Balanço de Novembro

Liliana | Minha vida num sítio | Monday, November 30th, 2009

Nem sei por onde começar.

Eu resolvi tirar uns dias livres no final de dezembro e para isso eu fui trabalhar todas as 3a. e 5as. pela manhã nesse mês de novembro. O resultado foi que eu esperava uma jornada de trabalho decente e no lugar simplesmente tiraram o meu couro. Entupiram de pacientes a minha agenda e eu fiquei extremamente cansada. Minha qualidade de vida ficou uma porcaria.

Eu apenas me arrastava de casa para o trabalho e vice versa.

Em casa as coisas não eram mais fáceis. O Tai dá trabalho. Os outros exigem bastante. Pela primeira vez na vida eu desejei não ter mais bichos.

Não quero mais.

Agora entendo as pessoas que falam que não vão pegar mais bichos. Empapucei.

Ao mesmo tempo, nesse mês de novembro eu experimentei com minha medicação para ver se eu emagrecia. Porque o remédio engorda, é fato. E eu não tenho mais roupas para usar e isso me deixa muito triste. Tive que voltar às doses anteriores mas descobri que estava fazendo hipoglicemia, por isso a fome. E pelo menos parei de engordar. Para variar, estou esperançosa que em dezembro eu consiga emagrecer um pouco já que conheço melhor meu problema.

Além de estar extremamente cansada com o trabalho e os bichos, cansei de São Francisco.

Por duas vezes uma barreira caiu na minha rua primeiro me prendendo para fora de casa e depois me prendendo dentro de casa por dois dias. Fiquei sem luz, sem telefone e completamente ilhada. Se eu tivesse um treco, ia morrer sozinha aqui em casa porque não tinha acesso de ninguém, nem a pé.

Resolvi que assim que tiver dinheiro quero construir em Gostoso e me livrar das chuvas para sempre. Não sei quando isso vai acontecer mas farei o possível.

Meu Macbook queimou numa das tempestades. O bom é que eu tinha um outro computador de reserva que é o que estou usando agora como principal. O técnico disse que era a placa lógica e que não valia a pena consertar. Era melhor comprar outro. Como o Mac queimado funcionava tudo menos o teclado e o HD, troquei o HD e comprei um teclado e mouse externos e dá para usar como se fosse um desktop.

Bem, basicamente é isso.

Fico feliz que novembro esteja acabando pois acredito que dezembro vai ser bem melhor.

O importante é que aprendi muito sobre mim, sobre os outros, e espero não repetir os erros desse mês. E espero ter tranquilidade para enfrentar as coisas que não dependem de mim.

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Saturday, November 21st, 2009

    Mais uma semana se passou e eu aqui firme e forte.

    O Tai vai bem. Ele acostumou a andar pelo gramado pelo menos duas vezes por dia com a toalha segurando a traseira e parece estar bem satisfeito. Porém quase toda noite tem que dormir com sedativo para não me acordar de madrugada.

    O Pepê ainda morde tudo e todos. Ele só sabe se relacionar pela boca e percebo que já está se refreando um pouco de me abocanhar para chamar a atenção e interagir. Ele sobe na minha cama enquanto estou dormindo, escondido e deita-se em cima de mim, como um gatinho de mais de 20 quilos.

    A Graça vai bem, mas o tumor na traseira cresceu. Tenho que providenciar a cirurgia mês que vem quando eu tirar uns dias de férias.

    Joom La é minha companheira noturna de cuidar do Tai. Ela agora é quem me segue pela casa enquanto os outros dormem.

    O Gigio está ótimo. Brinca com os mais novos e não me chateia.

    O Mario some e aparece à vontade. Quando a gente acha que ele foi embora, ele está no meio da sala e eu quase piso nele.

    Mais dois sapos apareceram na varanda. Sapos genéricos, feios. Um entrou em casa e eu mandei embora com a vassoura. De sapo, só o Mario que eu acho bonitinho.

    O trabalho para variar está puxado. Minha agenda fica cheia todos os dias. Ninguém falta. Não tenho tempo de nada.

