela seguindo por dentro do mato. Na altura da pousada do Duda, lá embaixo na rua, resolvi abrir a porta para ela não ir para a estrada. ela entrou no jipe e acabou indo comigo para a massagem. Ainda bem que a Eliana massagista também tem cachorro grudado com ela e os dois ficaram juntos.

    O Cardoso não suporta mais A Joom-La. Nunca suportou. E agora que ela foge, ele fala que se ela sumir…

    Mas ela só foge de casa para ir atrás de mim. Ela me segue em todo canto. Ela e a Graça. Mas a Graça nunca fugiu. (O Gigio segue também, mas ele nunca deu trabalho. Nunca.)

    Eu achava um absurdo as pessoas indo de carro pela cidade com cachorros correndo atrás do carro, desesperados. Agora sei exatamente o porque.

    Se a gente prende ela em casa, ela destroi a casa e como está na fase eletrônica, nossos computadores, gadgets e celulares são o alvo principal.

    Se deixa no jardim, é o mesmo que deixar solta para ela sair pelo alambrado. Porque além de passar embaixo do alambrado, eu a vi pular por cima também.

    Estou para repertorizar uma medicação homeopática para ela. Todo dia me planejo para isso mas acabo sem tempo.

    Eu brinco que eu sou a médica que vai “da homeopatia à lobotomia”…

    Do jeito que Dona Joom-La vai, precisando que um piano caia na cabeça para entrar nos eixos… A torcida do Cardoso é pela lobotomia.

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    Bom dia, povo!

    E inicia-se outra semana aqui no sítio.

    O Tai ficou largadão depois da viagem ao veterinário na sexta-feira. Não conseguia se mexer, se levantar, comer sozinho, nem mesmo ir ao banheiro lá fora. Foi deprimente ver o bonitinho todo inválido. Fiquei supertriste, o Cardoso ficou bem preocupado a ponto de dormir na sala com o o Tai tomando conta dele. Eu tinha que puxá-lo com um tapetinho até a grama para ele fazer o xixi dele e dar comida e água na boquinha. A ferida da bicheira melhorou mas está ainda muito grande. Aparentemente não tem bichos vivos lá. Mas tem infecção. Só que hoje, segunda, ele acordou muito melhor! Foi receber a Andréia no portão, e se comportou normalmente. Comeu, tomou leitinho, tomou os remédios, abanou bastante o rabinho, enfim, voltou a ser o Tai. Mas eu tive que desmarcar o banho que estava marcado e sinceramente não sabemos como vamos fazer com os futuros banhos dele porque ele não tem mais condições de ir para São José na Tia Rebekah no Pet Shop.

    Os outros cachorros respeitaram a doença do Tai. Não chatearam ele, não ficaram com ciúmes e nos deixaram cuidar dele sem interferir.

    Amanhã está marcada a mudança de uns móveis que estão num depósito guardamóveis em São Bernardo do Campo. Eles são minha herança da casa de meu avô. Tive que providenciar a transferência deles as pressas. A sorte é que eu já havia mandado Seu Zé construir um barracãozinho de madeirite no platô de baixo justamente para guardar tudo. Pretendo usar os móveis futuramente na minha Hospedagem, quando puder construir mais quartos. Vai ficar bem bonito porque eles são antigos e os quartos vão ficar lindos. Só falta ter como construir…

    Esta semana também acabo de tomar os corticóides que comecei a tomar no hospital. A retirada dos corticóides é uma coisa lenta para o corpo voltar a produzí-los. Pelo jeito estou reagindo muito bem. Que bom. Parar de tomar esses remédios fecha o ciclo de tudo de ruim que me aconteceu no final do ano passado. E não tenho mais desculpas para não entrar num belo regime e perder os 10 quilos que ganhei na brincadeira toda. Não é que engordei 10 quilos. Eu já estava 5 quilos acima e engordei mais 5.

