E Assim Caminha A Humanidade
O Reverendo Discordiano escreveu sobre a pesquisa DataFolha sobre religiões no Brasil nessa época de pré-visita papal.
Confesso que fiquei muito surpresa em ver que apenas 1% da população brasileira é atéia.
Daí fui dar uma olhada no Censo de 2000 e vi que nele, colocaram no mesmo balaio ateus, agnósticos e sem religião, e que estes somavam 7,4%.
Em primeiro lugar, ateu é muito diferente de agnóstico. Não dá para considerar no mesmo grupo. O ateu não acredita em uma força “organizadora” do universo. O agnóstico acredita. É a diferença de acreditar em alguma coisa no caso do agnóstico e de não acreditar em porra nenhuma, no caso do ateu.
Feita esta diferença. Vê-se que quem montou o Censo não sabia o que era ateísmo.
Então, para facilitar, nós ateus não acreditamos em porra nenhuma.
Como atéia, eu posso falar mal do ateísmo. Existem dois tipos de ateus: os velhos ateus e os neo-ateus.
Os velhos ateus, como eu, convivem numa boa com as outras pessoas que têm religião. Eles não me incomodam e eu não incomodo a eles porque falamos línguas completamente diferentes. Enquanto eu falo azul, eles falam amarelo. Enquanto eu falo grego, eles falam latim. São dois mundos que não têm nada a ver um com o outro. São coisas que não existem para mim no meu mundo e conceitos que não existem para eles no mundo deles.
Os neo-ateus no entanto, continuam vivendo num mundo que não é mais deles. Insistem em brigar com os teístas no território deles. E assim abrem brechas para que estes nos incomodem no nosso mundo.
O único problema de ser ateu é quando a religião tenta se meter em assuntos que não lhe cabem. Daí, só nós percebemos a invasão. E então sentimos a força de 99% da população contra nós. Geralmente a gente perde. Mas tem raras vezes que a Razão prevalece e a religião volta para o seu lugar. E o mundo vai indo: dois passos para frente, um para trás.
Dois passos para frente.
Um passo para trás.














Felizmente a maior parte dos cientistas não é religiosa, e quando a disputa é entre cientistas geralmente os não-religiosos têm melhores argumentos, pois não vêm com respostas prontas tiradas de um livro preto.
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Comment by PhX — May 6, 2007 @ 10:17 pm
Dois pequenos comentários sobre este seu texto:
1 – Ao longo do texto, você meio que mistura agnósticos e deístas. São coisas diferentes. O agnóstico não acredita ser possível concluir pela existência ou não de alguma divindade. O deísta acredita na existência de um deus, mas não aceita uma revelação sobrenatural, ao contrário, busca “entender” essa divindade pela razão. De certa forma, ambos têm em comum não aceitar os dogmas e pregações das seitas organizadas em geral.
2 – Levando em conta a não-aceitação que eu citei acima, é mais fácil entender o fato de o IBGE colocar ateus, agnósticos, deístas e teístas que não assumam seguir alguma determinada seita “em um mesmo saco”. Se pensarmos em uma tentativa de manipulação política da população com o uso de determinados grupamentos religiosos (e este tipo de prática é facilmente observável nas igrejas pentecostais e na católica), esse grupo de 7,4% da população, como um todo, poderia ser considerado como “não suscetível” essa tentativa.
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Comment by Enio Luiz Vedovello — May 7, 2007 @ 11:18 am
“Vê-se que quem montou o Censo não sabia o que era ateísmo.” Vou além, quem montou o Censo também não sabe o que é o próprio Censo, ou não tem responsabilidade para fazer um, já cheguei a perguntar para grande parte das pessoas que eu conheço quantas vezes cada uma já respondeu questões do Censo, a resposta mais ouvida, de longe, é “nenhuma”, já ví até pessoas contando que os fiscais do Censo faziam perguntas para elas sobre os seus vizinhos, é incrível… Pelo que sei em muitos países o Censo não é matematicamente estatístico, ele é prático, aqui no Brasil deve seguir o mesmo estilo das pesquisas eleitorais, analizam uma amostra pequena e o resto é a matemática que cuida… Ridículo.
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Comment by Thomas — May 7, 2007 @ 3:24 pm
Aliás, sobre o censo, registro minha indignação contra aqueles palmtops que foram comprados para os pesquisadores neste ano. Quase mil reais cada um, uma fortuna no total.
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Comment by Cristina L. — May 7, 2007 @ 4:37 pm
Se houve um criador, quem criou o criador.
O marco zero…………….????????
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Comment by Osmar Magalhaes — May 6, 2009 @ 3:07 am