A Arca da Aliança

Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Tuesday, September 30th, 2008

Quando eu estava lá em Gostoso conversando com a mulher da firma de mudanças para acertar a ida de minhas coisas para lá, fiquei pensando na quantidade de cacarecos que eu tenho guardado.

Afinal, é uma vida inteira juntando coisas. E eu não sou daquelas que tem lembrancinhas de tudo que é acontecimento ou lugar que eu passei. Mas vocês entendem. Eu chego em casa e jogo um papelzinho num canto dizendo para mim mesma que depois eu vejo o que vou fazer com aquilo. Ou uma coisinha que me pode ser útil no futuro. E no fim, a casa está lotada.

Então eu resolvi que ia fazer uma limpa na casa inteira. Olhar comodo por comodo, gaveta por gaveta e jogar tudo fora, doar, vender, sei lá. Dar fim a tudo que não me fosse útil.

O processo é demorado e requer uma paciência que eu não tenho. Assim, me programei para fazer isso aos poucos para não empapuçar.

Hoje foi a vez do meu quarto.

Tinha tanto recibinho de cartão de crédito enfiado numa gavetinha há anos!

Conjuntos de lençóis e fronhas podres que eram de minha mãe!

E, perdida entre saquinhos plásticos na gaveta de baixo do criado-mudo, a dentadura do meu avô.

PQP! Como é que a dentadura do meu avô foi parar no meu quarto?

Provavelmente foi numa das vezes que ele passou mal e eu a retirei, embrulhei num guardanapo de papel e enfiei na bolsa.

Daí, numas de esvaziar a bolsa em cima da cama o tal pacotinho de papel cai e é guardado pela empregada que não pode ver nada por cima de nada que tem que ser enfiado numa gaveta. E assim, a dentadura de alguém que já morreu faz alguns anos fica perdida como a Arca da Aliança para ser encontrada nesta expedição de desemacumbamento.

E isso só foi no quarto e no banheiro.

Mal posso esperar o que o resto da casa guarda.

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    Liliana | Músicas | Monday, September 29th, 2008

    Finalmente consegui ripar todos os meus CDs aqui de casa para o iTunes e por conseguinte para o iPod.

    Foi uma experiência bem interessante rever coisas que fazia tempo que eu não ouvia.

    E também conforme eu ia ripando, ia me lembrando de LPs que eu tinha e foram se perdendo no tempo. Daí, eu fiz uma coisa não muito recomendável… Fui num certo site de torrents e baixei os tais elepês que ia lembrando e refiz minha biblioteca musical.

    Dentre os LPs antigos, salvei um do Rick Wakeman, alguém lembra? Do Rei Arthur. Bárbaro.

    Rick Wakeman - King Arthur

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    Liliana | Blogworld | Sunday, September 28th, 2008

    O Jorge e a Veridiana me deram selinhos para o Chá de Hortelã.

    Eu sei que não é sempre que os coloco aqui.

    Mas eu gosto muito de ganhá-los.

    O que eu fico meio desconfortável é de passar os tais selinhos pra frente porque eu sempre acho que vou ser injusta com alguém.

    Jorge (.Blog) e Veridiana (30 & Alguns), muito obrigada. Vocês são uns amores de pessoas e eu gosto muito de seus blogs.

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    Liliana | Bichos Incríveis, Blogworld | Sunday, September 28th, 2008

    Eu só queria dizer que eu gosto muito de escrever aqui.

    Só isso.

    Engraçado como a gente vai ficando séria e quando menos espera esquecemos de reparar como é gostoso fazer certas coisas como este blog por exemplo.

    Claro que se eu for pensar nas possibilidades dele eu fico cada vez mais séria e ele se torna uma coisa muito maior do é para ser na verdade. Ele é um blog, meu blog e eu tenho o maior carinho por ele.

    Eu converso com ele e com meus leitores através dele.

    O blog faz eu me sentir bem. E é só para isso que ele existe assim como tudo que eu faço: para o meu bem.

    E não deveria ser sempre assim?

