Séries e Séries

Liliana | Filmes, TV e Séries | Saturday, April 21st, 2007

Eu adoro séries de TV. Adoro. E divido as séries em duas categorias: as que têm estórias curtas que se resolvem no episódio em si e aquelas cujo enredo vai se desenvolvendo através das semanas.

Confesso que fiquei muito mal acostumada com as séries de estórias curtas. Em uma hora ou às vezes em meia hora, o negócio tem começo, meio e fim, dando uma sensação de alívio e completude. Dentre estas assisto todos os Law&Order, House, os CSIs (menos o Miami porque odeio o Horacio Crane), Medium, Voyager, Two and a Half Men, The New Adventures of Old Christine, Criminal Minds (não podia esquecer esta, excelente) e talvez outras que não me vêm à memória agora.

Porém, resolvem fazer séries de longo prazo. Apostando na fidelidade, paciência e curiosidade do espectador. Lançaram várias, mas as principais que me refiro são Lost e Heroes.

Comecei a assistir Lost com curiosidade e reparei que em cada episódio havia uma pequena estorinha curta que durava o episódio em si, dentro de uma estória maior, essa de longo prazo. Para mim, com o tempo, as pequenas estórias dos episódios não foram suficientes para me prenderem nem por uma hora. E senti uma total ausência de enredo a longo prazo. Dava a impressão que ninguém sabia para onde a série ia, tudo solto e sem alinhavo. Resultado é que não suportei muito tempo. Coisa chata sem pé nem cabeça. Desisti. Hoje sei que Lost já tem dia para acabar, então provavelmente o roteiro já faça mais sentido pois os roteiristas já têm uma extensão de tempo para trabalhar. Mas o mal está feito. Não assisto mais de jeito nenhum.

E Heroes? O tema é muito mais interessante que Lost. Os personagens são muito melhores também. O enredo é muito mais elaborado e muito melhor montado. Mas acaba o episódio e parece que não aconteceu nada. Picas. Necas de pitibiriba. E quando começa a se aproximar a hora do programa passar e eu penso: vai começar a porra do Heroes de novo. É que está enchendo meu saco também. E quando acaba o episódio e eu penso: o que foi que aconteceu… E parece que deu um passo para frente e dois pra trás…

Realmente estou mal acostumada.

Quero tudo para ontem.

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    Parece que “Sexo” e “Mulher Pelada” são expressões muito importantes no mundo blogueiro. São um imã de paraquedistas clicadores desenfreados.

    Então imaginem quando eles chegarem aqui pelos mecanismos de buscas e ficarem procurando: cadê as mulheres peladas? Cadê o sexo que ela prometeu?

    Calma, eu chego lá.

    Enquanto isso, esta que vos escreve tem algo muito mais importante para contar. Há tempos atrás eu usei meus conhecimentos maléficos de SEO para fins muito mais estupendos que ganhar dólares no AdSense.

    Eu tinha um plano de transformar meu cachorro, o Tai, no Cachorro Mais Inteligente do Mundo na língua portuguesa.

    E consegui.

    O post sobre o Tai foi indexado e agora na pesquisa do Google sobre “cachorro mais inteligente do mundo” aparece o meu querido Tai.

    Eu tenho o cachorro mais inteligente do mundo e vocês, não. ( Risada diabólica.)

    Para terminar, como prometi, sexo e mulher pelada.

    kiss.jpg

    Foto por Mason Knight

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    Liliana | Filmes, TV e Séries | Thursday, April 19th, 2007

    Ontem era um dia que não tinha nada para ver na televisão em matéria de séries que eu gosto. Infelizmente ainda não faço parte dos privilegiados que podem baixar conteúdo por banda larga. Então, fico a mercê dos canais pagos.

    Em noites como esta, eu vou nos canais de filmes e procuro um para assistir. E passo pela grade de programação, para cima e para baixo… Vejo as sinopses… Nada.

    Não é possível. Tem que ter alguma coisa decente para se ver.

    Daí eu vejo lá: Herói – filme de ação com o Jet Li.

    Ai, caceta… Jet Li…

    Mas coloco no canal assim mesmo.

    Começa o filme e está dublado. Mudo correndo para a lingua original, chinês. A música é agradável e o visual é muito caprichado.

    A história bem construida vai me envolvendo e as cores vão saindo da telinha como uma pintura impressionista.

