A Importanciabilidade de um Blog

Liliana | Blogworld | Friday, February 27th, 2009

Cansei de ouvir de Meritocracia Informal da Internet.

Até googlei o termo para saber exatamente o que significava.

Na minha realidade, vi que esse termo não se aplica.

Daí, inventei meu próprio termo porque eu invento o que eu quiser porque o blog é meu: importanciabilidade.

A Importanciabilidade do meu blog é enorme.

E ela é grande para mim e para quem o lê.

Interessante que meu blog é um blog lido mas pouco comentado na meritocracia informal da internet. Eu sei que a qualidade de leitores que o lê é excelente. A nata. Assim, sua importanciabilidade é grande por causa dos seus leitores importantes.

Mas ele tem grande importanciabilidade também porque eu gosto dele. E gosto de fazê-lo.

Então, se você está lendo isso saiba que você é muito importante para mim e para a importanciabilidade deste blog.

Obrigada!

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Tuesday, February 24th, 2009

    Acabou de sair as Diretrizes (Guidelines) d’The American College of Sports Medicine (ACSM).

    Resumindo:

    Para manter o peso e evitar vários fatores de risco de doenças crônicas deve-se praticar uma média de 150 minutos semanais de atividade física moderada. Dá meia hora por dia, 5 vezes por semana.

    Para perder peso significativamente a necessidade já sobe para 60 minutos de atividade física moderada 5 vezes por semana.

    Simples assim.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Viagens | Tuesday, February 24th, 2009

    O computador avisa: it’s nine o’clock. E eu me lembro da música do Genesis: it’s one o’clock and time for lunch… 

    It’s nine o’clock and time for breakfast.

    E estou eu, a mesa posta com minha xícara de café com leite, cachorros deitados a minha volta, computador do lado da xícara e uma obrigação horrível de escrever algo significativo no blog.

    Como assim?

    Hoje é feriado, dia de descanso. Não tenho que escrever nada de importante. 

    Ontem eu também descansei. Vi dois filmes: Slumdog Millionaire e Rachel Getting Married.

    Não gostei de Slumdog. De coisa feia basta os problemas do dia a dia. Eu fiquei mais de um mês na Índia passeando há muitos anos atrás e estou por aqui de Índia. 

    Fui para lá toda animada esperando uma experiência mística. Tinha estudado toda a mitologia, lido poemas, a história, mas ver um povo vivendo a mitologia como se fosse real deu um resultado terrível. Um país sujo e feio e atrasado.

    Eu participei de rituais indianos em templos sujos e escuros com gente adorando pedras e pintando nossos rostos de vermelho.

    Eu vi cadáveres de párias sendo comidos por cachorros às margens do Rio Ganges em Varanasi.

    Eu conheci o interior da Índia que os turistas não costumam conhecer. Fomos de ônibus e trem atravessando o país até a fronteira com o Nepal.

    A Índia tem cores salpicadas aqui e alí. Pontos bonitos escassos perdidos no meio da sujeira e de fezes e outras secreções humanas.

    Eles usam vassouras de piaçava sem cabo. Então, ficam de cócoras varrendo o chão que nunca fica limpo, que nunca fica sem poeira, que nunca muda daquela cor de terra esmaecida, cor de sujeira.

    A única coisa branca realmente branca da Índia é o Taj Mahal. O resto é sujo. Por isso que faz tanto sucesso.

    Se eu vi coisas bonitas? Claro que vi. Mas eu não sou hipócrita de destacar o bonito do contexto geral. E o geral é triste.

    Eu já fui em favelas brasileiras fazendo trabalho médico e nada se compara à Índia. O nosso pior está a anos-luz de diferença deles.

    Minha experiência mística na Índia durou exatamente o tempo de chegar e olhar em volta.

    Fui em templos budistas importantes também. E tive medo que roubassem meus sapatos.

    Fui em mesquitas e tive que me cobrir com panos imundos porque estava de camiseta de mangas curtas.

