Disco Fever

Liliana | Admirável Mundo Velho,Filmes, TV e Séries | Wednesday, August 5th, 2009

Sim, crianças, eu frequentava discotecas nos idos dos anos 70.

Por que lembrei disso?

Porque ontem recebi um email do nada menos “Tony Manero” de São Paulo, na época.

Ele achou este blog, se lembrou de mim e escreveu mandando notícias.

Eu respondi perguntando: mas é você aquele que dançava nas discotecas? E ele: sim, eu mesmo.

Pois Tony Manero virou político, vereador e prefeito no interior  de SP e eu fiquei muito feliz por ele.

Eu me lembro bem dele dançando: como dançava bem! E como ensaiava! Cada dança bem feita era precedida por horas e horas de ensaio.

O capricho da roupa para dançar.

A fama e o zum zum zum de quando ele chegava na discoteca.

E os concursos de dança, como no filme Saturday Night Fever.

Vi concursos no Papagaio’s, no Sírio, nem sei mais onde. Ele sempre ganhava.

Eu nunca fui grande dançarina.

Só sabia me chacoalhar e disfarçava bem.

Uma vez pedi para minha avó costureira fazer uma roupa para mim. Era igual a da mocinha de um filme. Toda branca, de cetim que ficava brilhante na luz negra. Estreei a roupa numa disco do Guarujá no antigo cassino.

Trinta anos depois Tony Manero surge num email.

Oi, Tony!

Saturday Night Fever

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Bichos Incríveis,Blogworld | Tuesday, August 4th, 2009

    Hoje os gaviões voltaram a sobrevoar o perímetro do terreno. Estava com saudades deles. Acho que é porque o tempo está mais bonito e o sol saiu.

    Chamei a Graça (moça) para vir correndo ver a dança dos gaviões. Muito bonito. Os cachorro brincavam no gramado e a gata no meu colo recebendo a dose dela de atenção.

    Os cachorros estão se acostumando com a gata. O Tai não surtou quando a viu no colo. A Graça (cão) a cheirou e continuou a brincar com a Joom La. O Gigio nem ligou. A Manilha não tem medo dos cachorros enquanto está no meu colo, já confia em mim. E os cachorros quando vêem o portãozinho aberto da garagem vão até o quarto da Manilha (meu consultório) para dar um “oi”. Mas não tentam morder ou pegar. Só cheiram.

    Faz 5 dias que não abro o Twitter e está sendo uma experiência muito interessante. A sensação é de se estar fora da coletividade borg. Vou permanecer fora por enquanto, não me deu nenhuma vontade de voltar. O que eu tenho para escrever, eu escrevo aqui, na minha casa que é o meu blog. E eu não tenho essa necessidade de ficar compartilhando tudo, o tempo todo com todo mundo. E também não tem como receber todas as informações do mundo o tempo todo. Tem que filtrar.

    O ser humano, assim como outros animais é um bicho social. Mas em nome do tal “social” limites ficam imprecisos, há excesso de informações para se analisar, discriminar e guardar. Vira uma grande distração do que é realmente importante. Tem que ter critério e qualidade para o que deixamos entrar em contato conosco.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Friday, July 31st, 2009

    Vocês já repararam que tem aquelas pessoas que quando te perguntam como você está, você sempre responde “tudo bem”?

    Mesmo que você esteja com um pedaço de ferro enfiado no peito, empalada num tronco, presa por correntes num esconderijo de serial killer, você sempre vai responder que “está tudo bem”.

    E tem aqueles que perguntam como você está e você responde sinceramente.

    E conforme sua resposta, vão mover mundos e fundos para deixar você bem.

    Sabedoria é saber distinguir um tipo do outro.

    Eu ainda estou aprendendo.

    Vocês já sabem diferenciar?

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    Em primeiro lugar, eu já existia quando o Homem foi para a Lua pela primeira vez.

    Posto que sou velha, o pouso do módulo lunar entre os dias 20 e 21 de julho de 1969  foi uma das coisas mais importantes que marcou minha infância e minha vida.

    Quem me conhece sabe que eu tenho uma memória igualzinha daquela peixinha do Procurando Nemo, acho que é Dory, não lembro o nome. Porém, eu me lembro perfeitamente da cena daquele dia tão especial há 40 anos.

    Nós morávamos numa casa em cima da casa de meus avôs paternos e eles tinham uma televisão num sala que ficava na parte de trás perto do quarto. Não sei como eu sabia, não lembro dos detalhes, mas eu fui assistir o pouso ao vivo na casa deles e ninguém mais da família se interessou.

