Minha Experiência em Sites de Relacionamentos

Uma pessoa me falou que quem fazia perfil em site de relacionamento era loser.

Discordo.

Para quem, como eu, que mora em local pequeno, a única forma de encontrar novas pessoas é pela internet.

Eu já me inscrevi em site assim antes e de fato encontrei pessoas legais e muitos malucos também.

Para ter uma boa exeriência em sites assim, dou aqui meu depoimento.

Escolha um site com boa reputação.

Eu escolhi o ParPerfeito.com.br.

Faça um perfil sincero. Ou seja, coloque o quer e principalmente o que não quer e atenha-se as suas escolhas.

Explico: eu quero conhecer ateus. Assim, se um perfil diz que é cristão devoto, eu já passo reto.

Crie uma conta de email genérica, tipo hotmail. (ainda acho que o MSN só sobrevive por causa de sites de relacionamento.)

Faça uma conta de MSN, 99% só usam o MSN, com esse email genérico.

Daí, é só esperar para ver quem vê seu perfil e te manda mensagens.

Gente que eu não tenho a ver, nem respondo.

Gente que usa fotos de atores famosos!!! ou que não tem fotos eu nem respondo.

Gente que escreve que é “geralmente fiel” eu não respondo nem entendo. Visto que meu objetivo é encontrar alguém sério e não putaria. Nada contra putaria, mas não é a minha. Aliás, esses sites são ótmos para cair na farra, se é que vocês me entendem.

Eu sou uma pessoa muito seletiva e só passo para a próxima etapa, responder emails, quando vejo que o perfil tem a ver comigo e achei a foto do sujeito simpática.

Eu particularmente dou preferência a perfis escritos em inglês, que é uma forma de triagem.

Google translator, nem pensar.

Enfim, se o perfil é sincero, o seu e do outro, as chances de atingir seu objetivo, qualquer que seja ele, casar, namorar, sexo, são maiores.

Mas como saber se um perfil é sincero?

Preste atenção nos indícios. Escrever corretamente, fotos verdadeiras, emails padrões, inconsistências nas informações, você percebe logo de cara qual é a do outro.

Por exemplo, tem um sujeito me mandando emails com a foto do Mark Whalberg. Pelamor, né?

Outro botou foto do George Clooney!!! HAhahahahaha

Então, mesmo que não ache o seu parceiro(a) logo de cara, pelo menos você vai rir muito.

E as sugestões do site? É pra rir também. Parece que eles não levam em conta nada além da idade e local. Pontos importantíssimos são ignorados e acabo recebendo sugestões de gente nada a ver comigo.

Por uma única vez recebi uma sugestão de um homem que eu já conhecia fora da internet!! Quais as chances? Incrível!

E vale a pena pagar nesses sites?

Eu só respondo quem tem o mínimo de condição de pagar por um plano. Gente que não está disposta a investir uma grana para achar você, nem tem chance comigo.

Ah, mas são tantos detalhes…

Conform for me lembrando, eu vou colocando aqui.

Assim, vamos nos divertir juntos nesse mundo encontros virtuais.

PS- para quem entender a referência, Must Love Dogs, é minha catch frase no perfil. O cara que reconhecer a frase, tem grandes chances comigo ;)

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  • A História da Minha Vida – ou – O Cachorro Me Mordeu