    Indús, muçulmanos, budistas, conheci suas culturas e seus lugares e todos me passaram a impressão de estarem fora do tempo. Ultrapassados. Nisso não tenho preconceito: meu julgamento foi negativo igualmente para todos.

    Slumdog Millionaire mostra a Índia. É isso aí. E no filme ainda nem mostra tudo. Tem coisa pior lá. Acreditem.

    Já Rachel Getting Married lembra Roberto Altman, quem o diretor do filme agradece nos créditos finais. Não é um Altman. Mas é um bom filme. E coincidentemente mostra um casamento no estilo indiano em plenos EUA numa família de classe média alta que não tem nada de indiana mas resolve fazer um casamento no tema “Índia” pegando só o que tem de bonito da cultura: as roupas, a decoração, as bijuterias… Fica lindo. 

    Eu tenho um sari maravilhoso que eu trouxe.

    Na Índia eu conheci um casal de lá em lua de mel que viajou conosco de ônibus por um pedaço do caminho. Ela ainda portava aqueles desenhos de henna nas mãos e nos pés. Muito bonito. Mas eles contaram coisas como tiveram sorte de se gostarem e poderem se casar. Porque não era garantia de se casar com quem se ama lá. E tinha o problema do dote. Sim, dote. Ele pode pagar o dote e estava muito feliz. Contou que demorou anos para juntar o dinheiro do dote que o noivo devia pagar para a família da noiva. Eles se achavam um casal moderno porque o casamento não tinha sido arrumado. “Vocês podem casar com quem vocês quiserem?” Imaginem minha cara ao responder que sim.

    Mas por que essa antipatia tão grande, Liliana?

    Eu tenho uma visão do mundo como uma coisa só. O indivíduo aqui no Brasil é igual o indivíduo do outro lado do mundo. A informação já se espalhou. Somos uma coisa só: a raça humana. Na História da Humanidade já vimos coisas que funcionaram e coisa que não funcionaram. Então não vejo lógica de se manter hábitos que já se mostraram ineficazes e nocivos. A Índia como um todo está ultrapassada e insiste em viver segundo mitologias de milhares de anos atrás, na pior das hipóteses, de séculos atrás.

    É… Mas estou querendo muito.

    Eles que são indianos que se entendam.

    Mas não esperem que eu faça apologia da ignorância.

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    Liliana | Blogworld | Monday, February 23rd, 2009

    Se você foi nesse blog e sentiu repulsa, fique tranquilo: você é magro.

    Vi na BBCBrasil.

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    Liliana | Músicas | Sunday, February 22nd, 2009

    Berimbau de Vinicius de Moraes e Baden Powell

    Quem é homem de bem
    Não trai!
    O amor que lhe quer
    Seu bem!
    Quem diz muito que vai
    Não vai!
    Assim como não vai
    Não vem!…

    Quem de dentro de si
    Não sai!
    Vai morrer sem amar
    Ninguém!
    O dinheiro de quem
    Não dá
    É o trabalho de quem
    Não tem!
    Capoeira que é bom
    Não cai!
    E se um dia ele cai
    Cai bem!…

    Capoeira me mandou
    Dizer que já chegou
    Chegou para lutar
    Berimbau me confirmou
    Vai ter briga de amor
    Tristeza camará…

    Se não tivesse o amor (2x)
    Se não tivesse essa dor (2x)
    E se não tivesse o sofrer (2x)
    E se não tivesse o chorar (2x)
    Melhor era tudo se acabar (2x)

    Eu amei, amei demais
    O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
    Eu chorei, perdi a paz
    Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

    Capoeira me mandou
    Dizer que já chegou
    Chegou para lutar
    Berimbau me confirmou
    Vai ter briga de amor
    Tristeza camará…

    Hê! Hê! Camará!
    Hê! Hê! Camará!
    Hê! Hê! Camará!
    Hê! Hê! Camará!