    Eu vi os astronautas darem seus primeiros passos absolutamente sozinha e sem ter com quem dividir minha excitação. E admirada que tal fato não tivesse despertado o interesse de mais ninguém.

    Lembro da televisão, lembro das imagens preto e branco, lembro dos chiados da transmissão e lembro como eu fiquei exultante achando a coisa mais maravilhosa do mundo.

    Foi nessa idade que resolvi ser astronauta e dediquei os anos seguintes para isso, porque eu achava de verdade que tudo era possível.

    Meu sonho passou a ser estudar no MIT ou ser a primeira mulher no ITA. E eu estudava para isso. Era o jeito que eu via de me tornar astronauta.

    Aos 12 anos de idade tive a oportunidade de conhecer um projeto novo da NASA no Cabo Canaveral. Eles chamavam de Space Shuttle e estava sendo desenvolvido. Visitei o hangar monstruoso e as torres de lançamento e foi uma das sensações mais incríveis.

    Eu faria qualquer coisa para ser astronauta.

    Meu sonho acabou por causa de um par de óculos.

    No primeiro ano do colegial, quando eu estudava na área de Exatas, percebi que não enxergava bem de longe.

    Na época, os astronautas eram simplesmente perfeitos, não podiam se dar ao luxo de usar óculos.

    E ao colocar meus óculos de míope desisti.

    Juro que no ano seguinte do colégio fiquei perdida, porque eu nunca tinha pensado em fazer mais nada além de ser astronauta. Mudei de escola para o colégio mais fraco e alternativo que eu conhecia e baguncei o ano todo.

    Um parênteses…

    Nesse colégio eu era amiga dos nerds, claro, e um amigo meu, ficou milionário com um programa que ele desenvolveu para o então uso de PABX e telefonia. Um garoto, no segundo colegial bolou um jeito de rastrear cada ligação de cada extensão de PABX. Bem legal. Esse programa foi vendido no mundo todo e isso era 1978.

    Ah, já falei demais…

    Olha, para quem ainda insiste que o pouso na Lua não aconteceu… Ah! Vai se catar!

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  • Farewell

    Liliana | Admirável Mundo Velho,Músicas | Tuesday, July 7th, 2009

    Ben – Michael Jackson

    Provavelmente a primeira música que ouvi de MJ na trilha sonora de uma novela da Globo quando eu era criança.

    Caiu como uma luva.

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  • Engraçado

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Thursday, June 25th, 2009

    Desde pequena eu tenho a mania de falar “engraçado” para comentar alguma coisa. “Engraçado como tal coisa aconteceu” ou “engraçado que você fez isso…”

    Meu pai vivia me dando bronca dizendo que eu era uma idiota por dizer tanto “engraçado” e que as coisas não eram engraçadas coisa nenhuma.

    Eu ficava me policiando mas não adiantava, voltava com minha expressão “engraçado”.

    Já adulta, adquiri outro hábito além do de dizer “engraçado”: falar “que interessante…” com reticências. A maturidade me mostrou que havia coisas que não eram engraçadas mas eram interessantes. Dependendo da minha cara e minha entonação, o “interessante” poderia ser algo bom ou ruim. Se fosse ruim e eu falasse “que interessante” é porque eu estava sendo boazinha e poupando o interlocutor.

    Mas o fato é que é engraçado que agora a pouco me toquei que minha mania de falar “engraçado” se justifica porque quando eu falo estou com um sorriso. Ou seja, o acontecimento comentado me fez rir.

    E nada mais justo que eu disser “engraçado…”

    Eu sempre discordei do meu pai em relação ao “engraçado”. Talvez ele não visse graça, mas eu com certeza via algo que no mínimo me fazia rir por dentro.

    Se eu escrevo: engraçado como gosto de escrever aqui de vez em quando, pode apostar que estou sorrindo.

