Estou Velha e Rabugenta Ou Nada No Mundo Me Surpreende Mais
Ontem eu fiz uma mágica no computador que envolve downloads e torrents e vi os tais episódios de House.
É. Legal. Mas não achei nada de mais.
House foi House.
Eu achei que ele tinha um caso com a Amber porque só isso justificaria o Wilson ficar tão bravo a ponto de perder a amizade.
Ela só foi buscá-lo no bar. O amigo bêbado do marido. Foi uma acidente. Ele não tem culpa do ônibus ter batido.
Qual o drama aí?
Foi um puta azar, isso sim. Mas como diz o I Ching, sem culpa.
Daí vocês poderiam dizer que se ele não bebesse nada disso teria acontecido.
Mas o Wilson já era amigo dele do jeito que ele era, bêbado e drogado.
Foi azar.
Como ele falou, é randômico.
Eu vejo a vida como House: a vida é randômica. Nada mais que isso.
Sem culpas, sem predestinações, sem carma, sem leis de causa e efeito. Pura e simples randômica.
Se Wilson culpar House por alguma coisa, que pode acontecer, porque Wilson não é House e talvez a visão dele seja diferente, a série talvez fique um draminha meio bobo. Espero que não aconteça.
É uma boa série, sem dúvida.
Valeu ter visto.
Realmente o que chamou a atenção foi a culpa de House. Ele sim assumiu a culpa durante os dois episódios, coisa anômala. Mas no final, na conversa final com Amber ele volta às suas convicções de que a vida é randômica mesmo e que ele não tem culpa e vive.
As coisas são como são.
Coisas ruins acontecem com gente boa. O tempo todo.
E os caras maus nem sempre se dão mal. É um fato.
Essa é uma verdade da vida nem sempre fácil de se conviver numa boa. Por isso que tanta gente precisa de religião. Para explicar, justificar.
Para pessoas como eu, que não tem a religião como suporte, vemos a vida de uma forma meio dura e fria: as coisas acontecem e pronto. Randomicamente. Pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora, sem razão nenhuma.
Eu trabalhei com emergências durante bom tempo e vi isso acontecer. Você está vivo e logo depois você está morto.
Os críticos de pessoas como eu sempre mencionam: e se acontece comigo? Eu continuaria a pensar do mesmo jeito? Eu não me voltaria a uma estância superior, não buscaria conforto em deus, na religião ou coisa parecida?
Pois coisas ruins já aconteceram comigo e eu não me voltei a nada porque não acredito que há nada. Quando estamos próximos à morte há um silêncio muito grande e uma solidão enorme. E eu tive mais que certeza que foi tudo por acaso. Randômico. Eram coisas ruins acontecendo com uma pessoa boa.

[...] Lembrei de um caso que aconteceu há muito tempo, quando eu era R4 de neurocirurgia. [...]
Pingback by Chá de Hortelã » Coisas Ruins Acontecem Com Gente Boa O Tempo Todo — June 22, 2008 @ 1:28 pm
É bem como eu ando vendo as coisas também. Pra mim as coisas tão parecendo frias demais pra conseguir acreditar que tem um Deus gentil e bondoso por aí abençoando as pessoas boas. Quando um fdp morre eu sinceramente não consigo deixar de me sentir tipo “to me lixando pra ele”, afinal a criatura era um excelente exemplar de gente ruim, mas quando gente que é tão boa morre eu não consigo parar de pensar “porra, se Deus existe e é tão bom quanto dizem, porque diabos deixou acontecer uma coisa assim?” Sério, não engulo essa de “issso aconteceu pra nos deixar mais fortes” ou “é pra que possamos aprender algo”. O caralho, porque uma pessoa que não sou eu tem que se ferrar pra que eu possa “aprender”? seria injusto e cruel com a pessoa e quem é próximo a ela.
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Comment by Eric Souza — June 22, 2008 @ 2:10 pm
Olá
Chá de Hortelã: “Os críticos de pessoas como eu sempre mencionam: e se acontece comigo? Eu continuaria a pensar do mesmo jeito? Eu não me voltaria a uma estância superior, não buscaria conforto em deus, na religião ou coisa parecida?”
