Resfriado!

Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Tuesday, March 31st, 2009

O que acontece se você atender um monte de gente com resfriado?

Você fica resfriada!

O resfriado é a primeira causa de visitas ao médico.

E o médico resfriado o que faz? Não vai no médico. Fica em casa tentando descansar e deixar o corpo travar a batalha contra os bichinhos malvados que o invadiram.

Repouso e cama. E líquidos. Só.

E o resfriado passa sozinho depois de uns dias.

Se a gente se alimenta bem, bebe bastante líquidos e dá chance para o corpo se recuperar, a infecção costuma se resolver sem maiores problemas. Nem precisa de remédios.

São poucos os casos de resfriado que se complicam. E aí sim, precisa ir ao medico.

Quem tem alguma doença de base tipo diabetes também deve tomar mais cuidado pois o resfriado pode descompensar essa outra doença.

Agora na entrada do outono os resfriados aumentam. 

Resfriado, não é uma questão de “se” e sim de “quando”.

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  • A Tensão e o Alívio

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, March 29th, 2009

    Fazia muitos anos que eu não dava plantão e não atendia emergências.

    A maioria dos casos que a gente atende é coisa simples que a gente fica pensando o porque que a pessoa resolveu ir ao médico. Entendo que que os pacientes vão nos procurar por coisas simples por insegurança. E é nossa função assegurar que está tudo bem, que vai passar, que não há nada para se preocupar.

    Porém, a razão principal de um plantão médico é atender aqueles casos realmente graves. E fazia um bom tempo que eu não atendia casos assim. Ou seja, casos de vida ou morte.

    Eu já estava desacostumada a sentir aquele medo perfeitamente compreensível de ser responsável pela vida de outrém. Ainda mais onde eu trabalho: num posto a 60 km do hospital mais próximo e com recursos bem limitados. E o que tenho para fazer? Dar o primeiro atendimento, tirar da emergência e transferir o paciente para o hospital de referência num ambulância pequenininha por uma estrada superperigosa. Sozinha com um auxiliar de enfermagem e o motorista.

    Atendi dois casos graves neste último plantão. E consegui entregá-los bem estabilizados no hospital com os recursos que eu dispunha.

    Depois que passa a tensão, a sensação é uma as melhores do mundo, de salvar a vida de alguém. Ela é proporcional à tensão que se sente. E vocês podem imaginar o alívio que se segue.

    Há anos eu tinha desistido de me expor a essa tensão porque isso desgasta muito. Mas tinha esquecido a sensação boa de um trabalho bem feito dessa natureza.

    Aqui fica minha homenagem a todos que trabalham com Emergência, médicos e enfermagem.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, March 29th, 2009

    - Doutora, eu machuquei o joelho jogando futebol e está doendo. Daí, eu fui jogar de novo e doeu mais.

    - Querido, eu trabalhei 24 horas sem parar e sem dormir, por que eu estou assim?

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    Liliana | Blogworld | Thursday, March 26th, 2009

    Queridos do meu coração, minha blogagem está garantida por mais um ano.

    Lembram que eu falei que estava com problemas com o Google Adsense?

    Pois é, ele pagou finalmente! Meu primeiro pagamento.

    Eu não sou problogger milionária como o outro cara que mora aqui e ganha um monte de presentinhos tipo cremes para o rosto e barrilzinhos de cerveja e meu Adsense é pífio. Então, uma vez por ano eu recebo o pagamento para pagar as despesas com os blogs e mais um troquinho para comprar ração para os cachorros gordos aqui de casa.

    O Cardoso bem que falou há uns dias: a situação está tão feia que logo, logo eu vou ter que namorar uma blogueira do blogspot.

    No que eu respondi: mais um pouco e pode deixar que eu me mudo para lá eu mesma!

    Well, não vou precisar me mudar este ano.

    Aleluia!

    Porque o mínimo é que meus blogs paguem suas próprias despesas.

    Agora, me aguentem…

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    Liliana | Minha vida num sítio | Thursday, March 26th, 2009

    A Graça estava indo embora ontem, a Graça moça, não a Graça cã, e voltou dizendo que estava saindo água do meio da terra na frente da garagem. Cardoso e eu fomos correndo lá ver com a cachorrada atrás e constatamos que a água minava do chão. O próximo passo foi correr para a torneira mais próxima e ver que estávamos sem água nos canos. Ai, caceta, outro vazamento!

