O Tai é um Herói

Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Sunday, November 1st, 2009

O veterinário disse que ele não andaria mais e que eu devia sacrificá-lo.

Mas não é assim que eu vejo.

Eu vi um paciente com uma deficiência e fui atrás de como deixar sua vida a mais completa e confortável possível.

Muni-me de todo um aparato para cuidar dele. Acredito que muitos idosos e deficientes não tiveram essa oportunidade.

Ele reagiu bem. Curou-se da pneumonia, as escaras estão fechando. Come e bebe bem.

Porém começou a chorar e eu não sabia o porque.

Ele queria andar de novo, ir para a grama e dar a voltinha dele diária como fazia toda manhã.

Levei na grama e observei ele levantando a parte da frente do corpo sem forças de alinhar as pernas de trás. Peguei uma toalha de rosto e fiz uma barrigueira com ela e o suspendi até ele ficar de quatro.

Ele saiu andando todo feliz pelo gramado, cheirando tudo, comendo graminha, interagindo com os outros cachorros enquanto eu ia atrás segurando o maior peso do quadril. Cansou-se rápido e teve que voltar deitadinho no cobertor. Mas fez seu xixi de pé, como há muito tempo não fazia.

No dia seguinte, fomos de novo fazer a fisioterapia/passeio no jardim. Ele andou bem mais. Estava muito mais forte. As perninhas de trás aguentaram muito melhor. Quis ir ver a gata. Mas a Manilha, esperta, não apareceu.

Eu estou escrevendo isso porque o grande diferencial é que o paciente quer melhorar. Não tem nada mais broxante para um médico do que um paciente que não dá a mínima para a própria saúde. Como dizem, dá uma preguiça danada gente que não quer ficar melhor. Gente que acha que está bom assim mesmo. Ou gente que não se importa de estar ruim.

Vejo esse tipo de gente como médica e no meu dia a dia. Como médica eu tenho uma postura que só meus pacientes sabem qual é. Mas como pessoa, eu procuro me afastar de gente assim. Passa o tempo e o discurso do fulano é o mesmo. As queixas são as mesmas porque nesse tempo todo o dito cujo não mexeu uma palha para melhorar sua situação, se melhorar como pessoa. Esses não merecem falar com meu anjo.

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  • A Dotora tá amando!

    Todo dia que chego no trabalho uma das funcionárias vem comentar como estou. Ou é a maquiagem, ou a roupa, o sorris. Sempre ela tem que falar alguma coisa.

    Não é daqueles elogios que a gente se sente bem, sabe? Entendem o que eu quero dizer?

    Eu fico imaginando o porque dela simplesmente não se arrumar, não se maquiar, não caprichar na roupa nem no sorriso. Tão simples.

    Um belo dia ela não aguentou.

    Veio afirmando categórica: diz aí o nome dele!

    - Dele quem?

    - Do seu amor! Você só pode estar amando!

    - Olha, Fulana. Eu tô amando sim. EU MESMA!

    Nunca mais me encheu.

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  • Do Ser Elegante

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Blogworld | Monday, October 26th, 2009

    Numa casa com 5 cachorros, fica um certo barulho de fundo, um au au au constante, um resfolegar contínuo e a gente acaba se acostumando.

    Cada bicho tem seu espaço, seus hábitos, e um não atrapalha o outro, geralmente.

    Porém, de vez em quando, esse barulho de fundo, fica chato e os espaços começam a ser invadidos.

    Nessa hora, o cachorro mais velho dá umas latidas fortes e põe ordem na bagunça e os cachorros mais novos voltam a ficar sossegados.

    Eu acompanho várias pessoas no Twitter e hoje o barulho de fundo ultrapassou meu limite e então vou latir.

    Sabe o que falta no Twitter?

    Elegância.

    Todo mundo pode dar sua opinião sobre qualquer assunto. Mas dar sua opinião não obriga ninguém a querer conversar com você. Por exemplo, estou escrevendo este texto para mim. Colocando meus pensamentos. Se alguém entender, ótimo. Se não, dane-se.

