Mensagem de Final de Ano da Liliana

Liliana | Filosofando | Wednesday, December 31st, 2008

Mensagem de Final de Ano da Liliana

Feliz 2009, pessoal! ;)

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    Gente, só para botar vocês a par das novidades.

    Já estou em casa me recuperando e está sendo um experiência bem interessante ter de volta adrenalina circulando no meu corpo literalmente! Agora tenho uma fase de adaptação pela frente.

    Estou sendo bem cuidada pelo meu querido que faz comidinhas bem gostosas para mim e está me dando bastante carinho.

    A cachorrada está ótima (e o sapo Mário também). Eles ganharam de presente de Natal etiquetas novas para as coleiras com seus nomes e os telefones de contato que eu comprei nesse site aqui. Ficaram muito bonitinhas e chegaram super-rápido mesmo vindo lá da Austrália.

    E hoje eu encomendei minha etiquetinha de identificação médica. Como médica eu sei o quanto é importante o paciente ter consigo informações cruciais sobre sua saúde que podem salvar sua vida numa emergência. E como paciente, eu quero ter certeza que vou ter o melhor e o mais correto tratamento para minha condição. Essa prática de pacientes crônicos andarem com identificação é muito comum em países desenvolvidos. Principalmente em doenças que podem levar a perda de consciência o que impediria do paciente contar ao médico que o socorre qual seu problema. Esta loja online vende etiquetas e entrega no mundo todo com frete grátis.

    Bem, era mais para dar um alô e dizer que estou melhor.

    Quero agradecer pelo carinho de todos vocês! Vocês são uns amores mesmo!

    Beijos da Li.

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    Não tem sensação melhor do que você tomar um remedinho e começar a se sentir bem.

    Após uma internação parecida com um episódio de House, finalmente tenho um diagnóstico tipo House, óbvio, porque comigo não podia ser simples.

    Mas já estou melhorando e vou ficar no hospital tomando medicação até dia 26 se tudo continuar correndo bem.

    Estou feliz da vida e muitíssimo animada! Começarei o Ano Novo zerada e prontinha para  aproveitar bastante cada momento e fazer tudinho que eu quero fazer.

    Eba!

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    Ficar em repouso no hospital tem o lado bom.

    As mães costumam dizer que o melhor período que tiveram foi na maternidade quando eram paparicadas, não tinham que cuidar da casa, a comida aparecia milagrosamente e coisas assim.

    Bem, nunca tive filhos mas esses dias aqui internada estão servindo como férias.

    Tenho um amigo, o Ricardo Anibal, que um dia falou: estou precisando descansar, acho que vou me internar num daqueles quartos com vista para o jardim do Oswaldo Cruz.

    Bem, Anibal, é exatamente onde estou.

    Não eram as férias que eu queria mas estão dando para o gasto. Eu preferia ir para Gostoso.

    Mas eu larguei o meu namorado tomando conta da casa, dos cachorros e do sapo e vim descansar dessa turma bagunceira lá do sítio.

    E fico imaginando o que ele deve estar passando lá.

    Um dia ele me fala: “a cachorra perdeu a coleira.”

    (“A cachorra” é a Joom-La e ele não gosta dela. Eu tenho certeza que é ciúmes.)

    “E você procurou a coleira?”

    “Claro que não.”

    No dia seguinte mais notícias: “a cachorra achou a coleira mas comeu. E ela pegou uma almofada do sofá e levou lá fora. Agora está secando. E por incrível que pareça, ela ainda não comeu meu chinelo.”

    Noutro dia, uma constatação: “essa casa é um mistério, eu só vejo sapo entrar mas não vejo sapo sair.”

    E eu pergunto tentando decifrar o mistério: “Era o Mario ou o primo do Mario?” Porque o Mario fica dentro e o primo do Mario fica fora.

    E enquanto meu querido fica as voltas com os bichinhos da casa e sem Lili para dar beijinho quando ele fica dodói, eu pude ver todos os filmes que tinha baixado no computador. Pena que eram poucos e minha estadia está sendo mais demorada do que imaginava.