    Peguei o celular e liguei imediatamente para Seu Zé pedindo socorro. Ele falou que não podia vir naquela hora e só poderia consertar o problema no dia seguinte, ou seja, hoje.

    Ficamos a noite inteira sem água.

    Hoje de manhã Seu Zé abriu um buracão na frente da garagem e contou que lá passavam 4 canos enormes e eu nem sabia! Eu jurava que os canos corriam mais para o cantinho da estrada. Bem, ele descobriu o vazamento e consertou e eu fui tomar banho.

    Porém, ele havia fechado uns registros da caixa d’água e fechou a água fria para a casa. E esqueceu de abrir. 

    Jorrava água quente do boiler do aquecimento solar no telhado.

    E eu quase cozinhei no banho.

    Semana passada tivemos outro vazamento no cano que vem do poço e ficamos também sem água. 

    Aparentemente o tal cano chegou no limite de tempo dele. E é hora de dar manutenção em tudo.

    Ter um casa é cuidar bem dela, fazer a manutenção das coisas, pintar, envernizar, trocar canos… Cada coisa que a gente tem significa uma despesa em manutenção.

    Eu gosto de cuidar bem das minhas coisas para elas durarem bastante. Hoje eu vi um episódio de South Park sobre a crise e havia uma crítica ao consumismo. Se a gente cuida, não precisa consumir tanto.

    Eu também gosto de fazer bem feito de primeira para não ter que ficar repetindo outras vezes depois. Sai mais barato também.

    Eu detesto frases de efeito mas tem aquela famosa: quem ama cuida…

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    Liliana | São Francisco Xavier | Wednesday, March 25th, 2009

    A crise chegou para todo mundo e aqui em casa não foi diferente. Por isso tive que tomar providências e mudei radicalmente minha abordagem de trabalho.

    Depois de anos, fui dar plantão.

    Lá fui eu dar uns plantões avulsos aqui na UPA de São Francisco Xavier. E ontem foi o primeiro deles.

    Confesso que estava bem destreinada mas depois de algumas horas parecia que nunca tinha parado. Principalmente porque os pacientes não paravam de chegar.

    Parece que eu bati uma espécie de recorde de atendimento porque foi uma quantidade absurda de gente. A chefe do posto pedia desculpas e falava: “ai doutora, aqui não é assim não. Aqui é tranquilo. Não sei o que está acontecendo.”

    Eu só ria, para não perder o bom humor.

    Uma enfermeira falou que a culpa era do Seu Acácio que descobriu que eu estava atendendo e saiu falando na cidade. Acho que não chega a tanto, mas que eu escondi meu jipe para ninguém saber que eu estava de plantão, eu escondi.

    Eu mal tive tempo de conversar e tomar cafezinho com o povo de lá e matar as saudades do tempo que eu era a clínica geral do posto.

    Que pena que não posso colocar aqui os “melhores momentos do dia”. O House ia adorar. Mas eu garanto que eu sou  muito mais simpática e paciente que o House.

    No geral foi bem legal e divertido. Consegui dormir um pouco, e o mais importante acredito que todos os pacientes saíram satisfeitos.

    Eu adoro ser médica.

    Bem, sexta-feira tem outro plantão. Disseram que é bem tranquilo…. Eu estou duvidando. Depois eu conto como foi.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Monday, March 23rd, 2009

    Sabe quando você não tem o que escrever?

    Estou passando por uma fase assim.

    Não que minha vida não esteja agitada e cheia de novidades. Não é isso.

    Mas por exemplo, fiquei broxada com o blog por causa do Google.

    Eu nunca recebi um tostão do Google desde que tenho blog. Deixei acumular o dinheiro até ter suficiente para fazer um resgate que valesse a pena. Quando chegou na hora de receber o dinheiro e pagar as despesas dos blogs, o Google não pagou e me fez entrar num loop infinito de emails e requerimentos. Estou nisso há meses. E acredito que ninguém pode se dar ao luxo de mexer com algo que não rende nada. Eu não posso. Hoje fiquei mais esperançosa porque a aviso de “pagamento retido” e “entre em contato conosco” finalmente desapareceu da minha página do Adsense. Deu uma animada e me devolveu a esperança que vou receber meu dinheiro. Vamos ver.