    Outra coisa que tem me irritado profundamente é o puxa-saquismo. Ser puxa-saco é muito feio e não é elegante.

    Ser elegante é saber quando se calar.

    Assim, me calo.

    AU AU!

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  • Sobre a Fama

    fame |f?m|noun1 the condition of being known or talked about by many people, esp. on account of notable achievements : winning the Olympic title has brought her fame and fortune.2 archaic reputation.3 archaic public report; rumor.

    Faz tempo que eu queria escrever sobre fama mas eu não queria ser mal interpretada.

    Há muitos anos atrás, São Francisco Xavier começou a ser frequentada por gente de televisão e cinema, gente famosa no sentido mais comum da palavra. Foi muito interessante porque o povo normal da cidade tratava esses famosos como gente normal, já que para eles não eram conhecidos.

    Tem uma história de uma apresentadora de televisão que passeou por aqui e ficou brava porque ninguém deu a mínima para quem ela era.

    Em compensação, aqui na cidade existem umas figuras que sempre estão na mira da atenção da população. Eu inclusive.

    O povo falava de mim, atravessava a rua para entrar na loja que eu estava para perguntar o que eu estou fazendo. Já organizaram novena pela minha saúde até. Todo mundo sabia onde eu estava, com quem, o que estava fazendo e como. E era assim com outras pessoas também.

    Por causa disso, eu brincava com um bordão: “famosos somos nós”.

    Fama é uma coisa relativa que depende do grupo populacional que você pertence. Se eu sou conhecida e admirada pela maioria da população de 8 mil habitantes da minha cidade, eu sou famosa aqui.

    Eu queria contar isso porque é importante que se saiba que fama não é só aparecer na televisão ou ter milhares de seguidores no Twitter. É se destacar positivamente no grupo que você pertence. E isso gera responsabilidades.

    As pessoas estarão falando de você. Vão comentar o que você fizer. E vão imitar seu comportamento.

    Pessoas que se destacam no grupo têm um poder de modificar esse grupo muito grande. E uma das formas de modificá-lo é através do exemplo.

    Ser uma personalidade pública implica em se comportar sabendo que o que fizer vai ter consequências no grupo.

    Se sua influência é boa, o grupo ganha, sua fama aumenta positivamente e sua atuação pesa ainda mais. É um feedback positivo.

    Se sua influência piora o grupo, sua fama passa a ser negativa e você pode continuar famoso pelas razões erradas, ou seja, não por seus feitos e qualidades e sim pelo mau exemplo.

    Todo mundo é famoso para alguém, não importa quão “famoso”, não importa o número de participantes do grupo em que ele atua, mas é famoso por ser comentado, por ter poder de modificação e influência. Por isso que socialmente a gente tenta mostrar o melhor de nós. E quando não estamos bem, o mais sábio e seguro é nos recolher e ficar quieto.

    E a fama pela fama?

    Segundo o dicionário aí em cima, fama implica ser conhecido e comentado por outros por ter conseguido algo, ter feito algo. Assim, existe uma ação do sujeito antes da fama.

    Eu acredito que pessoas equilibradas se alimentam e se satisfazem realizando as ações que os tornaram famosos e não pela fama que derivou dessas ações. Ou seja, o legal é o realizar, não o buscar a fama pela fama que é algo vazio.

    Fama vai e vem mas a estrutura interna da pessoa que realiza e constrói  independe dessa fama para se manter e para ser completa.

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  • O Distúrbio Afetivo Sazonal

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, October 11th, 2009

    Quando eu me mudei para São Francisco Xavier, eu passei a desfrutar das vantagens de morar num lugar lindo, calmo e tranquilo. Porém, o clima de São Francisco é um dos piores climas que eu já tive o desprazer de experimentar.

    A cidade fica encravada na Serra da Mantiqueira, que significa Montanha que Chora em alusão à quantidade de chuva da região.

    Aqui chove muito. E se não está chovendo, o tempo está nublado porque as nuvens vêm do litoral e param nas montanhas.

    O céu geralmente é cinza.

    Contamos nos dedos os dias de sol e céu azul.

