Chega

Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Wednesday, September 30th, 2009

Hoje oficialmente me retiro do cenário do turismo de SFX.

Um idiota me acordou às 7 da manhã perguntando se na minha pousada tinha whisky.

Eu expliquei que não era bem uma pousada, era minha casa. Então ele quis que eu indicasse pousadas “boas”.

Indiquei as mais caras da cidade.

E decidi que não quero mais saber de receber ninguém na minha casa a não ser os amigos.

Retirei todos os posts sobre minha hospedagem, deletei o blog, chega.

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    Liliana | A UPA | Tuesday, September 29th, 2009

    Acabei de voltar do meu primeiro dia de trabalho lá na UPA/UBS de São Francisco Xavier.

    Muita coisa mudou desde a última vez que trabalhei lá como clínica geral.

    Esses primeiros dias serão para eu me familiarizar com os protocolos e os prontuários informatizados.

    Mas o que eu queria mesmo contar é que os pacientes são anunciados para os médicos pelo Skype! Eu recebo o nome, o número do paciente e os dados da pré-consulta. Muito chique.

    Isso significa que a “UPA”, como é carinhosamente chamada por todos, tem uma ID Skype.

    E se quiser pode marcar hora de consulta pela internet.

    Muito chique mesmo.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Monday, September 28th, 2009

    Tem um lagarto enorme morando na manilha da estrada na chegada da casa. Grande mesmo. Tentei tirar uma foto mas quando peguei o celular ele já estava se escondendo. Saiu só o rabo.

    A gata Manilha foge de mim. Acho que ela associou minha pessoa com os cachorros grandes e foge quando eu apareço. Mas ela é bem amigável e carinhosa com a Graça e Seu Zé. Ela cresceu bastante e se tornou uma gata bem bonita. Forte e aventureira em sua coleira cor de rosa.

    O Tai está praticamente paraplégico. Ele me exige o tempo todo até de madrugada. Fico bem cansada carregando-o para todo canto e dando comida e água na boca. Ele chora pedindo para ir fazer xixi, para entrar em casa, para sair de casa, porque está sozinho, porque o gato branco foi roubar comida da varanda. Hoje 4 da manhã ele estava aos berros me chamando. Eu o agrado, acalmo, puxo com o cobertor e torço para ele dormir e sossegar.

    Pesquisei e vi uma cadeira de rodas para cachorros. Não sei se ele se daria bem na cadeira. Ele provavelmente vai tentar morder quando formos colocar a cadeira e tirar.

    A geladeira queimou na última tempestade que acabou a luz. Faz seis dias. E o técnico só pode vir amanhã. Tenho colocado sacos de gelo que compro na padaria dentro dela e tem resfriado bem. Minha comadre de Miami disse que faz a mesma coisa quando tem furacão por lá e eles ficam sem luz por até 20 dias.

    Eu ainda estou me recuperando da besteira de tomar remédio vencido. Faz menos de duas semanas que voltei com o remédio certo e ainda não tenho todos os efeitos da medicação. Mas me sinto muito melhor. Parece que finalmente estou chegando no equilíbrio que eu queria e vou poder ir atrás do prejuízo. Sendo o pior prejuízo estar com 7 quilos acima do peso graças à medicação. Também estava fumando muito e já comecei a diminuir.

    Tenho dormido bem, quando os cachorros deixam. E tenho sonhado muito, o que é bom sinal.

    Esta semana começa uma nova rotina para mim: o meu trabalho no posto de saúde como clínica geral. Vai ser legal.

    Bem, acho que eram essas as notícias aqui de casa.

    E vocês? Como vão?

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    Liliana | Minha vida num sítio | Tuesday, September 22nd, 2009

    Eu não queria ir à dentista hoje. Esqueci completamente. A Graça que me lembrou que eu tinha hora às 3.

    Eu já estava pronta para descer na cidade e fazer compras e já tinha adiado essa ida way too much.

    Então fui.

    Imaginei que ia deitar na cadeira da dentista e soltar o corpo como faço e tentar cochilar.

    Era uma limpeza daquelas. E achei que ela ia dar anestesia.

    Para minha surpresa, ela não deu a anestesia e começou a cutucar meus dentes e gengivas furiosamente.

    Eu soltei o corpo, relaxei bastante e fiquei sentindo cada cutucada.

    Depois de alguns minutos, a boca toda já estava meio numa dor só. Uma coisa só, sensível.

    Mas era muito bom!

