Diário de Uma Bipolar

Liliana | Admirável Mundo Velho, Blogworld | Saturday, July 28th, 2007

Chegou o livro da Marina W que encomendei: Não Sou Uma Só: Diário De Uma Bipolar[bb]. Ainda não li mas já gostei, porque acompanho o Blowg da Marina e sei que o que ela escreve é legal.

Sinceramente não convivo com tanta gente assim para reparar que o Transtorno Afetivo Bipolar é “doença da moda” como li na orelha do livro. E tem moda de doença? É chique ser bipolar? Alguém quer ser bipolar?

Deve ter louco para tudo. Deve ter gente que quer ter a mesma doença dos famosos dessa lista.

Porque eu garanto: quem é bipolar[bb] não gostaria de estar nesta lista.

Update: Já li o livro numa sentada. Devorei. É muito gostoso de ler. Recomendo.

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  • 18 Comments »

    1. Há vários livros, realmente, sobre Transtorno Bipolar. O mais famoso é “Mentes Inquietas”, escrito por uma psicóloga americana, que se descreve. Impressionante e realista. Na verdade, parece moda, mas é doença antiga, conhecida atá há pouco como Psicose Maníaco Depressiva (PMD). Este nome foi substituído na nova classificação das doenças mentais, pois já se contaminara com tanto estigma, além de dizer, erroneamente, que os portadores eram psicóticos. O tratamento medicamentoso costuma ser muito bem sucedido, com algumas exceções dolorosas para os portadores e familiares. Acomete desde crianças até adultos.

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      Comment by Cláudio Costa — July 28, 2007 @ 7:59 pm

    2. Li, até acho que você, como médica, vai discordar de mim. Mas eu percebi, sem nem precisar de muito tempo de experiência profissional, que existe “moda em doença”, sim. Ou, melhor dizendo, não em doenças, mas em diagnósticos. Admito que não disponho de dados objetivos para sustentar a afirmação, e tampouco sei dizer quais as causas do fenômeno, mas evidências circunstanciais, percebidas no balcão de dispensação, demonstram que em determinadas épocas um percentual alto de pacientes aparece com exatamente o mesmo diagnóstico, dado por médicos diferentes.

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      Comment by Enio Luiz Vedovello — July 31, 2007 @ 11:29 am

    3. Não lembro direito onde que eu li sobre isso, acho que foi na Wikipedia, que os sintomas disso seriam justamente os extremos de “estado de espírito”(não lembro bem que palavra foi usada) variando entre estar muito bem e um determinado momento e estando um pedaço de lixo em outro. Se for mesmo isso posso firmar que é o que eu tenho, uma depre maldita e variante entre os 2 extremos. Moda? Frescura? Bem, aceito a troca de lugar com qualquer um que queira assumir a sensação de derrota e incapacidade que insiste em me seguir todo dia.

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      Comment by Eric Souza — July 31, 2007 @ 4:18 pm

    4. Não é “chique” ser bipolar, principalmente quando vc desconhece que tem o problema. Passar anos da sua vida sem ao menos entender pq de repente seu humor muda, para mim, não é “moda”, ainda mais quando a família e os amigos não te entendem. Não tem graça ser bipolar, não tem graça sentir tudo na pele em excesso.
      Comprei o livro de Mariana W., mas ainda não terminei de ler.
      Alem do livro da psicóloga Jay Redfield Jamison, há um que foi escrito por um psicanalista, com uma linguagem de fácil entendimento para leigos. Chama-se “Temperamento forte e bipolaridade”, de Diogo Lara (www.bipolaridade.com.br).
      Também tem o belíssimo livro de Walter Moreira Sales, “Dentro da chuva amarela”, bipolar do tipo 1. Além de falar da doença, Walter também critica a forma como alguns profissionais o trataram (teve uma médica que chegou a chamá-lo de “egoísta” por ser depressivo…).
      Há também “O Demônio do meio-dia”, de Andrew Solomon, na minha opinião, o mais completo relato da depressão.
      E para finalizar, mais um livro de um psicanalista, Teng Chei Tung, “Enigma bipolar: consequências, diagnóstico e tratamento”.

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      Eduardo Fernandes reply on August 3rd, 2008 12:09 am:

      Eu li que as mulheres bipolares quando estão na fase de mania cometem desvairios sexuais transando com homens que, de forma alguma, na fase “normal” aceitariam. Isso é mito, fato, ou exagero, ou não se pode generalizar?