    Com o aumento de peso, além de perder a maioria de minhas roupas, entrei numa faixa perigosa: prediabetes. E o tratamento: perder o peso extra. Mas todo mundo que já fez dieta sabe como é difícil…

    A previsão do tempo para São Francisco Xavier é de chuva a semana toda. E temperatura máxima de 22 graus. Isso me deixa muito puta da vida porque eu detesto chuva. E fico com mais vontade de ir para São Miguel do Gostoso. Porém, minhas viagens para lá estão suspensas até segunda ordem. Em compensação, a previsão para Gostoso é de sol e temperaturas de 32 graus. Que Gostoso!

    Esta semana também pretendo ir para São José pegar a chaminé da lareira do quarto de hóspedes. Só falta essa chaminé para o quarto ficar completo do jeito que eu quero. Ele está com uma lareira linda de ferro. E assim que estiver instalada vou poder tirar fotos. Eu sou perfeccionista, sabem…

    Com os móveis novos que chegam também vou redecorar meu consultório aqui de casa. Não vejo a hora para ver como vai ficar.

    Bem, que eu me lembre esses são os planos para a semana. Vamos ver se eu consigo cumpri-los.

    Boa semana a todos!

    PS- Sim, esse blog é um diário pessoal também ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, January 24th, 2009

    Este é o Tai, o Chow Chow selvagem.

    Não se engane com sua fofura intrínseca porque ele é muito voluntarioso. Os chows chows são assim: cabeças duras. Tem gente que diz que chows chows são burrinhos. Ledo engano. O Tai é bem inteligente: ele só faz o que ele quer. E cabe a nós dobrarmos sua vontade e convencê-lo a fazer o que nós queremos. Se ele achar que vale a pena, ele dá um sorrizinho e lentamente, na velocidade dele, ele faz, na hora que ele decidir.

    O Tai vai fazer 12 aninhos em março que vem. E é o mais velho aqui de casa.

    Ele, não sabemos como nem porque, desenvolveu uma frouxidão ligamentar nas patas traseiras que dificulta muito sua marcha. O chow chow já tem um andar muito engraçado e típico da raça, com as patas esticadas. Mas o Tai, com as patas traseiras bambas, anda com dificuldade e não tem muita estabilidade. Qualquer esbarrão nele e ele cai no chão feito um saco de batatas.

    Essa dificuldade para se mexer fez que ele ficasse mais quietinho no seu canto. E os chow chows já são muito na deles, muito parecidos com gatos, e ficar paradinho horas na varanda só contribuiu para ele ficasse mais gordinho e barrigudinho. Idade, sedentarismo… Um Tai gordinho.

    Mas a rotina dele é bem gostosa: ele adora dormir na varanda tomando a fresca da noite, vendo a lua. Ele adora a lua. Quando teve o eclipse ele até chorou. E ele também adora dar as voltinhas dele no gramado. Ele sai passeando lentamente, no seu passinho desconjuntado e dá uma volta na grama para seu xixi, seu cocô, para cheirar as novidades, para cheirar os xixis das fêmeas, para ver a vista aqui de cima. Ele costuma dar duas voltinhas por dia. E não gosta de ninguém acompanhando ele nos seus passeios solitários. Quer sossego e silêncio. Daí ele volta para seu posto na varanda de frente para a garagem tomando conta de quem chega, mesmo dormindo e cochilando a maior parte do tempo. No fim da tarde, ele entra em casa e vai até mim para o agrado diário. Coloca-se ao meu lado no sofá e respira barulhentamente avisando que quer ser agradado. Quando eu olho para ele, ele abana o rabinho concordando: isso mesmo, me agrade agora. Depois de ser agradado por mim, ele vai até o Cardoso para mais agrados e se não quer voltar para a varanda, ele se enfia no nosso quarto para dormir mais. No escurinho e no silêncio. Quando vamos dormir e vamos todos para o quarto, ele sai de lá incomodado procurando outro lugar mais tranquilo.

    Outro ritual do Tai é o leitinho.

    Todas as manhãs quando a Andréia chega, ela serve um pouco de leite na vasilha dele. Ele cobra o leitinho indo encontrá-la no portão e acompanhando-a até a cozinha. E não sai de lá até que ela o sirva.

    Quando ela veio me dizer que ele não quis tomar o leitinho, uma sombra de preocupação caiu sobre a casa: o Tai está doente.

