Do Direito De Não Te Convidar
Esse caso do menininho que não quis convidar dois coleguinhas para sua festa de aniversário e deu o maior quiprocó na Suécia me chamou bastante a atenção.
O tal garotinho fez questão de não convidar na frente de todos os outros amiguinhos dois desafetos: um deles já não tinha convidado para sua festinha de aniversário, então ele apenas retribuiu o “não-convite” e o outro, havia brigado com ele, eram inimigos.
Pois a escola e os tais desafetos se sentiram discriminados na hora da distribuição dos convitinhos, como se ele tivesse obrigação de convidar a todos os coleguinhas da classe, mesmo quem ele não quisesse.
O caso ganhou os tribunais!
Pode?
Na Suécia, pode.
Os limites do “politicamente correto” neste caso foram francamente ultrapassados no quesito liberdade do menininho de demonstrar sua insatisfação com seus desafetos.
Ninguém deve ser obrigado a convidar outra pessoa de quem não se goste em nome da política de boa vizinhança ou por ser o “socialmente mais legal”.
As pessoas não estão acostumadas a confrontos. A hipocrisia e a mentira reinam por todo o lado, inclusive na Suécia. Se alguém não quer ser hipócrita e demonstrar seu desagrado com outrém, é tratado como bandido.
Se todos estimulassem que as ações viessem à luz da verdade para que seus resultados fossem sentidos e absorvidos, o mundo seria melhor.
Eu conclamo meu direito de mostrar minha insatisfação com você e não ser hipócrita. Se você pisar na bola comigo eu não vou sorrir e dar tapinhas nas costas enquanto falo mal de você por trás. Você saberá que me desagradou. E espero que a recíproca seja verdadeira. Isso economiza tempo e energia.
Não é muito mais fácil assim?














Concordo. Pra que ficar fingindo pra alguém que não gosta de mim e que não gosto? Boa vizinhança é o ca*****. Quero meu direito de escolher com quem me envolvo, e quem vai na minha festa. Coidado do gurizinho aí. E pensar que a Suécia tem coisas tão liberais, isso me parece retrógrado.
Responder
Comment by Bruno Pedrassani — June 30, 2008 @ 12:49 pm
Realmente, um mundo sem meias-verdades e falsidades seria muito melhor. E mais saudável.
Responder
Comment by Enio Luiz Vedovello — June 30, 2008 @ 2:06 pm
Mais fácil é. O problema é que os seres humanos tem a tendência de fazer as coisas pelo jeito mais difícil…
Responder
Comment by Henderson Bariani — June 30, 2008 @ 6:02 pm
Cá entre nós, os juízes de lá não devem ter muito o que fazer…
Responder
Luis Santos reply on July 1st, 2008 2:32 am:
Aloha Wallace!
Devem fazer isso para evitar o suicídio!
Aloha!
Responder
Eric Souza reply on July 1st, 2008 4:04 am:
Parafraseando o velho Professor Raimundo: “Já vi que lá é como cá!”
Responder
Comment by Wallace — June 30, 2008 @ 10:14 pm
Aloha Liliana!
Chegar na Justiça já parece ridículo, mas pode piorar se disserem que ele é culpado!!
Por falta de negros, gays, judeus, gordos, ou anões, nem sabem quem acusar por discriminação!!!
Depois perguntam o porque de tantos suicídios!
Aloha!
Responder
Comment by Luis Santos — July 1, 2008 @ 2:38 am
lembremos que os principais personagens sao criancas, seres que estao ainda aprendendo as regras da convivencia em sociedade. nas escolas da nossa area aqui na califonia nao se comenta sobre eventos fora da escola durante as aulas. quer convidar, manda o convite para quem vc quer convidar pelo correio ou por e-mail. nao se distribui convite particulares (eventos nao organizados pela escola) durante as aulas, em hipotese alguma. a justificativa? bem clara: voce pode ferir os sentimentos de quem nao foi convidado. pra adulto pode soar hipocrita, mas para criancas de 6 anos e necessario ensinar aquilo sobre o qual eles nao tem experiencia.
sem contar que ha criancas nessa categoria (de ‘nao convidados’) que as vezes nao sao incluidas simplesmente pque sao novas na escola, ou nao brincam tanto com que esta dando a festa etc. enfim, sinceridade e ‘free-speech’ sao muito saudaveis etc–para adultos. como dizia um dos meus professores: ‘it’s ok to break the rules, but you must learn the rules first’. e obviamente que se aprende fazendo, mas se vc tiver meios de fazer a coisa certa e com menos dor, porque vai escolher o jeito mais complicado, ne?
