Jessica!

Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, October 31st, 2009

Estava eu fazendo as unhas tranquilamente na varanda quando fui interrompida pelo celular.

- Jéssica…

- Não é a Jéssica. Você ligou errado.

- Mas esse número sempre foi da Jéssica. (E repete o meu número de telefone.)

- É esse número mesmo, mas faz mais de 10 anos que ele é meu.

E desligo.

Toca mais uma vez.

- É você de novo?

-Sou eu sim.

- A Jéssica só pode estar de brincadeira. Pára com isso Jéssica.

Desligo de novo.

Mais duas chamadas dessa vez a cobrar.

Nem atendo.

No fim, o SMS:

“Jéssica, obrigado. vc ainda vai precisar de mim. a vai!”

Entendo perfeitamente a praga.

Como médica novinha já falei muito: você ainda vai precisar de mim, ah vai.

E como pega.

Hoje mais velha, sei que nem precisa falar.

É só esperar.

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    Todo dia que chego no trabalho uma das funcionárias vem comentar como estou. Ou é a maquiagem, ou a roupa, o sorris. Sempre ela tem que falar alguma coisa.

    Não é daqueles elogios que a gente se sente bem, sabe? Entendem o que eu quero dizer?

    Eu fico imaginando o porque dela simplesmente não se arrumar, não se maquiar, não caprichar na roupa nem no sorriso. Tão simples.

    Um belo dia ela não aguentou.

    Veio afirmando categórica: diz aí o nome dele!

    - Dele quem?

    - Do seu amor! Você só pode estar amando!

    - Olha, Fulana. Eu tô amando sim. EU MESMA!

    Nunca mais me encheu.

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  • Sobre a Fama

    fame |f?m|noun1 the condition of being known or talked about by many people, esp. on account of notable achievements : winning the Olympic title has brought her fame and fortune.2 archaic reputation.3 archaic public report; rumor.

    Faz tempo que eu queria escrever sobre fama mas eu não queria ser mal interpretada.

    Há muitos anos atrás, São Francisco Xavier começou a ser frequentada por gente de televisão e cinema, gente famosa no sentido mais comum da palavra. Foi muito interessante porque o povo normal da cidade tratava esses famosos como gente normal, já que para eles não eram conhecidos.

    Tem uma história de uma apresentadora de televisão que passeou por aqui e ficou brava porque ninguém deu a mínima para quem ela era.

    Em compensação, aqui na cidade existem umas figuras que sempre estão na mira da atenção da população. Eu inclusive.

    O povo falava de mim, atravessava a rua para entrar na loja que eu estava para perguntar o que eu estou fazendo. Já organizaram novena pela minha saúde até. Todo mundo sabia onde eu estava, com quem, o que estava fazendo e como. E era assim com outras pessoas também.

    Por causa disso, eu brincava com um bordão: “famosos somos nós”.

    Fama é uma coisa relativa que depende do grupo populacional que você pertence. Se eu sou conhecida e admirada pela maioria da população de 8 mil habitantes da minha cidade, eu sou famosa aqui.

    Eu queria contar isso porque é importante que se saiba que fama não é só aparecer na televisão ou ter milhares de seguidores no Twitter. É se destacar positivamente no grupo que você pertence. E isso gera responsabilidades.

    As pessoas estarão falando de você. Vão comentar o que você fizer. E vão imitar seu comportamento.

    Pessoas que se destacam no grupo têm um poder de modificar esse grupo muito grande. E uma das formas de modificá-lo é através do exemplo.

    Ser uma personalidade pública implica em se comportar sabendo que o que fizer vai ter consequências no grupo.

    Se sua influência é boa, o grupo ganha, sua fama aumenta positivamente e sua atuação pesa ainda mais. É um feedback positivo.

    Se sua influência piora o grupo, sua fama passa a ser negativa e você pode continuar famoso pelas razões erradas, ou seja, não por seus feitos e qualidades e sim pelo mau exemplo.

    Todo mundo é famoso para alguém, não importa quão “famoso”, não importa o número de participantes do grupo em que ele atua, mas é famoso por ser comentado, por ter poder de modificação e influência. Por isso que socialmente a gente tenta mostrar o melhor de nós. E quando não estamos bem, o mais sábio e seguro é nos recolher e ficar quieto.