    A época das chuvas costuma começar agora em outubro e vai até março. Mas nos últimos anos, têm chovido no inverno também.

    Eu fico tão incomodada com o tempo nublado e chuvoso que até decidi mudar de região e fui para o Rio Grande do Norte ano passado, para morar. Infelizmente não deu certo e tive que voltar.

    Minha insatisfação é tão grande que eu me sinto doente e deprimida quando não há sol claro. Fico visivelmente mal quando os dias nublados se acumulam a ponto de não conseguir fazer nada.

    Eu já sabia da existência de distúrbios relacionados à falta de luz solar mas nunca tinha levado realmente a sério. No entanto, nesses últimos dias de chuva e céu cinza resolvi tomar providências para enfrentar melhor os tempos sombrios que se avizinham.

    O Distúrbio Afetivo Sazonal não é uma doença descrita no DSM-IV porém está entre os sintomas de Depressão Maior e ocorre juntamente com outras patologias como o Distúrbio Bipolar.

    O tratamento além de anti-depressivos, consiste em exposição à luz de espectro total, ou seja, luz que simula o Sol por alguns minutos por dia. O tratamento então é a claridade solar.

    Pesquisei lâmpadas especiais que fornecem o espectro todo mas não há aqui no Brasil. São as chamadas Full Spectrum. Elas podem ser usadas em abajures, lustres ou vir em caixas de luz especiais.

    Outra forma terapêutica são os Simuladores de Amanhecer que fornecem a claridade progressiva até iluminar totalmente o quarto como o sol. Eles são usados também para distúrbios do sono e do ciclo circadiano, que eu também sofro por causa da falta de claridade durante o dia.

    Acabei comprando um Simulador de Amanhecer e uma Caixa de Luz para banhos de claridade em lojas americanas na internet. Assim que chegarem e eu experimentar , conto para vocês o resultado.

    Hoje o dia amanheceu ensolarado. E me receitei 30 minutos na claridade solar. O efeito é impressionante de bom.

    Quem fica muito tempo sob luzes artificiais pode perder a regulação do ciclo circadiano e não dormir direito e nem “acordar” direito. A exposição a luz solar pela manhã ajuda a acertar esse ciclo.

    Legal, né?

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  • 12 Minutos

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Wednesday, September 16th, 2009

    Eu comecei a ver um filme que tinha tudo para eu gostar.

    Os atores, a trama… O filme prometia.

    Porém, 12 minutos se passaram e nada tinha de fato acontecido. O filme ainda estava apresentando a rotina dos personagens e nenhuma história, nenhum drama, nada.

    E por melhor que estivesse apresentando os personagens, esses 12 minutos ficaram muito chatos.

    Moral da coisa: parei de ver o filme.

    Um filme, um livro, um post, uma música ou o que quer que seja tem que nos conquistar rápido, em poucos minutos ou segundos dependendo do caso.

    Não adianta nada fazer um puta final se as pessoas não conseguem passar do começo. Que dirá chegar ao meio!

    Mensagens devem ser claras e eficientes para não termos dúvida do seu conteúdo e não desistirmos dela antes do principal ser entregue.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Tuesday, September 8th, 2009

    A gente vai adquirindo a noção de timing com o tempo.

    Mas muitas vezes o timing do timing não chegou.

    Às vezes a gente demora muito para fazer alguma coisa e o timing passou. E às vezes, faz antes da hora num timing péssimo.

    Sabedoria é perceber qual a hora.

    Quando responder um email? Um dia? Dois dias? Onze dias? Péssimo timing. A resposta vira até uma afronta.

    Quando retornar o telefonema? Um dia? Uma semana? Dois meses? Nem sabia mais quem era a pessoa e o número já havia sido deletado do celular.

    Até que ponto é falta de timing ou falta de educação ou falta simplesmente de noção?

    As pessoas acham que os outros estão ali para aguentar qualquer coisa. Não é bem assim.

    Relacionamentos sociais podem ser difíceis mas é só você não fazer com o outro o que não quer que façam com você, que as coisas se esclarecem rapidinho.

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  • Gente Ruim

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, September 6th, 2009

    Tem pessoas que passam batido na vida da gente. Não cheiram nem fedem.