    Eu estava me segurando para não escrever no blog porque eu pensava “poxa, não tenho nenhuma notícia boa para escrever. Só acontecem coisas chatas comigo. Só fico me queixando. Estou uma chata.” E não escrevia.

    Uma amigo me falou: você conta demais sua vida e isso traz muita energia ruim para você. Por isso que essas coisas estão acontecendo.

    Sei lá.

    No fim, eu não tinha vontade de escrever nada.

    Hoje eu tive insônia porque a Graça passou mal e teve que ser internada de novo e eu estou preocupada. Mal dormi.

    Daí peguei o computador e fui ver o episódio novo de House que eu baixei.

    O House pede para a enfermeira “chá de hortelã”.

    Eu achei tão legal.

    Bobo, né?

    Mas fiquei toda derretida com o meu blog.

    E todas as coisas ruins que estavam se interpondo no meu prazer de blogar que foram se acumulando nos últimos tempos sumiram.

    Eu escrevo porque eu amo escrever.

    Só por isso.

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    Liliana | São Francisco Xavier | Thursday, September 25th, 2008

    Cheguei cansada de São José dos Campos tarde da noite, após deixar a Graça internada no veterinário depois da cirurgia de emergência.

    Eu poderia comer qualquer coisa.

    Não havia nada em casa. Não tive tempo para passar no supermercado nem na padaria nem nada. Minha única opção era comer um sanduíche na Sílvia, a lanchonete que fica na praça principal ao lado da igreja e única coisa aberta nas noites de São Francisco.

    A Sílvia até sorriu quando me viu. A sumida.

    Enquanto meu cheese-bacon-salada-enorme-com-tudo ficava pronto reparei no movimento na igreja velha, toda acesa e perguntei: o que aconteceu?

    - Velório.

    A igreja e a praça estavam lotadas de gente jovem.

    - Quem morreu?

    - Foi A..

    Dali para frente fiquei quieta e não falei mais nada.

    Sigilo médico.

    Mas fiquei muito triste no meio de outras tristezas.

    Fui eu que dei a notícia para A. que ela iria morrer alguns anos antes.

    Nunca vou esquecer isso.

    Eu já tinha dado notícias assim muitas e muitas vezes e no fundo estava cansada disso.

    Quando chegou a vez de A., eu sentada em minha mesa fria de médica, abri o envelope, li o exame, olhei bem para ela e falei o que tinha dentro.

    Depois me levantei, fui até ela, a abracei, ofereci um cigarro e a convidei para sentar na maca de exame ao meu lado.

    Ficamos nós duas fumando e conversando por um bom tempo.

    “Que merda, né?”

    “É.”

    Falamos sobre a vida. Como a vida era.

    “Essas coisas acontecem, né?”

    “É.”

    Silêncio.

    Mais cigarros.

    “Foda, né?”

    “Foda.”

    Lá pelas tantas ela falou que estava bem e podia ir embora. Agradeceu muito nosso tempo juntas e me disse que ia continuar vivendo a vida dela normalmente. E que o jeito que eu a tratei tinha sido muito importante para ela.

    Nos anos seguintes nos cruzamos pela cidade e ela sempre sorria para mim. Eu sorria de volta.

    Nunca mais passou em consulta comigo.

    Foi se tratar na cidade grande e eu me cansei de dar notícias ruins.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Thursday, September 25th, 2008

    Todo mundo sabe que é impossível se fazer tudo o tempo todo. É preciso delegar funções.

    Quanto mais trabalho se tem, mais gente temos que arrebanhar para trabalhar conosco e assim as equipes são formadas.

    Também é impossível saber tudo de todos os assuntos. Então, nada mais lógico que se cercar de gente que sabe mais que você sobre determinado assunto especial que você quer que aquela pessoa resolva.

    No momento que eu tenho que fazer a função de quem eu contratei para fazer, tal pessoa passa a ser desnecessária. E fica claro que ela está sendo incompetente para o cargo.

    É tudo muito simples.

    Também se minha presença física é necessária ao lado da pessoa em questão, não preciso da tal pessoa de intermediário. Faço eu mesma.

