Estou numa briga tremenda com o peso.
Eu peso exatamente 63,9 pesados hoje pela manhã e preciso chegar a 56. Além da questão de entrar nas minhas roupas, tem a parte de saúde, ordens médicas: colesterol alto, hipertrigliceridemia, tendência a diabetes, essas coisas. Olhando para mim, não estou gorda pois meço 1,71m, mas estou acima do peso que eu fico bem.
A gente engorda basicamente por um motivo: ingesta maior de calorias do que se gasta. Eu engordei por problemas hormonais ano passado, isso significa que o corpo não queimava as calorias que devia. Apenas uma pequena quantidade de gente engorda por problemas hormonais, a grande maioria não tem esse tipo de disfunção. O fato é que comem demais, mais do que precisam para manter o corpo funcionando.
Mas por que alguém come demais?
Porque buscam na comida algo além do que ela pode oferecer enquanto nutriente e combustível. A comida passa a ter uma função psicológica.
Prazer, carências, alívio de atress, recompensas, solidão, amor, a comida aceita tudo. A comida preenche o vazio existencial, a falta de estima, a falta de amor próprio, enfim, sentimentos bons que deviam vir de dentro para fora, vindos da própria pessoa para ela mesma, vem da comida de fora para dentro, de um modo artificial.
Quando falta recheio interno de coisas boas dentro da pessoa, a tendência é enfiar coisas gostosas comendo.
A comida perde sua função de substrato energético e passa a ter função de apoio emocional.
A relação com o alimento fica deturpada.
Tem gente que só sabe se relacionar com os outros através de comida. Por exemplo, aquelas mães que entopem seus filhos com guloseimas por não saberem expressar o amor de outra forma.
Mas qual seria uma relação saudável com o alimento?
Seria aquela na qual a pessoa ingere o necessário para manter suas funções vitais funcionando perfeitamente numa massa corporal saudável para idade e altura. Nem mais, nem menos.
Assim, o que entra me mim tem que ter qualidade. Piadinhas a parte, é a pura verdade: não vou colocar para dentro qualquer coisa de qualquer jeito.
A hora da refeição é uma hora importante de calma e concentração. Para se escolher o que vamos ingerir e de que forma vamos ingerir. E principalmente a quantidade. Não se deve comer de qualquer jeito, com descaso. O descaso na alimentação reflete um descaso consigo próprio.
Modificar o que se come e o quanto se come é muito mais complicado que simplesmente tomar anfetaminas. Por isso que elas não funcionam a longo prazo. O objetivo é refazer todo um relacionamento com a alimentação e para isso geralmente é necessário analisar o atual papel da comida na vida da pessoa e modificar isso. É o “pensar magro”.
Quando se escolhe, porque no fundo é uma escolha, não mais usar a comida como alívio de sensações internas ruins, obrigatoriamente temos que trabalhar essas sensações ruins de outra forma. Daí, deve-se olhar de frente para a carência, para a insatisfação ou para qualquer que seja a sensação ruim que a comida estava aliviando e mitigá-la de outra forma. O ideal é resolver o problema e não mais apresentar o sentimento ruim. Infelizmente muita gente prefere não lidar com o que realmente incomoda a elas e ficam dando voltas em torno do sintoma de expressão do incômodo.
Eu costumo dizer que se foi um comportamento que o deixou gordo, apenas uma mudança no comportamento vai emagrecer.
Estar no peso ideal é um compromisso para vida toda. É prestar atenção a qualidade de vida no sentido que sua vida deve ter uma tal qualidade que todos os aspectos devem estar satisfeitos: emocionais, nutricionais, afetivos, etc. E buscar essa satisfação dá trabalho e requer empenho. Realmente é muito mais fácil se entupir de comida.
Eu prefiro continuar na busca pela minha felicidade verdadeira.