A História da Minha Vida – ou – O Cachorro Me Mordeu

Eu gosto muito da palavra ” impressionante “.
Então, impressionante!
Tem o Jazz, o Yorkshire da pousada. Um cachorrinho já idoso e incompreendido.
Ninguém dá bola para ele, não entende que ele é de guarda e está apenas fazendo o trabalho dele ao latir.
Ele é escurraçado, desrespeitado, ignorado.
Eu morro de dó.
Pois a dona dele foi viajar e o deixou sozinho ao deus dará na pousada.
Ele ficou perdido, sem referência, tadinho.
E logo, logo ele estava me seguindo para todo lado e foi dormir comigo.
Dormiu em cima da cama, encostadinho na minha perna todo enroladinho. Chegou até a dormir em cima do meu braço. Dormimos abraçadinhos.
E eu conversei com ele, beijei, agradei, mimei.
Daí, ele passa uma noite fatídica na casa da filha da dona dele com umas crianças e volta “estressado” segundo descrição do pessoal da pousada.
O mesmo pessoal falou que ele sentiu falta de mim enquanto estava fora na reunião com o engenheiro.
Assim, me preocupei mais ainda e quis garantir que ele estivesse bem e acompanhado, para não se sentir sozinho.
E fomos dormir ontem.
Ele foi para cama e se enrolou na caminha que eu fiz com a colcha.
Fui dar um beijinho de boa noite na testa dele, como estava sempre fazendo e…. Tomei uma mordida no lábio inferior. Dois furinhos, muito sangue e uma boca de Angelina Jolie.
Bem, agora vamos analisar rapidamente o ocorrido.
O ser estava na pior.
Ninguém queria saber dele ou o respeitava.
Eu o acolhi e fiz de tudo para que ele se sentisse bem.
O ser me morde, me machuca e basicamente caga para mim.
E a pergunta que não quer calar: quantas vezes isso já me aconteceu?
Um monte. Com pessoas, claro, porque com animais essa foi a primeira vez.
Minha reação a isso no início era de incredulidade. E acabava dando nova chance para as pessoas me machucarem como se eu não tivesse entendido a mensagem.
E acho que eu não tinha entendido mesmo.
Tico e Teco não estavam conversando e eu realmente não percebia que aquele ser humano simplesmente não gostava de mim.
Depois de muitas mordidas simbólicas, eu finalmente me toquei.
E estava gastando vela boa com defunto ruim, para ser bem clichê.
Quando você se toca disso, tem duas alternativas.
A primeira, que eu tentei várias vezes, é querer mudar o outro para que ele passe a te tratar bem. Muitas vezes mudando a mim mesma para me adequar ao outro.
Só digo isso: NÃO FUNCIONA!
Puta roubada.
Não façam isso.
Essa atitude só te faz ser mais mordida. E ainda vai contra todo o seu ser. Você mesmo se machuca.
A segunda alternativa, que é a que estou adotando de tempos para cá, é cortar laços com quem me trata mal, me morde, mesmo que venha querer assoprar depois.
Disseram que essa minha atitude de cortar quem me faz mal iria me deixar só.
Absurdo!
Vejam só! Essas pessoas estavam me falando que era para eu continuar sendo mordida, por vontade própria! “Para não ficar sem ninguém!”
“Que eu era radical!”
Então eu sou radical mesmo!
Não quero saber de quem me machuca, me maltrata e me desrespeita.
E isso vale desde o cachorrinho até principalmente quem morava comigo.
Impressionante é o que se agüenta para não ficar só.
AGUENTAVA!
Parece besteira e óbvio o que estou escrevendo. Mas ainda a maioria de pessoas que vejo por aí precisam ler isso.
E eu bem que queria ter lido isso há uns anos atrás.
E vocês, quantas mordidas já levaram ultimamente?

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Médica e Blogueira.

16. August 2011 by Liliana
Categories: Admirável Mundo Velho, Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Comments Off