    E a fama pela fama?

    Segundo o dicionário aí em cima, fama implica ser conhecido e comentado por outros por ter conseguido algo, ter feito algo. Assim, existe uma ação do sujeito antes da fama.

    Eu acredito que pessoas equilibradas se alimentam e se satisfazem realizando as ações que os tornaram famosos e não pela fama que derivou dessas ações. Ou seja, o legal é o realizar, não o buscar a fama pela fama que é algo vazio.

    Fama vai e vem mas a estrutura interna da pessoa que realiza e constrói  independe dessa fama para se manter e para ser completa.

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  • Carrie ou Frances?

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, September 5th, 2009

    Na minha situação atual de escritora “to be” não posso deixar de lembrar de duas personagens marcantes na vida de muitas mulheres: Carrie Bradshaw e Frances Meyes.

    Carrie Bradshaw é mais conhecida. É a Carrie, figura principal de Sex And The City, que na série escreve livros sobre relacionamentos e conta sua própria história e de suas amigas à procura do Amor.

    Esse amor de Carrie apareceu como vários homens, mas um deles permeava toda série, Mr Big. Mr Big era o amor verdadeiro mas escorregadio de Carrie. Porém, no final do filme longa-metragem eles se casam e acontece o Happy Ending.

    Já Frances é a escritora que foge para a Toscana e compra uma casa lá após um divórcio muito sofrido. Todo o filme Sob O Sol da Toscana mostra Frances não procurando o Amor, e sim, se refazendo da perda dele.

    A figura masculina do companheiro no final é discreta. Ficamos sabendo que eventualmente o amor apareceu, mas vemos que com ou sem ele, Frances conseguiu ser feliz.

    Eu descaradamente me identifico com Frances. Desde a semelhança por morar num lugar exótico até pelas pessoas que a cercavam e me cercam. Minha história e de Frances são muito parecidas.

    Mas a minha ainda não acabou.

    E enquanto isso, eu escrevo.

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  • O Verbo Foder

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Saturday, August 29th, 2009

    Foder é um verbo muito interessante porque sua grafia varia de acordo com o que queremos dizer.

    Pode ser escrito com “O” ou  ”U”.

    O uso de cada uma desses vogais determina intensidade, requinte, mágoa, raiva, indignação, desprezo, tesão, alegria, sacanagem, etc..

    É bem diverso gritar um “vai se fudê!” de um “vai se foder!”

    “Foda-se” é universal. É com “O”.

    Agora “Fodeu” pode vir como “fo-deu”, duas palavras, ou “fudeu”, mais íntimo.

    “Vamos foder” não é tão gostoso quanto “vamos fudê”. Mas ambas as formas se aplicam dependendo da intenção.

    Eu prefiro particularmente “vai se fudê”. Expressa melhor meus sentimentos. Além do mais pode ser usada em diversas ocasiões de significados diametralmente opostos.

    Eu admiro muito esse verbo tão versátil. Ele dá imperativos maravilhosos!

    Agora por exemplo, estou entre um “foda-se” e um “vai se fodê”.

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  • Adoro Drummond

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 23rd, 2009

    Carlos Drummond de Andrade

    Os Ombros Suportam O Mundo

    Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

    Tempo de absoluta depuração.

    Tempo em que não se diz mais: meu amor.

    Porque o amor resultou inútil.

    E os olhos não choram.

    E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

    E o coração está seco.

    Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

    Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

    mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

    És todo certeza, já não sabes sofrer.

    E nada esperas de teus amigos.

    Pouco importa venha velhice, que é a velhice?

    Teus ombros suportam o mundo

    e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

    As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

    provam apenas que a vida prossegue

    e nem todos se libertaram ainda.

    Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

    prefeririam (os delicados) morrer.

    Chegou um tempo em que não adianta morrer.

    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

    A vida apenas, sem mistificação.

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  • Sobre Suicídio

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 23rd, 2009

    Quando eu tinha 17 anos um primo ficava me telefonando nas horas mais estranhas para conversar sobre o nada.

    Eu sempre tive paciência com as pessoas. Acho que já era meu lado médico de entender o sofrimento do outro.