falha do professor e da escola que deixou a estoria tomar essas proporcoes, e pior, nao educou os alunos para evitar esse tipo de situacao. falha tambem dos pais que deixaram o menino levar os convites pra escola, sabendo que isso tinha chances de ser um barril de polvora…
Responder
Liliana reply on July 1st, 2008 11:20 am:
Tatiana, eu acredito que faz parte da educação aprender a conviver com frustrações e rejeições e com o resultado de seus atos, como o menino que não convidou primeiro e não foi convidado e o outro que brigou com o garotinho. Não concordo em blindar as crianças. Acho que é na escola, onde é o ambiente social deles, que eles devem entrar em contato desde cedo com as coisas boas e más da vida. Acredito que isso é aprender realmente as regras. Senão, vão crescer como adultos intolerantes à frustração, mimados, não suportando qualquer tipo de rejeição e sem consciência de que seus atos geram efeitos em outras pessoas. Eu entendo que os pais não querem que seus filhos sofram de jeito nenhum, mas o sofrimento é parte da vida e precisa ser assimilado e trabalhado individualmente.
Responder
Comment by tatiana dutra e mello — July 1, 2008 @ 4:09 am
Estamos falando do mesmo resultado–o adulto socialmente ajustado, ou quase– mas nossos metodos sao diferentes–criancas que crescem com regras e criancas sem, ou com poucas.
Uma das funcoes da escola e educar para a vida tambem–nao so academicamente. E e estabelecendo regras a serem seguidas que se da condicoes p/ que essa educacao aconteca. Nao se trata de pais quererem sofrimento ou nao. Os filhos vao de uma forma ou outra passar por dificuldades grandes ou pequenas independente da vontade dos pais, na escola ou fora dela, no parquinho, naquele minutinho em que os pais nao estao olhando e ate quando os pais estao ali do lado. Acontece das maneiras mais inusitadas. Na ha pai ou mae que consiga controlar tudo o que acontece na vida de uma crianca, mesmo em se tratando de bebes. Ate porque eles nao estao dentro da cabeca da crianca, ne…cada um sente as coisas de forma diferente. O ambiente social das criancas nao e so a escola–e o parquinho, as festas de aniversario e eventos a que a crianca comparece, as horas de brincadeira com as outras criancas e ate a convivencia com a familia, pais, avos, tios, primos.
Para a crianca praticamente tudo e um desafio, e ela vai aprendendo a lidar de maneira saudavel com esses desafios a medida em que obtem ferramentas adequadas para entende-los e resolve-los. As regras servem para isso. E por isso que ha tanta diferenca entre criancas que vivem sozinhas nas ruas, por exemplo, e criancas que vivem com pai e mae que oferecem pelo menos alguma seguranca/estabilidade emocional para os pequenos que criam.
Eu nunca fui a favor das regras firmes para as criancas–sempre achei que a melhor escola era a vida, livre leve e solta; da espontaneidade de acoes e reacoes. Mas quando a gente comeca a conviver no dia-a-dia com crianca pequena vai percebendo que eles nao progridem emocionalmente se nao tiverem limites estabelecidos, se nao tiverem pontos de referencias firme, claros, estabelecidos. Eles ficam muito soltos pois nao conhecem os proprios limites –e nem os alheios– e ai e que comecam a ter dificuldades de comportamento, de aprendizagem, emocional etc. “Se o ceu e o limite para as minhas emocoes e reacoes, eu posso falar o que penso indiscrimindadamente, sem me preocupar com o outro, e tenho sempre o direito de reagir da forma que achar adequada. Qual forma? Nao sei; a que me dar na cabeca, a que a emocao mandar. Entao posso bater no outro, ofender, falar o que me vier a cabeca etc pois o importante e desabafar e ser eu mesmo, deixando tudo qo que esta fervendo dentro de mim aflorar.” Para uma crianca isso nao funciona. Ou funciona negativamente: vai ser uma crianca de dificil convivencia e com problemas para se relacionar com as outras, estando sempre focada em si propria sem entender o quanto e importante tambem considerar aqueles ao redor dela. Ha que se ter tempo pra aprender e absorver, e se isso nao acontecer na infancia fica dificil de acontecer em qualquer outra fase da vida.
Mas tudo isso me levou tempo pra entender…eu ouvia antes e achava injusto. Ate que cai na realidade de criar uma crianca. E vendo outras criancas cada vez mais percebo que isso e verdade–os casos sao muito semelhantes–como se diz, ‘so muda de endereco’, com variacoes aqui e ali. Sem metodo e algumas regrinhas nao se chega muito longe.
Responder
Comment by tatiana dutra e mello — July 1, 2008 @ 1:25 pm
O politicamente correto está tornando-se, ou sempre foi, uma aberração!
Responder
Comment by Raquel — July 2, 2008 @ 11:14 am