    Eu gosto muito da palavra ” impressionante “.
    Então, impressionante!
    Tem o Jazz, o Yorkshire da pousada. Um cachorrinho já idoso e incompreendido.
    Ninguém dá bola para ele, não entende que ele é de guarda e está apenas fazendo o trabalho dele ao latir.
    Ele é escurraçado, desrespeitado, ignorado.
    Eu morro de dó.
    Pois a dona dele foi viajar e o deixou sozinho ao deus dará na pousada.
    Ele ficou perdido, sem referência, tadinho.
    E logo, logo ele estava me seguindo para todo lado e foi dormir comigo.
    Dormiu em cima da cama, encostadinho na minha perna todo enroladinho. Chegou até a dormir em cima do meu braço. Dormimos abraçadinhos.
    E eu conversei com ele, beijei, agradei, mimei.
    Daí, ele passa uma noite fatídica na casa da filha da dona dele com umas crianças e volta “estressado” segundo descrição do pessoal da pousada.
    O mesmo pessoal falou que ele sentiu falta de mim enquanto estava fora na reunião com o engenheiro.
    Assim, me preocupei mais ainda e quis garantir que ele estivesse bem e acompanhado, para não se sentir sozinho.
    E fomos dormir ontem.
    Ele foi para cama e se enrolou na caminha que eu fiz com a colcha.
    Fui dar um beijinho de boa noite na testa dele, como estava sempre fazendo e…. Tomei uma mordida no lábio inferior. Dois furinhos, muito sangue e uma boca de Angelina Jolie.
    Bem, agora vamos analisar rapidamente o ocorrido.
    O ser estava na pior.
    Ninguém queria saber dele ou o respeitava.
    Eu o acolhi e fiz de tudo para que ele se sentisse bem.
    O ser me morde, me machuca e basicamente caga para mim.
    E a pergunta que não quer calar: quantas vezes isso já me aconteceu?
    Um monte. Com pessoas, claro, porque com animais essa foi a primeira vez.
    Minha reação a isso no início era de incredulidade. E acabava dando nova chance para as pessoas me machucarem como se eu não tivesse entendido a mensagem.
    E acho que eu não tinha entendido mesmo.
    Tico e Teco não estavam conversando e eu realmente não percebia que aquele ser humano simplesmente não gostava de mim.
    Depois de muitas mordidas simbólicas, eu finalmente me toquei.
    E estava gastando vela boa com defunto ruim, para ser bem clichê.
    Quando você se toca disso, tem duas alternativas.
    A primeira, que eu tentei várias vezes, é querer mudar o outro para que ele passe a te tratar bem. Muitas vezes mudando a mim mesma para me adequar ao outro.
    Só digo isso: NÃO FUNCIONA!
    Puta roubada.
    Não façam isso.
    Essa atitude só te faz ser mais mordida. E ainda vai contra todo o seu ser. Você mesmo se machuca.
    A segunda alternativa, que é a que estou adotando de tempos para cá, é cortar laços com quem me trata mal, me morde, mesmo que venha querer assoprar depois.
    Disseram que essa minha atitude de cortar quem me faz mal iria me deixar só.
    Absurdo!
    Vejam só! Essas pessoas estavam me falando que era para eu continuar sendo mordida, por vontade própria! “Para não ficar sem ninguém!”
    “Que eu era radical!”
    Então eu sou radical mesmo!
    Não quero saber de quem me machuca, me maltrata e me desrespeita.
    E isso vale desde o cachorrinho até principalmente quem morava comigo.
    Impressionante é o que se agüenta para não ficar só.
    AGUENTAVA!
    Parece besteira e óbvio o que estou escrevendo. Mas ainda a maioria de pessoas que vejo por aí precisam ler isso.
    E eu bem que queria ter lido isso há uns anos atrás.
    E vocês, quantas mordidas já levaram ultimamente?

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  • Todo mundo é incompetente, inclusive você

    Há muitos anos atrás, um livro fez muito sucesso.
    A premissa dele era que todo mundo é incompetente.
    Um sujeito começa a trabalhar numa firma e é muito bom no que faz. Então ele vai sendo promovido até um cargo no qual ele não é bom o suficiente. Ou seja, se torna incompetente para aquele cargo. E fatalmente estaciona nele, não sendo mais promovido.
    Ultimamente tenho lembrado bem dessa idéia mas sendo aplicada na vida emocional.
    Como a gente entra em roubadas emocionais sendo tão competente emocionalmente?
    A resposta é simples.
    A gente não conhece nosso limite de competência até ultrapassá-lo.
    Então, determinadas situações e atitudes só vão se mostrar inadequadas para nós depois que a vivemos a primeira vez. Antes disso, a gente nem poderia imaginar o quão tal coisa nos faria mal sem antes experimentar.
    Assim, eu entendo relacionamentos abusivos que começam como quem não quer nada, amizades que te sugam sem a gente se dar conta.
    Mas eventualmente, a gente se toca e percebe nossa incompetência para lidar com a coisa/pessoa/situação.
    E quando nos tocamos…. Opa!
    Ou você aprende a lidar com o negócio, ou está fadado a ficar paralisado nessa situação. Como o cara da firma que chegou numa posição e se mantém incompetente para ela.
    Eu estou falando de competência emocional para lidar com fatos e pessoas.
    Tem gente que prefere ficar incompetente. Esses deveriam se restringir às situações
    que dominam para se ferir menos e causar menos estragos por onde andam.
    E, felizmente, tem aqueles que se superam.
    Percebem e reconhecem a incompetência e trabalham ativamente para melhorar e não ser mais incompetentes. Eu admiro essas pessoas e desprezo aqueles que não querem melhorar.
    E você? Já chegou no seu grau de incompetência?