    Resolvi aceitar o cargo de diretoria técnica da Unidade e agora estou esperando ser empossada.

    Esta semana meu Macbook queimou numa tempestade. Deixei baixando séries e fui trabalhar. Quando voltei o teclado e o som não funcionavam. Falei com o técnico da assistência técnica da Apple e ele disse que provavelmente era placa lógica, que significava praticamente perda total do computador.

    Ao mesmo tempo, o HD de 500 que eu tinha comprado para ele chegou. Instalei o HD no meu notebook reserva e configurei tudo e o estou usando agora.

    Ainda não sei o que vou fazer com o que queimou. Já instalei um teclado externo USB e o teclado funcionou, porém, o trackpad deu defeito. Assim, acho que vou comprar um mouse USB e experimentar.

    Por várias razões esta semana eu fiquei pensando na Medicina como A Arte de Curar.

    Hanneman, o criador da Homeopatia dizia isso: é a arte de curar.

    Ser médico envolve o conhecimento técnico e um “quê” a mais para fazer a sintonia fina entre o paciente e seu tratamento. Cada caso é um caso. Cada paciente é um indivíduo diferente e único, uma singularidade. E para poder absorver essa totalidade do paciente devemos olhar “de fora da caixa”. O que serve para um, pode não servir para o outro. Tratamento individualizado é a arte de curar.

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Monday, November 16th, 2009

    Alguém do Twitter disse que o Tai era o House e eu estou acreditando nisso.

    O pequeno cachorrinho peludo me escravizou. Mais um final de semana em casa só às voltas com ele, fazendo todas as vontades. E como ele chora! E pede.

    Uma hora quer passear de toalha, outra hora quer correr atrás da gata(!) sendo que eu que tenho que carregá-lo. Ele mexe as patinhas da frente com rapidez e eu vou acompanhando recurvada carregando a parte de trás do corpo dele numa toalhinha de rosto. Ontem ele passeou pelo gramado quase todo, foi até atrás da garagem. Passeou 3 vezes! Eu fico exausta e nem descanso da semana puxada porque ele não dá um minuto de sossego.

    E se eu tento colocá-lo em algum lugar que ele não quer, mudá-lo de posição contra a vontade, ele morde. Tomei uma mordida na mão esquerda porque ele queria ficar na varanda. Nessas horas eu largo tudo, respiro fundo e vou para meu quarto fugir de bichos por pelo menos uma hora. Mas não passa 20 minutos ele começa a chorar de novo me chamando. “Cadê você, mamãe?”

    Eu praticamente não tenho mais vida. Só cachorros, só o Tai. É do trabalho para casa correndo para cuidar do pequeno tirano.

    O Tai não faz essa manha toda com a Graça assistente. Agora por exemplo, que é hora dela cuidar dele e eu poder ficar livre por umas horinhas, ele dorme gostoso. Ele sabe que eu estou pertinho cuidando do sono dele.

    Eu sei que a culpa deve ser minha. Sempre a culpa é minha se minha vida fica de um jeito que eu não gosto. E não estou gostando. Confesso.

    Tenho que fazer mudanças. Mas enquanto dentro do problema fica difícil ver o panorama geral e ter idéias.

    O trabalho está puxado. Todos os dias eu tenho agenda cheia e só casos empepinados. Está sendo muito intenso. Em compensação, a população da cidade e a chefia estão muito satisfeitos e querem que eu trabalhe mais. Ofereceram a Diretoria Técnica para mim mas eu ainda não aceitei.

    Lidar com médicos não é fácil. Existem dois tipos: os de ego tranquilo e os de ego frágil. Os tranquilos gostam de discutir casos, aprender uns com os outros, respeitam sua opinião, sua formação, hierarquia. Os de ego frágil têm a necessidade de se autoafirmar o tempo todo, não discutem casos, fogem e são grossos. No meu trabalho encontro os dois tipos. Trabalhar com outros médico onde há diálogo é uma delícia. Mas eu não tenho a mínima vontade de me relacionar com médicos idiotas e é o que teria que fazer se fosse diretora.