    Cadê a ação, pergunto eu. Só vejo bailado.

    E não quero mais que o filme termine.

    Uma obra de arte.

    Quando acabou, desliguei a televisão e fui dormir.

    Não dava para ver mais nada depois. Queria manter as imagens e o som para sempre na lembrança.

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    Liliana | Moda e Beleza | Thursday, April 19th, 2007

    501original.jpg501originalback.jpg

     

    Senhores, quero apresentar-lhes acima a maior invenção na moda masculina, na minha humilde opinião é claro. Esta é a famosa calça Levi’s 501 Original. Não me perguntem quando ela foi criada. Faz muito tempo, acreditem. E, para mim, ainda é a melhor calça masculina que existe, esportiva, lógico. Ela veste bem qualquer um. E pode ser usada como base para outras calças, inclusive de alfaiataria.

    Reparem na cintura. Ela fica ligeiramente abaixo do umbigo. O suficiente para segurar a pança de qualquer um. O cavalo, a parte que fica no saco, é justo mas não aperta. Nem fica largo e dando a impressão que a calça é de alguém maior que você, como eu falo, que o defundo era maior. As pernas não são muito estreitas nem muito largas. São perfeitas. O comprimento cobre ligeiramente os sapatos, mas não toca no chão nem mostra nada de pele nem meia. A traseira não é apertadinha. É folgada o suficiente para uma calça de homem e sexy o bastante para as mulheres verem seu traseiro.

    Repare bem que ela não tem preguinhas. Fuja de calças com preguinhas!!! Fuja de calças bufantes. Ou apertadas demais. Quando for escolher uma calça, lembre-se da velha e boa 501. Não tem erro.

    (Se você tiver sorte, e puder, poderá ainda comprar a própria por aí.)

    Abaixo, uma foto que tirei do Blog The Sartorialist, mostrando um cara elegante com uma calça baseada no estilo da 501. Como eu disse, não tem erro.

    classicmilano.jpg

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    Liliana | Etiqueta ou o Óbvio Repassado,Moda e Beleza | Thursday, April 19th, 2007

    Já li por aí homens que escreveram que quanto mais velha a mulher, mais comprida a saia.

    Pois eu tenho outra regra que vai pela estética: após os vinte aninhos, saia abaixo do meio das coxas.

    Qualquer mulher, não importa a idade, pode usar mini-saia desde que esteja com as pernas em dia. E que respeite minha regra acima.

    O comprimento mais chique das mini-saias para senhoras de mais idade é o famoso “cinco dedos acima dos joelhos”.

    Assim, entre a linha do meio das coxas até cinco dedos antes dos joelhos temos os comprimentos ideais de mini-saias para mulheres adultas que não querem parecer meninas infantis. E esteticamente fica muito bonito.

    Acima do meio das coxas já entramos no reino das micro-saias, que devem ser guardadas para modelos, atrizes e quem realmente quer chamar a atenção às vezes de uma forma não muito elogiosa. É claro que os grandes estilistas têm roupas de comprimento micro, que ficam lindíssimas em pessoas com corpo de top model. Mas essas roupas devem ser usadas em ocasiões especiais, não no dia a dia. Ou então em ambientes de extremo calor, na praia, por exemplo.

    Rotineiramente, as mini-saias não devem desagradar os olhos (como nenhuma roupa deve desagradar também – manter a estética agradável) e devem favorecer a pessoa que usa.

    Antes de vestir uma mini-saia devemos nos perguntar: tenho corpo para usar isto? O comprimento me favorece?

    E uma vez com a mini-saia, é preciso saber se comportar como uma dama[bb]. Tem que saber se sentar com as pernas delicamente fechadas para não mostrar sua lingerie. Saber entrar e sair dos carros com classe, como uma princesa. Saber abaixar até o chão dobrando os joelhos para não expor o bumbum. Usar uma mini-saia é algo muito feminino e temos que ser femininas ao extremo nos modos para não sermos vulgares.

    Eu sei que os estilistas desfilam suas roupas nas passarelas com um comprimento diminuto e as põe para vender com outro mais usável. Por isso, não fique pensando que você tem que usar aquela saia minúscula que viu na revista.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta,Filosofando | Wednesday, April 18th, 2007

    Dia 30 de Abril meu marido e eu fazemos 24 anos de namoro. A gente começou a contar do primeiro beijo. Depois desse beijo não nos largamos mais. E embarcamos numa montanha -russa que é o relacionamento entre duas pessoas.