    Não era dor de dente, de nervo. Era uma dor gostosa.

    Uma dor de quem está vivo.

    Como as dores quando a gente está fazendo massagem num músculo dolorido.

    Uma sensação gostosa passou pelo meu corpo todo. Relaxamento e estar viva ao mesmo tempo.

    Música tocava na minha cabeça: Fix You do Coldplay.

    Foi muito bom!

    Não vejo a hora de voltar lá.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Monday, September 21st, 2009

    Acabei de contar para o Seu Zé sobre o macaco que veio me visitar e mostrei as fotos para ele. Queria saber que espécie de macaco era.

    Seu Zé olhou e deu a opinião: é macaco africano. Ele descreveu perfeitamente o comportamento calmo e quieto do macaco e os pelos pretos e cara com pelos brancos.

    Segundo Seu Zé, não havia desse tipo de macaco aqui. Aqui só havia muriquis, saguis, bugios mas esse tipo era africano, estrangeiro.

    “O povo solta esses bichos aqui e agora tem bastante.”

    “Tem até leão.”

    “LEÃO? Como assim, Seu Zé? Tem certeza? Deixa eu te mostrar um foto de um leão.”

    “É esse bicho mesmo. Bonito ele. Tem uma cabeça bonita, peluda.”

    “Seu Zé, você está falando que tem leão aqui em São Francisco? Quando você viu um leão? Aonde?”

    “Eu vi faz uns 5 anos, lá no Queixo D’Anta. E o compadre também viu lá no Santa Cruz. É um bicho maior que a Graça (minha pastora preta enorme) mas estava magro.”

    “Tem certeza que era um leão?”

    “Tenho.”

    Então, vou acreditar no Seu Zé.

    Tem leão em São Francisco Xavier.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Sunday, September 20th, 2009

    O dia acordou lindo e ensolarado aqui em casa e eu dormi bem, até tarde.

    Preguiçosa, tentei tomar o café requentando de ontem mas estava intragável e me dei um café novinho, cheiroso, quente.

    Para me acompanhar no café tardio resolvi ver um filme que baixei ontem, Mamma Mia, com músicas do ABBA. Mas não fui direto para o filme.

    Calmamente fui passear pelos vídeos do Youtube ouvir as músicas, ler as letras e a sensação de calma que eu experimentava se transformou num turbilhão de sentimentos dançantes.

    Amores que se foram, amores por vir, esperanças…

    Então resolvi assistir de fato o filme.

    Sentei-me em minha escrivaninha no meu escritório na frente do computador.

    As portas duplas bem abertas para o gramado e para a linda vista das montanhas e o céu azul.

    Logo no começo do filme, percebo que o filme é para mim: mulher madura, a mãe da noiva, não a noiva. E sou transportada para a Grécia.

    Conheci a Grécia há muito anos, ainda na época que me sentia obrigada a ter uma vida normal.

    Mas todo lugar que eu visitava eu via com olhos de potencial moradora. Eu me apaixonei por Rhodes, e queria ficar lá. Mas claro, não fiquei. Demorou mais uns anos até eu me libertar das convenções e sair fora de tudo. Sendo tudo o normal e o esperado.

    Mas a Grécia é linda.

    Enquanto lembrava de meus passeios por aquelas ilhas ao som do musical, de repente percebi dois olhos diferentes me fitando com curiosidade.

    A dez metros de mim, um enorme macaco preto com cara branca andava tranquilamente atravessando o gramado e me olhava. Curioso.

    Eu olhei para o macaco e demorou uns segundos até perceber que não era um dos meus cachorros na minha frente. E fiquei olhando de volta o macaco quieta até ele sumir atrás da paineira. Mais sensações incríveis passaram pelo corpo. Um macaco me olhando! Passeando! Enorme!

    E tudo se misturou na minha cabeça, Grécia, as Montanhas, as escolhas que fiz, o que perdi, o que ganhei.

    Amores.

    Quando o macaco já estava seguro me levantei e fui com a câmera atrás dele. E comigo foram os cachorros, claro. Tirei fotos de longe, não dá para ver direito.

    Absorvida no meio de música, macaco e lembranças e esperanças senti uma alegria incrível.

    Uma sensação de felicidade mágica.

    Eu desejo que todos vocês possam experimentar isso também um dia. É o supra-sumo de toda uma existência dando uma sensação boa, de que valeu tudo a pena.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Saturday, September 19th, 2009

    Já que estou em fase nova de vida e com emprego garantido, posso voltar a escrever mais despreocupadamente aqui no blog.

