Ontem fiz uma promessa e agora vou cumpri-la: escrever para a posteridade um lindo caso de amor de um homem apaixonado chamado Isaías.
Minha história se confunde com a do Isaías então vocês terão duas histórias pelo preço de uma. Uma verdadeira pechincha.
Há anos eu viajo para São Paulo praticamente todas as semanas e Isaías é o motorista que me leva e me acompanha religiosamente. Nesse tempo todo ambos sofremos com casamentos problemáticos
, separações, divórcios, solidões, paqueras e finalmente o encontro de novos amores. Nem preciso dizer que o Isaías virou um grande amigo pelas longas horas de estrada e longas conversas de ambas as partes desfiando todas as novidades das semanas.
Enfim, ontem, constatávamos que ambos estávamos muito felizes cada um com seu novo amor.
“Quem diria, né Isaías? Você casado!”
“Pois é, doutora. Quem diria!”
“Há quanto tempo?”
“Já faz 3 meses!”
“Eu vou fazer 5!”
“E o Cardoso, onde está?”
“Tá lá em casa. Menino! Eu acho que eu casei também!”
“Como é que é, doutora?”
“Olha só. Ele deu uma entrevista para uma revista e quando eu leio, tá lá: Carlos Cardoso se mudou para a bucólica São Francisco Xavier… E foi assim que eu descobri que a gente estava morando junto. Pela revista! Eu falei pra ele que ia andar com um xerox autenticado da entrevista na carteira que ia servir de certidão de casamento. Ele riu. Depois foi na VIVO e comprou uma linha de celular 012 e deu o endereço da nossa casa e falou: agora você pode me processar pra pedir pensão alimentícia se a gente se separar, já tem prova… Parece que eu casei também, né?”
“Nossa, doutora. Tamos casados… Quem diria, né?”
“Quem diria…”
“Sabe, Isaías, eu fiquei tão contente que mostrei a revista para um monte de gente. E ele não falou nada, parecia satisfeito. Daí, eu comecei a encher ele querendo um anel. Você sabe, né? Mulher adora receber anel. Eu enchi tanto o saco dele… Mas eu acho que o dia que ele me der um anel ele seca e cai duro e morto. E você? Já deu anel pra sua mulher?”
“Nossa, doutora! Eu tenho que dar! Como é que eu faço agora?”
“Pega um anel dela, desse dedo aqui (anular) e escolhe um e manda fazer do tamanho certo. Porque é tão broxante você dar um anel e ele não servir na hora. Ou então leva ela para ela escolher o que ela preferir. Ihhh, essa história de anel tá dando uma confusão… Tem mulher que ainda não ganhou anel e só porque eu falei, agora quer ganhar e o marido tá louco da vida comigo. Quer me matar porque eu toquei no assunto. Mas eu falei: o Pinga deu um anel pra Moema! Mulher acha isso importante.”
“Verdade. E casar no papel? A senhora pretende casar no papel?”
“Ahhh, Isaías… O dia que o Cardoso pedir alguém em casamento o universo entra em colapso. O sol apaga!”
“Hahahaha. Então se de repente ficar tudo escuro em São Francsico Xavier já sei o que aconteceu!”
“Além do mais, nós dois somos divorciados… Você casaria?”
“Não.”
“Pois é. Difícil, né? Mas tem um contrato no cartório que é quase que nem casamento, mas não é casamento.”
“Opa, isso me interessa.”
(Neste momento eu fui fazer umas coisas e o Isaías ficou no carro me esperando… Quando eu volto…)
“Doutora! Pedi minha mulher em casamento!”
“Como é que é?”
“Então. Essa nossa conversa… Eu estou apaixonado, sabe. Peguei o celular e liguei para ela e falei: e se a gente casasse? Ela ficou muda!”
“Nossa Isaías, que romântico… Mas você pediu ela em casamento pelo celular?”
“É. Ela parece que não gostou muito. Tomou um baita susto.”
“Imagino.”
“Doutora, esse tal de contrato no cartório precisa de testemunhas?”
“Acredito que sim.”
“Então sobrou pra senhora: você vai ser minha madrinha! A gente vai no cartório e depois vai pra festança.”
…
“Querido, o Isaías pediu a mulher dele em casamento pelo celular hoje e eu vou ser a madrinha. E tudo começou por causa da sua entrevista e a história do anel.”
“(silêncio cardosiano)”
“Querido, eu estou espantando você com essas histórias?”
“Nem um pouco.”
”
”
Mas afinal, por que eu escrevi tudo isso?
Porque o Isaías me pediu para contar o que aconteceu ontem para mostrar para a Juliana o quanto ele a ama
. E ele ainda perguntou: isso vai ficar para sempre escrito? Eu disse: vai, Isaías, vai.