    Decidimos nos casar em menos de dois meses de namoro. Ele falou para mim: estou pensando em alugar um apartamento, você quer ir morar comigo? Eu respondi: você está me pedindo para casar com você? Ele disse: Então, tá. Estou. E a gente ficou noivo.

    O noivado durou 9 meses e o casamento ocorreu dia 7 de Julho de 1984.

    Desde aquele primerio beijo uma parte de mim relacionada ao amor foi se preenchendo com o tempo. É claro que eu não o amava logo de cara. Começou com o tesão. E aos poucos foi se transformando em amor.

    E o amor[bb], também não é aquela maravilha do “viveram felizes para sempre”. Às vezes a gente sente que ele parece que não existe. Mas, é só parar para pensar e ver a história no decorrer do tempo e perceber que não, ele estava lá sim. O amor existiu e ainda existe. Só estava meio abafado e cansado da vida estressante. E o amor readquire seu esplendor e força perdidos e volta a nos confortar. Porque está é a coisa mais maravilhosa do amor: o conforto que ele nos dá.

    Do alto desses 24 anos, posso dizer que o amor se reinventa para ficar vivo. Como nós nos reinventamos e renascemos para crescer e viver felizes.

    Uma mulher muito sábia, especilialista em amor, Lidya Rozemberg Aratangy, uma vez me disse: o amor não é para covardes. Paixão é fácil. Tesão, mais fácil. Amor, não. Amor é para os corajosos.

    A Lidya também me disse que casamento [bb]é um relacionamento amoroso com projetos de continuidade no tempo (ou algo parecido). Então, se você quer ficar com alguém, saiba que vai ter altos e baixos. Vai ser bom e vai ser ruim. E nos momentos ruins, a única coisa que você tem para se agarrar é no amor, embora pareça que ele não existe mais. Isso é confiar no amor. É saber que apesar do relacionamento estar passando por uma fase ruim, confiar que no fundo existe um amor transpassando a história do casal.

    Hoje, formar e desmanchar casais é muito fácil. Solidificar um amor é o que é difícil. Porém, se você entra na relação encarando a realidade de que o relacionamento entre duas pessoas é algo que requer cuidados constantes, suas chances de amar e ser amado aumentam muito. E o primeiro que requer cuidados é você mesmo, pois apenas um indivíduo inteiro pode se relacionar com outro indivíduo inteiro. Duas metades da laranja formam uma laranja, não um casamento.

    É uma pena que palavras não sejam capazes de expressar como me sinto em relação ao amor da minha vida, meu marido, meu companheiro, meu melhor amigo, meu cúmplice e como todo bom casamento, também quem tem o poder de me ferir mais que qualquer outra pessoa no mundo por me conhecer melhor que outrem (ou não seria casamento). Mas que não me fere, por me amar.

    Feliz Aniversário, meu Amor.

    PS- Lidya Rozemberg Aratangy é autora do livro O Anel Que Tu Me Deste: O Casamento no Divã. Eu recomendo. E ela é uma pessoa muito querida minha.

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    Liliana | Bichos Incríveis | Wednesday, April 11th, 2007

    O Hugo comentou que ainda bem que o Tai não faz xixi no laptop.

    Os cachorros machos, geralmente machos de todas as espécies, usam sua urina para marcar território. O Tai sabe que o computador não é dele. Ele nunca faria suas necessidades no laptop.

    Porém, quando ele era pequeno, um ano de idade, por aí, ele já sabia que eu era dele. E também não teve dúvidas: levantou a patinha e fez xixi na minha perna. “Você é minha.”

    Eu estava de pé conversando com meu marido.

    O único bicho macho que vi fazendo xixi em cima de coisas minhas foi meu gato, Rocco, que veio antes de eu ter cachorros. Esse sim fazia quando ficava bravo comigo. Mas era muito raro acontecer. E geralmente era no sapato do meu marido.

    A Graça quando filhote mascava coisas minhas e levava minhas roupas para o portão enquanto eu não estava em casa. Mas era de saudade. Hoje, já adulta, com 9 anos, ela fica esperando eu chegar dentro do closet de roupas entre meus sapatos.

