Paz e Sossego
Eu já fui viciada em adrenalina.
Teve uma época na minha vida que se eu não estivesse salvando vidas e abrindo cabeças eu achava todo o resto chato e sem graça.
A mesma coisa com os sentimentos. Se não estivesse visceralmente envolvida com algo ou alguém, a vida era muito chata.
Ninguém pode dizer que minha existência até hoje foi desinteressante. História atrás de história, aventura atrás de aventura. Algumas fui eu fui procurar, outras a aventura me achou.
Mas a gente paga um preço por viver no limite das emoções. Cansa muito e tem o período para se refazer.
Tanta coisa aconteceu comigo durante o último ano que fiquei muito cansada e pela primeira vez desejei na vida paz e sossego.
E tomei algumas decisões. Elas vão desde continuar morando em São Francisco Xavier, voltar a trabalhar na prefeitura, até o que eu quero para mim num relacionamento. Até a forma de me relacionar com meus bichos está mudando. Não quero mais passar o stress que passei com o Gigio no feriado, não quero mais passar stress.
Para quem não conseguia viver sem emoções fortes, sentir a paz e sossego agora é uma experiência bem radical e gostosa.
Eu acredito que isso foi um processo que começou no meu divórcio há quase dois anos e eu demorei esse tempo todo para me achar de novo. E apareceu uma Liliana bem diferente do que eu conhecia. Muito interessante porque uma vez experimentada essa ausência de extremos, não dá mais vontade de sair desses limites confortáveis de paz e sossego.
É possível viver tranquila e feliz.