    Também é uma equação muito simples.

    Negócios são negócios.

    Simples.

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  • Adaptação

    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Bichos Incríveis, Filosofando | Wednesday, September 24th, 2008

    Vou tentar ser sucinta.

    Eu estava em São Miguel do Gostoso no Rio Grande do Norte. Fui de mala e chapéu.

    Cheguei lá, minha reforma estava atrasada.

    Quando começaram a reformar a casinha de taipa, perceberam que a estrutura estava podre e não iria aguentar.

    Demolimos tudo.

    Fiquei sem casa.

    E sem como construir uma casa nova.

    Tive que mudar meus planos.

    Voltei para São Francisco Xavier, onde já tenho uma casa.

    Ao mesmo tempo, a Graça ficou doente.

    Eu apressei minha vinda, o que casou com a contratação de uma nova equipe no RN.

    A Graça foi operada na urgência ontem, útero infeccionado, piométria. E agora está bem, recuperando-se aqui em casa após passar a noite no veterinário.

    Se eu tivesse demorado mais um pouco ela não teria sobrevivido.

    (Fui aconselhada a não colocar aqui as fotos da cirurgia porque aparentemente apenas médicos gostam dessas coisas.)

    Mas uma foto dela na recuperação eu vou colocar:

    Conclusões:

    1. Realmente o melhor é viver um dia de cada vez porque a gente nunca sabe o que vai acontecer.
    2. Eu tenho uma capacidade incrível de adaptação.
    3. Ninguém pode dizer que eu não tento (faço/experimento/me aventuro, etc.).
    4. E se eu acreditasse nessas coisas, diria que alguém com o santo muito forte não quer que eu me mude para o nordeste. ;)

    Beijinhos!

    Beijinho by Liliana

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Minha Vida Na Praia, São Miguel do Gostoso | Tuesday, September 16th, 2008

    Sunset at Tourinhos Beach - Liliana

    Consegui subir um video, muito mal editado por sinal, mas que ficou menor do que os 8 minutos originais.

    (Detalhe para a conversa mole que o Macaíba tenta jogar para cima de mim…)

    A parte tremida é que a câmera estava apoiada no teto de plástico do buggy e ele teimava em mexer.

    O video definitivamente ficaria melhor sem som. Mas no fim, ficou até engraçado. ;)

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    Liliana | Minha Vida Na Praia, Músicas | Monday, September 15th, 2008

    Fui conhecer o Bar do Tico e posso dizer que Steven Irwin foi vingado: tomei um caldo de arraia delicioso.

    O bar é principalmente frequentado por locais e o tal caldo custou 2 reais. DOIS reais. Até o ex-prefeito estava lá beijando nenês.

    A música que tocava me transportou para outros tempos, tempos que tudo custava 2 reais. Tocava rock nacional antigo e ouvi coisas que não lembrava mais que existiam.

    Para vocês, diretamente do Bar do Tico:

    Banda Blitz - Você não soube me amar

    Sempre Livre - Eu sou free

    Rita Lee - Mania de você

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    Liliana | Minha Vida Na Praia, São Miguel do Gostoso | Sunday, September 14th, 2008

    Em primeiro lugar quero dizer que estou brava com a conexão da pousada e com o Flickr Uploadr. Está praticamente impossível subir fotos e videos para o Flickr e para o Videolog. Tenho tirado muitas fotos e filmado coisas legais para vocês mas está muito difícil subir as imagens. E quando sobe uma foto, sobe 2, 3 vezes a mesma foto. Isso está atrapalhando muito a experiência que eu queria passar para vocês daqui.

    Dito isso, vamos ao relatório das atividades…

    A reforma da casa no Reduto começou. Desmontaram a casa inteira e só sobraram as paredes de taipa. Prometeram que tudo ficará pronto em 70 dias contando de segunda-feira que vem, amanhã. Vamos ficar em cima, certo? Assim, poderei me mudar definitivamente com mudança e cachorros na primeira quinzena de dezembro.