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  • Da Raiva Interna

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Monday, December 20th, 2010

    Liguei para minha médica dizendo que eu não estava muito bem. Os pulmões haviam melhorado mas estava “sei lá, né”.

    Para quem não entende, o estado “sei lá, né” denota um incômodo muito grande, indescritível.

    Fiz um breve apanhado da minha vida nos últimos tempos e o diagnóstico dela foi preciso: você está com muita raiva interna.

    Eu argumentei que minha raiva era externa mesmo. E que estava tomando todas as providências cabíveis para aplacar esta raiva tão grande.

    Ela rebateu dizendo que por mais que eu estivesse fazendo o possível para extravasar minha raiva externamente, a raiva interna ainda era muito grande.

    Tive que concordar.

    Por mais que eu estivesse tomando atitudes, nada poderia mitigar minha raiva que eu sentia de determinadas pessoas. Nada seria suficiente para que eu ficasse em paz. A não ser…

    Dez pessoas me deixaram com raiva. Muita raiva.

    Foi azar meu ter acontecido tudo junto e estar com raiva de dez pessoas ao mesmo tempo.

    Cinco delas vão ser ou estão sendo processadas.

    As outra cinco eu não posso fazer nada além de ficar com raiva.

    Claro que todo mundo tem desafetos, gente que a gente não gosta, despreza, whatever.

    Mas no caso da minha raiva, essas dez pessoas se encaixam na categoria “Ô, seu Bosta!”

    A pessoa “Ô, seu Bosta!” é aquela que quando a gente pensa nela, vem à cabeça: “é um Bosta”. Não dá vontade nem de falar o nome, só de chamar: “Ô, seu Bosta!” “Você é um Bosta!”

    Eu não posso dar nome às Bostas aqui, mas tenho certeza que elas sabem que são Bostas para mim.

    E, de fato essas pessoas são umas Bostas. Quer seja pelo que me fizeram, pelo comportamento habitual, e pela capacidade de grudar na sola do meu pé e feder.

    Não vejo a hora de limpar essas Bostas da minha vida.

    Seja atingindo a Justiça cabível, seja vendo elas se foderem de outras formas.

    Dizem por aí que a melhor vingança é ser feliz.

    Discordo.

    A melhor vingança é foder com quem te fodeu.

    Nem a morte da Bosta alivia a raiva. O que alivia é ver a Bosta sofrendo, muito, onde dói mais para ela e por bastante tempo.

    Só quando esses Bostas se foderem terei paz.

    E então? Estou trabalhando minha raiva?

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  • Onde está sua lealdade?

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, November 20th, 2010

    Quem acompanha ou já acompanhou novelas da Globo, vai perceber que a tônica da novela são relacionamentos complicados geralmente entre pessoas que se amam e se odeiam ao mesmo tempo.

    Vemos um fazer barbaridades com o outro e logo depois estão novamente conversando, interagindo, se encontrando em festas e acontecimentos familiares.

    E, por acontecer na televisão, as pessoas acham que o mesmo deve ocorrer na vida real.

    Discordo veementemente.

    A vida já é dura por si. Trabalhar, pagar contas, pensar no futuro já é complicado e difícil para qualquer um. A gente não precisa de drama de novela no nosso dia a dia.

    Na novela, os personagens são obrigados a conviver na trama. Mas na vida real, a gente não é obrigado a conviver com ninguém com quem a gente não queira.