    Então para começar, vou contar a última merda que eu fiz.

    Sim, eu faço merda de vez em quando. Mas minhas merdas são merdas federais. Não são merdinhas.

    Eu enfio logo o pé na jaca.

    Para economizar uns trocados, eu fiquei tomando remédio vencido.

    Aquele remédio que eu tenho que tomar todo dia senão meu cabelo cai e escamas surgem nas minhas costas.

    Moral da história fiquei bem doente e engordei alguns quilos. E ninguém descobria o porquê que eu tinha piorado tanto.

    Até que eu lembrei do remédio vencido.

    Tomei bronca até da empregada por causa disso.

    Agora é esperar o remédio bom fazer efeito, o que demora umas duas semanas e correr fazer regime.

    Então, crianças, já sabem: nada de tomar remédio vencido.

    (Podem falar: casa de ferreiro, espeto de pau. Podem falar.)

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    Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, September 19th, 2009

    Quando eu vim morar em São Francisco Xavier há 12 anos atrás, eu vim fugida de São Paulo. Cansada de tudo e de todos e inclusive da minha profissão.

    Não deu uma semana e eu estava na calçada, de bermuda, camiseta e Havaianas conversando com outras mulheres e o assunto era se valia a pena aprender a ler. Vi que basicamente estava fudida e que morreria de tédio logo, logo.

    Foi quando descobriram que eu era médica e me convidaram para trabalhar de clínica geral no posto de saúde. Eu nunca tinha feito aquilo e me pareceu interessante.

    Pouco tempo depois estava efetivada pela Prefeitura de São José dos Campos e tinha virado a Dra. Liliana de São Francisco Xavier.

    Mas a minha vida não é simples.

    Depois de uns anos fiquei muito doente e tive que sair de licença para um tratamento muito longo.

    E não me deram muita escolha: ou eu pedia demissão ou era aposentada por invalidez com todos os contras de ser aposentada precocemente.

    Eu definitivamente não me sentia inválida, então, pedi demissão de meu cargo público.

    Na época, eu estava bem financeiramente e não precisava trabalhar.

    Daí, há pouco menos de dois anos eu escolhi seguir meu coração o que me levou a um divórcio que me custou muito dinheiro e perdi minha estabilidade financeira.

    O único trabalho que existia para mim de novo aqui em São Francisco seria aquela vaga no posto de saúde, meu antigo cargo.

    Fui conversar com eles e eles se mostraram muito interessados que eu voltasse. Mas tinha toda a burocracia de concursos públicos e nomeações.

    Prestei o concurso e aguardei o chamado que aconteceu semana passada.

    Ontem passei no exame médico admissional e fui efetivada no cargo.

    Começo a trabalhar dia 29 de setembro, toda tarde.

    Fiquei muito tocada porque criaram o cargo para mim tal a vontade de me terem de volta trabalhando com eles. Isso significa muito ser tão querida.

    Por um lado parece que voltei a estaca zero. Mas prefiro pensar que foi como uma espiral, que apenas estou passando pelo mesmo ponto mas de uma forma completamente diferente.

    Obviamente que meus planos do nordeste estão suspensos indefinidamente. Vou curtir minha casa, meus bichos, o trabalho novo, escrever meus livros, me recuperar desses últimos anos que foram punk.

    Se eu me arrependo de alguma coisa? Não. Eu sempre olho para frente.

    E quem vive intensamente tem sempre as melhores histórias para contar.

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    Liliana | Midias Sociais | Thursday, September 17th, 2009

    Eu tenho que ir toda semana ao correio lá na praça principal porque não entregam correspondência aqui no sítio.

    Abri a caixa postal e tinha um aviso para pegar um pacote no balcão. Já pensei: deve ser algo do banco porque não comprei nada na internet e não estava esperando nenhum pacote.

    Qual minha surpresa quando o rapaz pegou o maior pacote de cima da mesa e me deu.

    Tomei um susto!

    Quando apareci com o pacotão, minha assistente pessoal (porque a Graça foi promovida) me olhou com cara de desaprovação e eu fui logo falando: eu juro que não comprei nada! Juro!

    Bem, fomos abrir o pacote.

    E dentro tinha uma caixa da Hellmann’s com um pote de maionese e um prato.

    Enfim, ficamos muito felizes com o pote de maionese e em seguida pensamos: o que fazer?

    O tal prato era uma senha para um site exclusivo que mostrava receitas feitas com Hellmann’s.