    Enfim, eu acabei vendo a primeira temporada de Battlestar Galactica. 

    E amei. Mas fiquei sem as outras e morrendo de vontade de saber o que acontecia depois.

    Pois achei no Grande Depositório de Coisas Legais um resumão até o início da quarta temporada.

    Enjoy!

    BSG Resumo 1, 2, 3 temporadas

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  • Feliz 2009

    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Sunday, December 21st, 2008

    Hoje é domingo, dia 21 de dezembro de 2008.

    E eu fiquei pensando na vida.

    Pouca gente tem a oportunidade de reavaliar tão minuciosamente seus conceitos de vida, felicidade, objetivos, aspirações quanto certas pessoas que estão doentes em camas de hospitais sem saber o que tem.

    Eu ouvi ontem a frase que dizia que vemos o valor de uma pessoa não pelo que ela conquistou, mas pelo que ela superou.

    Pensando assim, sou rica e feliz.

    Mas olhando por outra perspectiva, eu poderia dizer que estou tendo uma vida desgraçada e que estou cheia.

    Então, chega a hora de decidir se vale a pena persistir. Ou se entregar.

    Tudo que vivi, todas as experiências que passei, tudo que aprendi, meus conhecimentos, tudo se perderia comigo.

    Já estive nessa posição antes e eu quis ser imortal de alguma forma.

    De novo nessa mesma situação, eu já aceito a mortalidade. E o principal, aceito que minha existência só interessa a mim em último caso.

    Estou agora escrevendo do meu quarto no Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo.

    Preferi ficar só aqui. E poder lidar com todas essas questões comigo mesma.

    Ontem a noite fiquei com muito medo dos diagnósticos possíveis. O medo durou alguns minutos mas foi o suficiente para eu avaliar se iria reagir ou não.

    Uma certeza muito grande brotou em mim então: vou prevalecer.

    E hoje acordo com a mesma visão que tenho da vida todos os dias: que ela é uma grande aventura que me proporciona experiências incríveis e me transforma de maneiras inimagináveis em alguém que cada vez eu amo e admiro mais.

    Se eu preferia não passar por tudo isso? Claro! Mas eu não lido com possibilidades ou alternativas que não existem. Eu vivo apenas na realidade seja ela qual for. E isso foi também uma escolha que fiz há anos atrás.

    Uma vez escolhido o caminho da verdade, nos vemos como somos, vemos os outros como são e o que é a vida.

    E entendemos o sentido da vida que é simplesmente viver um dia de cada vez, ao máximo e com a totalidade do nosso ser.

    Nesse final de ano, apropriem-se de suas vidas. Elas são suas e de mais ninguém. E comecem o Ano Novo renovados e maravilhados com as descobertas e as aventuras de viver.

    Feliz 2009.

    :)

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz.,Filmes, TV e Séries | Thursday, December 18th, 2008
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    Liliana | Blogworld | Thursday, December 18th, 2008

    A última prova do Desafio LG é divulgar no maior número de blogs possíveis esse vídeo gracinha do Nick cantando:

    Eu estou com o Nick e o Digital Drops nessa. Entre você também. O prazo é até meia noite de hoje, dia 18 de dezembro de 2008.

    Você linka o video, linka o site do Desafio LG e avisa o Nick.

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    Liliana | Blogworld | Wednesday, December 10th, 2008

    Não. Eu não escrevi errado. Eu escrevi: O Homem da Minha Via mesmo.

    O Homem da Minha Via é o Daniel Becher.

    A partir de ontem, todos os meus blogs estão hospedados na Via Hospedagem do Daniel.

    O Daniel tem se mostrado um excelente amigo e profissional e a minha escolha não podia ser outra.

    Ele é atencioso, dedicado, competente, interessado e capaz.

    Fora que é uma gracinha e gosto dele como se fosse um filho. (Sim, tenho idade para ser mãe dele.)