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      Comment by Vanessa S. Cavalcante — February 1, 2008 @ 1:43 pm

    5. foi lancado um livro recentemente nos eua: ‘maniac: a memoir’

      http://www.amazon.com/Manic-Memoir-Terri-Cheney/dp/0061430234/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&s=books&qid=1207983104&sr=8-2

      que esta sendo um sucesso pelo estilo: direto no alvo, ou curto e grosso. nao li, mas quero ler em breve.

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      Comment by tatiana dutra e mello — April 12, 2008 @ 4:54 am

    6. Bom, eu tive indícios de minha doença aos 8 anos de idade, aos 11 anos tive os primeiros sintomas de depressão e das esquisitices. São muitos fatos que eu poderia relatar…

      Fui diagnosticado inicialmente como um possível esquizofrênico e só recentemente fui classificado bipolar. Desde a primeira consulta com um psiquiatra até o atual diagnóstico já passaram uns 10 anos, sendo que os primeiros sintomas começaram a mais de 20 anos.

      Tive vários problemas com esta doença, e das inúmeras insanidades/loucuras que eu sofri 5 delas me tiraram totalmente da realidade.

      Eu já tive delírios auditivos: conforme o pensamento que eu tinha eu ouvia um choro de bebê, ou o barulho de uma chibatada, ou de fogos, ou de sinos, e até ouvi pessoas rezando do lado de fora da casa, e também ouvi uma música celestial do tipo clássica.

      Já tive delírios olfativos: no surto eu sentia sempre um perfume que eu julgava sentir porque estava no Céu/Paraíso, um perfume muito agradável que eu nunca havia sentido, porém eu senti em 3 dos meus grandes surtos. O perfume era um termômetro, pois quando eu sinto o perfume é porque eu entrarei em crise.

      Uma vez eu apertei bem forte o pescoço da minha esposa e arrastei ela para fora de casa pois ela não queria atravessar o portão que nos levaria ao Paraíso…então tive que força-la a vir comigo…

      Penso que o que torna a doença a “da’moda” é que estão sendo mostradas pessoas que estão com uma boa situação financeira, no qual o escape da bipolaridade é gastar dinheiro com 3 carros num só lance, comprar uma coleção de livros, várias roupas, sexo deliberado, aventuras desproporcionais, etc. E ainda são citadas pessoas que tiveram sucesso intelectual e financeiro ou que eram gênios criativos e pessoas impar no seu modo de pensar. Todas essas pessoas podem ter tido essa doença, porém nem todas as pessoas que tem essa doença obtêm sucesso ou encaram a doença como se tivessem poderem especiais que a tornaram bem-sucedidas, pois muitas pessoas devem apenas sofrer com a BIPOLARIDADE.

      Quem não quer ser assim: gasta o que quer, faz sexo compulsivamente, cria obras de arte quando ta maluco, escreve romances e peças de teatro inimagináveis, tem aventuras em vários países, torna-se desinibido de uma hora para outra, etc…

      Uma vez assisti um documentário onde a pergunta era mais ou menos assim: – se você tivesse uma chave que desligasse a bipolaridade você a desligaria? Ou seja, você acabaria com todos os seus sintomas?

      Muitos responderam que gostavam de serem bipolares e que não gostariam de perder as “qualidades” de um bipolar.

      Gente, parabéns para todos os bipolares felizes e para as pessoas que gostariam de ter esta doença, vocês devem ser abençoados/superdotados.