    Mas esse primo telefonava para todos os outros primos e geralmente recebia uma negativa. “Fulano não está.” “Fulano está ocupado.” Porque todo mundo falava por trás que ele era muito chato. E ninguém aguentava o chato. Ninguém queria falar com o chato.

    Ele era um rapaz bonito, de família muito boa, inteligente.

    Uma noite, chegou de uma festa vestindo blaser e tudo e subiu até o último andar do prédio.

    Lá, tirou o blaser e dobrou direitinho na escada e se atirou pela janela.

    A mãe dele estava acordada na cozinha esperando o filho chegar e ouviu um grito de algo caindo.

    Era o filho.

    A notícia do suicídio dele foi um tapa na cara de todos os primos que se recusaram a falar com ele e o chamaram de chato.

    “Por que eu não atendi aquele telefonema?”

    Esse foi o primeiro suicídio que me marcou.

    O segundo eu já era médica e uma parente de uma amiga, uma mulher de meia idade que tinha apartamento no mesmo prédio que minha família na praia pegou uma faca de pão, daquelas serrilhadas e abriu sua barriga e se deu várias facadas no peito.

    Ela foi levada para o hospital onde eu fazia residência ainda viva e me pediram para acompanhar o caso. Eu a visitava todos os dias.

    O corte na barriga fez com que todos os órgãos internos saíssem para fora.

    Passado uns dias internada no hospital, ela se jogou da janela do quarto caindo na marquise da entrada do prédio e abrindo todos os pontos. Não morreu. Pegou uma infecção e ficou meses internada até se recuperar. Nunca mais soube dela.

    Nesse caso da mulher das facadas eu só conseguia vê-la como um caso cirúrgico e não sei dizer se houve cuidados psiquiátricos depois. Pelo menos até ela pular do prédio não estava sendo tratada como paciente psiquiátrica, pelo jeito.

    O terceiro suicídio que me marcou foi um caso na neurocirurgia de um homem que se deu 5 tiros na cabeça e não morreu.

    Ele estava desesperado sem dinheiro e foi até a garagem do prédio com um revólver e deu um tiro num ouvido. A bala entrou e encravou no osso. Ele ficou surdo mas não morreu. Então, deu outro tiro no outro ouvido, de novo, a bala encravou no osso e não morreu. Ficou surdo dos dois ouvidos. E ele não desistiu: deu um tiro na têmpora, a bala cortou o nervo óptico e ele ficou cego de um olho. Deu outro tiro na têmpora, ficou cego do outro olho. Por fim, deu um tiro na boca e a bala passou raspando na base do cérebro e se alojou no cerebelo. Não morreu. E aí entrou minha equipe.

    Imaginem o quanto a gente deu de risada por causa da incompetência do suicida que se deu 5 tiros na cabeça e não morreu. (Médicos podem ser cruéis.)

    Mas a abordagem desse paciente foi bem diferente: ele realmente queria morrer. Então, tomamos todas as medidas necessárias para que ele não conseguisse se matar enquanto internado sob nossos cuidados. E eu pessoalemente exigi um acompanhamento psiquiátrico para ele, além de janelas trancadas.

    Ele acabou morrendo de meningite um bom tempo depois após uma longa internação, por causa dos ferimentos.

    Quando eu ouço falar de suicídio eu lembro desses três casos. Claro que já presenciei muitos outros: enforcamentos, quedas de altura, overdose de medicação.

    Teve até um que se jogou na frente de um trem.

    Quando se chega ao ponto de querer de matar e se escolhe ficar vivo, cada dia é uma reafirmação dessa escolha.

    A gente vive só e morre só.

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  • Dia Difícil

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Wednesday, August 19th, 2009

    O dia começou normalmente como começa qualquer outro dia. Levantei, a cachorrada veio atrás de mim e fomos para a cozinha dar bom dia para a Graça e tomar o café com leite.

    Eu deixo o computador em cima da mesa enquanto tomo café para ir lendo as notícias, os feeds, me inteirar das coisas antes de começar a fazer o que tenho que fazer.

    O Skype pulava no Dock do Mackbook mostrando que tinha alguém querendo falar comigo.

    Fui ver, era um tarado do outro lado do mundo que bloqueei em seguida.

    Mas o Skype ficou ativo e vi que tinha muitos créditos para usar.

    E resolvi usar.