    A gente não é obrigado a se relacionar com quem nos fere, nos sacaneia, nos faz mal, nos trai, nos agride.

    Em compensação, queremos conviver com quem nos ama, nos trata bem, se preocupa conosco e nos dá alegrias.

    Assim, as relações humanas vão se fortalecendo conforme as pessoas se sentem bem interagindo, independente se são família, amigos ou colegas de trabalho. Por conseguinte as relações ruins vão se deteriorando mesmo que seja entre parentes, irmãos, pais e filhos.

    Observo que, se baseamos em relações que nos fazem bem, não necessariamente é aquela que se iniciou por laços de sangue.

    O mesmo vale para relações profissionais.

    Eu contrato um profissional esperando que ele cumpra o que foi combinado visando o melhor para mim na sua especialidade. A gente não pode exercer todas as profissões, temos que indicar ao especialista o que não temos condições de resolver. E se o profissional lhe desaponta, não temos obrigação de continuar com ele.

    Essa postura de se afastar de quem nos faz mal ou joga contra nós parece ser simples. Não existiriam novelas e dramas se todos agissem dessa forma.

    Na prática é um pouco mais complicada porque exige que se tome uma atitude e se escolha um lado.

    E do lado de quem você vai ficar?

    Do seu, lógico. E também do lado de quem você ama, de quem te ama, de quem te ajuda, de quem se importa com você.

    Afastar-se de quem prejudica ou prejudicou quem você ama é o que eu chamo de lealdade.

    Não dá para ser amigo de todo mundo se são dois lados conflitantes.

    Relevar que alguém faça mal a uma pessoa que você ame é exatamente não amar aquela pessoa. Pois amar é apoiar, é ficar do lado, é escolher o lado de quem você ama no matter what.

    Mesmo que a pessoa em questão nunca tenha feito nada de ruim diretamente para você, o conceito de lealdade é isso mesmo: não fez para mim mas fez mal a quem eu amo.

    E se sua lealdade para determinada pessoa está confusa, cabe reavaliar seus sentimentos para aquela pessoa.

    Se você não ama, não consegue ser leal a ela, é melhor se afastar.

    Para mim, não existe o cinza em relacionamentos.

    Ou é branco ou é preto.

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  • Jessica!

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, October 31st, 2009

    Estava eu fazendo as unhas tranquilamente na varanda quando fui interrompida pelo celular.

    - Jéssica…

    - Não é a Jéssica. Você ligou errado.

    - Mas esse número sempre foi da Jéssica. (E repete o meu número de telefone.)

    - É esse número mesmo, mas faz mais de 10 anos que ele é meu.

    E desligo.

    Toca mais uma vez.

    - É você de novo?

    -Sou eu sim.

    - A Jéssica só pode estar de brincadeira. Pára com isso Jéssica.

    Desligo de novo.

    Mais duas chamadas dessa vez a cobrar.

    Nem atendo.

    No fim, o SMS:

    “Jéssica, obrigado. vc ainda vai precisar de mim. a vai!”

    Entendo perfeitamente a praga.

    Como médica novinha já falei muito: você ainda vai precisar de mim, ah vai.

    E como pega.

    Hoje mais velha, sei que nem precisa falar.

    É só esperar.

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  • A Dotora tá amando!

    Todo dia que chego no trabalho uma das funcionárias vem comentar como estou. Ou é a maquiagem, ou a roupa, o sorris. Sempre ela tem que falar alguma coisa.

    Não é daqueles elogios que a gente se sente bem, sabe? Entendem o que eu quero dizer?

    Eu fico imaginando o porque dela simplesmente não se arrumar, não se maquiar, não caprichar na roupa nem no sorriso. Tão simples.

    Um belo dia ela não aguentou.

    Veio afirmando categórica: diz aí o nome dele!

    - Dele quem?

    - Do seu amor! Você só pode estar amando!

    - Olha, Fulana. Eu tô amando sim. EU MESMA!

    Nunca mais me encheu.

