O Ser Gentil
Faço minhas as palavras da Sam Shiraishi neste post onde ela fala que não tem sentindo não ser gentil.
O post me lembrou de uma história que me aconteceu há muitos anos.
Uma vez quando ainda era casada, há muito tempo atrás, fomos meu ex-marido, meus sogros e eu almoçarmos num restaurante na Aldeia da Serra, um condomínio fechado tipo campestre perto de São Paulo.
A fila de espera do restaurante estava enorme e o dia estava muito quente. E nenhum de nós estava gostando daquela situação.
Lá pelas tantas eu pedi para meu ex-marido ir conversar com o maitre sobre nossos lugares mas o que se seguiu nos pegou de surpresa.
Minha sogra surtou: ela começou a gritar comigo dizendo que se eu não estava satisfeita que fosse embora dali.
Eu fiquei tão passada que imediatamente me afastei dela e fui para o jardim.
Meu ex-marido foi atras de mim para que eu voltasse para o restaurante justificando que a mãe dele estava daquele jeito porque tinha perdido um filho e desde então ela estava se comportando daquela forma e que eu tinha que entender.
Eu expliquei então que só permaneci no local porque não tinha um carro para ir embora, visto que estávamos juntos no carro dos meus sogros. E principalmente, que nada justificava ser indelicada comigo, nem a perda de um filho há meses atrás. E lhe disse que eu mesma, então nessa lógica dela, teria motivos suficientes para ser indelicada com ela e com todo mundo visto ter acabado de ter sido operada de um câncer maligno e que sofrimento por sofrimento eu também estava sofrendo.
Ele não teve como rebater o que eu disse.
Finalmente nossa mesa ficou pronta e fui convidada para entrar no restaurante. E lá dentro, repeti meu discurso para minha sogra a respeito que não se justificava sua indelicadeza para comigo.
Falei tudo e esclareci meu ponto de vista na cara de minha sogra porque era uma pessoa que eu teria que conviver de qualquer jeito e que me era cara, mas concordo com a Sam quando ela fala em cortar relações com os grosseiros.
Minha sogra concordou comigo na hora e fizemos as pazes ali mesmo. E nosso relacionamento foi muito bom até o fim. E o comportamento dela melhorou no geral também com todos.
O que eu gostaria de dizer é que nós não sabemos que sofrimentos e desgraças pessoais cada um está passando. Todo mundo tem sua tragédia pessoal acontecendo o tempo todo e ninguém merece e suporta mais um peso na forma de grosseria, indelicadeza, maus tratos além do que a vida já nos faz suportar.
Não sejamos nós que pioremos a vida do outro com palavras ríspidas e comportamentos agressivos.
Eu procuro conviver com gente gentil. E quando uma das pessoas de minha convivência tem um comportamento fora do seu normal, de gentileza, eu fico de orelha em pé porque algo muito grave está acontecendo. Para mim a pessoa não está bem, está doente.
Gente que é grosseiro contumaz eu simplesmente não convivo.
