    Telefonei para os Estados Unidos para perguntar como ia minha amiga já que ela não deu mais notícias.

    Daí meu dia acabou.

    Uma hora conversando com ela e eu queria mais era pegá-la no colo ou lhe dar uns tapas tudo ao mesmo tempo.

    Tudo que eu falei deve ter entrado por um ouvido e saído pelo outro.

    Eu entendo que cada um tem seu tempo de metabolizar as coisas.

    Eu demorei meu tempo mas entendi o recado.

    Ela também vai.

    Quem ama não vai embora. Muito simples.

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  • Pimenta

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, August 16th, 2009

    Pimenta nos olhos do outro arde?

    Arde.

    Se você se importa com o outro.

    Se não se importa, não arde não.

    Hoje fui acordada por uma chamada com más notícias de uma amiga e fiquei bem triste.

    Ardeu bastante e ainda arde.

    Mesmo já tendo passado por situação semelhante a dela, me surpreendi por ter ficado tão triste.

    - Isso passa, Liliana?

    - Passa.

    - Quando?

    - Ah, não sei…

    O importante é a gente ter quem sinta o ardido também junto.

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  • medámedámedámedá!

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Friday, August 14th, 2009

    Todo mundo quer um pedaço da gente.

    Um coro de “me dá, me dá, me dá, me dá!”

    Parece um ninho de passarinhos de boca aberta, famintos.

    “Não dou, não dou, não dou, não dou, não dou!”

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  • Disco Fever

    Liliana | Admirável Mundo Velho,Filmes, TV e Séries | Wednesday, August 5th, 2009

    Sim, crianças, eu frequentava discotecas nos idos dos anos 70.

    Por que lembrei disso?

    Porque ontem recebi um email do nada menos “Tony Manero” de São Paulo, na época.

    Ele achou este blog, se lembrou de mim e escreveu mandando notícias.

    Eu respondi perguntando: mas é você aquele que dançava nas discotecas? E ele: sim, eu mesmo.

    Pois Tony Manero virou político, vereador e prefeito no interior  de SP e eu fiquei muito feliz por ele.

    Eu me lembro bem dele dançando: como dançava bem! E como ensaiava! Cada dança bem feita era precedida por horas e horas de ensaio.

    O capricho da roupa para dançar.

    A fama e o zum zum zum de quando ele chegava na discoteca.

    E os concursos de dança, como no filme Saturday Night Fever.

    Vi concursos no Papagaio’s, no Sírio, nem sei mais onde. Ele sempre ganhava.

    Eu nunca fui grande dançarina.

    Só sabia me chacoalhar e disfarçava bem.

    Uma vez pedi para minha avó costureira fazer uma roupa para mim. Era igual a da mocinha de um filme. Toda branca, de cetim que ficava brilhante na luz negra. Estreei a roupa numa disco do Guarujá no antigo cassino.

    Trinta anos depois Tony Manero surge num email.

    Oi, Tony!

    Saturday Night Fever

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  • Gaviões e outras coisas

    Liliana | Admirável Mundo Velho,Bichos Incríveis,Blogworld | Tuesday, August 4th, 2009

    Hoje os gaviões voltaram a sobrevoar o perímetro do terreno. Estava com saudades deles. Acho que é porque o tempo está mais bonito e o sol saiu.

    Chamei a Graça (moça) para vir correndo ver a dança dos gaviões. Muito bonito. Os cachorro brincavam no gramado e a gata no meu colo recebendo a dose dela de atenção.

    Os cachorros estão se acostumando com a gata. O Tai não surtou quando a viu no colo. A Graça (cão) a cheirou e continuou a brincar com a Joom La. O Gigio nem ligou. A Manilha não tem medo dos cachorros enquanto está no meu colo, já confia em mim. E os cachorros quando vêem o portãozinho aberto da garagem vão até o quarto da Manilha (meu consultório) para dar um “oi”. Mas não tentam morder ou pegar. Só cheiram.

    Faz 5 dias que não abro o Twitter e está sendo uma experiência muito interessante. A sensação é de se estar fora da coletividade borg. Vou permanecer fora por enquanto, não me deu nenhuma vontade de voltar. O que eu tenho para escrever, eu escrevo aqui, na minha casa que é o meu blog. E eu não tenho essa necessidade de ficar compartilhando tudo, o tempo todo com todo mundo. E também não tem como receber todas as informações do mundo o tempo todo. Tem que filtrar.

