O Ranking do BlogBlogs

Liliana | Blogworld,Filosofando | Monday, November 17th, 2008

Eu fui das primeiras pessoas que se inscreveu no BlogBlogs quando ele foi criado. Se não me engano eu fui número 54 e estive entre os primeiros lugares bem no início do ranking. Nem me lembro quando isso aconteceu.

Eu sou blogueira bem antiga da escola da Cora Ronai. Trocava links com o Marmota antes dele ser Miss Cangaíba. Recebia email de final de ano do Catarro Verde. E o Interney era um site amarelo cheio de selinhos pequenininhos na lateral.

Anos se passaram quando voltei a prestar atenção de novo no BlogBlogs e descobri que meu blog estava entre os 500 primeiros, lá pelo número 250 mais ou menos.

Claro que fiquei muito feliz.

Quem não ficaria contente de ter seu trabalho reconhecido por seus pares?

Há um tempo atrás, o BlogBlogs modificou os critérios de seu ranking e meu blog caiu muitas posições indo parar lá pelo lugar 800 e tanto se contar no domínio principal “liliana.com.br/wp”. Acontece que ele também é linkado pelo domínio “chadehortela.com.br” e “chadehortela.com” e os links se diluem. Então, no fundo, eu sei que o negócio não é exatamente fiel.

Mas é claro que fiquei triste com a queda de posição.

Eu sou uma pessoa normal. E ninguém gosta de cair num ranking. Ninguém.

Então fui ver o que eu estava fazendo de errado para justificar colocação tão ruim nos novos moldes. E percebi que eu estava fazendo exatamente o que eu fazia há anos: escrevia o que eu queria, visitava os blogs que eu gostava, comentava quando achava pertinente, participava em midias sociais tipo Twitter e Blip.fm por prazer e divertimento, participava de blogagens coletivas quando achava pertinente, linkava o que eu achava interessante, conversava em IMs com gente legal… Enfim, estava sendo uma blogueira como sempre fui.

Esse balanço de minha vida blogueira me tranquilizou. Blogar continuava e continua sendo uma atividade gostosa e factível.

Não satisfeita ainda, resolvi procurar aqueles blogueiros que começaram comigo, como será que eles estavam se saindo também no tal ranking do BlogBlogs?

Fora algumas exceções, meus conhecidos estão lá atrás comigo: Cora Ronai, MarinaW, PuraGoiaba, Leite de Pato… Outros, nem cadastrados estão: Catarro Verde, carnecrua

Percebi então que eu estava muito bem acompanhada. Não que não estivesse antes. Porém, são duas blogosferas diferentes.

Eu fico feliz de transitar pelas duas. Na blogosfera jovem, dinâmica, agitada, cheia de novidades, de consumo rápido. E na blogosfera clássica, purista, eterna.

E é com minha relação com os meus blogs bem resolvida dentro de mim que acabo este post.

Deixo aqui minha experiência para quem quiser.

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    Juramento de Hipócrates

    “Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

    Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

    Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

    A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substãncia abortiva.

    Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

    Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

    Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

    Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

    Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Monday, November 17th, 2008

    Consulta nº 84.833/05

    Assunto: Sobre a possibilidade de implantação de receituários padronizados para alguns tipos de medicamentos mais usados na instituição, contendo o nome comercial ou genérico do medicamento, a dosagem e a posologia.

    Relator: Conselheiro João Ladislau Rosa.

    Ementa: A receita médica deve ser conseqüência da consulta médica, e como tal preenchida após esta. Pode ser preenchida com letra cursiva legível, datilografada ou digitada em computador, porém nunca previamente impressa.

    O consulente Dr. A.M.S., Diretor Clínico de hospital na capital de São Paulo, solicita parecer do CREMESP sobre a possibilidade de implantação de receituários padronizados para alguns tipos de medicamentos mais usados na instituição, contendo o nome comercial ou genérico do medicamento, a dosagem e a posologia. Modelo:

    Loxonin 60 mg (comprimidos) – 1 cx.

    Tomar 1 comprimido de 8/8 horas.