    Outra coisa que me broxou de vez e me fez mudar radicalmente de estratégia de vida é a morosidade da Justiça. A Justiça é lenta, todo mundo sabe, mas além dela ser lenta, as pessoas envolvidas com ela também o são. Estou descontente. Muito.

    Eu fico pensando o que as pessoas achariam se os médicos se comportassem como os outros profissionais.

    “Você está morrendo? Espera aí que agora eu não posso…” “Morre daqui a pouco porque eu tenho outras coisas pra fazer.”

    Ou então, que as pessoas tivessem que pedir para os médicos para “capricharem” no atendimento.

    “Capricha aí porque eu estou passando mal.”

    Eu não tinha esse conceito de “capricha”. Fui saber dele quando tive uma confecção de roupas aqui em São Francisco e eu tentei formar mão de obra. Eu tentava ensinar a costureira a fazer umas bolsas e saia uma merda. Tentei ensinar de toda forma e nada. Até que pedi para uma amiga minha professora para ela ensinar a moça achado que minha didática não era boa. Pois minha amiga chegou para a costureira, olhou bem para ela e falou: CAPRICHA! E a moça começou a costurar direito.

    Nunca tinha passado pela minha cabeça que alguém não fizesse o seu melhor, podendo fazer.

    Não se fala para o médico: capricha aí na cirurgia!

    Só tem dois jeitos de fazer: o certo e o errado.

    Infelizmente estamos num mundo cheio de gente que precisa de outras pessoas gritando “CAPRICHA” na orelha. Triste isso.

    Bem, mas vamos deixar para lá…

    Espero poder dar boas notícias em breve.

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    Liliana | Política não vivemos sem. | Wednesday, March 18th, 2009

    Clodovil morreu.

    Em quem vou votar nas próximas eleições?

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  • Black Boys On Mopeds

    Liliana | Admirável Mundo Velho,Músicas | Sunday, March 15th, 2009

    Eu estava fazendo esteira ouvindo o iPod quando tocou uma música da Sinéad O’Connor, Black Boys On Mopeds e ela cantava assim:

    “…These are dangerous days
    To say what you feel is to dig your own grave…”

    Isso me pegou fundo porque eu nunca me senti tão calada.

    Porque, a não ser que você fale as coisas certas, você está cavando sua sepultura.

    Tudo que se fala é escrutinado e julgado e você é aprovado ou reprovado e carimbado para todo o sempre com algum adjetivo.

    E se eu falar que eu não dei a mínima para o comercial do Doritos? Que eu não achei nada demais? Que já vi melhores mas não me chamou a atenção em absoluto?

    Para vocês, Sinead O’Connor:

    Black Boys On Mopeds (Sinead O’Connor)

    Margareth Thatcher on TV
    Shocked by the deaths that took place in Beijing
    It seems strange that she should be offended
    The same orders are given by her

    I’ve said this before now
    You said I was childish and you’ll say it now
    “Remember what I told you
    If they hated me they will hate you”

    England’s not the mythical land of Madame George and roses
    It’s the home of police who kill black boys on mopeds
    And I love my boy and that’s why I’m leaving
    I don’t want him to be aware that there’s
    Any such thing as grieving

    Young mother down at Smithfield
    5 am, looking for food for her kids
    In her arms she holds three cold babies
    And the first word that they learned was “please”

    These are dangerous days
    To say what you feel is to dig your own grave
    “Remember what I told you
    If you were of the world they would love you”

    England’s not the mythical land of Madame George and roses
    It’s the home of police who kill blacks boys on mopeds
    And I love my boy and that’s why I’m leaving
    I don’t want him to be aware that there’s
    Any such thing as grieving.

    Sinead O’Connor – Black Boys On Mopeds

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, March 15th, 2009

    Eu não sou uma pessoa preguiçosa. Por isso não entendo a preguiça.

    Mas eu entendo de depressão e talvez haja um paralelo entre elas.

    Na depressão, antes de se fazer qualquer ação, a ação é pensada várias vezes e avaliada e geralmente no final a pessoa chega à conclusão que a ação não vale o esforço. E acaba não fazendo por pura falta de energia de completar a ação que se torna uma coisa muito maior que é na realidade.

    A pessoa sem depressão não avalia a ação, simplesmente a faz pois sua energia está boa e ela não tem que fazer economia de esforços. Ela vai e faz o que tem que ser feito.