    Meus planos de passar uma semana sem viajar se acabaram. Pegamos o jipe e nos dirigimos até a clínica veterinária. O diagnóstico eu até imaginava: bicheira.

    Acontece que o Tai tem um tumor de pele na bochecha. Câncer de pele. E era preciso um superoperação para extirpar todo o tumor. Então, eu estava controlando o crescimento. Esses tumores costumam ulcerar e foi o caso do Tai: ele ficou com uma úlcera no rosto, pequena. Manejável.

    Vocês podem se perguntar: mas como ela deixou ele com um tumor na bochecha? Porque o Tai é muito bravo. Ele morde. E morde de verdade. Bravíssimo se alguém vai fazer algo que ele não quer. Inclusive eu. Mesmo velhinho, mesmo capenga, mesmo gordinho, ele é terrível.

    O tal tumor há meses atrás pegou bicheira e os próprios bichinhos da bicheira comeram boa parte do tumor. Foi um tratamento “alternativo” para o câncer. quase  desapareceu.

    E agora, o tumor ficou com bicheira de novo.

    No veterinário pudemos constatar que o tumor foi todo comido pelos bichinhos. Mas a viagem para São José dos Campos o cansou demais. Daí a idade fez diferença.

    Ficar chacoalhando na traseira do jipe é para cachorros mais novinhos. Tadinho. Ficou largadão. Teve que ser carregado com maca e no colo. E eu fiquei desesperada porque nunca tinha visto meu valente chow chow nessas condições.

    Como chorei… Mãe é mãe…

    Quando voltamos, o Cardoso carregou ele para dentro de casa e do jeito que ele colocou no chão, o Tai ficou até o dia seguinte.

    Só falando com a Moema eu acabei me acalmando. Ela me contou que a Ponte-Preta, a cachorrinha dela que tem a mesma idade do Tai, quando voltou de uma viagem agora de férias ficou dois dias sem se mexer também. Ela disse que a Ponte-Preta ficou tão dolorida que ela não vai mais levá-la em viagens. E eu cheguei à mesma conclusão: agora o Tai só sai de casa se for estritamente necessário. 

    Mas vocês não imaginam a dificuldade de fazer curativo nele. Ele morde. Ele nem se mexe. Mas morde, o safado.

    E está ganhando comidinha, leitinho e aguinha na boca.

    Daí ele abana o rabo.

    Mas tenta fazer o curativo…

    Morde.

    Só mãe mesmo.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Monday, January 19th, 2009

    Eu conto que tenho um sapo de estimação vivendo solto dentro de casa e as pessoas me olham com cara de incrédulas. Conto que o Mario interage comigo e os cachorros e tem os lugares preferidos dele e a reação é a mesma. Digo que ele adora dormir atrás do roteador e que ele é high tech e duvidam de mim.

    Mesmo o Cardoso me olhava torto até a hora que ele falou: olha, tem um sapo atrás do roteador! E eu: é o Mario, Cardoso, eu te disse!

    E o Mario fica para lá e para cá na casa.

    Só que agora ele arrumou outra mania: passear lá fora.

    Eu já tinha reparado que o Mario saía de casa pela porta da frente e perdi a conta das vezes que me despedi dele achando que nunca mais ia vê-lo. Mas, no dia seguinte, estava ele de volta dormindo no roteador ou passeando pela sala de visita.

    Ontem a noite, entendi perfeitamente o que acontecia.

    Achei o Mario de frente a porta da entrada na sala paradão, olhando a porta, dentro de casa, lógico.

    Eu abri a porta para ele.

    Ele saiu.

    Hoje de manhã cedinho, abri a porta para os cachorros fazerem xixi. Os cachorros saíram e voltaram. E quem voltou atrás junto com os cachorros?

    O Mario.

    Eu não acreditei. Tive que fotografar a cena. Devia ter filmado.

    O Mario entrou calmamente atrás dos cachorros e foi para trás do armário que lhe deu o nome.

    Os cachorros nem ligam. A Joom-La cheira o Mario, dá narigadas. Ele se encolhe mas nem foge.

