Começou a Guerra Contra a Merda

Liliana | Filosofando, Minha vida num sítio | Thursday, April 16th, 2009

Eu poderia escrever sobre o significado da merda enquanto simbolização de conteúdos digeridos pelo inconsciente e sua expressão mitológica monstruosa como ser independente e silencioso tomando de assalto com sua presença fétida e líquida os recôndidos das instalações sanitárias de meu lar.

O fato é que as fossas sépticas de casa, são duas no total, estão atoladas de merda. É tanta merda que não sei como, elas se interligaram e agora se tomo banho no meu chuveiro, a merda sai na garagem.

O solo está tão encharcado que não há vazão do esgoto.

Estou literalmente na merda.

Ficar na merda é um processo. Da mesma forma que uma fossa não se enche de uma hora para outra, uma pessoa não se vê na merda de repente.

A gente tem sinais que algo não está certo. E infelizmente poucos de nós prestamos atenção a esses sinais e tomamos providências logo no início. É uma descarga que não esvazia rapidamente, um ralo entupido, uma irritação aqui, outra acolá.

Quando se percebe, tem merda saindo por todos os lados e você perde a paciência. Quem olha de fora poderá pensar: “mas o que aconteceu com essa pessoa? Parecia que estava tudo bem!” Mas não. A merda estava acumulando.

E daí, com merda pelas tampas, qualquer cocozinho já é suficiente para uma reação exagerada.

As bactérias que limpam fossa chegaram hoje. Já fui no correio pegar e joguei em todos os ralos e privadas. Mas não sei se na atual conjuntura vai ser suficiente para arrumar o estrago. Eu não gostaria de ter que desenterrar as fossas e todo o encanamento e estragar o gramado.

Mas é claro que a merda real é apenas uma parte da merda simbólica. Porque a gente produz merda o tempo todo e tem que fazer algo com ela, dar o destino certo. Trabalhar a merda. Estou seguindo com meus planos de vida, transformando merda em ouro. Mas devo estar preparada para novas mudanças para justamente não acumular mais merda. E não ter mais que lidar com a materialização de meus problemas saindo pelo ralo da garagem.

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  • 5 Comments »

    1. ai liliana!!!! espero que voce resolva esse problemao logo!!! boa sorte com as bacterias!!!

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      Comment by tatiana dutra e mello — April 17, 2009 @ 4:54 am

    2. Shit just happens. We must learn to deal with it…

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      Comment by Enio Luiz Vedovello — April 17, 2009 @ 12:15 pm

    3. Estou lendo “Ensaio sobre a Cegueira” e o q vc contou parece até o estado em que o Mundo se encontra depois que a “epidemia” cegou a todos. Interessante analogia…

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      Comment by Dagwood — April 18, 2009 @ 12:17 am

    4. Aloha Liliana!
      Embora seja um cartógrafo, e não um engenheiro sanitário (que é um engenheiro de merda!) há algumas possibilidades a serem consideradas para resolver o problema.
      O problema vem de baixo, ou de cima?
      Dependendo da topografia do terreno da casa, e da região, algumas intervenções menores poderiam resolver o problema, a médio prazo.
      Posso imaginar alternativas mas sugerir alguma coisa agora ia me fazer parecer o House da Engenharia …
      E citando Forrest: “Shit Happens!”
      Abraço apertado e
      Aloha!
      p.s. Em ambos. :)

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      Comment by Luis Santos — April 24, 2009 @ 2:25 am

    5. [...] com quem não compreende meu erro, nem mesmo quer saber de sua existência. É a hora de começar a sair da merda. De pedir desculpas, dizer que errei, que entrei num buraco e tô tentando sair, mas agora não vai [...]

      Pingback by O Erro | Groselha News — May 1, 2009 @ 9:25 pm

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