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  • Sobre a Fama

    fame |f?m|noun1 the condition of being known or talked about by many people, esp. on account of notable achievements : winning the Olympic title has brought her fame and fortune.2 archaic reputation.3 archaic public report; rumor.

    Faz tempo que eu queria escrever sobre fama mas eu não queria ser mal interpretada.

    Há muitos anos atrás, São Francisco Xavier começou a ser frequentada por gente de televisão e cinema, gente famosa no sentido mais comum da palavra. Foi muito interessante porque o povo normal da cidade tratava esses famosos como gente normal, já que para eles não eram conhecidos.

    Tem uma história de uma apresentadora de televisão que passeou por aqui e ficou brava porque ninguém deu a mínima para quem ela era.

    Em compensação, aqui na cidade existem umas figuras que sempre estão na mira da atenção da população. Eu inclusive.

    O povo falava de mim, atravessava a rua para entrar na loja que eu estava para perguntar o que eu estou fazendo. Já organizaram novena pela minha saúde até. Todo mundo sabia onde eu estava, com quem, o que estava fazendo e como. E era assim com outras pessoas também.

    Por causa disso, eu brincava com um bordão: “famosos somos nós”.

    Fama é uma coisa relativa que depende do grupo populacional que você pertence. Se eu sou conhecida e admirada pela maioria da população de 8 mil habitantes da minha cidade, eu sou famosa aqui.

    Eu queria contar isso porque é importante que se saiba que fama não é só aparecer na televisão ou ter milhares de seguidores no Twitter. É se destacar positivamente no grupo que você pertence. E isso gera responsabilidades.

    As pessoas estarão falando de você. Vão comentar o que você fizer. E vão imitar seu comportamento.

    Pessoas que se destacam no grupo têm um poder de modificar esse grupo muito grande. E uma das formas de modificá-lo é através do exemplo.

    Ser uma personalidade pública implica em se comportar sabendo que o que fizer vai ter consequências no grupo.

    Se sua influência é boa, o grupo ganha, sua fama aumenta positivamente e sua atuação pesa ainda mais. É um feedback positivo.

    Se sua influência piora o grupo, sua fama passa a ser negativa e você pode continuar famoso pelas razões erradas, ou seja, não por seus feitos e qualidades e sim pelo mau exemplo.

    Todo mundo é famoso para alguém, não importa quão “famoso”, não importa o número de participantes do grupo em que ele atua, mas é famoso por ser comentado, por ter poder de modificação e influência. Por isso que socialmente a gente tenta mostrar o melhor de nós. E quando não estamos bem, o mais sábio e seguro é nos recolher e ficar quieto.

    E a fama pela fama?

    Segundo o dicionário aí em cima, fama implica ser conhecido e comentado por outros por ter conseguido algo, ter feito algo. Assim, existe uma ação do sujeito antes da fama.

    Eu acredito que pessoas equilibradas se alimentam e se satisfazem realizando as ações que os tornaram famosos e não pela fama que derivou dessas ações. Ou seja, o legal é o realizar, não o buscar a fama pela fama que é algo vazio.

    Fama vai e vem mas a estrutura interna da pessoa que realiza e constrói  independe dessa fama para se manter e para ser completa.

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  • Carrie ou Frances?

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, September 5th, 2009

    Na minha situação atual de escritora “to be” não posso deixar de lembrar de duas personagens marcantes na vida de muitas mulheres: Carrie Bradshaw e Frances Meyes.

    Carrie Bradshaw é mais conhecida. É a Carrie, figura principal de Sex And The City, que na série escreve livros sobre relacionamentos e conta sua própria história e de suas amigas à procura do Amor.

    Esse amor de Carrie apareceu como vários homens, mas um deles permeava toda série, Mr Big. Mr Big era o amor verdadeiro mas escorregadio de Carrie. Porém, no final do filme longa-metragem eles se casam e acontece o Happy Ending.

    Já Frances é a escritora que foge para a Toscana e compra uma casa lá após um divórcio muito sofrido. Todo o filme Sob O Sol da Toscana mostra Frances não procurando o Amor, e sim, se refazendo da perda dele.

    A figura masculina do companheiro no final é discreta. Ficamos sabendo que eventualmente o amor apareceu, mas vemos que com ou sem ele, Frances conseguiu ser feliz.