    Ficamos mais inspiradas ainda e resolvemos bolar uma receita nossa com o que a gente tinha em casa.

    E fizemos nossa Soja com Molho de Hellmann’s.

    Ficou muito legal.

    Mas o que deu vontade mesmo de comer foi o tal Frango Crocante. Um empanado de frango com queijo e Hellmann’s, mas infelizmente não tínhamos o ingrediente principal: o frango.

    Mas logo. logo resolverei essa deficiência emplumada.

    Para conhecer mais receitas feitas com Hellmann’s visite o Recepedia.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Wednesday, September 16th, 2009

    Eu comecei a ver um filme que tinha tudo para eu gostar.

    Os atores, a trama… O filme prometia.

    Porém, 12 minutos se passaram e nada tinha de fato acontecido. O filme ainda estava apresentando a rotina dos personagens e nenhuma história, nenhum drama, nada.

    E por melhor que estivesse apresentando os personagens, esses 12 minutos ficaram muito chatos.

    Moral da coisa: parei de ver o filme.

    Um filme, um livro, um post, uma música ou o que quer que seja tem que nos conquistar rápido, em poucos minutos ou segundos dependendo do caso.

    Não adianta nada fazer um puta final se as pessoas não conseguem passar do começo. Que dirá chegar ao meio!

    Mensagens devem ser claras e eficientes para não termos dúvida do seu conteúdo e não desistirmos dela antes do principal ser entregue.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Tuesday, September 15th, 2009

    Escrevi um post bucólico sobre abrir minha janela do quarto e ficar olhando as estrelas. E de como a vida fecha portas e agente é quem abre as janelas das novas oportunidades.

    Muito legal. Tudo certo.

    No entanto, nem sempre o que entra pela janela é bom.

    Faz duas noites que não durmo por causa de um mariposa de uns 20 centímetros.

    A desgraçada entrou pela janela há duas noites atrás e ficou voando pelo quarto com um ruflar de asas insuportável. Parecia que tinha um morcego de tão grande e barulhenta.

    É só eu apagar as luzes que ela voa.

    Quando eu acendo, ela fica paradinha lá em cima do teto, alto demais para eu alcançá-la.

    E que barulho!

    E ela teima em voar por sobre meu rosto me dando a maior aflição.

    Eu nunca quis matar bichinhos até conhecer a tal mariposa do mal. Fico desejando um estilingue com mira a laser para abatê-la sem dó.

    Estou um caco.

    Não durmo há duas noites.

    E não adianta nada fechar a janela agora porque a mariposa já entrou.

    Quanto tempo dura uma mariposa?

    E sim, ela ainda está lá no teto.

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    Liliana | Blogworld | Sunday, September 13th, 2009

    Eu já tenho a rotina de me sentar na cozinha com minha caneca de café com leite e ler os feeds e notícias do dia.

    Domingo é dia de Post Secret. Um blog no qual pessoas enviam seus segredos anonimamente em cartões postais para serem publicados.

    Todo domingo que eu vejo os segredos dos outros fico pensando nos meus próprios segredos e como gostaria de poder gritá-los para o mundo em busca de aceitação.

    A gente quer gente que nos aceite mesmo com nossos piores segredos.

    Ler Post Secret é um exercício de aceitação do outro, de conhecer o ser humano, de se comparar e também de se aceitar.

    Mas segredos pesam tanto!

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  • Um Beato para a Atéia

    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Saturday, September 12th, 2009

    Eu sou atéia.

    Mas isso não tem nada a ver com o fato de eu ter um Santo Antonio na minha sala de estar.

    Ganhei o Santo Antonio ainda adolescente da minha avó materna para eu poder torturá-lo a vontade.

    E eu torturei. Ah, como torturei!

    Coloquei de cabeça para baixo, dentro do armário, no escuro. Sozinho.

    Xinguei bastante Santo Antonio. Bastante.

    E quando finalmente casei, agradeci ao santo por finalmente ter feito o que era para fazer mesmo: me arrumar um marido.

    E o Santo Antonio pode ir descansar numa prateleira da cristaleira observando quieto minha vida adulta.

    Aposentado.

    Hoje fiquei conhecendo um amigo dele, São Gonçalo do Amarante, que não é bem santo, é beato, mas todo mundo chama de santo. E confesso que estou reticente quanto a fazer amizade com esse santo-beato português.

    Vou explicar. Ele é o protetor dos violeiros, das putas e dos casamentos difíceis das mulheres de mais de 35 anos.