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  • O Banho da Mulher

    O Banho da Mulher:

    • Tira a roupa suja e coloca para lavar
    • Guarda a roupa que não precisa lavar
    • Se pesa e fica desanimada
    • Vai para o chuveiro
    • Escolhe o shampo da vez e passa delicadamente nos cabelos massageando o couro cabeludo e os fios
    • Escolhe o sabonete próprio de acordo como está a pele no momento e se ensaboa
    • Tira o shampoo e repete e a operação com o shampoo
    • Enxágua tudo
    • Escolhe qual máscara ou condicionador de cabelo vai usar e aplica nos cabelos ligeiramente secos
    • Deixa a máscara ou condicionador agir por alguns minutos
    • Enxagua os cabelos
    • Tira os cabelos do ralo para não entupir
    • Pega a primeira toalha e enrola a cabeça
    • Pega a segunda toalha e seca o corpo
    • Coloca as lentes de contato
    • Escova os dentes
    • Passa hidratante no corpo
    • Passa tônico no rosto
    • Passa loção anti-manchas no rosto
    • Passa creme ao redor dos olhos
    • Passa loção nutritiva no rosto
    • Passa bloqueador solar
    • Tira a toalha dos cabelos
    • Passa leave in nos cabelos desembaraçando e penteia
    • Seca os cabelos com secador (opcional)
    • Passa desodorante
    • Passa perfume
    • Finalmente se veste após escolher cuidadosamente a lingerie, os sapatos e a roupa

    Aqui você pode se imaginar se ela está pronta.

    Não está.

    Falta a a maquiagem.

    Enquanto isso, o Homem toma banho:

    • joga as roupas no chão
    • pega o sabonete mais barato que ele achou para comprar
    • ensaboa tudo
    • enxágua
    • se seca
    • veste a primeira coisa que vê pela frente
    • e de vez em quando vai ver se a mulher não morreu no banheiro porque ela está demorando demais.

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    • Melhor

      Liliana | Admirável Mundo Velho,Blogworld | Monday, May 25th, 2009

      Esse blog não morreu.

      Diferente do Ian Black, eu não acabei com o blog.

      Porém não tenho tido vontade de escrever. E acho que também é uma reação ao que tenho lido por aí e que tem me desanimado bastante.

      Tenho achado basicamente os textos chatos. Os blogs estão bobos. É difícil encontrar algo que me faça ler o post inteiro com  gosto. Tudo muito igual, repetitivo, sem graça.

      E como não estou me achando capaz de proporcionar uma alternativa melhor prefiro ficar quieta.

      Estou cansada de ler sobre campanhas, eventos, exposições, festas que eu nunca irei. Produtos que eu nunca vou comprar.

      É como uma interminável sessão de slides de viagem de outra pessoa. Só interessa para quem foi na viagem.

      Quanto mais eu assino feeds procurando o que ler, mais rápido eu passo pelos textos sem achar nada que justifique eu perder meu precioso tempo.

      A mesma coisa tem acontecido com o Twitter. Quase não tenho acompanhado mais os pensamentos vomitados sem critério.

      Pensando bem o erro pode ser meu. Talvez sempre tenha sido assim e só agora eu fiquei mais exigente. Não sei porque.

      No entanto, ser cada vez mais exigente implica em melhorar nossa qualidade no decorrer do tempo. Não se cristalizar. Não ficar satisfeito nunca e sempre buscar algo melhor.

      E ser cada vez melhor é um compromisso de vida.

      Você está comprometido?

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    • Minha Breve Opinião Sobre Twitter, Blogosfera e Outras Coisinhas

      Liliana | Admirável Mundo Velho,Blogworld | Tuesday, April 7th, 2009

      Tears in the rain

      Enough said.

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    • A Tensão e o Alívio

      Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, March 29th, 2009

      Fazia muitos anos que eu não dava plantão e não atendia emergências.

      A maioria dos casos que a gente atende é coisa simples que a gente fica pensando o porque que a pessoa resolveu ir ao médico. Entendo que que os pacientes vão nos procurar por coisas simples por insegurança. E é nossa função assegurar que está tudo bem, que vai passar, que não há nada para se preocupar.

      Porém, a razão principal de um plantão médico é atender aqueles casos realmente graves. E fazia um bom tempo que eu não atendia casos assim. Ou seja, casos de vida ou morte.

      Eu já estava desacostumada a sentir aquele medo perfeitamente compreensível de ser responsável pela vida de outrém. Ainda mais onde eu trabalho: num posto a 60 km do hospital mais próximo e com recursos bem limitados. E o que tenho para fazer? Dar o primeiro atendimento, tirar da emergência e transferir o paciente para o hospital de referência num ambulância pequenininha por uma estrada superperigosa. Sozinha com um auxiliar de enfermagem e o motorista.

      Atendi dois casos graves neste último plantão. E consegui entregá-los bem estabilizados no hospital com os recursos que eu dispunha.