    Será que eu viro a Cuddy de fato?

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    Liliana | Moda e Beleza | Sunday, November 8th, 2009

    Está fazendo um calor muito grande e maquiagem pesada não combina muito com sol e suor.

    Então como fazer para ficar com a cara boa e ao mesmo tempo não destoar do clima?

    Eu não uso pó nem nada em pó em dias de muito calor quando sei que vou suar e quero ficar com um aspecto bem natural.

    Após cuidar da pele com tônico, soro e loção com protetor solar, eu aplico com os dedos uma base líquida numa camada bem fina que mal cobre as imperfeições. Ainda aparecem minhas pintinhas e sardas mas a base dá uma uniformizada na cor do rosto.

    Depois, coloco blush cremoso também. O suficiente para dar uma cara saudável.

    Uso corretivo líquido em torno dos olhos e por todas as pálbebras fazendo as vezes de sombra e iluminando o olhar.

    Máscara preta bem aplicada.

    E por fim um gloss.

    Tenho reparado que a máxima “menos é mais” é perfeita.

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    Liliana | Querido Diário | Saturday, November 7th, 2009

    Acho que bati algum tipo de recorde essa noite.

    Com exceção do Tai, todos os meu bichos foram ao meu quarto dormir comigo. Graça, Gigio, Joom La, Pepê, Mario que dorme lá faz umas 3 noites e agora a Manilha a gata.

    Quando acordei vi pedaços do forro da minha cama pelo chão e apenas um gato faz essas coisas. Chamei o nome dela e ela respondeu com um miado vindo debaixo da cama.

    Entrou pela janela aberta.

    Mas o que faz uma gata entrar num quarto com 4 cachorros por livre e espontânea vontade?

    Eu não contei antes mas ela tem medo de mim porque eu sou a “mulher dos cachorros”. Ela foge quando me vê.

    Ontem a noite ela estava na varanda com o Loshas, o primo do Mario, que por sinal é nojento. O que o Mario é bonitinho, o Loshas é feio. Então… A Manilha se encontrou com a Joom La e ficaram “brincando” ou melhor conversando por um tempo até eu chamar a Joom La para dentro. E ao chamar a Joom, eu peguei a Manilha no colo e ela não fugiu. Acho que isso foi um sinal que ela queria mais companhia e por isso foi parar no meu quarto.

    Confesso que me acostumei com o Mario ao lado da cama. Eu continuo com minha aversão por sapos e pererecas, mas o Mario é diferente. Acho que é o tratamento de choque de dormir com um sapo a poucos centímetros da sua cara que está me curando da aversão.

    Sabe, Diário, eu estou meio cheia de tanto bicho. Eu queria ver mais gente, sair mais. Porém o trabalho está tão puxado que quando eu chego em casa e acabo de tratar do pessoal daqui, só quero ir para cama ficar vendo séries no computador.

    Ontem encontrei um amiga e ela me perguntou “e os amores?” E eu tenho tempo? Tenho espaço para isso? Ela falou para eu beijar o Mario para ver se virava em príncipe. Conversar com o sapo, eu já converso. Beijar acho improvável.

    Mas cansa ser a tal da mulher forte. Um dos plantonistas, muito gracinha, sempre fala para mim: nossa, Liliana como você é forte!

    Eu queria ser mulherzinha fraquinha um pouquinho. Pode ser de vez em quando. E por algumas horas alguém tomar conta de mim.

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    Liliana | A UPA,Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Wednesday, November 4th, 2009

    Eu tive o melhor feriado do mundo!

    Não saí de casa nenhum dia. Fiquei de Havaianas, shortinho e top sem pentear os cabelos e óculos. Super a vontade.

    Dormi tudo que precisava dormir e voltei a me sentir forte e disposta como há anos não me sentia. O esforço físico de tratar do Tai junto com a calor e o sol maravilhoso fizeram maravilhas para meu organismo.