    Agora pelo que pude ver, o Mario pede para sair a noite e volta de manhã.

    Veja a sequência de fotos do Mario entrando no meu Flickr.

    PS- Um dia eu conto do Loshas, o primo do Mario que mora na varanda.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta, Bichos Incríveis | Sunday, January 4th, 2009

    A estrutura do mundo é fractal.

    Profundo não é? Hehehe Mas é bacana perceber esse padrão fractal nas coisas porque podemos transportar do macro para o micro e vice-versa em todos os aspectos na natureza.

    Aqui em casa, com a pequena população de seres que moram aqui, os fenômenos socias se reproduzem quase como se fossem em uma grande sociedade. É a estrutura social familiar que mimetiza a organização de uma cidade, de um reino, de uma comunidade.

    Minha cachorrinha nova, a Joom-La está se adaptando a nova estrutura social, a pertencer a uma família.

    Ela, como todo indivíduo saudável, é produtiva e necessita trabalhar, se ocupar, se inserir numa rotina dela, o que molda sua personalidade e destaca as boas qualidades que ela tem.

    Meus cachorros tem uma posição bem marcada aqui em casa: eles obedecem. Não mandam. Tem autonomia mas ainda estão abaixo na cadeia de comando daqui. E entre eles, existe uma hierarquia do cachorro mais velho para a mais nova. Existem regras rígidas de comportamento que apesar de nunca terem sido faladas ou impostas, foram sendo implementadas por eles mesmos por causa da necessidade natural de organização social do grupo. Não há brigas e nem cachorros com comportamentos pasteurizados. Todos mantém personalidades próprias e idiossincrasias, suas “manias”.

    A Joom-La aprendeu que a função básica de uma cachorro por aqui é seguir o chefe: eu.

    Ela, que chegou tão traumatizada com gente que não deixava ninguém agradá-la ou falar com ela, agora entende que um humano é o centro de atenção dela e é a partir desse humano que a segurança, o equilíbrio, a calma e principalmente as instruções do que fazer vem.

    Quando eu me desloco pela casa, todos os cachorros vem atras de mim, cada um em seu ritmo, sempre prestando atenção aonde estou. Se paro em um lugar, minutos depois estão a minha volta acomodados quietos, cuidando e sendo “cuidados” por mim.

    A mesma coisa acontece com gente, com crianças, com outros animais.

    Reparem num ambiente uma presença de alguém com uma boa estrutura interna que passa calma e equilíbrio: em algum tempo, outros seres estarão em volta dessa pessoa sendo influenciados por essa atmosfera propícia. É uma situação natural bem diferente daquelas forçadas nas quais pesssoas impõe a presença de outras ou sufocam as personalidades em volta.

    Não há nada mais desagradável do que ficar num lugar com alguém sendo obrigado a suportar a presença do outro. 

    Fico pensando quando eu era mais nova e meus pais me obrigavam a ficar em lugares com eles, ou em trabalhos com chefes que em vez de liderar de forma positiva oprimiam.

    Acho que a medida é justamente influenciar e ao mesmo tempo não sufocar. Como a Joom-La, ela está se mostrando uma boa cachorrinha com muitas qualidades. Cada vez escuta menos “nãos” e recebe mais elogios. Mas claro que está sendo educada de acordo com as regras da casa, claro.

    Vocês já pensaram em como vocês influenciam os seres em sua volta? Como você está nesse contexto da atração social? Reparem. É bem interessante. E serve de parâmetro para você ficar melhor consigo mesmo também e principalmente.

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    Gente, só para botar vocês a par das novidades.

    Já estou em casa me recuperando e está sendo um experiência bem interessante ter de volta adrenalina circulando no meu corpo literalmente! Agora tenho uma fase de adaptação pela frente.

    Estou sendo bem cuidada pelo meu querido que faz comidinhas bem gostosas para mim e está me dando bastante carinho.

    A cachorrada está ótima (e o sapo Mário também). Eles ganharam de presente de Natal etiquetas novas para as coleiras com seus nomes e os telefones de contato que eu comprei nesse site aqui. Ficaram muito bonitinhas e chegaram super-rápido mesmo vindo lá da Austrália.