    Junto com a mudança de Hospedagem, muda o endereço deste blog. A URL principal passa a ser chadehortela.com.br. Finalmente o Chá de Hortelã vai para seu endereço definitivo. Demorou. E é um passo importante para um blog.

    Outras mudanças acontecerão aos poucos em minha vida online. Mas tudo com calma. Sem pressa. O principal é que a infra-estrutura está arrumada. A base está toda certinha. E agora, passo a passo vou colocar cada pedacinho meu online no lugar, com ênfase também nos meus negócios off-line: A Hospedagem da Liliana e outros planos ainda em elaboração.

    Bem, eu já disse que o Homem da Minha Via é o Becher. Mas o Homem da Minha Vida, vocês sabem quem é, né?

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  • O Maravilhoso Fantástico Genial Incrível Sensacional

    Minha amiga, meu amigo.

    Você sofre com aqueles pelinhos desagradáveis que insistem em crescer em seu nariz?

    Você se envergonha dos cabelos saindo pelas orelhas de seu companheiro?

    Você se irrita na frente do espelho tentando dar cabo do excesso capilar com minúsculas tesourinhas, torcendo para não se ferir e sangrar até a morte?

    Pois seus problemas acabaram!

    A Deal Extreme oferece por míseros US$ 4,51. Atentem para o preço: eu disse QUATRO DÓLARES E CINQUENTA E UM CENTAVOS! O Maravilhoso, Fantástico, Genial, Incrível, Sensacional Compact Nose And Ear Hair Trimmer!

    Você nunca mais ficará feia nas fotos. Seu marido nunca mais ficará te chateando para cortar pelinhos nas orelhas.

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    O que você está esperando?

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    Não espere aquele pelinho chato crescer. Tenha seu Compact Nose And Ear Hair Trimmer e não pense duas vezes para usá-lo. Resolva seu problema JÁ.

    (Como eu pude viver sem esse treco até hoje?)

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  • “Conhece-te a ti mesmo”

    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Tuesday, December 9th, 2008

    Apolo era o deus patrono da cura, da mente sã em corpo são. E logo na entrada de seu templo em Delfos a mensagem “conhece-te a ti mesmo” já ensinava o caminho. Era o segredo para uma vida feliz e saudável.

    Viver, crescer e amadurecer é um processo constante de auto-conhecimento.

    Muitas pessoas passam pela vida sem se conhecerem. Preferem olhar para os outros em vez de olhar para si mesmos. Esses apenas vivem, sem crescer ou amadurecer. O tempo passa e eles continuam iguais. Por conseguinte, suas vidas ficam inalteradas e não mudam como eles. Seus discursos são os mesmos, suas queixas, as mesmas.

    O processo de auto-conhecimento envolve reflexão.

    Reflexão (Houaiss)
    Datação
    1671 cf. EscV  

    Acepções
    ? substantivo feminino 
    ato ou efeito de refletir(-se) 
    1    Rubrica: física. 
         o retorno completo ou parcial de um feixe de partículas ou de ondas que se propagam em um determinado meio, após a incidência sobre a interface de separação entre este meio e o outro 
    2    Derivação: sentido figurado. 
         concentração do espírito sobre si próprio, suas representações, idéias, sentimentos 
    3    Derivação: sentido figurado. 
         pensamento, consideração, observação que resultam de intensa cogitação e que são expressos por escrito ou em voz alta 
    4    Derivação: sentido figurado. 
         virtude que consiste em evitar a precipitação nos juízos, a imprudência, a impulsividade na conduta 
    5    Derivação: sentido figurado. 
         hábito de refletir 
    6    Rubrica: geometria. 
         operação que transforma um ponto no seu simétrico em relação a outro ponto, a uma linha ou a um plano 

    Como podem ler, refletir pode implicar duas ações distintas: refletir sobre si mesmo e refletir sobre um objeto externo.

    Para o auto-conhecimento então, levamos em conta tanto nossas considerações sobre nós mesmos como o resultado de nossas ações no meio que vivemos e nas pessoas que nos cercam, ou seja, o feedback que o meio nos dá.