    O chefe dos pedreiros é o Jonas e todo mundo fala que ele é legal, caprichoso e de confiança. Parece que escolhi bem.

    O Povoado do Reduto, onde vou morar, fica a 5 km do centro de São Miguel do Gostoso e é supertranquilo. Fica a pouco menos de 2 km da Praia de Tourinhos.

    Numa das vezes que fui jantar na Madame Chita da Rosana, uma creperia que tem aqui na Praia do Maceió, conheci o Humberto Macaíba, um bugueiro antigo de profissão (84 9953 1374).

    Eu entrei em contato com essa profissão de bugueiro com o Sebah, que trabalhou na Pipa antes de se mudar para cá. E achei muito interessante.

    Esses bugueiros equivalem aos antigos guias dos filmes que levavam os caçadores desbravadores na África para cima e para baixo através de terras desconhecidas. Ou os índios que guiavam os americanos indo para o oeste bravio. No caso do Macaíba, ele entende a natureza do local e é um só com seu buggy há mais de 17 anos. O buggy é uma extensão do bugueiro.

    Pois Humberto resolveu que ia me mostrar o por do sol. Me arrancou a força do computador e ficava dizendo: você tem que rever seus conceitos…

    E eu tentando explicar para ele que eu me divirto com o que eu faço, se não não estaria fazendo…

    Fomos para a Praia de Tourinhos, perto de minha casa com o sol já baixando, pela areia, claro. Muita música no som do buggy.

    Tirei fotos lindas. Filmei o por do sol. Filmei tudo em volta.

    Ele me convida para abrirmos um negócio de turismo: você fala inglês, você vai de guia. Eu dou risada. Respondo, vamos ver… Deixa eu me instalar primeiro.

    - Vamos para Galinhos segunda-feira. Vou levar uns turistas e voltar na terça. Tem pousada barata lá, com internet.

    - Quero por meu buggy na areia…

    - Vamos pra Porto de Galinhas então… Pipa… Quero ver como seu buggy se comporta. Você precisa ter aulas de buggy.

    Humberto propõe sociedade num negócio de turismo.

    - Mas Humberto, eu não quero mais trabalho…

    - Com seu jipe…

    Eu dou risada…

    Percebo que aqui dá para fazer qualquer coisa. As opções são infinitas. No dia que eu quiser montar uma operação de turismo com gringos, é só falar com o Macaíba.

    Na volta, ele para num coqueiro, abre a tampa do motor e pega um facão. Abre dois cocos e a gente se farta. Na beira da estrada. Me lambuzo toda.

    De volta a Xepa, ele acende um fogo na praia e põe para assar um robalo. Enquanto comemos petiscos de lagosta no Jardim do Seridó do Rogério.

    - Vida dura a nossa. Fala Rogério.

    - A vida tem o bom e o ótimo. Fala Humberto.

    Eu concordo…

    Deitado na rede, tomando cerveja, Macaíba fala a frase que fecha o dia: às vezes é chato ter bom gosto…

    -Gostei da frase. Posso usar? “É chato ter bom gosto.”

    - Pode. Mas é “às vezes”. Porque se a gente não fala “às vezes” pode parecer arrogância… E dá risada… Como quem sabe os segredos da vida.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Etiqueta ou o Óbvio Repassado | Saturday, September 13th, 2008

    Eu gosto de tomar meu café da manhã vendo notícias e emails no computador. E nada melhor para acompanhar uma xícara de café com leite que um cigarrinho.

    Como não estou na minha casa e sim, no restaurante da pousada, tomo o cuidado de perguntar para todas as pessoas que estão a minha volta se eles se importam que eu acenda um cigarro.

    Antes de qualquer coisa, o ambiente é aberto. Não tem paredes, só teto e uns troncos de madeira dando sombra. O ar circula livremente pelo restaurante e quando chove, a gente se molha lá dentro. Parte do teto é de tabua e as janelas entre os troncos ficam abertas o tempo todo. Ou seja, eu pergunto por educação porque estamos num ambiente aberto.