      Pra mim não foi bem assim:
      - Já perdi 2 empregos (só não perdi 3 porque o meu primeiro emprego foi na empresa do meu irmão e ele esperou 6 meses até eu me recuperar do surto);
      - Fui internado umas 5 vezes no sanatório, quase morri fugindo da pombinha branca (carro do hospício) pois eu assustei um morador por invadir a sua casa e ele chamou os vizinhos que vieram com porretes e armas de fogo para me pegar;
      - Não faço sexo com minha esposa há milênios por causa da depressão;
      - Parei no ultimo ano da faculdade e já faz 3 anos que eu não tenho coragem de voltar e concluir o curso;
      - Uma vez fiz um empréstimo, mas não para ficar gastando atoa, mas sim para fugir da minha família que queria me internar e eu tinha planos de ajudar pessoas carentes do outro lado do rio, então eu ia pegar um barco e viajar 4 dias até o interior do Amazonas. A viagem foi interrompida porque o meu pai descobriu o hotel onde eu estava e me levaram para a internação.
      - E na depressão, quase tomei veneno enquanto estava trancado num banheiro.
      - Não posso ter religião ou me envolver em assuntos místicos. Mas ainda acredito em Deus. Quando era criança tive algumas experiências estranhas. Numa brincadeira, coloquei uma pirâmide na minha frente, sentei na posição de lótus e fiquei repetindo por uns 20 minutos: “cai lustre, cai lustre…” O lustre não caiu. Quando eu estava assistindo o Pica-pau, depois de 1 hora, já tinha até me esquecido da brincadeira, imagina o que aconteceu? O dito lustre caiu e se espatifou no chão (Será que eu ganhei na loto? Foi apenas sorte ou coincidência?). Também tive uma experiência com clarividência. É por essas e por outras que eu sou uma pessoa muito impressionada, pois tem coisas que não têm explicação. Resumindo, estes são assuntos que estão proibidos, não posso nem ler uma Bíblia.

      Bom, tenho muita coisa pra falar, fico indignado com quanto a máximas que definem a bipolaridade: “ela comprou 1000 pares de sapato, 3 carros”, “essa doença só dá em pessoas inteligentes e famosas”, “essa doença ta na moda”, etc…

      Daqui a pouco tem gente escrevendo nos classificados: procura-se Bipolar recém-formado, eufórico, que não se canse de trabalhar, maníaco por dinheiro e não conformista com a vida infeliz que leva.

      No meu caso eu poderia descartar o termo Bipolar por “loucamente-depressivo”.Não estou preocupado em colocar panos mornos na nomenclatura da doença.
      Também penso que há casos diferentes de bipolaridade que não são falados.
      Todas as entrevistas que vi na televisão, os psicólogos comentam que é uma doença totalmente controlável com medicamentos e que a pessoa pode ter uma vida plena tanto na vida social como no trabalho, etc…
      Pra mim não tem funcionado bem assim. Ja tomei outros medicamentos, porém tenho tomado o Lítio somente a 1 ano, recentemente tive 3 pequenas crises que poderiam ter sido no meu trabalho – ainda bem que estou desempregado. Numa destas “pequenas crises” tive muita vontade de bater na minha esposa, foi por um triz, estava muito violento, agitado por um problema simples. Mesmo com o Lítio ainda sinto depressão a mais de 3 meses. O meu médico não quer me dar antidepressivos porque acha que eu posso ir para o lado da mania/euforia ou sair fora da realidade.
      Uma vez perguntei indignado para o meu psiquiatra porque eu não melhorava da depressão e não parava de pensar em coisas malucas mesmo tomando os melhores medicamentos, e ele respondeu que os medicamentos não controlam os sentimentos nem os pensamentos, nem controlam a vida externa que nos influenciam, ou seja: estamos vivos e também temos que controlar os pensamentos, atitudes e ambientes em que vivemos. Os medicamentos são apenas uma parte do controle da doença.

      É muita coisa pra falar, então gente, penso que não é tão simples assim. Existem casos e casos de bipolaridade. O livro “Mentes inquietas” é apenas um conto de fadas. Uma matéria na revista Época do começo deste ano descreveu a doença de uma maneira bem divertida, o pior exemplo que a revista deu era que a pessoa em estado de euforia podia achar que era o Super-homem e tentar voar pela janela ou então gastar muito dinheiro. Só pode ser brincadeira.

      Quem viu os jornais recentemente acompanhou o caso de uma bipolar que andou com o carro na contramão por 5 quilômetros. Mais tarde, um programa de TV mostrou a ficha criminal da moça, eram vários metros de delitos (só uns 150). Num dos delitos a moça fez um escândalo porque queria que a lojista trocasse o seu óculos por um bem mais caro sem que ela tivesse que pagar a diferença. Coisas de um bipolar…

      Alexandre Lima
      azvisualbr@yahoo.com.br

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      Comment by Alexandre Lima — June 14, 2008 @ 10:07 pm

