Árvores
Além de bichos eu gosto de plantas.
Desde de criança eu convivo com plantas no meu quarto, cuidando, regando, podando.
Lembro que eu era menininha e tinha uma enorme plantação de feijões em algodão e embalagem de ovos.
Quando mudamos para o apartamento, meu quarto era uma selva. Eu tinha uma batata num vaso pendurada no lustre que subia para o teto e dava folhagem por todo o lado. Eu não podia ver uma vaso bonito que eu comprava e levava para o quarto, meu reino particular.
Quando casei e tive minha casa finalmente, eu arrumei minhas árvores. Era um apartamento minúsculo e na época era moda ter um vaso de Árvores da Felicidade, macho e fêmea. Também era moda ter fícus, chifléria… Eu tinha todos eles. E samambaia, renda portuguesa, orquídea. Até frequentei um orquidário durante um tempo para aprender a mexer nas orquídeas. Comprei livros, estudei, transplantei, enxertei…
As plantas sempre me acompanharam em todos os lugares que eu morei. E sempre as mesmas, porque eu sempre cuidei muito bem delas.
Nesses vinte e tantos anos que eu saí da casa de minha mãe e tenho minha própria casa, a maioria das plantas morreram. Muitas de velha, outras de doenças incuráveis, outras comidas por cachorros (essas foram as orquídeas devoradas pela Graça filhote). Porém, uma árvore permaneceu comigo num vaso durante todo este tempo: o fícus.
Este fícus me acompanhou por mais de vinte anos em seu vaso pequeno para o potencial de uma grande árvore que ele é a espera de seu local final.
Há 3 anos, mudei-me para a casa que estou e finalmente senti que o fícus encontrou seu lugar: ao lado de minha casa. Ele saiu de seu vaso apertado e foi para a terra. E começou a crescer.
Este fícus, na minha cabeça, representava meu casamento pois havia comprado para o apartamento de recém-casada. E para reforçar essa idéia, seu tronco era bipartido, representando as duas pessoas do casal.

Passeando no meu jardim reparei algo estranho nele.
Sua copa estava diferente. Algo faltava.
Chegando mais perto pude constatar que um dos troncos foi decepado.
Não sei como, nem porquê, nem quando.
Só sei que agora só tem um tronco apenas. Mas o que sobrou está forte, bonito, verde, cheio de folhas.

Não sei se acredito que é mais que uma coincidência. Mas é um fato.
E o fícus me ficou mais simpático ainda e me compadeci dele por sofrer esta mutilação.
Além do fícus existe outra árvore importante para mim aqui em casa: a paineira da frente.
Ela foi plantada logo que o platô foi aberto há uns 9 anos atrás juntamente com as outras árvores do reflorestamento. Mas diferente das outras, ela cresceu mais que todas. Também não sei porquê. As outras paineiras que foram plantadas ao mesmo tempo estão pequenas e mirradas, bem diferentes dela. Esta está exuberante, linda, e até já deu uma flor. Uma só apenas, mas já deu uma flor.
Não me perguntem a razão, mas a paineira também tem o tronco bifurcado. Porém, ao contrário do fícus, os dois galhos que derivam crescem fortes e simétricos.
O que será que significa?

