Gritos

Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, December 19th, 2009

Não foi a primeira vez que aconteceu.

Que eu me lembre essa foi a segunda.

Agora há pouco fui levar o Tai dar uma volta e ele queria porque queria descer pela estrada. Fomos indo com dificuldade. Ambos cansados visivelmente fazendo o que não podíamos.

Chegou num ponto da estrada que eu não aguentava mais. Ele queria continuar e eu queria voltar. A solução que encontrei foi deixá-lo lá no meio, no sol e voltar para casa onde a água do café estava fervendo. Eu precisava desligar o fogo.

Eu caí na estrada. Torci o pé direito.

Acho que meu corpo não aguenta mais e desabou.

A dor foi lancinante.

Eu gritei e gritei deitada no meio da estrada.

A pastora e a gata lado a lado olhavam para mim preocupadas do gramado.

Ninguém.

Eu pensava na água secando na panela. No cachorro largado no meio da estrada no sol forte. Na dor. E que não teria ninguém para me ajudar.

Nem tinha me preocupado de levar o celular porque só ia “até alí”.

Suspirei fundo. Me levantei. Pisei com cuidado e vi que podia andar até o fogão. Fiz o café.

Voltei para o Tai e o coloquei no cobertor para arrastá-lo de volta à casa pelos mais de 100 m. A dor… Ah, a dor!

Deixei o Tai confortável na sala, na sombra, com água e comida e fralda limpa.

E finalmente me sentei aqui no meu posto da cozinha.

Acendi um cigarro atrás do outro.

Fui vendo que além de ter torcido o pé, havia ferimentos na outra perna também, sangrando. Suando em bicas.

Preciso tomar um banho para limpar os ferimentos e tirar a terra e a poeira da estrada mas não consigo. Em vez disso, resolvi escrever aqui para desabafar. Vi um episódio de Nurse Jackie e ainda não sei se gosto da série. Dela eu não gosto.

Larguei a toalha do Tai lá na estrada.

Fico pensando como é que eu vou descansar nesses dias que tirei de folga assim sozinha sem ninguém para me ajudar.

Eu ia para Gostoso, depois eu ia para São Paulo mas estou muito cansada e como vou deixar o Tai sozinho?

O corpo da gente avisa quando é hora de parar. O meu avisou. Foi bem claro agora.

E o que que se faz?

Simplesmente se faz.

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  • 2 Comments »

    1. Oi Liliana, poderia ser pior. Você poderia estar num shopping lotado em São Paulo, aguentando horas no trânsito e suportando pessoas histéricas. Respire fundo eaguente firme. Você tem paz e não está sozinha: está na companhia dos melhores amigos que a gente pode ter. . Um beijo e feliz natal!
      Cris

      Responder

      Liliana reply on December 21st, 2009 12:13 pm:

      Beijos! E Boas Festas!

      Responder

      Comment by Cris Del Nero — December 20, 2009 @ 12:21 pm

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