    Como sempre, hoje perguntei para a única mesa ocupada atrás de mim se eles se importavam que eu fumasse. Um dos homens logo disse: não, pode acender, fique a vontade.

    Eu agradeci e me virei de costas e continuei fazendo o que estava fazendo.

    Logo depois, o gerente da pousada veio falar comigo.

    - Liliana, eu já tenho uma certa intimidade com você e queria dizer que os hóspedes reclamaram que você estava fumando no restaurante.

    Eu fiquei surpresa porque não havia outros hóspedes além daqueles a quem eu havia perguntado se se importavam que eu fumasse.

    - Foram eles mesmos.

    -Mas como? Era só dizer que não queriam. Por isso que perguntei.

    - Eles não reclamaram exatamente. Ficaram fazendo sinais e caretas para o Jaildo enquanto você fumava.

    -Humm.

    -Sabe, Fernando. Detesto gente covarde.

    - Jaildo, por que você não me avisou que os outros hóspedes estavam reclamando que eu estava fumando na hora que eu estava fumando? Daí eu poderia falar com eles. Porque eu tinha acabado de perguntar se eles se importavam que eu fumasse. Ia ser muito interessante conversar com eles.

    (Jaildo fica sem jeito)

    - Jaildo, quantos dias eles vão ficar hospedados?

    - Não sei.

    - Vá ver, por favor.

    - Só uma diária, Liliana.

    - Só uma? Eu vou ficar pelo menos 24… Da próxima vez que alguém reclamar de mim pelas minhas costas, fale comigo na hora. Porque eu sou uma pessoa muito bem educada e não fumaria antes de pedir permissão das outras pessoas no ambiente.

    - E sabe, Liliana, depois que eles saíram, o homem acendeu um cigarro.

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    Liliana | Músicas | Friday, September 12th, 2008

    Para uma boa tarde. Blipando no blog…

    Bob Dylan - Jokerman

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  • Um Blog Que Te Prende

    O Poderosa Afrodite completou seis meses de vida e eu estou muito contente com ele.

    Além das visitas estarem numa curva ascendente contínua, o que mais me agradou é que quem vem visitar, fica.

    Olhe a média de pageviews por visitante: 5.68 Pages/Visit. Isso significa que na média, cada pessoa que entra no Poderosa Afrodite visita 5,68 posts dele. E isso é bom, pelo jeito.

    Agradeço a todos que estão dando uma força para o blog e aproveito para convidar quem ainda não visitou para conhecê-lo.

    Poderosa Afrodite vai te prender.

    (E para vocês saberem, o Chá de Hortelã também tem média boa de pageviews:5.22 Páginas/Visita. Obrigada!)

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    Liliana | Minha Vida Na Praia | Wednesday, September 10th, 2008

    Hoje desentoquei.

    Desde que eu cheguei aqui não tinha ido na praia. Só trabalho.

    Como eu não vim para passear. Agora sou quase-moradora definitiva, tenho um monte de coisas para fazer e cuidar.

    Fora o prego. E quem disse que eu conseguia dar um passo fora do quarto e encarar o sol?

    Hoje fiz o que tinha me proposto e me deu uns cinco minutos: coloquei o primeiro biquini que vi, peguei minha bolsona e saí andando. Larguei a bolsa no guarda-sol da pousada e me joguei no mar feito dia de Iemanjá querendo tirar a urucubaca.

    Fiquei que nem criança brincando nas ondas.

    Mergulhava de cabeça. Furava onda. Boiava. Ria.

    Conversei bastante com o mar e com São Miguel do Gostoso, a cidade, não o santo. Conversei com o sol, a lua que já estava no céu. Fiz acordos, pedidos, compromissos.

    Saí do mar nova.

    Tão contente que tinha que imortalizar o momento para a posteridade e tirei fotos de mim mesma.

    Então fui andar na praia como o Forrest Gump até parar de andar.

    Fui ouvindo música e cantando alto junto. Eu sou assim.

    No meio do caminho, do nada surge um buggy azul. Era o Sebah.