    Eu acho que não cheirar nem feder é a pior coisa.

    Eu admiro aquelas pessoas que modificam o seu meio e as pessoas em volta com sua presença, com seu jeito, com suas posturas, deixando tudo e todos numa situação melhor do que antes. Eu procuro viver assim.

    É ter uma espécie de consciência de sua importância no mundo, de que você é capaz de fazer e acontecer para os outros e para a sociedade.

    Muita gente vive sem essa percepção por simplesmente não acreditar em si mesmo. E não se dar conta que qualquer ação sua pode atingir outra pessoa e o meio ambiente.

    Daí a gente vê coisas ruins acontecendo e pensa: como tal pessoa pode fazer aquilo?

    Ao se diminuir a própria importância não se diminui as consequências de seus atos. Não é desculpa.

    Em compensação, se nos damos a devida importância, nossos atos adquirem um peso maior e pedem uma responsabilidade maior porque o que fazemos nos extrapola.

    Por isso que gente ruim é tão pequena. Eles já se sentem assim.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Friday, September 4th, 2009

    Eu não gosto de textos longos.

    Eu acho que a pessoa deve saber passar sua mensagem de forma clara e sucinta. Sem enrolação e floreios.

    Só leio textos cheios de letras se forem técnicos ou se tenho uma ligação emocional com o escritor. Daí, eu leio porque me importo com a pessoa e quero saber dela. Fora isso, ou se passa a mensagem com clareza ou eu rolo a tela do computador sem dó.

    Na minha idade eu provavelmente já terei uma opinião sobre todo e qualquer assunto e a opinião de quem eu não conheço não me diz nada. Não acrescenta.

    A não ser que o assunto seja novo. Então, acho importante que se passe informações sobre ele para eu formar minha opinião. Assim, textos informativos são válidos. E comportam uma visão do autor desde que bem feita e breve.

    Para mim, a escrita é como na moda, menos é mais.

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  • Quem é o mais inteligente?

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Thursday, August 20th, 2009

    Todas as listas de inteligência de cachorros colocam o Chows Chows nos últimos lugares, como uma raça burrinha.

    Eu discordo.

    O Chow Chow se fosse gente seria considerado muitíssimo inteligente.

    Explico.

    Quando a gente pede para um Chow Chow fazer alguma coisa, por exemplo: Tai, entra!

    O Tai chega até a porta, para e pensa: quero entrar ou não?

    A gente vê a carinha dele raciocinando para saber qual a vontade dele.

    Daí, ele decide: vou entrar x não vou entrar. E acaba fazendo o que ele quer.

    Nós humanos somos burros muitas vezes porque fazemos coisas que não temos a mínima vontade.

    Um mané qualquer dá um ordem: faz tal coisa e a gente pula e faz.

    Não raciocina que nem o Tai.

    Eu vou fazer tal coisa só porque fulano falou? Só porque os outros estão fazendo também?

    Cadê o raciocínio, a discriminação se a coisa é boa para nós ou não? Se é isso mesmo que eu quero?

    E tem mais: eu sou a líder suprema da vida do Tai. Dou comida e água, carrego ele quando ele se entala e não consegue se mexer, sou a fonte única de carinho, enfim, sou a coisa mais importante da vida dele. Ou seria, se ele não se considerasse ele próprio a coisa mais importante da vida dele.

    Se ele pensa antes de me obedecer, eu que sou tudo para ele, por que a gente vai sair seguindo e fazendo o que qualquer um que não é na verdade nada para nós diz para fazer?

    O Tai é um milhão de vezes mais inteligente do que a maioria das pessoas que vejo por aí.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Monday, August 17th, 2009

    Eu escrevi um post enorme sobre “Limites” fazendo um paralelo entre minha caminhada pela estradinha com meu cachorro velho e a gente se machucar fazendo certas coisas. O post foi apagado sem eu querer.

    Gostei do post. Sem modéstia fiquei satisfeita porque refletia exatamente o que eu estava sentindo naquele instante.