      Depois que passa a tensão, a sensação é uma as melhores do mundo, de salvar a vida de alguém. Ela é proporcional à tensão que se sente. E vocês podem imaginar o alívio que se segue.

      Há anos eu tinha desistido de me expor a essa tensão porque isso desgasta muito. Mas tinha esquecido a sensação boa de um trabalho bem feito dessa natureza.

      Aqui fica minha homenagem a todos que trabalham com Emergência, médicos e enfermagem.

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      Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, March 29th, 2009

      - Doutora, eu machuquei o joelho jogando futebol e está doendo. Daí, eu fui jogar de novo e doeu mais.

      - Querido, eu trabalhei 24 horas sem parar e sem dormir, por que eu estou assim?

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    • Black Boys On Mopeds

      Liliana | Admirável Mundo Velho,Músicas | Sunday, March 15th, 2009

      Eu estava fazendo esteira ouvindo o iPod quando tocou uma música da Sinéad O’Connor, Black Boys On Mopeds e ela cantava assim:

      “…These are dangerous days
      To say what you feel is to dig your own grave…”

      Isso me pegou fundo porque eu nunca me senti tão calada.

      Porque, a não ser que você fale as coisas certas, você está cavando sua sepultura.

      Tudo que se fala é escrutinado e julgado e você é aprovado ou reprovado e carimbado para todo o sempre com algum adjetivo.

      E se eu falar que eu não dei a mínima para o comercial do Doritos? Que eu não achei nada demais? Que já vi melhores mas não me chamou a atenção em absoluto?

      Para vocês, Sinead O’Connor:

      Black Boys On Mopeds (Sinead O’Connor)

      Margareth Thatcher on TV
      Shocked by the deaths that took place in Beijing
      It seems strange that she should be offended
      The same orders are given by her

      I’ve said this before now
      You said I was childish and you’ll say it now
      “Remember what I told you
      If they hated me they will hate you”

      England’s not the mythical land of Madame George and roses
      It’s the home of police who kill black boys on mopeds
      And I love my boy and that’s why I’m leaving
      I don’t want him to be aware that there’s
      Any such thing as grieving

      Young mother down at Smithfield
      5 am, looking for food for her kids
      In her arms she holds three cold babies
      And the first word that they learned was “please”

      These are dangerous days
      To say what you feel is to dig your own grave
      “Remember what I told you
      If you were of the world they would love you”

      England’s not the mythical land of Madame George and roses
      It’s the home of police who kill blacks boys on mopeds
      And I love my boy and that’s why I’m leaving
      I don’t want him to be aware that there’s
      Any such thing as grieving.

      Sinead O’Connor – Black Boys On Mopeds

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    • Dã… Dia da Mulher?

      Liliana | Admirável Mundo Velho | Tuesday, March 10th, 2009

      Já foi?

      Foi, né?

      Dia 8.

      Mas só hoje achei algo que expressa direitinho o que eu penso sobre o assunto.

      A Song For The Ladies – Jon Lajoie.

      Mais de onze milhões e duzentas mil exibições no YouTube.

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    • O Brave New World

      Liliana | Admirável Mundo Velho | Monday, March 9th, 2009

      O, wonder!
      How many goodly creatures are there here!
      How beauteous mankind is! O brave new world,
      That has such people in’t!

      • Miranda, scene i, The Tempest by Shakespeare

      O brave new world! Que tem essa gente nele.
      Essa gente que se levanta todo o dia após dia contra todas as chances e continua.
      Vai atrás.
      Bate cabeça.
      Erra.
      Cai.
      Levanta.
      Anda de novo.
      Tenta.
      Incansavelmente.

      O Brave new world! Que tem essa gente nele.
      Gente que sofre por amor mas continua amando por absoluta falta de saber viver sem amor.
      Que faz famílias que se odeiam e brigam e se amam bem escondido lá no fundo.

      O Brave New world! Que tem essa gente nele.
      Teimosa.
      Que quer ver o mundo ser bravo. Mesmo sendo tão bravo.
      E ainda assim acha bonito.

      How many goodly creatures!

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    • Lembranças Esparsas no Café da Manhã

      Liliana | Admirável Mundo Velho,Viagens | Tuesday, February 24th, 2009

      O computador avisa: it’s nine o’clock. E eu me lembro da música do Genesis: it’s one o’clock and time for lunch… 

      It’s nine o’clock and time for breakfast.

      E estou eu, a mesa posta com minha xícara de café com leite, cachorros deitados a minha volta, computador do lado da xícara e uma obrigação horrível de escrever algo significativo no blog.

