Impressionante a quantidade de posts que tenho escrito e apagado nos últimos dias.
Sabe quando acontece algo com você ou você vê algo e quer comentar e escreve sobre o assunto e senta a bunda na cadeira e escreve, escreve e conforme vai escrevendo não vai gostando do que lê?
Pois é.
Aconteceu muito comigo.
E achei bom não publicar coisas que eu não gostei de escrever. Básico não é?
Apenas publicar algo que a gente se sente bem.
Por exemplo, ontem mesmo tive que discutir com o escritório do topógrafo e ensinar como ele deveria redigir o memorial descritivo do meu terreno. Ele insistia em colocar a propriedade do meu terreno no nome da pessoa que me vendeu o terreno. E eu tentando explicar que o terreno era meu então a propriedade era minha. Uma conversa de doido. O rapaz do outro lado da linha completamente ilógico. Um desgaste. No fim, ele disse que faria do meu jeito mesmo sem concordar comigo. Mas essa é a terceira vez que mando consertar o tal memorial e mapa por causa disso.
Ao mesmo tempo, o homem dono do caminhão aqui de SFX foi pegar minha parte nos móveis da herança de meu avô que estavam guardadas num depósito em São Bernardo.
E lá pelas tantas recebo o seguinte telefonema:
- Doutora, um caminhão não vai dar.
- Como não vai dar?
- Não vai dar. Tem muita coisa. São dois depósitos cheios!
- Mas o senhor não está seguindo a lista de coisas que eu te dei?
- Não. Nem olhei a lista. Estou pegando tudo que está nos depósitos. E tem dois depósitos cheios.
- Mas seu Fulano! Tem coisa aí que não é minha! Por isso que eu dei uma lista especificando exatamente o que o senhor tinha que trazer. Se o senhor trouxer coisas que não são minhas, ainda vão me processar por roubo! Olha a lista!
Logo depois, não satisfeito, Seu Fulano me telefona de novo:
- Doutora, o homem aqui do depósito telefonou para a dona Sicrana (a parte contrária) e ela mandou que eu esvaziasse os dois depósitos e levasse tudo embora.
- Como assim?
- Ela quer que a senhora leve tudo.
- Seu Fulano, pegue apenas o que está na lista que eu te dei porque esta lista foi ela mesma que fez e me mandou. Pegue apenas o que está na lista! (E vai por aí adiante…)
Telefono correndo para minha advogada para contar a confusão instalada no depósito. Ela tenta se comunicar com o advogado da parte contrária que está fazendo uma confusão danada.
Basicamente querem que eu leve embora tudo dos depósitos para que a parte contrária não tenha que pagar mais depósito. Mas, o que eu tenho a ver com coisas que não são minhas?
Enquanto isso recebo outro telefonema do Seu Fulano que está com preguiça de removar umas caixas para procurar um certo móvel que está na minha lista… “Mas tem tanta caixa aqui, o banco deve estar atrás das caixas.”
- Seu Fulano, eu quero tudo que está nessa lista! Nem mais nem menos.
Sete da noite e nada do Seu Fulano aparecer aqui na minha casa com o caminhão.
- Cadê você?
- Ah, doutora… Choveu… Posso descarregar amanhã (hoje)?
Neste exato momento estou esperando Seu Fulano aparecer com o tal caminhão. Ele já está atrasado. E eu tenho certeza que vão vir coisas erradas, vão faltar objetos… Tenho certeza que vai dar merda. Duvidam?
(Pausa para receber a mudança.)
Bem, como previsto faltaram coisas e vieram coisas erradas e é claro que o Seu Fulano vai ter que voltar ao depósito para fazer a troca.
Eu perguntei para ele: por que o senhor não seguiu a lista? Por que o senhor não telefonou se tinha alguma dúvida? Por que o senhor não fez tudo certo da primeira vez? Nós não conversamos e eu expliquei item por item?
Ele ficou mudo. Não tem explicação. Ou melhor, tem.
Mas no geral estou feliz. Feliz porque o móvel principal que eu queria que viesse veio: uma linda cômoda antiga para meu querido colocar as roupas dele.
Ai, o amor… Deixa tudo mais bonito.