    E hoje eu encomendei minha etiquetinha de identificação médica. Como médica eu sei o quanto é importante o paciente ter consigo informações cruciais sobre sua saúde que podem salvar sua vida numa emergência. E como paciente, eu quero ter certeza que vou ter o melhor e o mais correto tratamento para minha condição. Essa prática de pacientes crônicos andarem com identificação é muito comum em países desenvolvidos. Principalmente em doenças que podem levar a perda de consciência o que impediria do paciente contar ao médico que o socorre qual seu problema. Esta loja online vende etiquetas e entrega no mundo todo com frete grátis.

    Bem, era mais para dar um alô e dizer que estou melhor.

    Quero agradecer pelo carinho de todos vocês! Vocês são uns amores mesmo!

    Beijos da Li.

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    Ficar em repouso no hospital tem o lado bom.

    As mães costumam dizer que o melhor período que tiveram foi na maternidade quando eram paparicadas, não tinham que cuidar da casa, a comida aparecia milagrosamente e coisas assim.

    Bem, nunca tive filhos mas esses dias aqui internada estão servindo como férias.

    Tenho um amigo, o Ricardo Anibal, que um dia falou: estou precisando descansar, acho que vou me internar num daqueles quartos com vista para o jardim do Oswaldo Cruz.

    Bem, Anibal, é exatamente onde estou.

    Não eram as férias que eu queria mas estão dando para o gasto. Eu preferia ir para Gostoso.

    Mas eu larguei o meu namorado tomando conta da casa, dos cachorros e do sapo e vim descansar dessa turma bagunceira lá do sítio.

    E fico imaginando o que ele deve estar passando lá.

    Um dia ele me fala: “a cachorra perdeu a coleira.”

    (”A cachorra” é a Joom-La e ele não gosta dela. Eu tenho certeza que é ciúmes.)

    “E você procurou a coleira?”

    “Claro que não.”

    No dia seguinte mais notícias: “a cachorra achou a coleira mas comeu. E ela pegou uma almofada do sofá e levou lá fora. Agora está secando. E por incrível que pareça, ela ainda não comeu meu chinelo.”

    Noutro dia, uma constatação: “essa casa é um mistério, eu só vejo sapo entrar mas não vejo sapo sair.”

    E eu pergunto tentando decifrar o mistério: “Era o Mario ou o primo do Mario?” Porque o Mario fica dentro e o primo do Mario fica fora.

    E enquanto meu querido fica as voltas com os bichinhos da casa e sem Lili para dar beijinho quando ele fica dodói, eu pude ver todos os filmes que tinha baixado no computador. Pena que eram poucos e minha estadia está sendo mais demorada do que imaginava.

    Enfim, eu acabei vendo a primeira temporada de Battlestar Galactica. 

    E amei. Mas fiquei sem as outras e morrendo de vontade de saber o que acontecia depois.

    Pois achei no Grande Depositório de Coisas Legais um resumão até o início da quarta temporada.

    Enjoy!

    BSG Resumo 1, 2, 3 temporadas

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  • James

    Liliana | Admirável Mundo Velho, Bichos Incríveis | Saturday, December 6th, 2008

    O Bender é uma gracinha e fez um post montando um elenco de uma novela blogosférica me colocando como protagonista da tal novela. E no post ele põe para ilustrar a foto do Lima Duarte. Isso me fez lembrar um causo que aconteceu anos atrás envolvendo o Lima Duarte, a Débora Duarte, eu e um cachorro chamado James.

    Eu estava passando uma temporada num spa (bons tempos aqueles em que eu podia passar uma temporada num spa) e lá no spa um dos funcionários tinha uma cadela Golden Retriever com 3 filhotes para vender. Eu estava lá com minha fêmea chow chow e ela se deu superbem com os filhotes de Golden e tanto ela como eu estávamos apaixonadas por eles.

    Eu acabei comprando um dos filhotes e dei o nome de James. Outras hóspedes do spa ficaram animadas e os outros dois filhotes foram logo vendidos porque o lugar era muito “pet friendly” e todos estávamos muito contentes com nossos cachorros novos.