    Descobri que quando eu fumo muito, tenho sintomas de envenenamento por nicotina. Nunca ia imaginar que era tão fácil ficar envenenada. Diminui a quantidade de cigarros e quero muito parar de fumar. O bem estar sem o cigarro é visível. Porém, sou completamente viciada e diminuir a quantidade consideravelmente já e um grande passo.

    Os bichos passaram bem o feriado. Grudados em mim. Até o Mario, o sapo, insistiu em ficar perto do grupo.

    Eu descobri que o Tai consegue andar com ajuda de uma toalha na barriga apoiando o quadril. Ele adorou e tem passeado pelo gramado. Agora preciso providenciar aquele aparelho fisioterápico com rodinhas.

    Estava tudo muito bem, tudo muito bom até que acordei na terça-feira já preocupada em pagar as contas. O primeiro dia útil do mês é o pior dia para mim, o mais tenso. Acordei já meio chateada e fui para minha mesa na cozinha quando o computador avisa: “UPA Reposição”.

    Eu me esqueci completamente que havia combinado no trabalho que ia trabalhar todas as terças e quintas de novembro o dia inteiro para tirar uns dias em dezembro. Saí correndo e cheguei com quase meia hora de atraso.

    Eu detesto fazer as coisas correndo, com pressa. Odeio.

    Foi um dia interessante no trabalho. Não foi tão ruim apesar do começo torto. Atendi dois esquizofrênicos e ambos estavam em mal estado clínico. E ambos estavam internados em hospitais até pouco tempo. Isso significa o que eu sempre falo: que não se dá a devida importância para a parte clínica dos pacientes psiquiátricos.

    Doentes psiquiátricos têm mais outras doenças associadas que as outras pessoas. E a medicação que tomam favorece muito isso.

    E aconteceu uma coisa engraçada. Uma paciente chegou com o filhinho pequeno que começou a mexer em tudo pela sala. Ela mal impedia o menino de pegar nas minhas coisas. Uma hora, o garoto foi no interruptor de luz e ficou apagando e acendendo a luz do consultório. Por reflexo eu falei dura: para com isso menino! Como se estivesse falando com o Pepê. Foi tão automático dar a bronca já que eu fico dando bronca nos meus filhotes em casa o tempo todo. Expliquei para a mãe que estava tão acostumada a dar bronca e nem me toquei. Ainda bem que ela riu. De fato, meus cachorros são mais bem educados que aquela criança.

    Enfim, cheguei em casa e achei o Tai espumando e semi-consciente. Ele estava em hipertermia, o que é fatal. Foi uma correria para diminuir a temperatura corporal. Peguei um balde de água gelada e fui molhando o corpo dele até a temperatura abaixar. Meia hora depois ele já estava mais consciente e conseguiu beber água. Foi por pouco. Que susto. O resto da noite ele ficou irritado e muito cansado, obviamente. Até agora está quieto sem querer se mexer.

    Depois da emergência com o Tai, ainda fui cuidar das despesas da casa e só acabei minhas obrigações lá pelas 10 da noite.

    Que dia! Tudo que eu descansei em 5 dias, cansei num só.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Bichos Incríveis | Sunday, November 1st, 2009

    O veterinário disse que ele não andaria mais e que eu devia sacrificá-lo.

    Mas não é assim que eu vejo.

    Eu vi um paciente com uma deficiência e fui atrás de como deixar sua vida a mais completa e confortável possível.

    Muni-me de todo um aparato para cuidar dele. Acredito que muitos idosos e deficientes não tiveram essa oportunidade.

    Ele reagiu bem. Curou-se da pneumonia, as escaras estão fechando. Come e bebe bem.

    Porém começou a chorar e eu não sabia o porque.

    Ele queria andar de novo, ir para a grama e dar a voltinha dele diária como fazia toda manhã.

    Levei na grama e observei ele levantando a parte da frente do corpo sem forças de alinhar as pernas de trás. Peguei uma toalha de rosto e fiz uma barrigueira com ela e o suspendi até ele ficar de quatro.

