Eu não estou nervosa

Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Friday, October 24th, 2008

A maioria das pessoas tem o costume de não reagir a determinadas ações de outras pessoas.

Isso estimula que essas outras pessoas continuem fazendo as mesmas coisas de sempre.

Isso se chama condicionamento.

Se eu faço uma coisa legal e a outra me elogia, eu me sinto bem e estimulada para continuar a fazer coisas legais.

Se eu faço uma coisa desagradável para o outro e o outro não faz nada, ele está consentindo que eu continue a agir da mesma forma.

Porém, se alguém faz uma coisa comigo que eu não gosto e eu falo que eu não gostei. A pessoa vai se sentir desestimulada a repetir o comportamento desagradável comigo. Ou, pelo menos, vai pensar duas vezes antes de fazer algo que eu não gosto.

O que eu vejo no dia a dia é que as pessoas agem e não há respostas às ações.

Não há elogios, não há reclamações. Nada.

Esse comportamento passivo mantém as pessoas fazendo as mesmas coisas sempre. Os relacionamentos não mudam. A vida continua exatamente como sempre foi. Nada se resolve.

Eu não costumo dar um feedback meu a qualquer pessoa e em qualquer situação. Eu apenas devolvo ou melhor, reajo, quando a pessoa me interessa de alguma forma ou a situação me interessa. É impossível nos sensibilizarmos com tudo que nos ocorre. Não é saudável.

Sendo uma das condições acima, o feedback pode ser bom ou ruim.

As pessoas gostam de ter um feedback bom, ou seja, serem elogiadas. Isso é muito fácil.

O que a sociedade brasileira não está acostumada é com o feedback ruim.

E as pessoas que apontam quando alguém está sendo desagradável com elas é geralmente taxado de “nervoso”. Outras culturas, ditas mais “frias” são acostumadas com esse tipo de feedback. Os brasileiros, não.

Impor seus limites, traduzir intenções veladas, deixar claro assuntos, não ser hipócrita é sinônimo de nervosismo e principalmente de ser “diferente”.

Ninguém é obrigado a ouvir barbaridades. E ao ouví-las, você está coberto de razões para devolver ao seu interlocutor sua insatisfação.

As pessoas não podem falar o querem para nós. Pois poderão ouvir que não querem. Como diz o velho ditado.

Perguntar ofende, sim.

A grande regra de ouro que se aplica nas relações sociais é: coloque-se no lugar da outra pessoa e veja se você gostaria que fizessem a mesma coisa com você.

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  • 2 Comments »

    1. Se dá bastante feedback para crianças. Sempre tem um adulto pronto pra elogiar ou criticar as ações das crianças. E isso faz parte da educação delas.

      Outra situação comum é tu ver pessoas mais velhas criticando ações de adultos mais jovens. Agora entre pessoas de mesma idade, isso raramente acontece. Nós falamos poucos uns com os outros. Medo? Vergonha? Indiferença?

      O que eu aprendi, é que quando alguém toma alguma iniciativa de comunicação, as outras pessoas em volta aprovam.

      Responder

      Comment by Juliano Schroeder — October 27, 2008 @ 11:06 am

    2. [...] Eu não estou nervosa – Chá de Hortelã [...]

      Pingback by Meu Google Reader [ 24/10 - 31/10] | 30 & Alguns — October 31, 2008 @ 11:13 am

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