Eu Sou Contra A Prescrição Digital
Na noite de quarta-feira passada fui a um bar com um amigo. E do nada, comecei a passar mal. Veio uma ânsia esquisita e mal consegui chegar ao banheiro do bar. Vomitei pelo caminho todo o conteúdo do estômago ainda do almoço. E não, eu não havia bebido nada. Sou praticamente abstêmia.
Voltei para a mesa para irmos embora mas não deu: nova ida ao banheiro e novos vômitos incoercíveis (linguagem médica).
Do bar, fomos direto para o Posto de Saúde onde trabalhei por vários anos. Mas dessa vez, era paciente.
Aguardei na fila e fui atendida pelo plantonista que me colocou no soro tomando Plasil.
Recebi uma receita escrita a mão com vários medicamentos: mebendazol, para uma possível verminose, ranitidina, para uma possível gastrite e mais plasil para enjoo (olha, sem acento!).
O auxiliar de enfermagem, muito solícito, me entregou a medicação: metronidazol, ranitidina e plasil.
Eu, que não era apenas uma apciente comum, mostei que um dos remédios estava errado: ele havia me dado metronidazol no lugar de mebendazol.
Para o auxiliar de enfermagem aquela diferença era insignificante, afinal, ambos começavam com “me” e acabavam com “dazol”. E eram drogas para matar bichos. Ou seja, era mais que suficiente e eu estava reclamando muito.
A receita dada pelo médico era absolutamente legível e não dava margem a nenhuma confusão entre as medicações.
Eu sou médica desde 1986, há 22 anos. E o que vejo a respeito de medicações erradas é uma grande falta de respeito ao trabalho médico. Qualquer pessoa, seja auxiliar de enfermagem, enfermeiro, farmacêutico, parente, balconista de farmácia, qualquer um se julga melhor prescritor que o próprio médico e troca medicações e segue os tratamentos ao seu bel prazer.
A parcela de receitas que de fato são ilegíveis é muito pequena, pois há médicos que tem letra ruim como há outros profissionais que tem letra ruim em outra áreas. O problema é que todo mundo se acha capaz de trocar e substituir medicamentos, mesmo entendendo o que está escrito na receita.
Se as pessoas que não entendem o que está escrito simplesmente entrassem em contato com o médico que escreveu e perguntasse o que está lá, o médico rapidamente daria um jeito de escrever de forma mais legível só para não ser incomodado.
O problema é que todo mundo adivinha, receita, troca, substitui, suspende medicações e não dão a mínima para o que o médico fez.
O paciente e os outros profissionais envolvidos não tem que saber sobre o remédio. Para isso existe o médico. Eles apenas precisam fazer questão que a receita se cumpra. E se houver qualquer dúvida é com o médico que a escreveu que ela deve ser sanada, com mais ninguém.
Exigir que os médicos entreguem suas receitas impressas por computador é mais uma grande falta de respeito com a classe médica.
O que deve ser revisto agora é a valorização do ato médico. Resgatar o valor real do médico. O respeito que a profissão merece.
Acabar com os pseudoterapeutas que exercem ilegalmente a medicina impunemente.
Cobrar dos governos e convênios médicos salários e remunerações justas para os médicos poderem trabalhar em condições melhores e assim poderem exercer uma medicina de melhor qualidade que os pacientes merecem.
Fazer valer o que está escrito na receita. Isso é o mínimo. Tanto para medicações como para exames. Se o médico escreveu determinado medicamento ou pediu determinado exame é porque ele teve uma boa razão para isso. E se você tiver alguma dúvida, é na consulta que deverá sanar suas dúvidas, não na farmácia ou no laboratório.
Eu peço encarecidamente que se você concorda comigo por favor, divulgue este texto.














Absurdo mesmo! Isso sem falar no perigo para os consumidores.
Confesso que sempre entrego a receita para o farmacêutico sem nem ler antes e sem nenhuma idéia do nome dos medicamentos.
Vou passar a ter mais atenção.
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Comment by Cecilia Barroso — November 16, 2008 @ 7:20 pm
Bem, mas voltando ao ponto inicial: vc está bem agora?
bjs
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Comment by Lele — November 17, 2008 @ 10:18 am
Como farmacêutico, eu nunca substituí a prescrição dada pelo médico por outro produto, e concordo com você que é algo que não deve ser feito. Por outro lado, muitas vezes tive dúvidas com relação à receita e telefonei ao médico solicitando esclarecimentos, a consciência profissional exigia. Em algumas ocasiões o médico confirmou a prescrição, em outras percebeu engano e retificou (fato que anotei devidamente no verso da receita).