    PARECER

    A utilização de receituário padrão a ser utilizado para alguns medicamentos mais usados surge com a necessidade de agilizar o atendimento médico, conforme o próprio consulente afirma: “tendo em vista a grande demanda de consulta do hospital…”.

    A boa vontade em facilitar o trabalho, na verdade, não passa de mais uma pressão sobre os médicos para atender um número cada vez maior de pacientes, ou seja, o tempo economizado seria utilizado em mais consultas.

    A receita previamente preenchida pode limitar a autonomia e liberdade do médico quanto à prescrição, pode direcionar a prescrição para determinados medicamentos e pode ainda dificultar a prescrição de outros fármacos.

    A receita médica deve ser conseqüência da consulta médica, e como tal preenchida após esta. Pode ser preenchida com letra cursiva legível, datilografada ou digitada em computador, porém nunca previamente impressa.

    Este é o nosso parecer, s.m.j.

    Conselheiro João Ladislau Rosa

    APROVADO NA 3.382º REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 21.10.2005.
    HOMOLOGADO NA 3.385º REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 25.10.2005.

    Ainda sobre o assunto de se exigir que os médicos façam suas receitas e pedidos de exame em computadores…

    O Conselho Regional de Medicina de São Paulo é claro quando ordena que os médicos escrevam seus receituários de forma legível.

    Ou seja, já existe lei para isso, é só fazer valer. Não há necessidade de mais uma.

    A obrigatoriedade do uso de computadores vai abrir precedentes perigosos como no caso das receitas pré-escritas, padronizadas, não individualizadas. Receitas essas muito comuns aos maus profissionais. Quem sai perdendo é o paciente. Quem ganha com isso é a estrutura massacrante e vampirizadora da classe médica.

    Para quem não sabe, o médico pode receitar em qualquer papel. Até papel de bala se quiser, desde que tenha todas as informações necessárias no papelzinho, como nome do paciente, nome da medicação, dose, apresentação, tempo de tratamento, identificação do médico, etc..

    O uso do tal carimbo médico também é facultativo. Basta nossa assinatura, o número do CRM e o nome por extenso.

    Ou seja, hoje, podemos atender qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer condição e medicá-la. Eu mesma já fiz isso em viagens, sem meu receituário ou carimbo. Bastando para isso minha assinatura, meu nome, minha identificação e a receita correta numa folha de caderno. E é claro que foram emergências, e eu não recebi nada por elas. Porque eu sou médica o tempo todo.

    Restringir meu exercício da medicina apenas quando eu estiver com um computador e uma impressora para fazer uma receita é absurdo. É me restringir como ser humano no que tenho de mais sagrado.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Sunday, November 16th, 2008

    Na noite de quarta-feira passada fui a um bar com um amigo. E do nada, comecei a passar mal. Veio uma ânsia esquisita e mal consegui chegar ao banheiro do bar. Vomitei pelo caminho todo o conteúdo do estômago ainda do almoço. E não, eu não havia bebido nada. Sou praticamente abstêmia.

    Voltei para a mesa para irmos embora mas não deu: nova ida ao banheiro e novos vômitos incoercíveis (linguagem médica).

    Do bar, fomos direto para o Posto de Saúde onde trabalhei por vários anos. Mas dessa vez, era paciente.

    Aguardei na fila e fui atendida pelo plantonista que me colocou no soro tomando Plasil.

    Recebi uma receita escrita a mão com vários medicamentos: mebendazol, para uma possível verminose, ranitidina, para uma possível gastrite e mais plasil para enjoo (olha, sem acento!).

    O auxiliar de enfermagem, muito solícito, me entregou a medicação: metronidazol, ranitidina e plasil.

    Eu, que não era apenas uma apciente comum, mostei que um dos remédios estava errado: ele havia me dado metronidazol no lugar de mebendazol.

    Para o auxiliar de enfermagem aquela diferença era insignificante, afinal, ambos começavam com “me” e acabavam com “dazol”. E eram drogas para matar bichos. Ou seja, era mais que suficiente e eu estava reclamando muito.

    A receita dada pelo médico era absolutamente legível e não dava margem a nenhuma confusão entre as medicações.