    7. Realmente, este conceito de “doença da moda” chega a ser… bem…. doentio e infeliz, pois vulgariza o sofrimento do portador do TBH, seus familiares e amigos. Faz com que (boa) parte da população continue achando que “é frecura” e etc. Dificulta a busca de ajuda do paciente, pois se ele achar realmente que é “doença da moda” um dia a “moda” pode acabar e ele ficará bem. Eu, como portador do transtorno, casado com uma bipolar e tendo uma filha que tem uma grande probabilidade de ser portadora (já está com consulta marcada), abomino este tipo de matéria Fast Food que não ajuda, não informa e ainda atrapalha a vida de pessoas que sofrem com o transtorno. Eu possuo um blog que fala sobre TBH e escrevo para a revista eletrônica “O pensador Selvagem” e escrevi uma Matéria que se chama “Pequeno Histórico da Bipolaridade” que refuta totalmente este conceito de moda, demonstrando que existem referências do transtorno desde a época dos antigos gregos. Bem se a moda de “Doença da moda” pegar (com o perdão do trocadilho, rs), até S. Tomás de Aquino (1227-1274) já andava na moda.

      Link para a matéria:
      http://obipolar.com/index.php/pequeno-historico-da-bipolaridade/

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      Comment by Marcos — July 7, 2008 @ 3:42 pm

    8. oi!
      meu nome é gilmara sou presidente de uma istituissão que apoia os duentes mentais
      AFAI associação dos familiares e amogos dos internos dos hospitais psquiatricos de São JOsé dos Camopos
      to escrevendo por que eu gostaria de resceber email com informações sobre bipolares por email

      Responder

      Comment by gimara silva — September 6, 2008 @ 2:48 pm

    9. oi… tenho um filho de 11 anos… e parece um touro ^^… desde pequeno ele demonstrava um desapego a família…. tipo ..2 a 3 anos de idade já demonstrava um desejo louco de estar em outro meio… talvez porque desde cedo eu colocava algumas regras… básicas… é incrível… como escutamos críticas quando se trata de educação dos nossos filhos… eu pensava no que estava falhando com ele… e desde pequeno ele demonstrando sinais de nervosismo excessivo… falta de controle nas horas de raiva excessiva… e assim foi até uns dois anos atras… quando passou da quarta pra quinta e passou pra um colegio da polícia militar… onde há muitas regras a serem obedecidas… então escapou do nosso controle… eram situações de total mudança de humor…
      muito mais complexas que quando era menor… agressões… ameaças de suicídio… na sacada do prédio que moramos… ou na janela do quarto… moramos no terceiro andar…
      Um desgaste que só quem passa sabe… ele simplesmente se descntrolava porém quando aparecia alguém fora do grupo da família ele se controlava incrivelmente…
      parecia senvergonhice…
      bem dizendo apanhei muito pra ele não tocar nos outros dois que tenho
      qdo fiquei grávida do meu último filho foi que tudo piorou… pois ele teve de dividir…tudo
      o centro das atenções… sempre quer ser…
      super inteligente… quando o tema o interessa… e quando não interessa… uma vergonha…
      estou levando ele pra psiquiatra… num primeiro momento receitou depacote er… e está também com psicóloga… é muito triste… mas são coisas reiais e que afetam o que de mais rico temos que é o crescimento saudável de um filho… a luta é uma batalha difícil…
      meu pai teve alzeimer…
      situações trabalhosas…
      sentimentos a flor da pele…
      frustações profundas…
      além do apoio médico… psicológico… familiar…
      o mais que segura tudo é o apoio de Deus…
      ^^
      enfim
      esse

      Responder

      Liliana reply on September 8th, 2008 12:46 am:

      Lu, boa sorte aí. Muita força, paciência… Tenha persistência no tratamento, porque demora para acertar a medicação, mas quando acerta, melhora muito. E o acompanhamento com psicóloga é muito importante. Mas não tente encaixá-lo num padrão normal, ele é maravilhosamente diferente. E sempre vai ser. Não é anormal. Veja as coisas boas que ele tem também. Que tem e muito! Explore as qualidades dele. E verá a diferença para melhor. Beijos.

