Contra a Obrigatoriedade de Receitas Médicas Impressas no Computador
Consulta nº 84.833/05
Assunto: Sobre a possibilidade de implantação de receituários padronizados para alguns tipos de medicamentos mais usados na instituição, contendo o nome comercial ou genérico do medicamento, a dosagem e a posologia.
Relator: Conselheiro João Ladislau Rosa.
Ementa: A receita médica deve ser conseqüência da consulta médica, e como tal preenchida após esta. Pode ser preenchida com letra cursiva legível, datilografada ou digitada em computador, porém nunca previamente impressa.
O consulente Dr. A.M.S., Diretor Clínico de hospital na capital de São Paulo, solicita parecer do CREMESP sobre a possibilidade de implantação de receituários padronizados para alguns tipos de medicamentos mais usados na instituição, contendo o nome comercial ou genérico do medicamento, a dosagem e a posologia. Modelo:
Loxonin 60 mg (comprimidos) – 1 cx.
Tomar 1 comprimido de 8/8 horas.
PARECER
A utilização de receituário padrão a ser utilizado para alguns medicamentos mais usados surge com a necessidade de agilizar o atendimento médico, conforme o próprio consulente afirma: “tendo em vista a grande demanda de consulta do hospital…”.
A boa vontade em facilitar o trabalho, na verdade, não passa de mais uma pressão sobre os médicos para atender um número cada vez maior de pacientes, ou seja, o tempo economizado seria utilizado em mais consultas.
A receita previamente preenchida pode limitar a autonomia e liberdade do médico quanto à prescrição, pode direcionar a prescrição para determinados medicamentos e pode ainda dificultar a prescrição de outros fármacos.
A receita médica deve ser conseqüência da consulta médica, e como tal preenchida após esta. Pode ser preenchida com letra cursiva legível, datilografada ou digitada em computador, porém nunca previamente impressa.
Este é o nosso parecer, s.m.j.
Conselheiro João Ladislau Rosa
APROVADO NA 3.382º REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 21.10.2005.
HOMOLOGADO NA 3.385º REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 25.10.2005.
Ainda sobre o assunto de se exigir que os médicos façam suas receitas e pedidos de exame em computadores…
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo é claro quando ordena que os médicos escrevam seus receituários de forma legível.
Ou seja, já existe lei para isso, é só fazer valer. Não há necessidade de mais uma.
A obrigatoriedade do uso de computadores vai abrir precedentes perigosos como no caso das receitas pré-escritas, padronizadas, não individualizadas. Receitas essas muito comuns aos maus profissionais. Quem sai perdendo é o paciente. Quem ganha com isso é a estrutura massacrante e vampirizadora da classe médica.
Para quem não sabe, o médico pode receitar em qualquer papel. Até papel de bala se quiser, desde que tenha todas as informações necessárias no papelzinho, como nome do paciente, nome da medicação, dose, apresentação, tempo de tratamento, identificação do médico, etc..
O uso do tal carimbo médico também é facultativo. Basta nossa assinatura, o número do CRM e o nome por extenso.
Ou seja, hoje, podemos atender qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer condição e medicá-la. Eu mesma já fiz isso em viagens, sem meu receituário ou carimbo. Bastando para isso minha assinatura, meu nome, minha identificação e a receita correta numa folha de caderno. E é claro que foram emergências, e eu não recebi nada por elas. Porque eu sou médica o tempo todo.
Restringir meu exercício da medicina apenas quando eu estiver com um computador e uma impressora para fazer uma receita é absurdo. É me restringir como ser humano no que tenho de mais sagrado.














Estou de acordo. Também sou contra. Médico restrito a um pc. E as regiões mais carentes? E as emergências? Absurdo!
Tomara que tal lei não seja aprovada.
beijo,menina
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Comment by denise rangel — November 17, 2008 @ 4:16 pm
Liliana, tudo isso é puro blábláblá. Concordo com você, e sabe o que é pior? Capaz de conseguirem. É exatamente a mesma situação da lei seca. Já havia uma lei que regulamentava, proibia e enfim, era só por em prática. Mas o que fizeram? Aprovaram a lei seca e meteram 8945628845 policiais nas ruas. Depois disseram que foi a lei seca que acabou com os acidentes. Arran, tá bom. Blah.
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Comment by Bruno Pedrassani — November 17, 2008 @ 4:33 pm
Certa vez me consultei com o médico padrão da minha família, mas que não conhecia.
Ao ver os garranchos do tal dr., pedi a ele que escrevesse novamente a receita, já que se eu que estava na consulta não conseguia entender o que estava escrito, imagina o coitado do farmacêutico!
Para minha surpresa, tal dr. disse que se eu quisesse outra receita, que procurasse outro médico.
Minha família inteira procurou outro médico depois daquela maldita consulta, e hoje minhas receitas são impressas e disponíveis para consulta na internet como histórico, o que acho ótimo, principalmente por ter alergias a diversos medicamentos como anti-inflamatórios em geral, dipirona, ácido acetil salicílico e trocentos anestésicos.
Não vejo como obrigatório o uso de tecnologia para medicar alguém, ainda mais no Brasil, mas a tecnologia está aí para ajudar a todos, e com certeza salvar vidas de pessoas como eu, que tem na aspirina um veneno mortal.
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Comment by O Doido Vinicius — November 17, 2008 @ 11:03 pm
Opinião de leigo,
Seu conceito no meu entendimento é perfeito.
Nossos legisladores carecem de humildade e deviam legislar consultando as diversas entidades de classe.
Carecemos de leis simples e um estado com mecanismos íntegros e eficientes para garantir sua aplicação.
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Comment by Osmar — November 18, 2008 @ 2:43 am
Como tudo na vida esta lei possui 2 lados. Pelo lado ruim sabemos que é impossível nos dias atuais todos os médicos possuírem um computador com impressora. Mas há 10 anos era impossível todo mundo ter celular e olha onde chegamos.
Pelo lado bom vários erros cometidos por profissionais de saúde ao preencher receitas seriam evitados. Existe uma lei que regulamenta a maneira como uma receita deve ser preenchida e ela vive sendo descumprida.
Alguns abreviam termos que não deveriam ser abreviados. Outros colocam o nome comercial do medicamento, esquecendo do princípio ativo e alguns escrevem garranchos ao invés de letras legíveis.
Não sou a favor porque é um exagero, mas reconheço o benefício que a prática de se escrever receitas pelo computador traria.
Sou programador e na verdade pretendo desenvolver um programa que siga esta lei dos genéricos ao preencher receitas e para gerenciar consultórios também. Mas isso é outra história.
Abraços.
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Liliana reply on November 20th, 2008 10:05 am:
Oi Dmitry, eu sou a favor da tecnologia nos consultórios. Eu usava, há muitos anos atrás um programa de homeopatia que fazia exatamente isso que você se propõe num pequeno notebook Compaq de HD de 32M, tela p&b e Windows 3.1.
Beijos.
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Comment by Dmitry — November 19, 2008 @ 9:27 pm
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Pingback by Decodificando » Decodificando 17 - Biopirataria — December 29, 2008 @ 12:06 am