    Eu descaradamente me identifico com Frances. Desde a semelhança por morar num lugar exótico até pelas pessoas que a cercavam e me cercam. Minha história e de Frances são muito parecidas.

    Mas a minha ainda não acabou.

    E enquanto isso, eu escrevo.

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  • O Verbo Foder

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, August 29th, 2009

    Foder é um verbo muito interessante porque sua grafia varia de acordo com o que queremos dizer.

    Pode ser escrito com “O” ou  ”U”.

    O uso de cada uma desses vogais determina intensidade, requinte, mágoa, raiva, indignação, desprezo, tesão, alegria, sacanagem, etc..

    É bem diverso gritar um “vai se fudê!” de um “vai se foder!”

    “Foda-se” é universal. É com “O”.

    Agora “Fodeu” pode vir como “fo-deu”, duas palavras, ou “fudeu”, mais íntimo.

    “Vamos foder” não é tão gostoso quanto “vamos fudê”. Mas ambas as formas se aplicam dependendo da intenção.

    Eu prefiro particularmente “vai se fudê”. Expressa melhor meus sentimentos. Além do mais pode ser usada em diversas ocasiões de significados diametralmente opostos.

    Eu admiro muito esse verbo tão versátil. Ele dá imperativos maravilhosos!

    Agora por exemplo, estou entre um “foda-se” e um “vai se fodê”.

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  • Adoro Drummond

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 23rd, 2009

    Carlos Drummond de Andrade

    Os Ombros Suportam O Mundo

    Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

    Tempo de absoluta depuração.

    Tempo em que não se diz mais: meu amor.

    Porque o amor resultou inútil.

    E os olhos não choram.

    E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

    E o coração está seco.

    Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

    Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

    mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

    És todo certeza, já não sabes sofrer.

    E nada esperas de teus amigos.

    Pouco importa venha velhice, que é a velhice?

    Teus ombros suportam o mundo

    e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

    As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

    provam apenas que a vida prossegue

    e nem todos se libertaram ainda.

    Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

    prefeririam (os delicados) morrer.

    Chegou um tempo em que não adianta morrer.

    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

    A vida apenas, sem mistificação.

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  • Sobre Suicídio

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 23rd, 2009

    Quando eu tinha 17 anos um primo ficava me telefonando nas horas mais estranhas para conversar sobre o nada.

    Eu sempre tive paciência com as pessoas. Acho que já era meu lado médico de entender o sofrimento do outro.

    Mas esse primo telefonava para todos os outros primos e geralmente recebia uma negativa. “Fulano não está.” “Fulano está ocupado.” Porque todo mundo falava por trás que ele era muito chato. E ninguém aguentava o chato. Ninguém queria falar com o chato.

    Ele era um rapaz bonito, de família muito boa, inteligente.

    Uma noite, chegou de uma festa vestindo blaser e tudo e subiu até o último andar do prédio.

    Lá, tirou o blaser e dobrou direitinho na escada e se atirou pela janela.

    A mãe dele estava acordada na cozinha esperando o filho chegar e ouviu um grito de algo caindo.

    Era o filho.

    A notícia do suicídio dele foi um tapa na cara de todos os primos que se recusaram a falar com ele e o chamaram de chato.

    “Por que eu não atendi aquele telefonema?”

    Esse foi o primeiro suicídio que me marcou.

    O segundo eu já era médica e uma parente de uma amiga, uma mulher de meia idade que tinha apartamento no mesmo prédio que minha família na praia pegou uma faca de pão, daquelas serrilhadas e abriu sua barriga e se deu várias facadas no peito.

    Ela foi levada para o hospital onde eu fazia residência ainda viva e me pediram para acompanhar o caso. Eu a visitava todos os dias.

    O corte na barriga fez com que todos os órgãos internos saíssem para fora.

    Passado uns dias internada no hospital, ela se jogou da janela do quarto caindo na marquise da entrada do prédio e abrindo todos os pontos. Não morreu. Pegou uma infecção e ficou meses internada até se recuperar. Nunca mais soube dela.