    Um belo dia chega a Débora Duarte para ficar hospedada também e logo ficamos amigas. Indo passear pela cidade vizinha, fazendo atividades juntas, batendo papo, essas coisas.

    Pois ela me convida para ir ao aniversário do pai dela: você é o tipo de mulher que meu pai adoraria conhecer, diz ela.

    E assim, fui convidada para almoçar na casa do Lima Duarte com a família.

    Mas o que eu levaria de presente? Daí fico sabendo que ele adorava cachorros e morava num sítio na beira de uma represa próximo de onde estávamos. E um de seus cachorros havia morrido, se não me engano (a história já faz um tempo e não me lembro direito).

    Bem, Débora e eu resolvemos levar o James para ele num presente conjunto.

    Arriscado? Sim.

    Fomos de motorista particular com a irmã dela que veio nos pegar e nos levou a uma casa muito agradável e simples, sem frescuras. A cara dele.

    Acho que no princípio o Lima Duarte tomou um susto de ganhar um cachorro. Mas logo em seguida, uma das coisas mais fantásticas era ouvi-lo chamando “James” com aquela voz poderosa que tantas vezes eu ouvi na televisão. Ele enchia a boca para falar: James!

    E o James adorou o lugar. O gramado, o lago, tudo.

    Conversei longamente com o Lima Duarte. Ele me mostrou tudo por lá: suas carpas de estimação, que ele falava “nishiquigói” (acho que é assim), suas pingas que eu tive que provar. Um homem galante e charmoso.

    O almoço de família só tinha eu de estranha. Simples e gostoso. E ele contava histórias para me impressionar. E impressionava.

    No fim do dia fomos embora e ele se despediu no portão.

    A impressão foi que ele era exatamente igual aos personagens que ele fazia na TV: um homem macho até o último fio de barba. Que impõe respeito, medo e ao mesmo tempo muito sedutor e justo.

    Nunca mais o vi. Até que gostaria de saber do James e dele. Que dupla…

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    Liliana | Bichos Incríveis, Filosofando | Saturday, November 29th, 2008

    Acredito que poucas pessoas saibam como me sinto em relação aos animais.

    Vocês não tem idéia do que é conviver com um sapo de estimação solto pela sua casa, andando livremente para lá e para cá podendo dar de cara com ele nos lugares mais inusitados a qualquer momento. Os sustos que levo! O cuidado constante para não pisar nele. Não ferir o sapo. Garantir que ele tenha acesso a água, comida e tudo o mais que um sapo precisa. E estou falando de um sapo! Um bicho que tenho a maior aflição.

    Tudo porque ele decidiu morar na minha casa e meus cachorros o aceitaram. Então, quem sou eu para expulsar o sapo Mario daqui?

    Toda a rotina da casa foi modificada por causa de um simples sapo: a empregada limpa a sujeira do sapo. As visitas são informadas para não pisarem no sapo e prestarem atenção aonde andam. Eu não ando mais descalça para não chutar o sapo com os pés nus. Nem ando no escuro como andava antes para não pisar nele. Temos a Rotina do Sapo. Se ele some, vamos procurar onde ele está dormindo.

    Um sapo! Solto! Dono da casa!

    É comum estarmos vendo televisão e o Sapo Mario aparecer ao meu lado para conferir o programa que estamos vendo.

    É divertido darmos besouros para o Mario comer.

    Um sapo!

    E não sou só eu. A empregada Andréia, meus amigos, quem vem aqui, todos gostamos do Mario. Até os cachorros.

    Se fazemos tudo isso com um sapo, imagina com a Joom.

    Imediatamente foi absorvida pela família. Cuidada, alimentada, e inundada de amor.

    Eu estou quieta a respeito da tragédia de Santa Catarina. É defesa minha pois não suporto e não tenho condições de lidar com tais horrores que estão acontecendo por lá. Eu não posso pensar nos animais de lá. Estou com mais de 1000 feeds para ler e caí na besteira de ler posts da Cora Ronai. E justamente havia uma carta de uma mulher descrevendo um resgate com um helicóptero no qual salvaram a família humana e deixaram para trás os 4 cachorros para morrer de fome. Desde então estou passada. Não consigo parar de pensar nisso.