    Escrevi tudo isso para finalmente chegar aonde eu queria chegar: qual o papel real desse meio como qualidade de feedbak para nosso auto-conhecimento?

    Depende muito do meio e de quem faz parte dele.

    Muita gente fica confusa com informações que parecem contrárias vindas do meio se comparadas com as internas. Nesse caso, avalia-se as informações internas sem preconceitos, avalia-se os emissores de avaliações externas sem preconceitos também. De posse de conclusões feitas com simplicidade e sem preconceitos (vejam como o mais importante é não ter pré-conceitos, é estar livre para a a mudança, para o descobrimento de si, para o conhecimento, ou mesmo para a constatação de si mesmo), nos aceitamos e passamos a nos conhecer em mais um aspecto. E tendo que olhar a realidade do nosso emissor de feedback, apreendemos mais a realidade do mundo e como nos inserimos nele. E podemos tomar decisões.

    Na dúvida como agir, não temos escolha: sejamos fiéis a nós mesmos. Esta seria a frase seguinte que eu colocaria da entrada do templo de Apolo: “Conhece-te a ti mesmo e seja fiel a ti.”

    Nada traz mais desarmonia interna do que não ser fiel a nossa natureza.

    E no fim, o que conta, o que nós mostramos para quem nos interessa e o que vai prevalecer nas nossas relações é essa harmonia e tranquilidade de sermos quem somos.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho,Bichos Incríveis | Saturday, December 6th, 2008

    O Bender é uma gracinha e fez um post montando um elenco de uma novela blogosférica me colocando como protagonista da tal novela. E no post ele põe para ilustrar a foto do Lima Duarte. Isso me fez lembrar um causo que aconteceu anos atrás envolvendo o Lima Duarte, a Débora Duarte, eu e um cachorro chamado James.

    Eu estava passando uma temporada num spa (bons tempos aqueles em que eu podia passar uma temporada num spa) e lá no spa um dos funcionários tinha uma cadela Golden Retriever com 3 filhotes para vender. Eu estava lá com minha fêmea chow chow e ela se deu superbem com os filhotes de Golden e tanto ela como eu estávamos apaixonadas por eles.

    Eu acabei comprando um dos filhotes e dei o nome de James. Outras hóspedes do spa ficaram animadas e os outros dois filhotes foram logo vendidos porque o lugar era muito “pet friendly” e todos estávamos muito contentes com nossos cachorros novos.

    Um belo dia chega a Débora Duarte para ficar hospedada também e logo ficamos amigas. Indo passear pela cidade vizinha, fazendo atividades juntas, batendo papo, essas coisas.

    Pois ela me convida para ir ao aniversário do pai dela: você é o tipo de mulher que meu pai adoraria conhecer, diz ela.

    E assim, fui convidada para almoçar na casa do Lima Duarte com a família.

    Mas o que eu levaria de presente? Daí fico sabendo que ele adorava cachorros e morava num sítio na beira de uma represa próximo de onde estávamos. E um de seus cachorros havia morrido, se não me engano (a história já faz um tempo e não me lembro direito).

    Bem, Débora e eu resolvemos levar o James para ele num presente conjunto.

    Arriscado? Sim.

    Fomos de motorista particular com a irmã dela que veio nos pegar e nos levou a uma casa muito agradável e simples, sem frescuras. A cara dele.

    Acho que no princípio o Lima Duarte tomou um susto de ganhar um cachorro. Mas logo em seguida, uma das coisas mais fantásticas era ouvi-lo chamando “James” com aquela voz poderosa que tantas vezes eu ouvi na televisão. Ele enchia a boca para falar: James!

    E o James adorou o lugar. O gramado, o lago, tudo.

    Conversei longamente com o Lima Duarte. Ele me mostrou tudo por lá: suas carpas de estimação, que ele falava “nishiquigói” (acho que é assim), suas pingas que eu tive que provar. Um homem galante e charmoso.