    Eu sou médica desde 1986, há 22 anos. E o que vejo a respeito de medicações erradas é uma grande falta de respeito ao trabalho médico. Qualquer pessoa, seja auxiliar de enfermagem, enfermeiro, farmacêutico, parente, balconista de farmácia, qualquer um se julga melhor prescritor que o próprio médico e troca medicações e segue os tratamentos ao seu bel prazer.

    A parcela de receitas que de fato são ilegíveis é muito pequena, pois há médicos que tem letra ruim como há outros profissionais que tem letra ruim em outra áreas. O problema é que todo mundo se acha capaz de trocar e substituir medicamentos, mesmo entendendo o que está escrito na receita.

    Se as pessoas que não entendem o que está escrito simplesmente entrassem em contato com o médico que escreveu e perguntasse o que está lá, o médico rapidamente daria um jeito de escrever de forma mais legível só para não ser incomodado.

    O problema é que todo mundo adivinha, receita, troca, substitui, suspende medicações e não dão a mínima para o que o médico fez.

    O paciente e os outros profissionais envolvidos não tem que saber sobre o remédio. Para isso existe o médico. Eles apenas precisam fazer questão que a receita se cumpra. E se houver qualquer dúvida é com o médico que a escreveu que ela deve ser sanada, com mais ninguém.

    Exigir que os médicos entreguem suas receitas impressas por computador é mais uma grande falta de respeito com a classe médica.

    O que deve ser revisto agora é a valorização do ato médico. Resgatar o valor real do médico. O respeito que a profissão merece.

    Acabar com os pseudoterapeutas que exercem ilegalmente a medicina impunemente.

    Cobrar dos governos e convênios médicos salários e remunerações justas para os médicos poderem trabalhar em condições melhores e assim poderem exercer uma medicina de melhor qualidade que os pacientes merecem.

    Fazer valer o que está escrito na receita. Isso é o mínimo. Tanto para medicações como para exames. Se o médico escreveu determinado medicamento ou pediu determinado exame é porque ele teve uma boa razão para isso. E se você tiver alguma dúvida, é na consulta que deverá sanar suas dúvidas, não na farmácia ou no laboratório.

    Eu peço encarecidamente que se você concorda comigo por favor, divulgue este texto.

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    “Eu não leio biografias. De interessante já chega minha vida.”

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Comentando Comentários | Saturday, November 15th, 2008

    André HP

    Esse lance de ‘1 dia de cada vez’ eu nunca entendi. Um amigo meu me falava muito, é algo como viver intensamente, mas na prática nunca saquei o que seria.

    André, acredito que cada um vai descobrir o que significa viver um dia de cada vez.

    Eu posso dizer por mim.

    Eu já aprendi que não sou imortal e que cada dia é importante. Basta um segundo para sua vida mudar completamente ou até se acabar. Assim, meu tempo é precioso e procuro fazer apenas o que eu gosto. Não perder tempo com coisas desagradáveis na medida do possível.

    Eu procuro viver as coisas por inteiro, ou seja, estou inteira naquilo que faço e vivo com toda minha atenção, meus sentimentos, meus afetos, minha mente. Aproveito toda a experiência que estou vivendo ao máximo. Não vivo por viver, para “passar o tempo”. Cada minuto da minha vida é significativo e estive completamente dedicada a ele. Isso não implica que só faço coisas extraordinárias, e sim, que vivo extraordinariamente as coisas mais banais.

    Eu não fico pensando no dia seguinte com medo. Eu só penso naquele momento presente que estou vivendo. O amanhã será o presente amanhã e dai estarei pensando nele quando ele for presente. Isso não significa que não planejo o futuro. Eu planejo. Mas não tenho medo do futuro porque ele ainda não aconteceu. E eu não tenho medo do presente, porque estou inteira nele e confio em mim.

    Eu não fujo do que a vida me oferece nem das coisas que se apresentam. Eu não tenho medo de me machucar porque eu sei que tudo passa e eu aguento. Não tenho medo da morte. Não quero morrer, claro. Não me exponho a perigos desnecessários. Mas a vida para mim é uma aventura deliciosa. Eu escolhi ser a super-heroína da minha vida.