É engraçado como quem “tem fé” fica aflito com quem não tem, e acaba, no desespero, apresentando essa “armadilha final”. Que me parece espantosamente hipócrita, tal o grau de covardia implícita que envolve, afinal, devemos “acreditar” em divindades devido ao puro medo?
O nome disso é covardia, pusilanimidade, uma vez que “crer” não é uma escolha. Não se pode “acreditar” em algo apenas desejando faze-lo. Da mesma forma como mesmo um fervoroso crente de qualquer coisa, deus por exemplo, não pode “acreditar” em Papai Noel por algumas horas (ou mesmo minutos..:-), um ateu não pode “acreditar” em algo que não acredita apenas em alguns momentos da vida.
Ser uma “boa pessoa”, obedecer as regras de convivência, por medo do inferno ou da morte, ou pela esperança de prêmios futuros no paraíso é tão calhorda, especialmente comparado a quem é boa pessoa, cumpridora de regras de convivência, por escolha própria, sem medo ou esperança de prêmios, que me espanta que crentes não compreendam isso!
Um grande abraço.
Homero
PS: Penso que ver o mundo e o universo como ele é, aleatório e sem objetivo, não nos torna frios, apenas mais conscientes das maravilhas e valores da vida. Ainda somos calorosos, emocionais, vivos, como qualquer crédulo, apenas nos compreendemos, e ao mundo, melhor..:-)
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Liliana reply on June 22nd, 2008 7:13 pm:
Falou bem, Homero. Falou bem.
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Comment by Homero — June 22, 2008 @ 7:07 pm
homero, crer em alguem ou alguma coisa e uma escolha pra muita gente, sim…pois nem toda religiao ou doutrina e igual a fanatismo. ha religioes que tem um pouco mais de logica do que as aparencias mostram (eu sei, o sujeiro teria que sair por ai estudando as religioes do mundo ate encontrar alguma que faca sentido, ou pra se certificar que nao ha mesmo, e isso da trabalho e consome tempo).
e acreditar nem sempre e medo…pode ser consequencia da evidencia para alguns. da mesma forma que aqueles que seguem religioes deveriam ser mais pacientes com os ateus e descrentes, o contrario tambem deveria acontecer…pois no fim das contas estamos todos no mesmo barco, e independente do fato do mundo acabar amanha ou nao, o presente fica sempre mais suportavel se houver tolerancia e saco pra aguentarmos uns aos outros apesar das diferencas.
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Comment by tatiana dutra e mello — June 23, 2008 @ 4:59 am
Racionalmente falando, House não teve culpa alguma. Como você (e o episódio) disse, foi uma sucessão de acasos, uma aleatoriedade. Agora, seria MUITO difícil, pelo menos no início, não culpar alguém por tudo isso. É da natureza humana procurar culpados.
Não acho que o House tenha assumido a culpa, não, a não ser por um breve momento, no fim do segundo episódio. Ele estava obcecado (novidade) porque sabia que havia algo importante a ser resolvido, não por sentir-se culpado.
Anyway. Estou curiosa pra ver como os roteiristas vão resolver essa situação na próxima temporada.
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Comment by Lu Monte — June 23, 2008 @ 4:06 pm
Sim, as pessoas que têm fé sempre acabam fazendo essa afirmação diante dos que não possuem uma religião ou uma devoção a um ser superior. Às vezes até penso, “será que se algo de ruim acontecesse comigo ou com alguém que amo eu não iria me voltar a algum deus em busca de consolo?” Mas, no fundo, acredito que não. Porque depois que a gente passa a pensar que o mundo é mais guiado pelo acaso do que por qualquer outra coisa, é difícil voltar a ter uma visão mística ou religiosa do mundo. É mais fácil a gente pensar, “putz, fudeu!” quando algo ruim acontece do que pensar “oh, meu deus, me ajude”!
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Comment by Ju Dacoregio — July 28, 2008 @ 12:08 pm