      Responder

      Maria reply on April 22nd, 2009 9:17 pm:

      esse
      Tennho 42 anos e sou bipolar dianosticada só a 7 anos e estou saindo da pior crise que já tive em toda minha vida e te digo só uma coisa, tenha paciência com seu filho que deve ser das mais doces e adoráveis crianças do mundo quando está bem, seja amiga e o ajude a entendender o que ele sente e valide seus sentimentos, o elogie e tente mostrar que se ele respirar e se acalmar (estando bem) ele pode “escolher maneiras melhores de “ver as coisas ao redor e se defender do que o machuca. Minha família hoje em dia está afastada de mim pela dificuldad de aceitar e lidar com o que tenho e isso é muito triste e só minha mãe tinha esta paciência. Por isso o ajude criando nele esta memória positiva que garanto que o acompanhará para sempre, boa sorte
      Maria

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      Comment by Lu Ma — September 8, 2008 @ 12:29 am

    10. É inevitável ler os scraps acima e não me emocionar.
      Tenho 37 anos e há 4 recebi o diagnóstico de TBH.
      Quando analiso toda a minha vida, concluo que essa doença apareceu na minha adolescência.
      Tive uma infância tranquila, sempre fui muito obediente, estudei piano durante 13 anos só prá agradar a minha família, fui uma aluna mediana, nunca ´dei trabalho´.
      Porém, na adolescência tive uns destemperos… Me lembro que minha mãe dizia: `vc é louca, menina! vai se tratar!´.
      Mas, nunca procurei um médico, até mesmo por não achar que eu fosse ´louca´ e também por falta de iniciativa minha e da minha família.
      Abro aqui um parênteses prá falar sobre minha família: Minha mãe é depressiva. Faz tratamento psiquiátrico há aproximadamente 30 anos. Cresci vendo-a em cima de uma cama, muitas vezes dopada de remédios. Alguma tentativas de suicídio (penso que era mais para aparecer do que prá morrer mesmo). Minha avó materna sempre fui tachada como louca… uma italiana que falava alto, brigava com todo mundo, discutia com os vizinhos, com as filhas… e, depois, virava um ´doce´ de pessoa. Hj eu sei que ela era bipolar.
      Fecho parênteses.
      Aos 20 anos engravidei, me casei e logo em seguida me separei… foi tudo muito dolorido prá mim… entrei numa deprê brava. Mas, a vida continua e eu fui vivendo… entre altos e baixos… sem enxergar que algo não estava certo.
      Há mais ou menos uns 4 anos atrás eu entrei numa fria: me envolvi afetivamente com um jovem rapaz (uns 5 anos mais novo do que eu) casado. Eu sabia que não podia levar adiante, mas durou 2 anos. Até que teve que acabar.
      Entrei numa crise depressiva que durou uns 15 dias… fiquei mais de uma semana sem tomar banho, comer, beber… até que procurei um psiquiatra.
      Eu ouvia um barulho na cabeça e ao mesmo tempo ela ficava vazia.
      Fui medicada com antidepressivos… um pouco tempo eu já estava no céu… É isso mesmo… saí do inferno e fui para o céu em pouco mais de uns 5 dias.
      Fiquei tagarela, eufórica, minha fala não acompanhava meus pensamentos. Passava madrugadas inteiras limpando a casa…
      Esses sintomas continuaram por mais de 5 meses, intercalando fases de euforia e depressão. Tentei o suicídio… fiquei internada por dois dias na ala da psiquiatria.
      Recebi vários diagnósticos: síndrome de pânico, TOC, depressão, TBH.
      Como todo bom bipolar, visitei muito mais do que uns 5 médicos, troquei de medicação por mais de 5 vezes e não aceitava de forma alguma o diagnóstico de TBH. Eu me sentia rotulada. Quantas vezes eu mudava de médico na esperança de ouvir um diagnóstico diferente… mas, quando relato minha história, ouço sempre a mesma coisa: `Vc é uma bipolar clássica`.
      Hj sei que realmente o diagnóstico está certo, sei que vou ter que me tratar pelo resto da minha vida (e olha que falta muito tempo ainda…rs..), leio muito sobre a doença pq acho muito importante eu me conhecer e também auxiliar meus familiares e amigos e conviverem comigo… Isso tem me ajudado muito.
      O preconceito é grande quando se trata de doenças psíquicas, mas isso já não me incomoda tanto.
      Não vejo como doença da moda. Vejo sim que ela sempre existiu, mas as pessoas não procuravam tratamento.
      É muito difícil ser uma bipolar e eu queria poder me livrar de tudo o que sinto, mesmo sabendo que alguns sintomas me deixam mais criativa…
      Eu não sei se sou feliz ou se sou triste e isso me deixa muito angustiada.
      Mesmo me tratando com estabilizadores de humor (Divalproato de Sódio – Depakote e Lamotrigina – Lamitor) ainda tenho crises leves/moderadas. Os sintomas são os mesmos: barulho na cabeça/ouvido, cabeça vazia, pensamento acelerado… choro, vontade de morrer
      Vou do céu ao inferno em poucos instantes.