    Ele saiu andando todo feliz pelo gramado, cheirando tudo, comendo graminha, interagindo com os outros cachorros enquanto eu ia atrás segurando o maior peso do quadril. Cansou-se rápido e teve que voltar deitadinho no cobertor. Mas fez seu xixi de pé, como há muito tempo não fazia.

    No dia seguinte, fomos de novo fazer a fisioterapia/passeio no jardim. Ele andou bem mais. Estava muito mais forte. As perninhas de trás aguentaram muito melhor. Quis ir ver a gata. Mas a Manilha, esperta, não apareceu.

    Eu estou escrevendo isso porque o grande diferencial é que o paciente quer melhorar. Não tem nada mais broxante para um médico do que um paciente que não dá a mínima para a própria saúde. Como dizem, dá uma preguiça danada gente que não quer ficar melhor. Gente que acha que está bom assim mesmo. Ou gente que não se importa de estar ruim.

    Vejo esse tipo de gente como médica e no meu dia a dia. Como médica eu tenho uma postura que só meus pacientes sabem qual é. Mas como pessoa, eu procuro me afastar de gente assim. Passa o tempo e o discurso do fulano é o mesmo. As queixas são as mesmas porque nesse tempo todo o dito cujo não mexeu uma palha para melhorar sua situação, se melhorar como pessoa. Esses não merecem falar com meu anjo.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Sunday, November 1st, 2009

    Há alguns anos atrás, estava viajando para os Estados Unidos, ia na Disney, Miami, essas coisas.

    Bem, a companhia aérea, que eu não lembro o nome fez o que fazia sempre: overbooking.

    Já estávamos na sala de embarque quando avisaram que nem todos poderiam viajar.

    Foi um auê.

    Com toda minha classe pedi ao funcionário para ser transferida para um hotel e que pegaria o próximo voo.

    Fui levada a um daqueles hotéis maravilhosos próximos ao aeroporto de Guarulhos, com tudo pago, obviamente. Onde comi, bebi, dormi e esperei o motorista me buscar para o primeiro voo na manhã seguinte.

    Meu destino final era Orlando, não era Miami, e eu havia perdido a conexão, claro. E as malas já tinham sido embarcadas no voo do dia anterior e estavam num depósito em Miami. Assim, cabia a mim e aos outros comigo resgatarmos nossa bagagem para continuar a viagem.

    Cheguei aos Estados Unidos sem bagagem nenhuma. Só com minha bolsa. O funcionário da imigração achou muito chique viajar sem bagagens. E eu, fina, mantive a pose.

    No aeroporto de Miami foi um problema. A tal companhia aérea brasileira não tinha escritório próprio lá. Um funcionário de outra companhia fazia as vezes de funcionário deles. E o homem era um grosso e só chegaria na hora do voo da outra companhia. Assim, tínhamos que esperar o tal voo.

    Para esperar com classe, fizemos o check in no hotel do aeroporto de Miami, o dentro do aeroporto. E ficamos confortavelmente esperando dar a hora certa.

    Pegamos nossas malas e seguimos viagem na conexão nova, acertada pela companhia, claro.

    Passeamos e nos divertimos muito.

    Na vinda, novo problema.

    Em Miami embarcaram nossas malas e vieram de novo com a história de overbook. Mas dessa vez eu não deixei passar. Não ia permitir que minhas malas chegassem em São Paulo sem a minha presença. Provavelmente ia encontrar duas malas em vez de uma, se é que me entendem.

    Fui no balcão da companhia aérea ao lado e fiz o que a gente vê em filme: saquei o cartão de crédito e pedi duas passagens para o Brasil no próximo voo, agora.

    A funcionária me vendeu as passagens, segurou o avião que já estava saindo e como ela estava acompanhando toda a confusão com a outra companhia me deu um upgrade para a primeira classe para compensar meus desabores.

    Voltamos em grande estilo e chegamos ao mesmo tempo que as malas.

    Mas a viagem não acabou por aí.

    Processamos a companhia aérea, ganhamos e todas as nossas despesas foram ressarcidas além de um troco para viajar depois.

    É assim que faz.

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