    Não sou acomodada. Se uma coisa não está boa, eu mudo.

    Eu não espero, eu faço.

    Quando eu acordo pela manhã eu sinto como se de fato tivesse nascido de novo e com alegria quase infantil penso: que maravilhas o dia de hoje me reserva?

    Resumindo, meu “viver um dia de cada vez” nada mais é que ter a consciência de se estar viva e ser responsável completamente por minha vida e por tudo que acontecer com ela. Eu sou responsável por cada segundo do que me acontece. Se for bom ou ruim, a responsabilidade é minha e de mais ninguém. E como eu me amo e quero o melhor para mim, nada mais lógico do que querer me dar a melhor vida possível. Certo?

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    Faz um bom tempo que aprendi a viver um dia de cada vez.

    E quando as coisas apertam, aprendi que se tem que viver um minuto de cada vez, uma hora de cada vez.

    Essa foi uma lição muito dura, como todas as outras que aprendi.

    Nenhuma lição é fácil.

    Pois eu aprendi outra lição.

    Eu só dou conforme eu recebo.

    Se eu tenho de sobra, eu dou. Se eu estou recebendo a mais, eu dou.

    Do contrário, eu troco.

    Eu, como uma grande maioria de pessoas, costumava dar na esperança de receber de volta. E dava o que eu não tinha. E além de não receber, ainda ficava sem nada. Vazia.

    Mas eu aprendi a lição.

    Se você está dando e não está recebendo, pare e pense.

    Se você só está recebendo e não está dando, pare e pense também. E prepare-se, porque vai faltar.

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    Liliana | Blogworld,Músicas | Wednesday, November 12th, 2008

    Desculpe, Bruno.

    Deixa eu estragar seu post só um pouquinho… hehehehe

    John I love You de Sinead O’Connor.

    (Eu sei que sou chata. Pergunta para o Bender, para o Cardoso e para o Coisa Redonda Laranja…)

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  • Adoção de Crianças – Um Ato Normal

    Liliana | Admirável Mundo Velho,Etiqueta ou o Óbvio Repassado | Monday, November 10th, 2008

    Fui convidada para fazer um post sobre adoção de crianças.

    Tenho que frisar que é sobre crianças porque o mais comum para mim é adotar cachorros. Porém, se eu um dia tivesse filhos humanos, seria através da adoção de uma criança. Não tenho vontade nenhuma de engravidar. E para mim, tanto faz se meu filho viesse através de minha vagina ou através de adoção, é a mesma coisa: filho é filho.

    Eu cresci com essa percepção da adoção porque meu pai foi adotado.

    Ele tinha 4 anos de idade quando ficou órfão e foi adotado pelos meus avôs. Então, não vejo nada de mais, nenhuma diferença entre o adotado e o parido. Minha mãe foi parida pela mãe dela e meu pai, adotado. Ambos tiveram alegrias e os problemas normais de todos os filhos com seus pais.

    Eu sempre digo que o ser humano adora complicar as coisas.

    A primeira complicação é colocar essa diferença: “Ó, ele é adotado!” Besteira! Não tem.

    A segunda é complicar o processo de adoção. Outra besteira.

    A terceira é insistir em querer espalhar seus próprios genes por pura vaidade. Ridículo.

    Para mim, adoção de crianças é uma coisa supernormal.

    Filho é filho. Simples assim.

    Um dia esse assunto será tão corriqueiro e normal que não será mais necessário se fazer uma postagem especial para ele. E espero que seja logo.

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    Liliana | Bichos Incríveis,Minha vida num sítio,São Francisco Xavier | Sunday, November 9th, 2008

    É um alívio poder contar para vocês hoje a aventura que aconteceu esta madrugada e que teve um final feliz.

    Tudo começou ontem a noite quando um amigo que está aqui me visitando e eu fomos sair para um show na cidade lá pelas dez da noite. Eu deixei o Gigio e a Graça para dentro de casa e pensei que o Tai estivesse dormindo em algum lugar escondido.