      Responder

      Comment by JULIANA — October 1, 2008 @ 4:28 pm

    11. Olá! Liliana, como vc. esta? beijos.

      Responder

      Comment by maria luiza — October 30, 2008 @ 3:25 pm

    12. Tudo bem e vc? Beijos! ps- fiz esse outro blog: http://transtornoafetivobipolar.com saudades.

      Responder

      Comment by Liliana — October 30, 2008 @ 3:30 pm

    13. Bem, concordo plenamente com o comentário do Alexandre Lima, é isso ai, também sofro por ser bipolar e não acho “bonitinho” e “da moda” como encarram por ai. O seu caso é um dos tipos de bipolar, já li muito sobre isso…realmente o livro “Mentes inquietas” é um conto de fadas, tratam o assunto como se fosse maravilhoso ter esse transtorno e realmente é um transtorno, que mudaram a nomenclatura recentemente, digo há uns 8 anos, para que as pessoas portadoras sejam mais aceitas, pois antes era conhecido como transtorno psicótico maníaco-depressivo, melhorando, bipolar, pois alternamos entre estados de mania ou depressão, no meu caso sempre estou na mania, na euforia, quando saio de mim, entro na depressão…tomo lítio há três anos. Caro Alexandre, o que tem ajudado minha vida é a terapia também e a corrida, corro todas as manhãs durante 1h, isso auxilia a não voltar para depressão e a conter minha euforia…Bem, cada caso é um caso. Mas muitas sensações que você relatou eu sinto ou já senti quando estou em crise…como cheiros de perfumes, que pra mim, muitas vezes cheira a morte, porque é um cheiro de flores terrível, vozes e até visões…Uma vez tava dirigindo e comecei a escutar as tais vozes, achei que era interferência no rádio do carro, troquei de estação nada, então resolvi pôr o cd, elas continuaram, aumentei o som e elas continuaram…fiquei louca e pedi que me deixassem em paz…não atenderam…então parei o carro e chorando liguei para meu irmão que foi me resgatar, só fiquei melhor após o psiquiatra indicar ao meu irmão me dar um sedativo, foi quando dormi e quando acordei e não ouvi mais as vozes…Também há verdades quando dizem que o bipolar produz mais, quando está na fase da mania, é capaz, eu já fiquei sete dias sem pregar o olho e produzi muito, mas não é fácil, pois quando isso ocorre, depois dessa fase você sai de si, pois a loucura é quando você não tem mais controle sobre si mesmo e não sei o que toma conta de nós, então, temos de ser internados, pois quando saimos de si somos capazes de fazer mal a si e ao próximo….é terrível, pois muitas vezes não nos entendemos, nossas idéias, maneiras de pensar e agir e o pior, nem mesmo sua família e amigos te entendem…
      Uma vez fiquei pensando, todas as pessoas que são diferentes sofrem, pois não compreendem sua diferença e muitas vezes perguntamos a Deus, eu particularmente, porque sou assim, qual a explicação, mas costumo fazer o “jogo do contente” de Poliana (livro), é o que tem me segurado, sempre tiro o lado bom dos meus acontecimentos…uma coisa que sei que as pessoas não gostam é que a minha sinceridade chega a doer…tipo tolerância zero, sempre digo o que penso, por isso, quando fazem uma pergunta pra mim sempre pergunto em seguida, quer a verdade mesmo? Percebo que às vezes a pessoa se arrepende…
      Bem, acho que dá pra viver bem, mas sem terapia, o lítio e exercício físico fica mais difícil…
      Quanto a trabalho, sou advogada há 4 anos, já desfiz e desfizeram algumas sociedades comigo, duas porque tive crises e os sócios falaram que seria difícil conviver com um bipolar, outras eu enjoei os sócios e os clientes e alguns trabalhos eu mesma pedi demissão, porque enjoei, é assim, arrependimento, alguns, sobretudo os que era concursada e pedi demissão…espero não enjoar meu marido, que estamos casados há seis meses e o filho que estou esperando, há três meses…Há, tem mais, quando estou “louca” ou seja, brincalhona, contando piadas, pulando e sorrindo, muitas vezes é quando mais preciso de um colo, quando estou mais triste, mas até hoje, não sei porque fico assim e não cosigo dizer que preciso de ajuda, minha mãe, já falecida, era a única que conseguia perceber isso, pena que não está mais aqui…Bem, se é legal, divertirdo ser bipolar? Não, não é, se fosse não haveria tanto suicídios, viciados etc…muitos são bipolar…temos sempre a vontade de acabar com tudo, de sair do ar…somos covardes, porque é difícil de si entender e se fazer entender…é assim…Espero ter contribuído…

      Aline Mendes!!