Diversas vezes aconteceu de ter em mãos receitas absolutamente ilegíveis, quando foi possível confirmei o medicamento, quando não foi, me recusei a vender para o paciente, para não correr o risco de vender o medicamento incorreto, e pedi que entrasse em contato com o médico novamente. Acho que a receita tem, sim de ser legível, o que não implica que seja feita obrigatoriamente em computador. Aliás, acho que muita coisa deveria melhorar com relação à prescrição e dispensação de medicamentos no Brasil, de forma que tivessemos um processo voltado realmente a atender a necessidade do paciente, com respeito entre os profissionais envolvidos, e não o modelo de lucro fácil e supermercado de medicamentos que hoje existe.
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Comment by Enio Luiz Vedovello — November 17, 2008 @ 10:33 am
Liliana, claro que tem razão, a prescrição médica precisa ser respeitada o laboratório precisa fazer o exame solicitado, agora se temos chance de diminuir estes erro devido a letras difíceis de serem entendidas, e sabe que nem sempre o médico pode atender a uma ligação de alguém querendo esclarecer uma dúvida, devido aos seus importantes afazeres, cirurgia, consultas, mas os outros profissionais também merecem respeito no seu trabalho. E o paciente terá muito mais condições de acompanhar a compra do medicamento, conferindo se está tudo de acordo com a receita. E o médico poderá cobrar que seja aviado o medicamento solicitado por ele, pois não ficará dúvidas no que fora escrito. Todos ganham.
Defendo veementemente a valorização do médico, e aqueles que trabalham comigo sabem disso. Abraço.
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Comment by Silvano Vilela — November 17, 2008 @ 2:32 pm
Olá Dra. Liliana!
Desculpe a intromissão, sou seu colega e paralelamente a área da cardiologia, venho me dedicando as questões da Tecnologia da Informação em Saúde. Fiquei sabendo desta discussão sobre prescrição eletrônica por uma “via anômala” e gostaria de deixar minha opinião. O assunto é tão vasto quanto polêmico o que me dá a tranqüilidade de discordar do seu ponto de vista. Não quero me estender, pois acabaríamos escrevendo um livro de discórdias. Mas na verdade tenho uma vivencia de sucesso com o prontuário eletrônico e conseqüentemente com a prescrição eletrônica. Neste momento, quero deixar aqui um trecho de documento publicado pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos (traduzido) datado do primeiro trimestre deste ano.
“A importância de manter digitalizadas e acessíveis as informações médicas é destacada em relatório do departamento de Saúde dos Estados Unidos, ao apontar que todo ano ocorrem 600 mil casos de erros médicos no país, a maioria associada à troca de medicamentos e à leitura errada de dados sobre o perfil do paciente. Enganos que provavelmente seriam evitados se houvesse o prontuário eletrônico com as informações digitais. O estudo indica também que os hospitais que adotam soluções de TI em várias áreas de atendimento apresentam índice de mortalidade de pacientes sete pontos percentuais abaixo ao de outros hospitais que não têm à disposição os mesmos recursos”.
Atenciosamente
Leonardo Diamante
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Liliana reply on November 20th, 2008 10:17 am:
Leonardo, acho que você não entendeu o que eu quis dizer. Eu não sou contra a tecnologia. Tanto que a uso inclusive em consultório há muitos anos. Acho a informatização de prontuários bem interessante. O que sou contra é a obrigatoriedade de impressão receitas e pedidos de exames, todos eles. O que é bem diferente do uso de tecnologia na Medicina. Eu sou contra qualquer tipo de obrigatoriedade que restrinja o exercício da nossa profissão. Eu mesma já usei programas de prontuários eletrônicos e administração de pacientes há mais de dez anos atrás. Assim, acredito que concordamos no uso de tecnologia na Medicina. Então, gostaria de saber sua opinião na questão específica da obrigatoriedade de impressão de toda e qualquer receita e pedido de exame, que é o que eu sou contra. Obrigada pelo seu comentário.
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Leonardo Diamante reply on November 20th, 2008 12:59 pm:
Olá Dra.
Parece que estamos de acordo.
Eu não gosto da palavra obrigatório. Não vejo sentido obrigar nada a ninguém e conseqüentemente obrigar a prescrever no computador não faz sentido. É como se estivéssemos obrigando o médico a usar o computador. Usa quem quer, quem não quer não usa. Talvez em pouco tempo esta obrigatoriedade desapareça porque será praticamente impossível o médico trabalhar sem o computador, mas daí é um novo blog…
Tendo um tempinho chega em http://www.ldiamante.blogspot.com
Se voce gostar posso te contar porque este “lugar” passou a existir.
Saudações
Leonardo
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Comment by Leonardo Diamante — November 19, 2008 @ 10:17 pm