    Canto de Ossanha de Vinicius de Moraes e Baden Powell

     -”O canto da mais difícil
    E mais misteriosa das deusas
    Do candomblé baiano
    Aquela que sabe tudo
    Sobre as ervas
    Sobre a alquimia do amor”

    Deaaá! Deeerê! Deaaá!

    O homem que diz “dou”
    Não dá!
    Porque quem dá mesmo
    Não diz!
    O homem que diz “vou”
    Não vai!
    Porque quando foi
    Já não quis!
    O homem que diz “sou”
    Não é!
    Porque quem é mesmo “é”
    Não sou!
    O homem que diz “tou”
    Não tá
    Porque ninguém tá
    Quando quer
    Coitado do homem que cai
    No canto de Ossanha
    Traidor!
    Coitado do homem que vai
    Atrás de mandinga de amor…

    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Não Vou!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Não Vou!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Não Vou!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Não Vou!…

    Que eu não sou ninguém de ir
    Em conversa de esquecer
    A tristeza de um amor
    Que passou
    Não!
    Eu só vou se for prá ver
    Uma estrela aparecer
    Na manhã de um novo amor…

    Amigo sinhô
    Saravá
    Xangô me mandou lhe dizer
    Se é canto de Ossanha
    Não vá!
    Que muito vai se arrepender
    Pergunte pr’o seu Orixá
    O amor só é bom se doer
    Pergunte pr’o seu Orixá
    O amor só é bom se doer…

    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Amar!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Sofrer!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Chorar!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Dizer!…

    Que eu não sou ninguém de ir
    Em conversa de esquecer
    A tristeza de um amor
    Que passou
    Não!
    Eu só vou se for prá ver
    Uma estrela aparecer
    Na manhã de um novo amor…

    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Amar!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Sofrer!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Chorar!
    Vai! Vai! Vai! Vai!
    Viver!…(2x)

    Berimbau e Canto de Ossanha – Vinicius, Toquinho, Tom Jobim e Miúcha

    Canto de Ossanha – Maravilhoso!

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  • 6 coisas aleatórias sobre mim

    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz.,Blogworld | Sunday, February 22nd, 2009

    A Carol querida me passou um meme: 6 coisas aleatórias sobre mim.

    1. eu tenho muita fome quando estou cansada
    2. eu tenho uma paciência enorme. mas quando acaba, acaba inapelavelmente.
    3. eu adoro leite supergelado e puro, mas bem aguado, desnatado. detesto leite gordo.
    4. atualmente eu sonho pouco e não gosto de sonhar/lembrar de sonhos. estou cheia de mensagens do meu inconsciente. não tenho mais saco para isso.
    5. eu mesma cortei meu cabelo das últimas vezes e gostei bastante.
    6. eu detesto dormir em cama desarrumada.

    Quem quiser continuar com a assunto, por favor, fique a vontade!

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    Liliana | Músicas,São Francisco Xavier | Saturday, February 21st, 2009

    Eu nunca fui para San Francisco.

    Mas eu sempre achei que São Francisco Xavier fosse cidade irmã de San Francisco, California.

    Quando eu falo que moro em São Francisco a pergunta que se segue invariavelmente é: Califórnia?

    E eu: Xavier!

    As duas cidades têm muito a ver.

    Sei lá, uma sensação minha.

    Se você vem para São Francisco, tenha certeza de usar flores no cabelo, ok?

    San Francisco – Scott McKenzie

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz.,Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Estou conscientemente escrevendo este post para adiar por mais uns minutos a faxina aqui de casa.

    Vocês podem achar bobagem isso: fazer uma simples faxina. Mas para mim, é outro mundo.

    Eu sou uma pessoa basicamente cerebral. Eu me movimento, gosto de me movimentar mas escolho me movimentar através de exercícios tipo caminhadas, corridas, musculação, essas coisas. Atividades físicas envolvendo cuidar da casa nunca foram coisas que eu gostasse de fazer.

    E confesso: faz meses que não tenho feito exercícios. Minha saúde não permitiu. Meus médicos só me mandavam descansar. E eu tentava. Mesmo o trabalho mental era contraindicado mas eu não conseguia ficar sem fazer nada.