    Tenho a impressão que na preguiça existe um “delta T” entre pensar em fazer a ação e fazê-la. E seria nesse “Delta T” que a pessoa desiste de fazer a ação. Acho que deva acontecer uma avaliação inconsciente sobre o valor da ação e o julgamento desse valor não justifique a energia gasta para realizá-la. Lembra muito o mecanismo do deprimido, mas sem depressão e sim um julgamento de valor.

    Talvez a saída para se lidar com a preguiça seja valorar novamente as ações e contextualizá-las na realidade de vida da pessoa. 

    “Tudo que eu faço é importante, por isso estou fazendo.”

    Ninguém tem preguiça de fazer o que é realmente importante para si mesmo e que vai lhe trazer benefícios.

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  • Sobre Excesso de Peso

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, March 15th, 2009

    O ano passado foi punk para mim. Muito punk. Tanto do ponto de vista emocional como de saúde. E o resultado desse desequilíbrio é claro se traduziu com aumento do peso.

    Engordei.

    Há alguns anos, quando estava fazendo o curso de Nutrologia, fiquei muito desanimada com a matéria porque não havia enfoque justamente nesse desequilíbrio psico-físico que nos faz engordar. E no meu entendimento, é o que deve ser tratado e resolvido para se atingir o peso ideal.

    Uma vez resolvendo a causa, a pessoa volta ao peso certo pois sua aderência à boa alimentação é possível e o corpo responde.

    Eu sou meio radical quando afirmo que obesidade é “problema psiquiátrico”, no mínimo psicológico.

    Então o que fazer para se ter o peso ideal?

    Em primeiro lugar, uma avaliação clínica-endocrinológica para diagnosticar algum problema orgânico escondido. Isso é fundamental. Muitas vezes um desequilíbrio hormonal frusta as tentativas de emagrecimento e impede a sensação de bem estar.

    Após a avaliação, já se tem ideia da presença de doenças comuns em obesos e ao excesso de peso, como diabetes tipo II e dislipidemias.

    Daí, entra o trabalho que eu acho fundamental: o trabalho psicológico para se atingir o equilíbrio emocional e a comida entrar na sua função de apenas ser alimento e combustível, não fuga e recompensa ou aliviar stress.

    É necessário fazer uma análise da vida da pessoa como um todo e haver a conscientização do papel da comida no contexto de vida da pessoa.

    Quem nunca ouviu falar ou já fez uso do sorvete como forma de alívio de tensões?

    Eu vejo que as pessoas obesas e em excesso de peso há algum tempo comem por inércia. Automaticamente.

    Essa mudança de comportamento implica numa mudança de postura de vida não só de hábitos alimentares, mas também de mecanismos de lidar com frustrações e recompensas. Implica olhar de frente para a própria vida e fazer mudanças reais de vida.

    Ver o que não está bom e mudar. E parar de aliviar as sensações ruins com a comida.

    Emagrecer e manter um peso saudável é um processo dinâmico de auto-avaliação constante e de buscar uma melhor qualidade de vida como um todo. Qualquer oscilação do peso para cima ou para baixo sem estar ligada a dietas significa uma quebra do equilíbrio, por isso o peso ser um ótimo parâmetro de qualidade de vida e de saúde na minha opinião.

    E você? Está acima do peso? Calcule aqui seu Índice de Massa Corporal e veja se está ideal para sua altura.

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  • Shirlei, A Matadora

    Liliana | Blogworld | Friday, March 13th, 2009

    - querido, você jura que você quer ver Mutantes?

    - quero.

    - mas é muito ruim.

    - eu adoro coisa ruim.

    - você vai me obrigar a ver isso?

    E eu vejo Mutantes e morro de dar risada abraçada com ele no sofá.

    Não sei se foi antes ou depois que passou o jornal. Nós não vemos jornal de TV aberta. Mas vimos esse e a notícia estava lá: empresário achado morto com um bilhete que dizia “Sexo é bom ‘mais’ mata. Assinado Shirlei A Matadora”. E o jornal informava que a polícia tinha suspeita que se tratava de um homicídio.

    - “Shirlei, A Matadora” e eles ainda tem dúvida se é homicídio? Isso dá nome de blog!

    - dá.

    - e “Sexo é bom mais mata” fica bem de descrição do blog.