    Pela primeira vez eu não estou fazendo algo que eu sempre costumava fazer e acabava me machucando depois.

    Finalmente tinha aprendido a lição.

    A gente é tão acostumado a repetir comportamentos e esses comportamentos têm sempre o mesmo resultado que no fim, a gente até espera se machucar.

    Não parece ser uma coisa muito inteligente.

    Mas quem disse que é coisa da razão?

    A não-ação é algo ativo também. A gente tem que fazer força para quebrar os hábitos.

    E a ausência do mal-estar é um bem-estar.

    Enfim, meu cachorro quis fazer uma caminhada e ele não tem mais idade para isso e acabou mancando, chorando e todo dolorido porque passou por baixo da cerca e me seguiu quando não devia.

    Eu tenho outro cachorro que já sabe seu limite e nem tenta caminhar comigo.

    Quantas vezes o Gigio vai ter que sentir dor até perceber o que pode ou não fazer?

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Friday, August 14th, 2009

    - Liliana, você tem livro sobre psicopata?

    - Por que?

    - Você não assiste novela mas tem uma pessoa que eu acho que é psicopata por causa da novela.

    - Me explique.

    - Essa pessoa já me prejudicou muito, já fez um monte de coisas…

    - Minha grande dúvida é: porque você ainda convive com essa pessoa e a recebe dentro de sua casa?

    - ?

    - Eu não gosto de novelas porque elas mostram situações que não deveriam acontecer na vida real e as pessoas veem na novela e acham que devem imitar. Quantas vezes você viu gente na novela se estapear e logo depois estar conversando normalmente? Se alguém me estapeasse ia ser algo gravíssimo, coisa de nunca mais olhar na cara não importa quem fosse. Mas na novela, tem que ter estória e os mesmos personagens por isso um faz coisas horríveis com o outro e eles continuam convivendo. Na vida real não precisa ser assim. A gente não precisa conviver com quem nos faz mal. É simples, não é novela.

    - Poxa…

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, August 2nd, 2009

    Esta semana no Twitter eu presenciei, assim como muita gente, uma discussão entre duas pessoas e a questão principal era sobre “fama”.

    “Quem é você?”

    “Como você não me conhece?”

    E o negócio degringolou e saiu da esfera da internet e caiu na vida offline.

    E daí ficou mais feio ainda.

    Para mim ficou claro que cada um assume uma persona online e a cultiva. Muitas vezes em detrimento do indivíduo offline.

    Mas somos apenas um indivíduo, tanto off como on. E essa personalidade real vai aparecer através da máscara online por mais que a gente não queira. E o Twitter é um perigo para isso, visto a discussão que mencionei acima.

    Como resolver? Cultivando sua individualidade offline. Tendo uma vida offline. Melhorando como ser humano como um todo. Daí, não importa a máscara que escolhemos para aparecer online, nossa essência vai respingar e vai mostrar algo legal, não nossos piores defeitos.

    Sugiro que leiam o que colocam na internet. É assim que vocês querem aparecer? Quais falhas posso localizar nos meus escritos? Minha vida offline esta satisfatória? Isso transparece? Estou bem comigo mesmo?

    Twittar, blogar, se expressar é uma ferramenta importante de auto-análise. Vamos aproveitar.

    A internet e o Twitter viraram uma grande sessão de terapia em grupo.

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  • Hoje Acordei Princesa

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Saturday, July 25th, 2009

    Hoje acordei cantando e quando me vi cercada de animaizinhos na cozinha querendo leitinho e olhando para mim com lindos olhos redondos  lembrei imediatamente da Princesa Aurora.

    Daí me toquei: estou me sentindo uma princesa de contos de fadas.

    Passarinhos cantam lá fora, bichinhos peludos e fofinhos vem se aninhar ao meu lado e nem sinal da bruxa malvada.

    A Princesa Aurora, que é A Bela Adormecida para quem não é versado em princesas, é minha favorita.

    Temos muita coisa em comum. Ela foi durante anos meu arquétipo preferido feminino e quem me impulsionava a sair do sono da adolescência para o acordar da vida adulta.