      Responder

      Comment by Aline Mendes — March 28, 2009 @ 4:06 pm

    14. Tá dificil saber por onde começar… e os bipolares sabem bem disso… dificil falar no meio de uma crise!!!!!!!!!!!!!!!! Mas eu nunca falo , nunca consigo falar… Só que hj está dificil. Acho que de todas as crises que tive esta sendo a pior de todas. Dificil falar e controlar as lagrimas. Lagrimas de vergonha, de decepção, de desapontamento, de tristeza, de querer controlar e não conseguir, de saber que tá doendo e que não passa assim, num passe de magicas. Doi falar , doi admitir, doi no ouvido as palavras de repreensão, doi ouvir que é burrice passar pelo mesmo problema tudo de novo, doi ouvir que vc não consegue sozinha…Doi saber o quanto vc é capaz e jogar tudo pela janela… Doi ir dormir e saber que vai ter que acordar no dia seguinte, igual… e saber que tem que continuar. Doi sentir saudades de quem “você” abandonou ou afastou de vc…Qdo é que paramos de sentir dor??? Quando é que isso passa??? Parei de sentir o perfume do paraiso (como bem exemplifica o Alexandre)… não to sentindo mais cheiro de nada, e sinceramente não sei o que é pior… o cheiro do paraiso ou cheiro nenhum…por enquanto é isso que consigo …