    Nesse caso da mulher das facadas eu só conseguia vê-la como um caso cirúrgico e não sei dizer se houve cuidados psiquiátricos depois. Pelo menos até ela pular do prédio não estava sendo tratada como paciente psiquiátrica, pelo jeito.

    O terceiro suicídio que me marcou foi um caso na neurocirurgia de um homem que se deu 5 tiros na cabeça e não morreu.

    Ele estava desesperado sem dinheiro e foi até a garagem do prédio com um revólver e deu um tiro num ouvido. A bala entrou e encravou no osso. Ele ficou surdo mas não morreu. Então, deu outro tiro no outro ouvido, de novo, a bala encravou no osso e não morreu. Ficou surdo dos dois ouvidos. E ele não desistiu: deu um tiro na têmpora, a bala cortou o nervo óptico e ele ficou cego de um olho. Deu outro tiro na têmpora, ficou cego do outro olho. Por fim, deu um tiro na boca e a bala passou raspando na base do cérebro e se alojou no cerebelo. Não morreu. E aí entrou minha equipe.

    Imaginem o quanto a gente deu de risada por causa da incompetência do suicida que se deu 5 tiros na cabeça e não morreu. (Médicos podem ser cruéis.)

    Mas a abordagem desse paciente foi bem diferente: ele realmente queria morrer. Então, tomamos todas as medidas necessárias para que ele não conseguisse se matar enquanto internado sob nossos cuidados. E eu pessoalemente exigi um acompanhamento psiquiátrico para ele, além de janelas trancadas.

    Ele acabou morrendo de meningite um bom tempo depois após uma longa internação, por causa dos ferimentos.

    Quando eu ouço falar de suicídio eu lembro desses três casos. Claro que já presenciei muitos outros: enforcamentos, quedas de altura, overdose de medicação.

    Teve até um que se jogou na frente de um trem.

    Quando se chega ao ponto de querer de matar e se escolhe ficar vivo, cada dia é uma reafirmação dessa escolha.

    A gente vive só e morre só.

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  • Dia Difícil

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Wednesday, August 19th, 2009

    O dia começou normalmente como começa qualquer outro dia. Levantei, a cachorrada veio atrás de mim e fomos para a cozinha dar bom dia para a Graça e tomar o café com leite.

    Eu deixo o computador em cima da mesa enquanto tomo café para ir lendo as notícias, os feeds, me inteirar das coisas antes de começar a fazer o que tenho que fazer.

    O Skype pulava no Dock do Mackbook mostrando que tinha alguém querendo falar comigo.

    Fui ver, era um tarado do outro lado do mundo que bloqueei em seguida.

    Mas o Skype ficou ativo e vi que tinha muitos créditos para usar.

    E resolvi usar.

    Telefonei para os Estados Unidos para perguntar como ia minha amiga já que ela não deu mais notícias.

    Daí meu dia acabou.

    Uma hora conversando com ela e eu queria mais era pegá-la no colo ou lhe dar uns tapas tudo ao mesmo tempo.

    Tudo que eu falei deve ter entrado por um ouvido e saído pelo outro.

    Eu entendo que cada um tem seu tempo de metabolizar as coisas.

    Eu demorei meu tempo mas entendi o recado.

    Ela também vai.

    Quem ama não vai embora. Muito simples.

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  • Pimenta

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 16th, 2009

    Pimenta nos olhos do outro arde?

    Arde.

    Se você se importa com o outro.

    Se não se importa, não arde não.

    Hoje fui acordada por uma chamada com más notícias de uma amiga e fiquei bem triste.

    Ardeu bastante e ainda arde.

    Mesmo já tendo passado por situação semelhante a dela, me surpreendi por ter ficado tão triste.

    - Isso passa, Liliana?

    - Passa.

    - Quando?

    - Ah, não sei…

    O importante é a gente ter quem sinta o ardido também junto.

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  • medámedámedámedá!

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Friday, August 14th, 2009

    Todo mundo quer um pedaço da gente.

    Um coro de “me dá, me dá, me dá, me dá!”

    Parece um ninho de passarinhos de boca aberta, famintos.

    “Não dou, não dou, não dou, não dou, não dou!”

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