    Veio tratar de negócios. E se consultar a respeito da gripe. No meio da praia. Eu de biquini. Ele com o filhinho pequeno.

    Falamos o que tinha que falar e marcamos uma reunião para agora a noite na pizzaria com o engenheiro.

    E continuei meu caminho.

    O sol meio que se pondo e eu com uma sensação tão boa. Que só me veio uma frase em inglês: “I’m glad.” Tirei outra foto…

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    Pedi para o Gabriel me levar lá no terreno da Tabua porque eu não sabia chegar lá sozinha.

    Ele disse que ia mas a gente tinha que ir e voltar correndo porque ele ainda ia levar a avó dele para Natal às 5 da tarde e eram 4.

    Ficou combinado que nós não íamos entrar no terreno. A gente só ia ver de longe e voltaríamos na quinta-feria de manhã para passar um bom tempo lá, tipo piquenique.

    Se bem que não vai ser piquenique nenhum porque a gente vai tratar de negócios, para variar.

    Fomos no meu buggy e ele foi reclamando da Penélope o tempo todo. De como o buggy dele é maravilhoso e o meu é ruim. Eu sei que a Penélope tem um longo caminho pela frente na estrada da restauração. Ela é um Cobra que foi fabricado em 1973. E trabalhou nas areias da Praia da Pipa com turismo. Judiada que só. No fim eu falei: “olha, eu sei que dirigir esse buggy é igual dirigir um fusca ruim. Mas o ser humano é incrível: é capaz de se acostumar com qualquer coisa, não é?” Ele concordou comigo e não falou mais da Penélope.

    Chegamos ao Povoado de Tabua, que fica passando o Povoado do Reduto, onde vou morar, e como o anterior é um amontoadinho de casinhas simples de taipa e algumas de tijolo. Galinhas soltas por todo canto e uns cachorros magros dormindo no meio da rua.

    Ele pede para eu entrar do lado de uma casa no meio de umas bananeiras e fala para eu passar por cima delas sem dó.

    “Você está num buggy, pode passar por cima.”

    E eu entro num mato rasteiro completamente off-road.

    “Você não gosta de aventuras?”

    Eu dou risada. “Adoro!”

    Paramos o carro antes de uma descida de frente para a tal Lagoa da Tabua.

    Em duas palavras: é bonito.

    Não é como a Lagoa do Reduto que tem a água toda visível. A tabua, que é uma planta aquática, uma praga, cobre a grande extensão de água deixando olhos vazios de vez em quando. E ela é inteira cercada de coqueiros enormes. A volta toda a perder de vista.

    Gabriel começa a apontar para o outro lado: “está vendo aquela ponta alí? Conte uns vinte metros para cá e começa seu terreno. Naquela curva.”

    “Onde tem aquele ipê amarelo florido?”

    “‘Sim! Está no seu terreno. É a Ponta do Jacaré.”

    “Como assim? Jacaré?”

    “É. Curva do Jacaré. Dali dá para ouvir o barulho que eles fazem. E eles fazem uma algazarra!”

    “Péra aí. Eu comprei um terreno na Ponta do Jacaré? E vocês não me falaram esse pequeno detalhe?”

    E Gabriel ria.

    “Imagina, Liliana! Nunca teve caso de jacaré machucar ninguém.”

    “Mas eu vou escutar os jacarés gritando?”

    “Sim, mas eles vão estar longe. Uns 100 metros.”

    “Você acha 100 metros longe? E meus cachorros?”

    E Gabriel ria.

    E eu ria e não acreditava que ia ter que lidar com jacarés.

    Estranhamente não tenho medo de jacaré.

    Já contei que adoro aventuras?

    PS- Quando eu era criança tinha um disquinho colorido de uma coleção Disney de estorinhas que tinha uma sobre jacarés e havia uma musiquinha: “lá se vai a xícara de chá, lalalalalalalala, e as mesas todas pelo ar, com jacarés a passear… os jacarés não são tão maus, bichinhos sim, mas afinal, são jacarés de estimação, bichinhos de bom coração.” Eu adorava essa estorinha.

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