Brinks
Com essa coisa nova de Listas do twitter, a graça é ver os nomes das listas das pessoas.
Fui colocada numa lista chamada Brinks.
Eu não sei o que significa isso agora. Se é bom ou se é mau. Mas há muito tampo atrás, Brinks era uma gíria usada pela minha equipe de neurocirurgia.
Foi nos idos de 1990, quando houve um duplo atropelamento por um caminhão da Brinks.
Os dois caras chegaram ao PS da Santa Casa de SP completamente detonados pelo caminhão com traumatismo cranioencefálico grave.
Eu era a R4 responsável e tinha que triar os pacientes porque havia apenas uma equipe para duas pessoas. Imediatamente um paciente virou Brinks 1 e o outro Brinks 2.
Operamos o Brinks 1 que se recuperou mais rapidamente porque a situação era mais favorável.
Brinks 2 não era cirúrgico. Foi colocado num Takaoka (um pequeno respirador) no PS e medicado para posterior avaliação. Surpreendentemente, Brinks 2 sobreviveu e foi transferido para nossos cuidados de enfermaria onde permaneceu por muitos meses em coma vigil.
Novamente a surpresa, Brinks 2 acordou do coma.
Lembro exatamente do leito onde ele ficava no DC-1.
O tempo todo ele foi chamado de Brinks, perdeu o 2 porque o 1 tinha recebido alta há muito tempo.
Mas só quando acordou do coma e começou a falar é que começamos a chamá-lo pelo nome, o que eu esqueci nessa altura do campeonato.
Mas sempre que eu vejo, ouço, leio a palavra Brinks me vem à mente aquele homem atropelado que sobreviveu por muita sorte.