    Esta semana, iniciei uma fase nova na minha vida.

    Eu, que sou a rainha de me reinventar e viver um dia de cada vez me vejo numa situação completamente nova: reaver minha casa. Estou descobrindo as coisas qeu eu fechei os olhos e relevei com a empregada. Sujeiras, coisas escondidas, bagunças, uma casa que eu não conhecia. Que eu só olhava por cima e nem queria ver.

    Comecei a limpar do meu jeito. Organizar do meu jeito. Cozinhar do meu jeito.

    Estou me sentindo voltando às origens mais básicas do ser humano: arrumando minha caverna e providenciando o alimento.

    E meu corpo está sentindo a diferença: todo dolorido. Sinto cada músculo mexido como numa das minhas sessões de musculação de antigamente.

    E a satisfação? Enorme!

    Nosso quarto nunca esteve tão gostoso.

    A casa é grande. Não dá para limpar tudo num dia só. E eu ainda não tenho uma rotina. Mas estou me sentindo bem. E tenho certeza que com o tempo teremos a rotina nova certinha.

    Vocês não fazem ideia do que isso significa para alguem com minha saude complicada. Sinto-me vencedora.

    É.

    Estou feliz.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio | Wednesday, February 18th, 2009

    Ontem conversei longamente com Seu Zé.

    Fui contar da saída da empregada ele ficou surpreso com a história toda.

    Falamos do sítio, que está cada vez mais lindo. Falamos da época das chuvas que o deixa muito ocupado e mal conseguindo dar conta da estrada. Falamos de um monte de coisas.

    Mas a conversa que me tocou mais foi quando eu perguntei por que aqui no sítio não dá frutas?

    Desde o começo plantamos mudas de várias árvores frutíferas no platô de baixo: goiabeiras, abacateiros, mangueiras, pitangueiras, jabuticabeiras… Várias… Também fizemos um pomar perto da casa no platô de cima que nunca foi para frente. Porém, lá em baixo as árvores estão grandes e como eu nunca tive frutos de lá?

    Daí Seu Zé me explicou.

    “Sabe, Liliana, aqui tem muito bicho. Não sobra nada. Tem as saracuras, tem os saguis, tem os jacus… Tem até um bando de tucanos que mora aqui. Tem um esquilinho encapetado que sobe até na minha cabeça que não deixa nenhuma goiaba. Êta bichinho endiabrado! Ele não tem medo de mim e sobe pelas minhas costas quando estou trabalhando perto das goiabas. Os abacateiros estão carregadinhos, olha lá. Mas essa cachorrinha (e aponta a Joom-La) vivia de comer abacate enfiada no mato. Foi só quando acabaram os abacates que ela subiu para a sua casa…”

    Quando Seu Zé contou que a Joom-La vivia sozinha de comer abacates caidos no chão no meio do mato eu passei a amá-la ainda mais. Minha cachorrinha arisca, sobrevivente, que se virou como pode e só buscou a casa por fome.

    Entendi que meu sítio não é meu. Todas as árvores plantadas aqui atrairam uma fauna muito diversa. Tem lagartos, sapos, corujas, gaviões, macaquinhos, esquilinhos, uma variedade de pássaros. Onde antes havia um pasto estéril, hoje é um lugar rico e dadivoso em alimento para todas essas espécies. Até para uma cachorrinha abandonada que comeu abacate para não morrer de fome.

    O que mais eu posso pedir?

    “Deixa, Seu Zé, deixa para os bichos.”

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Blogworld | Monday, February 16th, 2009

    Minha família nunca me entendeu.

    Por exemplo, naquelas férias num verão distante que nem lembro quando, eles não entendiam porque eu não saía do apartamento e ia para a praia.

    Meu tio, engenheiro, tinha acabado de comprar um computador CP200 da Prológica e tinha levado para nosso apartamento na praia. Nossas férias eram aquela coisa familiar de juntar um monte de parentes no apartamentinho pequeno com a avó fazendo o almoço, essas coisas.