    O almoço de família só tinha eu de estranha. Simples e gostoso. E ele contava histórias para me impressionar. E impressionava.

    No fim do dia fomos embora e ele se despediu no portão.

    A impressão foi que ele era exatamente igual aos personagens que ele fazia na TV: um homem macho até o último fio de barba. Que impõe respeito, medo e ao mesmo tempo muito sedutor e justo.

    Nunca mais o vi. Até que gostaria de saber do James e dele. Que dupla…

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    Minha mãe morreu de AIDS em dezembro de 1993.

    Ela escondeu de minha irmã e de mim o máximo que pode até que eu fiz o diagnóstico por minha conta e a confrontei. Ela não pode negar. Isso foi no final dos anos oitenta quando o preconceito e a AIDS eram um assunto muito mais tabu que hoje.

    Minha mãe achava que íamos abandoná-la a própria sorte pela vergonha da doença. Claro que não abandonamos. E mantivemos o seu segredo até ela morrer. Até hoje minha irmã diz que a mãe dela morreu de leucemia. Não sei porque.

    Minha mãe pegou AIDS do segundo marido, que morreu bem antes dela da doença. E na época foi difícil diagnosticá-lo pois ele não fazia parte do grupo de risco de homossexuais ou drogados do início dos anos oitenta. Ele por sua vez adquiriu AIDS de alguma prostituta africana pois ele era geólogo e passava longos períodos na África a trabalho nas minerações.

    Eu estava no quarto ano de Medicina em 1984 num estágio no Emilio Ribas quando nossa instrutora nos levou para ver o paciente zero de AIDS do Brasil.

    Ele ficava num quarto isolado de tudo e de todos e o víamos por uma janelinha, de longe. A instrutora apontava: aquele é nosso primeiro paciente de AIDS! Todos tivemos medo.

    Eu acompanhei minha mãe HIV positiva por anos tomando o coquetel da época e tentando ter uma vida normal. Garanto que não dá para ter uma vida normal.

    Eu vi médicos e dentistas a maltratarem por preconceito e medo.

    Eu a vi tomando mil cuidados para não nos contaminar com nenhuma secreção. Eu vi um dos maiores especialistas da área dizer para ela não mais manter relações sexuais com ninguém.

    Depois eu vi a AIDS se instalar. As infecções oportunistas. A demência que veio (ainda bem pois ela não percebeu que a morte estava próxima). A cirrose. O câncer.

    Então veio o fim.

    Foram anos de agonia e tristeza esperando um fim implacável.

    Depois que ela morreu, ainda permaneceu o medo de termos nos contaminado por termos tido contato tão próximo com suas secreções.

    Lidar com urina, fezes, sangue, lágrimas, suor, saliva, menstruação, secreções vaginais, tudo dela nos dava medo.

    E ao mesmo tempo, a abraçávamos e beijávamos e cuidávamos e tudo o mais.

    Eu não peguei AIDS da minha mãe não.

    Mas eu fiquei traumatizada.

    Eu ando com camisinha na bolsa. Eu tenho medo de beijar na boca.

    Eu acho um absurdo falarem que ter AIDS é algo “manejável”, que é “só tomar o coquetel”. Não é. Eu vi. Eu sei.

    É terrível.

    Eu também acho um absurdo mulheres HIV positivo terem filhos e exporem essas crianças a essa doença.

    Quem já é portador do HIV ou paciente de AIDS tem toda minha compreensão e simpatia pois sei que o que enfrentam não é brincadeira. É uma luta viver cada dia. São pessoas de muito valor e merecem toda a consideração como qualquer outro paciente de doença crônica séria deve ter.

    E quem não tem o HIV, não queira ter. Faça todo o possível para evitá-lo. Existem tantas doenças horríveis que não podemos evitar e essa é uma que até podemos evitar salvo alguma contaminação acidental.

    Por favor, não pense que AIDS é um passeio no parque apesar de tanta gente querer fazer parecer que é.

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