    - é.

    E assim que os blogs são criados.

     Shirlei, A Matadora.

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  • Procura-se Mario Desesperadamente

    Liliana | Bichos Incríveis | Friday, March 13th, 2009

    A Graça, a empregada nova, se deu muito bem aqui em casa. Estamos todos felizes. Ela com o trabalho e nós com a casa bem arrumada e as comidinhas gostosas. A moça é um amor.

    Ela se deu bem com os cachorros e com o Loshas.

    Mas o Mario sumiu.

    Ela até hoje não viu o Mario em lugar nenhum.

    Não é que ele não esteja por aqui.

    Eu dou de cara com ele algumas noites na sala, no escritório, dando suas voltinhas. Mas não sabemos mais onde ele anda dormindo de dia. Desapareceu. E a Graça, empregada, não o cachorro, fica olhando com aquela cara de quem não acredita que tem um sapo na casa.

    Até já mostrei fotos dele para ela, mas não adianta. A cara de dúvida continua.

    Noite dessas o Cardoso veio correndo dizer que viu o Mario andando. Que nunca tinha visto sapo andar. Ele achava que sapo só pulava. Nanina. O Mario anda, não pula. Acho que é por isso que eu não tenho aflição dele.

    Achamos que o Mario está embaixo da esteira. Nunca saberemos.

    Acabei de mostrar indícios de Mario atrás da impressora, ex-móvel do roteador. Ele nunca mais foi dormir lá. Acho que foi porque mudamos o roteador de lugar, porém, tinha alguns cocôs.

    Na falta do Mario, ontem a noite apareceu uma senhora perereca no escritório. Uma perereca enorme, gigantesca. Só de falar nela eu já fico arrepiada. Eu odeio perereca.

    Ela estava grudada na parede lá perto do teto. Chamei o Cardoso para tirar porque sapo, tudo bem. Mas perereca, de jeito nenhum.

    Entabulamos numa discussão que ele queria me convencer que era a mesma coisa, sapo e perereca. Eu discordo veementemente. Pererecas saltam e se jogam de cima de coisas em cima da gente. Bem, ele tentou tirar a perereca. Desgrudou-a com uma vassoura e ela se escondeu atrás da estante. Agora, nunca mais conseguiremos tirar a perereca daqui. E eu sou obrigada a ficar no mesmo ambiente que uma perereca escondida. Sabe quando vou pegar algum livro naquela estante? Pois é.

    Eu já falei que odeio pererecas?

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    Liliana | Filosofando | Friday, March 13th, 2009

    Não tem nada mais broxante do que você se empenhar em algo e não ver resultados.

    Trabalhar de graça é contra minha religião.

    E ultimamente eu só me empenhava e não via resultados.

    Claro que broxei. E tive que repensar tudo. Reavaliar tudo.

    Para variar, parti do zero e bolei novos planos. Novas estratégias para esses tempos diferentes e para essa nova vida que eu comecei.

    Uma noite dessas eu conversei longamente com minha comadre que mora em Miami e ela me contou que está no mesmo pé que eu. E que outra amiga dela, com a mesma idade também se sente assim: começando do zero.

    Chegamos à conclusão que seria uma crise da meia-idade feminina.

    Eu me sinto como se me preparando para a outra metade da minha vida. Elas também.

    Nessa idade que estou, já sei o que quero, o que não quero, o que posso, e não posso. 

    E penso no futuro com outros olhos.

    Eu acho que a primeira metade da vida serve para formarmos a nossa base: temos nossos estudos, a formação do patrimônio, a lapidação do caráter.

    Na segunda metade, temos a manutenção de uma qualidade de vida boa e agradável, fazendo o que gostamos e usufruindo o que conquistamos.

    Lógico que só porque estamos na segunda metade da vida não quer dizer que estamos fechados para novidades e novos empreendimentos. Mas, já temos a experiência e sabedoria de como encarar essas coisas novas.

    O importante é se mexer. Sempre. Não se cristalizar. Não se enrijecer. E ter sempre planos.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Tuesday, March 10th, 2009

    Já foi?

    Foi, né?

    Dia 8.

    Mas só hoje achei algo que expressa direitinho o que eu penso sobre o assunto.

    A Song For The Ladies – Jon Lajoie.

    Mais de onze milhões e duzentas mil exibições no YouTube.

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