      Como assim?

      Hoje é feriado, dia de descanso. Não tenho que escrever nada de importante. 

      Ontem eu também descansei. Vi dois filmes: Slumdog Millionaire e Rachel Getting Married.

      Não gostei de Slumdog. De coisa feia basta os problemas do dia a dia. Eu fiquei mais de um mês na Índia passeando há muitos anos atrás e estou por aqui de Índia. 

      Fui para lá toda animada esperando uma experiência mística. Tinha estudado toda a mitologia, lido poemas, a história, mas ver um povo vivendo a mitologia como se fosse real deu um resultado terrível. Um país sujo e feio e atrasado.

      Eu participei de rituais indianos em templos sujos e escuros com gente adorando pedras e pintando nossos rostos de vermelho.

      Eu vi cadáveres de párias sendo comidos por cachorros às margens do Rio Ganges em Varanasi.

      Eu conheci o interior da Índia que os turistas não costumam conhecer. Fomos de ônibus e trem atravessando o país até a fronteira com o Nepal.

      A Índia tem cores salpicadas aqui e alí. Pontos bonitos escassos perdidos no meio da sujeira e de fezes e outras secreções humanas.

      Eles usam vassouras de piaçava sem cabo. Então, ficam de cócoras varrendo o chão que nunca fica limpo, que nunca fica sem poeira, que nunca muda daquela cor de terra esmaecida, cor de sujeira.

      A única coisa branca realmente branca da Índia é o Taj Mahal. O resto é sujo. Por isso que faz tanto sucesso.

      Se eu vi coisas bonitas? Claro que vi. Mas eu não sou hipócrita de destacar o bonito do contexto geral. E o geral é triste.

      Eu já fui em favelas brasileiras fazendo trabalho médico e nada se compara à Índia. O nosso pior está a anos-luz de diferença deles.

      Minha experiência mística na Índia durou exatamente o tempo de chegar e olhar em volta.

      Fui em templos budistas importantes também. E tive medo que roubassem meus sapatos.

      Fui em mesquitas e tive que me cobrir com panos imundos porque estava de camiseta de mangas curtas.

      Indús, muçulmanos, budistas, conheci suas culturas e seus lugares e todos me passaram a impressão de estarem fora do tempo. Ultrapassados. Nisso não tenho preconceito: meu julgamento foi negativo igualmente para todos.

      Slumdog Millionaire mostra a Índia. É isso aí. E no filme ainda nem mostra tudo. Tem coisa pior lá. Acreditem.

      Já Rachel Getting Married lembra Roberto Altman, quem o diretor do filme agradece nos créditos finais. Não é um Altman. Mas é um bom filme. E coincidentemente mostra um casamento no estilo indiano em plenos EUA numa família de classe média alta que não tem nada de indiana mas resolve fazer um casamento no tema “Índia” pegando só o que tem de bonito da cultura: as roupas, a decoração, as bijuterias… Fica lindo. 

      Eu tenho um sari maravilhoso que eu trouxe.

      Na Índia eu conheci um casal de lá em lua de mel que viajou conosco de ônibus por um pedaço do caminho. Ela ainda portava aqueles desenhos de henna nas mãos e nos pés. Muito bonito. Mas eles contaram coisas como tiveram sorte de se gostarem e poderem se casar. Porque não era garantia de se casar com quem se ama lá. E tinha o problema do dote. Sim, dote. Ele pode pagar o dote e estava muito feliz. Contou que demorou anos para juntar o dinheiro do dote que o noivo devia pagar para a família da noiva. Eles se achavam um casal moderno porque o casamento não tinha sido arrumado. “Vocês podem casar com quem vocês quiserem?” Imaginem minha cara ao responder que sim.

      Mas por que essa antipatia tão grande, Liliana?

      Eu tenho uma visão do mundo como uma coisa só. O indivíduo aqui no Brasil é igual o indivíduo do outro lado do mundo. A informação já se espalhou. Somos uma coisa só: a raça humana. Na História da Humanidade já vimos coisas que funcionaram e coisa que não funcionaram. Então não vejo lógica de se manter hábitos que já se mostraram ineficazes e nocivos. A Índia como um todo está ultrapassada e insiste em viver segundo mitologias de milhares de anos atrás, na pior das hipóteses, de séculos atrás.

      É… Mas estou querendo muito.

      Eles que são indianos que se entendam.

      Mas não esperem que eu faça apologia da ignorância.

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