    Não sou violeira.

    Não sou puta. Juro.

    Mas infelizmente caio na categoria de casamentos difíceis de mulheres de mais de 35 anos.

    Até eu saber que existia um padroeiro dos casamentos difíceis das mulheres de mais de 35 anos eu lhes digo não estava preocupada com o assunto.

    Mas agora eu sei que existe um santo, não, um beato (mas serve), todo dedicado a me ajudar a casar de novo!

    Eu, as putas e os violeiros não estamos mais abandonados.

    Mas a dúvida que me incomoda é se devo fazer logo amizade e cair sob a proteção do Gonçalinho e deixar ele me arrumar um marido como ele faz com as putas.

    Ou talvez seja melhor comprar uma viola.

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    Liliana | Blogworld | Saturday, September 12th, 2009

    Estou desassinando mais blogs dos meus feeds.

    Há uns meses, comecei a acompanhar uma série de blogs de um assunto muito específico. Eu lia os posts com atenção e interesse em busca de informação nova sobre o tal assunto. E ao ler com atenção, reparava na última linha dos posts onde estava escrito “para saber mais” ou equivalente. Ou seja, a fonte do tal artigo postado.

    Passei a assinar os blogs originais, de onde tiravam a tal informação.

    Então, recebia feeds americanos e os brasileiros.

    Com o tempo fui percebendo que os posts dos blogs brasileiros eram apenas resumos mal feitos dos posts americanos.

    E o pior: não se acrescentava nada ao conteúdo chupado dos americanos. Nem uma opinião, nem uma resenha, nada.

    Não é errado pegar inspiração ou informação em outros blogs. Mas justamente um blog requer a visão de seu autor. E é essa opinião, esse trabalho crítico em cima da informação que faz o conteúdo ser original. Porque cada pessoa é original.

    Infelizmente há muita replicação de conteúdos sem elaboração dos mesmos. E muita gente está entendendo isso como bom, por isso o sucesso desses blogs.

    Se todos fossem direto às fontes e parassem de prestigiar apenas replicadores, o panorama da blogosfera seria bem diferente.

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    Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, September 12th, 2009

    Hoje em dia ter carro ficou muito mais fácil. São incontáveis prestações a perder de vista.

    Mas ter carro é mais do que pagá-lo. Tem a manutenção e os impostos. E o seguro.

    Eu sempre que vejo concursos oferecendo carros caríssimos para os ganhadores fico pensando nas despesas que essas pessoas estariam se metendo além do lindo presente de 4 rodas. E fico imaginando que se eu ganhasse um carro num concurso eu o venderia imediatamente. Prefiro minha parte em dinheiro.

    Há quase doze anos eu consegui comprar o carro dos meus sonhos: um Defender Land Rover inglês igual ao que via na série Daktari.

    Eu o comprei seguindo a filosofia dos Defenders: para sempre e para qualquer ocasião. Para nunca mais me preocupar com carros na vida.

    Para isso, eu tive que investir bastante. Tive que escolher construir uma casa ou comprar o carro. Escolhi o carro e deixei a casa para depois.

    E daí começou a manutenção e os impostos.

    E o seguro.

    Uma vez conversando com um amigo, ele estava na dúvida se ficava com um carro importado ou se trocava porque não tinha como pagar o seguro. Não dá para ter carro e não ter seguro. E ele acabou trocando de carro.

    Setembro é o mês que eu tenho que pagar o seguro do Defender. Recebi a proposta de renovação da seguradora que eu uso mas quis fazer uma cotação com outras. Foi quando descobri que não seguram carros importados com mais de 8 anos, me obrigando a manter minha seguradora atual que ainda se dispõe a segurar o jipe.

    Um Defender de alumínio de 12 anos ainda é criança nas minhas contas, mas já deu para sentir a pressão para se trocar de carro.

    Um sujeito há um tempo atrás veio me perguntar se eu andava em BMW velha insistindo que ele tinha uma novinha na garagem. Eu respondi que meu carro tem 12 anos, eu realmente não ligo para idade de carros.

    Eu ligo para a função.

    A tal BMW acabou atolando na estrada porque ele não quis ir com meu jipe.

    Precisou vir meu empregado com um fusquinha desatolar a BMW.

    O carro é uma extensão nossa. Serve de apêndice para nos locomovermos, aparecermos em sociedade, uma máscara para nos mostrarmos ao mundo.

    Meu jipinho vermelho é a minha cara.

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