      Responder

      Comment by Ana — May 25, 2009 @ 9:28 pm

    15. Qdo estou a ponto de desintegrar só penso, só quero meu filho. Meu caçula, hj com 31 anos. Foram muitos os traumas, foram muitas as perdas. Meu casamento estava acabando; meu marido sofria de alcoolismo, nós tínhamos duas crianças; eu não tinha profissão; resolvi voltar a estudar, terminar o segundo grau. Em meio a isso tudo, engravidei de Thiago. Meu então marido e pai de meus filhos, num acesso de ciumes por me ver sair de casa para estudar, me convidou para sairmos de carro para uma conversa. Morávamos em S. Paulo e, na época, o bairro do Morumbi, em torno da Rádio Bandeirantes era um local com muitos terrenos baldios. Começou a discussão: vc é uma irresponsável em deixar as crianças com a empregada e sair por aí dizendo que vai estudar. Estudar pra quê? Mas, Nei… Sua louca… E veio o primeiro tapa no meu rosto. Não reagi. Então percebi que ele começou a rodar com o carro em busca de um local afastado. Ele subia e descia por aquelas ruelas do Morumbi tentando achar um lugar…e eu comecei a entrar em pânico. E qto mais procurava e não achava, mais nervoso eu via que ele ficava. E todo o tempo me agredindo com palavras. De repente ele parou o carro em frente a um matagal e num acesso de fúria começou a me bater com toda sua força, até berrar a frase que está aqui dentro da minha cabeça: vou te matar e essa criança que está na sua barriga.
      Naquele episódio eu não morri, nem meu filho. Mas, já foram tantas as vezes que morri que perdi a conta. Naquela época, juntei meus cacos físicos e emocionais e junto aos meus dois pequenos, ganhamos o Thiago, que nasceu lindo e saudável, como sómente o filho de uma mãe pode ser. Continuei vivendo com o pai de meus filhos por mais dois anos. Neste período, terminei meus estudos e passei no vestibular para jornalismo. Não sei como tive condições psicológicas para fazer as provas, pois na quinta-feira meu marido decidiu se internar na Clínica Maia – que tratava de dependentes químicos, e o vestibular teve início no sábado e terminou no domingo. Depois de dois dias de provas, o meu coração num estado de dor e angústia por meu marido estar internado, uma situação totalmente nova e fora do meu controle, fui para a Clínica para lhe dar afeto e soliedariedade, e cadê ele? “Ele já foi embora”, me comunicou o administrador. A história é longa… é muita história. É muita coisa.
      A história das nossas vidas é longa. As vezes eu penso: como cabe tanta coisa num só dia? É demais! Como eu aguentei a vida que vivi em S. Paulo? Como não fiquei louca, a ponto de ser internada? A minha vida desparafuzou-se. Fiquei sem marido, com três filhos, com uma faculdade por fazer, com uma livraria que resolvi abrir de um dia pro outro (sem planejamento, sem estoque, sem capital de giro, sem funcionário, sem nada). E não havia dinheiro. O pai dos meus filhos foi embora e com ele levou a carteira com o dinheiro.
      Havia os homens. Foram tantos. Alguns eu quiz. Um deles é hoje meu marido. Outros me perseguiam. Mas eu não conseguia dizer não. Eu não dizia não pra nada. Minha filha, com 11 anos, começava o dia me agredindo. Dizia cada coisa, que só uma adolescente mimada e revoltada sabe dizer, e eu? Chorava. O do meio não falava comigo, não gostava de mim, e eu? achava que ele seria o meu orgulho; por todas as humilhações, por todos os sapos que eu já tinha engolido e engoliria qtos mais fossem necessários, porque um dia, meu filho, meu talentoso, brilhante e amado filho, diria a todos: agradeço os aplausos, os louros, os elogios e quero deixar aqui pra posteridade a seguinte afirmação: Tudo o que sou devo a minha mãe.
      Num dia de agosto de 1996, meu filho me liga de Nova Iorque (onde estava na tentativa de dar um novo sentido a sua carreira musical, depois que a banda da qual era o vocalista e compositor e que tinha contrato assinado com a Poligran para um CD) e me pergunta se eu já ouvira falar no rev. Moon. Foi um outro momento que morri. Pedi a ele que se afastasse dessa gente, mas, como era de se esperar ele não me ouviu. Eu fiquei louca mansa. Meu segundo casamento acabou. Porque meu marido passou a ser um viúvo. Eu só queria meu filho de volta. Entrei em depressão. Ele só falava em mundo decaído, em Adão e Eva, em pecado. Eu o ouvi falar ao telefone e sabia que era ele, pois a voz era dele, mas aquela pessoa cheia de projetos, de idéias, sempre com o violão fazendo música, cantando, não existia mais. Eu enlouqueci. Os negócios com meu segundo marido não iam bem. Estávamos devendo mais de 200 mil reais. De repente meus cheques começaram a ser devolvidos, nossas contam foram sendo encerradas e os oficiais de justiça começaram a ser frequentadores rotineiros da nossa casa, porque lá tb funcionava a nossa empresa. Mais uma vez, tudo junto.
      Fiz de tudo pra trazer meu filho de volta. Contava a minha a história, boa parte das vezes as pessoas choravam junto comigo, mas, nada podiam fazer pra trazê-lo de volta. Procurei o Itamarati, fui ouvida, retornaram minha ligação com a informação de que não havia o que fazer. Uma amiga de minha irmã é parente de um ministro STF. Ela ficou estarrecida com os fatos e se empenhou ao máximo, mas, não havia o que ser feito. O pastor da Igreja da Unificação (nome da seita do rev. Moon) aqui em Curitiba, acompanhada pelo diretor-presidente do mais importante veículo de comunicação do Estado, que se prontificou a me acompanhar em soliedariedade a minha dor de mãe e como uma forma de demonstrar que a vida de meu filho era importante para muitas pessoas importantes por serem formadoras de opinião. Meu deus, qto sofrimento! Tb procurei o Consulado Americano em S. Paulo, o vice-consul me explicou que o Serviço de Imigração teria que… e depois… para que … portanto… nada.
      Levei um ano e cinco meses para trazer meu filho de volta. Me submeti a uma cirurgia para retirada do útero. Com a colaboração de dois médicos que me apoiaram e confirmaram as minhas palavras, falei que havia possibilidade de um tumor malígno e que não faria cirurgia nenhuma sem que meus três filhos estivessem ao meu lado. Portanto, que a decisão sobre a minha saúde ficaria sob a sua responsabilidade.
      A cirurgia ficou marcada para 9 de dezembro de 1997 e eu e minha irmã fomos buscá-lo no Galeão, no Rio de Janeiro no dia 27 de novembro. Qdo eu o vi atravessar a porta de vidro e se colocar definitivamente ao meu alcance, foi uma emoção tão imensa que francamente não foi possível acolhê-la de uma vez só no meu coração. Até hoje me emociono de relembrar aquele momento. Abracei meu filho. Ele estava tão magrinho…

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      Comment by neide — June 25, 2009 @ 7:07 am

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