    O ser humano, assim como outros animais é um bicho social. Mas em nome do tal “social” limites ficam imprecisos, há excesso de informações para se analisar, discriminar e guardar. Vira uma grande distração do que é realmente importante. Tem que ter critério e qualidade para o que deixamos entrar em contato conosco.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Friday, July 31st, 2009

    Vocês já repararam que tem aquelas pessoas que quando te perguntam como você está, você sempre responde “tudo bem”?

    Mesmo que você esteja com um pedaço de ferro enfiado no peito, empalada num tronco, presa por correntes num esconderijo de serial killer, você sempre vai responder que “está tudo bem”.

    E tem aqueles que perguntam como você está e você responde sinceramente.

    E conforme sua resposta, vão mover mundos e fundos para deixar você bem.

    Sabedoria é saber distinguir um tipo do outro.

    Eu ainda estou aprendendo.

    Vocês já sabem diferenciar?

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  • Aniversário do Pouso da Apolo 11 na Lua

    Em primeiro lugar, eu já existia quando o Homem foi para a Lua pela primeira vez.

    Posto que sou velha, o pouso do módulo lunar entre os dias 20 e 21 de julho de 1969  foi uma das coisas mais importantes que marcou minha infância e minha vida.

    Quem me conhece sabe que eu tenho uma memória igualzinha daquela peixinha do Procurando Nemo, acho que é Dory, não lembro o nome. Porém, eu me lembro perfeitamente da cena daquele dia tão especial há 40 anos.

    Nós morávamos numa casa em cima da casa de meus avôs paternos e eles tinham uma televisão num sala que ficava na parte de trás perto do quarto. Não sei como eu sabia, não lembro dos detalhes, mas eu fui assistir o pouso ao vivo na casa deles e ninguém mais da família se interessou.

    Eu vi os astronautas darem seus primeiros passos absolutamente sozinha e sem ter com quem dividir minha excitação. E admirada que tal fato não tivesse despertado o interesse de mais ninguém.

    Lembro da televisão, lembro das imagens preto e branco, lembro dos chiados da transmissão e lembro como eu fiquei exultante achando a coisa mais maravilhosa do mundo.

    Foi nessa idade que resolvi ser astronauta e dediquei os anos seguintes para isso, porque eu achava de verdade que tudo era possível.

    Meu sonho passou a ser estudar no MIT ou ser a primeira mulher no ITA. E eu estudava para isso. Era o jeito que eu via de me tornar astronauta.

    Aos 12 anos de idade tive a oportunidade de conhecer um projeto novo da NASA no Cabo Canaveral. Eles chamavam de Space Shuttle e estava sendo desenvolvido. Visitei o hangar monstruoso e as torres de lançamento e foi uma das sensações mais incríveis.

    Eu faria qualquer coisa para ser astronauta.

    Meu sonho acabou por causa de um par de óculos.

    No primeiro ano do colegial, quando eu estudava na área de Exatas, percebi que não enxergava bem de longe.

    Na época, os astronautas eram simplesmente perfeitos, não podiam se dar ao luxo de usar óculos.

    E ao colocar meus óculos de míope desisti.

    Juro que no ano seguinte do colégio fiquei perdida, porque eu nunca tinha pensado em fazer mais nada além de ser astronauta. Mudei de escola para o colégio mais fraco e alternativo que eu conhecia e baguncei o ano todo.

    Um parênteses…

    Nesse colégio eu era amiga dos nerds, claro, e um amigo meu, ficou milionário com um programa que ele desenvolveu para o então uso de PABX e telefonia. Um garoto, no segundo colegial bolou um jeito de rastrear cada ligação de cada extensão de PABX. Bem legal. Esse programa foi vendido no mundo todo e isso era 1978.

    Ah, já falei demais…

    Olha, para quem ainda insiste que o pouso na Lua não aconteceu… Ah! Vai se catar!

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Músicas | Tuesday, July 7th, 2009

    Ben – Michael Jackson

    Provavelmente a primeira música que ouvi de MJ na trilha sonora de uma novela da Globo quando eu era criança.

    Caiu como uma luva.

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