Campos do Jordão

Liliana | Admirável Mundo Velho,Moda e Beleza | Saturday, August 4th, 2007

Ontem fui acompanhar meu marido que foi trabalhar em Campos do Jordão. Fui fazer um passeio com ele porque a viagem de São Francisco até lá é muito bonita. E a estrada SP-123 tem uma vista maravilhosa. E, quando vi, estava eu bem no centro da filial do Movimento Cansei.

Parece que todo mundo no final vai para o centrinho de Campos, no Capivari. É bem bonitinho. Muito arrumadinho. Limpinho. Cheio de policiais e gente bonita e bem arrumada sentada nos barzinhos nas calçadas ou andando pelas lojinhas.

Daí eu reparei uma coisa: eu não estava vestida de Campos de Jordão. Nem tinha o tipo certo. Meus cabelos são encaracolados e eu estava com uma batinha preta, calça jeans e sobretudo cor de camelo solto e largo, com botas vermelhas. Eu era a única de sobretudo.

Realmente eu não estava com o uniforme certo: calça skinny justésima, mini jaquetinha agarrada ao corpo, cabelos longos e escorridos e óculos escuros gigantescos mesmo após o pôr-do-sol. Não que não seja bonito. Elas estavam lindas. Mas todas iguais. Era isso ou eram as turistas típicas, saídas diretamente dos anos de mil novecentos e bolinha: mulheres mais velhas que se vestiam como bem mais velhas só porque não tinham mais 20 anos.

Bem, peguei meu marido de um lado e meu sobretudo cor de camelo e fui dar uma olhada nas famosas lojas de malha para ver se tinha alguma coisa que valia comprar, já que as malhas de lá são tão famosas. Entrei numa loja.

Duas vendedoras estavam ocupadas com dois turistas-padrão. A terceira vendedora fingiu que não me viu. Eu olhei por minha conta umas malhas que estavam abertas no balcão e não gostei de nada. Olhei fixamente para a terceira vendedora. Ela olhou para mim. Eu virei as costas e fui embora.

Logo adiante vi que estava salva: uma loja pequenininha da Cavalera. E com promoção! É claro que fui superbem atendida. E é claro que a loja estava vaziésima. E não sei se foi coincidência, mas os únicos negros que vi em toda Campos Capivari do Jordão foram esses dois vendedores da Cavalera que estava vazia apesar de estar com preços baratíssimos e ter, de longe as melhores roupas de toda a cidade. Fiz a festa. Ou melhor, uma festinha: comprei uma jaquetinha branca, um top estampado e uma calça jeans com fios dourados.

Eu perguntei para o casal de vendedores se era comum eles venderem para gente de todas as idades ou era mais raro vender para gente mais velha, como eu. Eles me disseram que vendem Cavalera para todas as idades. Fiquei muito feliz: o mundo não está perdido.

Mas os babacas ainda são maioria.

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  • 5 Comments »

    1. Estive em Campos do Jordão em 1996. Fiquei numa pousada q pertencia a um padre, afastada do centro. Lugar maravilhoso. E naquela época, foi em maio, a cidade não estava muito lotada, aliás, eram outros tempos… menos babacas, como vc mencionou. Espero voltar lá qq dia.

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      Comment by worklover — August 4, 2007 @ 10:21 pm

    2. São Francisco Xavier? Não conheço, mas tenho amigos por ali… Já fui é pra Santo Antonio do Pinhal. Bem mais bacana que Campos, a meu ver, acho que justamente por essa coisa “geeente eu tô na europa!” que os visitantes da cidade maior ostentam. Sei lá, minha parte favorita nela ainda é o teleférico… Beijo! E brigado.

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      Comment by Edu — August 5, 2007 @ 12:56 pm

    3. Liliana, sei que você gosta de moda e tal, mas o problema da modinha é exatamente essa, deixa todo mundo de uniforme…
      Como sempre fui maloqueiro, nunca usei nada de moda… se bem que, aderi a moda da calça semi e bag (sim eu véio :D )
      Beijo

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      Comment by Neto Cury — August 5, 2007 @ 7:44 pm

    4. Em agosto do ano passado, em Campos, eu quis tirar uma foto mas a minha esposa não deixou. Uma mulher de sobretudo “neve na Sibéria” todo forrado de pelos, botas e, claro, as calças mais justas que a vida. Embaixo de um termômetro que indicava 27 graus. Reais.

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      Comment by Enio Luiz Vedovello — August 7, 2007 @ 1:07 pm

    5. Olá! Obrigado por sua noticia. Acho que na verdade a situação não é tão diferente em outros países de América Latina, é mesmo um acontecimento regional que beneficia cada vez mais o setor agropecuário. Obrigado! Agronegocios

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      Comment by Helena Ferreira — October 29, 2010 @ 2:46 pm

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