    Na volta do show, lá pela uma da manhã, eu estava exausta morrendo de sono. Porém, não vi o Tai em lugar nenhum. Ele não veio nos saudar quando o jipe chegou. Isso foi o suficiente para me preocupar e começarmos a procurá-lo em todo canto. Viramos a casa do avesso e nada. Então, fomos olhar onde eu temia: na ribanceira ao lado do gramado, onde há uma valeta lá embaixo.

    Eu gritava pelo nome do Tai e de volta recebia um choro como de um pequeno filhote que nem conseguíamos reconhecer como o latido potente do meu cachorro.

    Troquei de roupa, coloquei roupa de guerra enquanto meu amigo desceu a ribanceira com um lanterna.

    Em pouco tempo ele gritou: achei!

    O Tai estava caído dentro de um buraco exatamente do tamanho do corpo dele a mais ou menos 30 metros para baixo da casa. Bem no ângulo da cerca. Entalado. Um lugar quase inacessível.

    Como ele foi parar lá? Provavelmente ele escorregou na grama e rolou para o cantinho. Ou algum dos outros cachorros trombou com ele e ele rolou para lá.

    O Tai é velhinho, mal consegue andar por problemas nas patas de trás. Não tem equilíbrio. É gordinho. Além de estar entalado, não conseguiria subir a ribanceira sozinho. Assim, teríamos que içá-lo os 30 metros.

    Eu consegui desentalá-lo do buraco e rolá-lo para o edredon que seria a maca. Meu amigo fez a maca com os cadarços do tênis e um tronco caído de uma árvore e puxou ribanceira acima por boa parte do caminho.

    Quando chegamos numa certa altura, a mangueira do jardim foi amarrada na maca e conseguimos puxá-la lá de cima.

    Não sei quanto tempo isso demorou. Nos machucamos, fomos picados por formigas, caímos, nos sujamos, saímos doloridos, exautos.

    O Tai chorava de dor e lá pelas tantas entendeu o que fazíamos e ficou quietinho colaborando.

    Eu me lembrei da cena do cavalo sendo içado por um helicóptero.

    Do fotógrafo que não salvou a menina se afogando e em vez disso ficou tirando fotos.

    Pensei: isso dá um post…

    Só não queria pensar no pior.

    Já na varanda, o Tai viu que estava salvo, saiu da maca sozinho, procurou sua vasilha de água, bebeu bastante e se deitou visivelmente abatido. Só então pudemos constatar que ele não estava ferido.

    Hoje pela manhã, estamos todos doloridos. Pelas fotos vocês podem ver que ele está cansado, sujo, mas o rabinho balança de alegria quando falo com ele.

    Meu amigo ainda dorme o sono dos justos. Eu sou eternamente grata a ele por salvar a vida do meu cachorro. Ainda tem gente boa no mundo.

    Esta madrugada foi uma história de superação. Não houve medo de cobras, aranhas, bichos, sono, fome, dor, integridade pessoal. Houve amizade e amor.

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    A vida é engraçada.

    Há anos atrás eu fiz algo semelhante e não foi notícia na BBC.

    Estava eu tranquilamente em minha casa quando recebo um telefonema da veterinária residente em São Francisco Xavier. Ela estava com uma emergência: um pequeno tucano de bico amarelo e corpo preto havia fugido do viveiro por ciúmes de um novo tucano e se enfiou no cano de drenagem. Porém, ele ficou entalado no cano e sofreu um escalpelamento, ou seja, toda a pele de seu crânio foi arrancada. Além disso, teve seu peito aberto por ficar preso no cano.

    A veterinária havia sido chamada e não sabia o que fazer com ele. Então ela me chamou, uma neurocirurgiã.

    Eu fui atender o tucano e é claro, era um caso cirúrgico. Teria que refazer toda a pele do crânio e suturar todo o tronco dele de novo. E pelo tamanho diminuto do paciente, seria quase uma microcirurgia.

    Entramos em contato com uma veterinária em outra cidade especializada em aves que nos orientou quanto à anestesia, preparamos nosso material cirúrgico e eu anestesiei o paciente.