    Para mim, toda forma de vida é importante. E o ser humano por ter mais condições de adaptação é o que menos precisa de ajuda. E enquanto o ser humano continuar só pensando em sua própria espécie, menos vontade eu tenho de pensar no ser humano.

    Se eu estivesse ilhada aqui em cima do morro e viesse um helicóptero me salvar, teria que levar toda minha família junto: um sapo, quatro cachorros, uma mulher teimosa e um blogueiro que aparece de vez em quando.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Thursday, November 27th, 2008

    Boletim Especial Sobre Joom: Nossa mais nova filha já foi castrada e está no veterinário se recuperando. O veterinário descobriu que ela está com o baço grande e pode ser a tal Doença do Carrapato e ela terá que fazer mais exames. Ela será vacinada assim que tiver condições.

    Eu sou favorável à castração de bichinhos para não termos superpopulação. Meu animais nunca tiveram filhotes e isso não os fez mais tristes. Todos eles são castrados.

    Eu também sou favorável à adoção de cães e gatos de rua. Atualmente tenho 3 cães de rua comigo que peguei por aí: Gigio, Graça e Joom.

    Adote um bicho de rua você também! E castre-o, por favor.

    Obrigada.

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  • Contas

    Liliana | Bichos Incríveis | Sunday, November 23rd, 2008

    Prejuízo até agora:

    • um par de pantufas fofinhas e quentinhas
    • um par de botas de couro preta
    • um tapete de entrada de limpar os pés
    • um cobertor
    • o papel higiênico
    • 3 cachorros velhos de saco muito cheio
    Quase foi:
    • a tomada do MacBook
    • meu jantar
    • minhas Havaianas
    • a caneta
    • a cama da Graça
    • o tapete no quarto de hóspedes

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  • Cachorro Novo

    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, November 22nd, 2008

    É muito fácil educar um cachorro novo na casa quando já se tem outros cachorros mais velhos.

    O trabalho grosso de educação fica para os cachorros e não para o dono.

    Se você está satisfeito com a educação que deu para seus cachorros velhos, o mais novo irá imitar tudo que os outros fizerem.

    Os hábitos de cocô e xixi, dormir, passeios, vir quando chamado, latir ou silenciar, avisar quando aparecer estranhos ou algum perigo, alimentação, tudo isso será imitado.

    Principalmente o temperamento calmo e seguro dos outros será passado para o cachorro novo. O cachorro novo sentirá o ambiente de segurança e tranquilidade e entrará no “espírito da casa” também.

    No caso da Joom, ela é filhote, deve ter uns 5 meses e tem uma agitação própria de filhote de descobrir o mundo, experimentar as coisas, querer brincar, morder. Testar limites. E isso, por mais que os cachorros mais velhos ensinem, brinquem, vamos ter que participar e dizer “não” e gastar tempo e paciência ensinando algumas coisas. Uma boa infância canina significa um bom cão adulto.

    A primeira palavra que um cachorro aprende é “não”. Antes mesmo do próprio nome. Um “não” firme, sem ser histérico, sem gritar, uma vez apenas. E ao dizer “não” para uma coisa, oferecer uma opção de “sim” em troca. Se não pode mastigar meu sapato, pode mastigar o brinquedo próprio de cachorro.

    Joom já tem dois brinquedos para morder, lembrança da época de filhotes dos outros, ela já sabe que pode morder os brinquedos mas está testando se pode morder outras coisas. E está ouvindo “não”. Ela já brinca com um dos brinquedos, porém numa bobeada minha ela comeu minha pantufa.

    Eu não escondi a pantufa nem fechei armários. Ela vai continuar ouvindo “nãos” e sendo vigiada.

    Educar crianças e animais requer amor, paciência e dedicação.

    Meus cachorros são tranquilos e muito bem educados, recebem elogios das visitas e só me dão alegrias. E espero que a Joom também.

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