    Mas tinha o tal computador que eu nunca tinha visto pessoalmente.

    E foi suficiente para eu trocar toda a praia, todo o sol, todas as paqueras e o mar.

    Eu quis aprender a mexer com aquele negócio.

    Eu sou auto-didata.

    Então, sentei a bunda no chão, e comecei a mexer.

    Fiquei fascinada. E resolvi programar.

    Eu me lembro de conversar com o computador, ir entendendo a linguagem que nem sei que nome tinha.

    E programei.

    Foi algo simples, mas muito significativo:

    - “Olá”.

    - “Olá.”

    - Qual o seu nome?”

    - “Liliana. E o seu?”

    - “Pau no cu do curioso.”

    E assim se encerrou minha carreira de programadora. E eu pude ir para a praia aproveitar o restinho do verão.

    E desde então eu mantenho uma relação toda especial com os computadores.

    (Inspirada por este texto aqui.)

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Dinheiro: é bom e eu gosto. | Monday, February 16th, 2009

    -… então já estou descendo. Eu não fiz o estrogonofe. Não ia dar tempo para descongelar a carne e eu tenho um compromisso à uma.

    - Como assim?

    - É, deixa para semana que vem. Semana que vem eu preparo a comida do fim de semana. Hoje já deu e eu tenho coisa para fazer a uma.

    - Andréia, só para te lembrar, você trabalha aqui o dia todo. Eu é que permito que você saia antes quando não tem mais o que fazer.

    - Não. Eu trabalho aqui só meio período. Das oito ao meio-dia.

    - Não foi isso que eu combinei com você.

    - Mas foi isso que seu ex-marido combinou comigo quando me contratou.

    - Mas depois, quanto eu te contratei, foi pelo período inteiro e eu te dispensaria se não tivesse mais o que fazer aqui porque eu não vejo razão de manter alguém aqui sem nada o que fazer.

    - Não…

    - Sim… Você acha sinceramente que eu te pagaria o que eu te pago só por meio período? E porque eu te levaria para São José à tarde comigo? Porque eu gosto de você? Porque fazia parte do seu trabalho.

    - Ah, mas daí eu não quero. É melhor você procurar outra pessoa então.

    - Você acha que esse seu salário é por apenas 4 horas de trabalho? Então, tá. Considere-se em aviso prévio.

    Hoje acordei ouvindo os barulhos habituais na cozinha. Barulhos que não vou ouvir mais.

    - Pode parar o que está fazendo. Você não trabalha mais aqui.

    - Mas eu não tenho que cumprir o aviso prévio?

    - Não. Vou te pagar tudo porque não quero mais você trabalhando aqui em casa. Não tem mais a ver. Aqui está o cheque com a quantia que eu falei com o contador, aqui estão os recibos. É só assinar aqui, aqui e aqui.

    (Ela começa o chorar.)

    - Eu quero agradecer tudo que você fez por mim.

    - Uma pena que tenha havido esse mal-entendido. Então tchau.

    (Ela sai chorando.)

    - Minhas chaves da casa, por favor.

    - Ah, já ia esquecendo… Estou tão acostumada.

    Moral da história: A Andréia era uma mulher que tinha tudo: um emprego com um salário bem acima da categoria dela. Uma patroa que a ajudou a construir a casa própria e a mobiliá-la toda. Era empregada de alguém que sempre a tratou com respeito, que lhe pagou cursos de manicure e massagem para ela melhorar de vida. Tinha total liberdade no trabalho para levar seus afazeres na medida dela, sem ninguém cobrando nem impondo. Mesmo assim, ela quis mais. Foi mesquinha? Talvez. Burra? Com certeza.

    Exatamente por ela não ser inteligente é que ela não vale o salário dela por apenas 4 horas.

    Assim, meninos e meninas, antes de querer forçar alguma barra, avaliem bem a situação. E não confundam gente legal com gente boba.

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