    Com o tempo aprendi que o Príncipe era só outro arquétipo que devia achar dentro de mim mesma. E não um fulano que ia me salvar de um feitiço de uma vida chata num cavalo branco. A grande sacada do Príncipe é saber que ele está dentro de nós, mulheres. Assim como os homens têm sua Princesa interna.

    Mas Aurora foi viver no bosque com as fadas madrinhas por alguns anos para não ser picada pela roca e cair em sono profundo. Lá, seus amigos eram os animais.

    E foi no bosque, por acaso, que conheceu o Príncipe, que não sabia que ela era uma princesa mas se apaixonou mesmo assim. Na vida real isso significa o período de recolhimento de cada pessoa e o contato com seus instintos mais básicos, os animais, o período de formação da pessoa. Quando a Aurora se conhece e se transforma numa linda mulher.

    Os homens têm períodos semelhantes. Eles veem de relance a bela mulher, se apaixonam e depois a perdem para então trilharem outro tipo de aventura para no final reencontrar a mulher objeto de seu amor.

    Nos dias atuais, acredito que as aventuras do homem e da mulher são muito parecidas. Ambos precisam ter seu recolhimento na floresta e ao mesmo tempo matar o dragão. Só então estão prontos para unirem os dois arquétipos masculinos e femininos tanto dentro de si como na vida do lado de fora.

    Eu adoro contos de fadas. Eles ensinam as regras da vida e do crescimento individual. É só saber ler.

    Analisando minha sensação de ser Aurora na floresta, percebo que meu lado masculino está trabalhando em silêncio, longe de minha consciência, não estou vendo o Príncipe agora. Mas eu sei que ele existe.

    E tudo são fases. Não importa que eu seja um mulher de meia idade para me sentir uma princesa, é a fase. E temos que respeitar o momento de cada fase. Já passei por fases assim antes, assim como tenho certeza que todos vocês passaram, mesmo sem saber. O final da fase marca o reencontro do Príncipe com Aurora. Aurora acordando para a vida. E geralmente esse reencontro acontece em sonhos quando sonhamos com uma figura masculina, no caso da mulher ou feminina no caso do homem.

    Minhas noites, por enquanto não tem sonhos. Mas na hora certa, quando eu estiver pronta, eles virão.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Wednesday, July 22nd, 2009

    Acordei tomando o maior susto: meu computador estava mortinho. Mil coisas passaram na minha cabeça, desde o destino cruel me sacaneando até planejando uma viagem para São Paulo na assistência técnica. No fim, era o mais banal e ridículo: a fonte dele pifou durante a noite (depois de ter sido comida pela Joom La e remendada inúmeras vezes) e ele descarregou.

    Peguei a fonte reserva e aqui estou com computador funcionando normalmente.

    Corri e fiz o backup no Time Machine porque é claro fazia 2 meses que eu não realizava backup.

    Engraçado como muitas vezes temos o reflexo de pensar no pior e tomar atitudes descabidas e malucas.

    E é nosso ego bagunçado que nos faz escolher as saídas mais confusas.

    Eu sempre digo que a gente tem que fazer um reality check constante para analisar o que de fato está acontecendo porque se deixarmos para nossa cabeça, no susto, ficamos a mercê de nossas neuroses e loucuras.

    É o famoso “pare e pensa”.

    Quantas atitudes absurdas deixariam de ser tomadas se a gente simplesmente parasse e pensasse sobre o assunto.

    O que é real? O que é da minha cabeça? O que é neurose?

    E na dúvida eu pergunto: isso é assim mesmo? Você quis dizer exatamente o que? O que está acontecendo?

    Constatar o que é real implica em aceitar que não se sabe tudo. Humildade basicamente.

    E conhecer a realidade também significa conhecer a própria realidade. Como sou? Do que eu gosto? Por que eu faço isso? Quais são minhas qualidades e quais as minhas falhas que eu posso melhorar?

    Viver é um movimento, é algo extremamente dinânico.

    Ficar rígido e cristalizado numa postura única sem analisar a realidade de si e do meio é o equivalente a manter os mesmo sofrimentos indefinidamente. É estar morto e no Inferno.

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