O dia acordou lindo e ensolarado aqui em casa e eu dormi bem, até tarde.
Preguiçosa, tentei tomar o café requentando de ontem mas estava intragável e me dei um café novinho, cheiroso, quente.
Para me acompanhar no café tardio resolvi ver um filme que baixei ontem, Mamma Mia, com músicas do ABBA. Mas não fui direto para o filme.
Calmamente fui passear pelos vídeos do Youtube ouvir as músicas, ler as letras e a sensação de calma que eu experimentava se transformou num turbilhão de sentimentos dançantes.
Amores que se foram, amores por vir, esperanças…
Então resolvi assistir de fato o filme.
Sentei-me em minha escrivaninha no meu escritório na frente do computador.
As portas duplas bem abertas para o gramado e para a linda vista das montanhas e o céu azul.
Logo no começo do filme, percebo que o filme é para mim: mulher madura, a mãe da noiva, não a noiva. E sou transportada para a Grécia.
Conheci a Grécia há muito anos, ainda na época que me sentia obrigada a ter uma vida normal.
Mas todo lugar que eu visitava eu via com olhos de potencial moradora. Eu me apaixonei por Rhodes, e queria ficar lá. Mas claro, não fiquei. Demorou mais uns anos até eu me libertar das convenções e sair fora de tudo. Sendo tudo o normal e o esperado.
Mas a Grécia é linda.
Enquanto lembrava de meus passeios por aquelas ilhas ao som do musical, de repente percebi dois olhos diferentes me fitando com curiosidade.
A dez metros de mim, um enorme macaco preto com cara branca andava tranquilamente atravessando o gramado e me olhava. Curioso.
Eu olhei para o macaco e demorou uns segundos até perceber que não era um dos meus cachorros na minha frente. E fiquei olhando de volta o macaco quieta até ele sumir atrás da paineira. Mais sensações incríveis passaram pelo corpo. Um macaco me olhando! Passeando! Enorme!
E tudo se misturou na minha cabeça, Grécia, as Montanhas, as escolhas que fiz, o que perdi, o que ganhei.
Amores.
Quando o macaco já estava seguro me levantei e fui com a câmera atrás dele. E comigo foram os cachorros, claro. Tirei fotos de longe, não dá para ver direito.
Absorvida no meio de música, macaco e lembranças e esperanças senti uma alegria incrível.
Uma sensação de felicidade mágica.
Eu desejo que todos vocês possam experimentar isso também um dia. É o supra-sumo de toda uma existência dando uma sensação boa, de que valeu tudo a pena.