Aos Pais

Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Thursday, May 3rd, 2007

Eu recebi ontem um email de uma garota com problemas. Ela resolveu pedir ajuda a uma mulher estranha do outro lado do mundo mas não quis falar com a própria mãe.

Minha vontade era de pegar o primeiro avião e abraçar essa garota e dizer que tudo ia ficar bem. Que ela não se preocupasse. Que eu não iria julgá-la. Muito menos condená-la. E que faria o possível para que tudo ficasse bem da melhor forma.

Minha segunda vontade era me sentar com a mãe dela e conversar. Perguntar que raios de mãe era essa cuja filha tinha tanto medo que não se sentia à vontade para pedir ajuda. Que mãe era essa cuja filha pedia: não me bata.

Vocês pais estão loucos? É isso que querem para seus filhos? Jovens tão assustados que nem pedir ajuda podem pedir? Não dão segurança nenhuma para essas pessoas que trouxeram ao mundo?

Esquecem-se das necessidades básicas dos seres humanos de segurança, aconchego e aceitação?

Se seu filho(a) não consegue pedir ajuda para você então você é péssimo pai (mãe). Horrível. Está fazendo tudo errado.

Se o que você inspira é medo, você é um covarde ignorante. Que não consegue se relacionar com quem te ama de forma construtiva e amorosa. É uma tragédia.

Crianças e jovens não precisam que seus pais sejam seus melhores amigos. Precisam que os pais sejam pais. Figuras com autoridade, segurança, força, serenidade e fonte inesgotável de amor. Devem ser aqueles com quem seus filhos podem contar quando têm problemas sérios, quando estão sofrendo.

Para isso os pais têm que confiar na educação que dão aos filhos e confiar nos próprios filhos conforme a idade de cada um. E se têm alguma dúvida quanto a educação que deram, a culpa é só de vocês, pais.

Filhos dão trabalho. Muito trabalho. E uma boa educação requer dedicação, tempo e muito amor. Não adianta deixar tudo para a escola, para a empregada ou para a televisão ou computador. Tem que por a mão na massa. Tem que cuidar.

Pergunte-se: será que meu filho(a) pediria ajuda para mim se tivesse algum problema?

Você tem coragem de responder sinceramente?

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  • 4 Comments »

    1. Por enquanto, sim, e espero que sempre. Porque eu realmente não cultivarei essa coisa de melhor amiga. Eu sou mãe e ponto final.

      Responder

      Comment by Cristina L. — May 3, 2007 @ 3:31 pm

    2. Eu não diria que os pais devam ser os “melhores” amigos dos filhos. Os “melhores” amigos devem ser da idade deles, desenvolver-se e descobrir o mundo juntos. Mas pais e filhos devem, sim SER AMIGOS.
      Existem pais que são severos, autoritários. Muitas vezes, acreditando piamente estarem fazendo o melhor pelos seus filhos. Na maioria das vezes, estes pais só sabem dizer Não e acreditam que, com isto, estão moldando o caráter dos filhos. Talvez a mãe da sua jovem pertença a este grupo, pelo que você descreveu. Neste caso, poderia ser que uma boa conversa resolvesse, desde que ela estivesse disposta a “abrir os olhos”.
      Existem pais que se culpam por não dar aos filhos a atenção que consideram necessária. E outros que simplesmente confundem ceder em tudo com dar a atenção e o amor necessários. Estes dois grupos sempre dizem Sim a tudo o que os filhos desejam. E estão criando pessoas egocêntricas, despreparadas para o mundo, que acharão que conseguirão tudo o que querem na base do grito. Geralmente, estes pais, ao verem seus filhos em alguma situação delicada, não entenderão, e dirão algo como “mas eu fiz tudo por ele”.
      Existem, ainda, pais que simplesmente não ligam para o que acontece com os filhos, achando que se lhes derem liberdade suficiente, estes crescerão adequadamente. Na minha opinião, estes são os piores.
      Agora, é possível, sim, ser pai e amigo. É possível dizer ora Sim, ora Não, conforme a necessidade. Ou a intuição. Ou até sem uma razão aparente, desde que justifique sua opção ou assuma um “porque eu quero assim” e a cobrança que virá disto depois. porque, fatalmente, virá.
      É possível ter abertura suficiente para o filho chegar com uma dúvida, um problema, sabendo que, independente de como você o julgará, a primeira providência que tomará será ajudá-lo a resolver a situação.
      Para isto, é preciso mais que ser pai. É preciso, antes de tudo, ser amigo. Querer ouvir e entender o filho. Saber que pode haver choque de gerações entre você e ele, e que a única maneira de superar este choque é respeitando o espaço dele para poder exigir que ele respeite o seu. E saber que, algumas vezes, você vai ter de deixá-lo quebrar a cara (claro que, dentro do possível em ambiente controlado, sem ele saber), pois será o único jeito dele entender a sua preocupação.
      Não é fácil. Mas é possível. Pelo nível das conversas que temos em casa, entre pais e filhos, eu creio que conseguimos ser mais do que uma família. Conseguimos ser companheiros.

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      Comment by Enio Luiz Vedovello — May 3, 2007 @ 4:19 pm

    3. ola eu chamo me vedo e eu já tinha ouvido falar do acontecimento através de uma amiga minha que conhecia a Liliana e que me contou, e eu também ja tentei varias vezes o suicídio, e tento sempre arranjar força para agarrar a vida. Força aos senhores sendo pais.

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      Comment by vedo — November 27, 2008 @ 12:53 pm

    4. Boa tarde , eu sou filha de pais separados ,de um divorçio muito mau aonde fui empurrada de um lado para o outro , fui muito mal tratada ,pensei muitas vezes que a minha saida seria o suiçidio felismente nao aconteceu passei fome ,dormi na rua vi de tudo , graças a deus apesar de na altura ter acesso nunca exprementei drogas ,nao fumo nem bebo alcool ,todos
      aprendi a minha custa mas sempre em silençio .
      Hoje com 27 anos e com uma filha de 7 anos tento ser a melhor amiga da minha filha , desde ja alerta-la para todos os problemas socias , mesmo as coisas que se calhar muitos pais nunca tocarem ,mas assuntos graves ,para que um dia ela se sinta a vontade para me falar de qualquer assunto.Sou muitas vezes a escritora oral das suas cartas para o seu namoradinho.
      Por sua vez tenho um irmao de 17 anos numa idade muito complicada mas que tambem dou muito apoio e orientaçao . E que apesar de ser um miudo timido ,sinto que se sente muito a vontade para falar assuntos que se calhar poucos adultos ainda se sentem pouco a vontade para falar.
      Por isso deixo um alerta , é melhor os nossos filhos saberem pela nossa boca de que por outros e realmente podemos sem duvida ser os melhores amigos dos nossos filhos ,temos obrigaçao por lutar por eles .

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      Comment by F.R — November 27, 2008 @ 1:19 pm

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