    Operei o tucano numa varanda, sob as vistas da família e sendo auxiliada pela veterinária. Senti-me a própria Daktari.

    O tucano não foi o primeiro animal que eu operava. Eu já havia operado cachorros exatamente com essa mesma veterinária. Mas eu nunca havia tocado numa ave antes! Quanto mais, operar uma.

    A cirurgia transcorreu bem. O tucano acordou logo da anestesia. Voltou para o seu puleiro e parecia bem satisfeito.

    Infelizmente ele morreu no terceiro dia de pós-operatório. A veterinária não soube me explicar o que aconteceu, porque eu o deixei bem.

    Veterinários…

    Bem, mas o tal cirurgião inglês opera um gorila e sai na BBC.

    Eu faço uma neurocirurgia num tucano e tenho que colocar no meu próprio blog…

    Definitivamente eu preciso de um RP.

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    A temporada das chuvas começou e as baixas por raios já me atingiram: tenho duas televisões e o microondas queimados. Assim, como tinha que fazer outras coisas em São José dos Campos, convoquei a Andréia e rumei para lá no jipe que só teve lugar para uma das televisões. A outra vai ficar para outra vez.

    Deixamos a televisão no conserto e fomos procurar a assistência técnica do microondas numa avenida grande e conhecida da cidade. Passamos por toda a avenida e nada. Eu, muito prevenida, estava com endereço, telefone, tudo certinho pois já tinha visto com antecedência pela internet no site do fabricante. resolvi então parar o carro numa vaga e telefonar.

    - Alô? Onde vocês estão? Estou aqui na avenida X no numero Y e não encontrei vocês.

    - Ah, você já nos passou. Você conhece a papelaria W?

    - Sim.

    - Então, estamos a uns 100 metros dela. Num portão azul.

    - Mas como eu não vi? Não tem placa?

    - Tem! Claro! Mas na placa está escrito “Eletrolux”.

    - Ah! Então na placa não tem o nome da assistência técnica?

    - Não. Mas a gente conserta Bosch também. (Que é o meu microondas.)

    - Então por isso que eu não vi. Eu estava procurando uma placa com o nome da sua assistência técnica.

    - Ah, não tem…

    - Já entendi…

    E no final, embora eles não sejam os melhores em placas, conseguiram consertar o microondas no mesmo dia e eu pude trazê-lo de volta.

    Aproveitei e fui ao meu supermercado preferido. Meu objetivo era comprar carnes e coca zero. E caí na besteira de ir ao açougue do supermercado com fome. Eu praticamente queria comer tudo alí. Quem te viu, quem te vê. A vegetariana salivando por uns lindos pedaços de filé, de lombo, antecipando o churrasco, o almoço com os amigos, os hamburguers…

    Lá pelas tantas, não resisti e tirei uma foto de uma magnífica peça de alcatra de 3 quilos e mandei para um amigo convidando para um churrasco. Resultado: fui chamada de Dexter. Mas tudo bem. O açougueiro me entendeu perfeitamente.

    Procurando a Coca Zero, eu queria um fardo de 8 e pedi para o moço. Pois não tinha Coca Zero no Pão de Açucar! A desculpa é que agora os fardos vêm com 6 e as entregas ficaram atrapalhadas. Tive que me contentar com a Light.

    Outra coisa que aproveitei para comprar no supermercado foi embalagens econômicas de papel higiênico Neve. Aqueles fardos de 16 rolos. Aqui em São Francisco cada embalagem de 4 custa mais de 5 reais. E o tal fardo de 16 estava por 13 e pouco. Papel higiênico em SFX é artigo de luxo.

    No fim, na fila do caixa, meu carrinho estava bem engraçado: coca cola, carnes e papel higiênico. Quem reparasse ia perceber meu estado de espírito: eu queria mais era me divertir e cagar para o resto…

    Cheguei exausta em casa no começo da noite com a sensação de dever cumprido. Uma pena que ainda vou ter que fazer pelo menos mais uma viagem dessas para consertar a outra televisão e depois voltar para pegá-las de volta. Fora as novas idas ao supermercado, porque ir ao “mariomercadinho” de SFX está inviável.

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