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    Liliana | Minha vida num sítio,Payton Place | Wednesday, April 11th, 2007

    Quando você compra terra a coisa mais importante que você tem que saber é se tem água no seu terreno. E se não tiver, se alguém vai te fornecer a água, de onde ela vem, como é o suprimento para você não ficar sem ela de jeito nenhum.

    O bem mais precioso que existe no mundo é a água. Não é papo de eco-chato não. Estou falando sério. O negócio é água.

    Bem, eu fiquei apaixonada pelo terreno pertinho da cidade, face norte, com uma vista linda da Serra da Mantiqueira. Mas tinha um detalhe: não tinha água. Ele ficava entre duas nascentes, dois valezinhos de onde brotam riozinhos que vão dar em rios maiores. E o terreno, uma encosta de um morro, sequinho, sequinho.

    O cara que estava vendendo me garantiu: “não se preocupe com a água. Tem a nascente aqui do lado que serve todas as casas da rua e também vai fornecer para o seu terreno.” Uma vez que a pessoa cede o uso da água, é para sempre. Está na lei. Então, fiquei tranquila.

    Água da SABESP a gente nunca teria, embora fosse do lado da cidade, porque tinha o rio dividindo a gente do encanamento que fornecia água. Então, nos conformamos que teríamos de fazer um sitema de bombeamento desde a nascente que ficava do outro lado do nosso vizinho, lá embaixo, até o platô de cima.

    Na nascente o negócio era o seguinte: quem chegava por último pegava a água que sobrava. E a gente era o último então nossa caixa d’água ficou por último na fila de caixas d’água pegando o que sobrava do ladrão da penúltima caixa. Dessa caixa saía um cano de borracha preta e grossa com uma bomba “náuger” que jogava a água até o meio do meu terreno, passando enterrado pelo meio do terreno do meu vizinho até outra caixa d’água. Que ficou conhecida como a caixa d’água da Curva da Caixa D’Água na minha estrada. Lá, outra bomba bombeava para outra caixa d’água no platô de cima, que dessa vez, distribuia para o terreno, mandando outra borracha lá para baixo e para uma torneirinha perto.

    Tudo isso nos custou uma grana razoável que a gente penosamente pagou para levar água para o terreno. Mas ficamos contentes, porque finalmente tínhamos água e “para sempre”.

    E cada coisa que a gente fazia no terreno parecia uma poupança. Enquanto vinha “gente de São Paulo” e construía suas casas com aparente facilidade e rapidez, nós continuávamos morando na casinha pequenina alugada e esperávamos meses até ter o dinheiro para fazer outra melhoria no sítio.

    Nesta época já tínhamos contratado nosso camarada, o cara que fica trabalhando no terreno. Chamava, é claro, Seu Zé. Esse era o Zé da Serra. Porque agora trabalha comigo outro Seu Zé, o Laureano, muito melhor. E Seu Zé vivia reclamando que sempre faltava água. E ele não podia fazer nada, porque não tinha água.

    E meu marido vinha apenas nos fins de semana. E o queridinho tinha que se enfiar na nascente e ficar mexendo na bomba para ver se tinha algo errado. Mas ele entendia tanto de bomba náuger quanto Seu Zé de neurocirurgia. Então, ficava trocando de bombas. Punha a de baixo, em cima; a de cima, embaixo. Levava para o concerto. Trazia de volta na semana seguinte. Chamava o eletricista que punha a culpa na oscilação de voltagem da instalação elétrica das bombas. E isso durou meses.

    Nove meses para ser exata. Nove meses sem água.

    Seu Zé, o primeiro peão workahoolic que eu vi na vida, ficou se queixando os 9 meses sem parar que não tinha água e que não podia fazer nada. A gente não tinha dinheiro para fazer nenhuma outra melhoria no terreno. Ele dizia na cara dura que a gente era pobre. Que a gente tinha que arrumar dinheiro. Que precisava construir logo. Que precisava colocar canaletas na estrada (essa é outra boa história, as canaletas). Que ele não podia fazer hortinha. O homem era terrível. Eu fugia do Seu Zé e nem aparecia no terreno para não ser chamada de mesquinha nem que estava escondendo o ouro.

    Tempos difíceis aqueles.

    Uma secura total.

    “Eu não posso plantá planta!”

    Horrível.

    Ele ia em casa reclamar.

    Numa das idas na nascente, meu marido descobriu um fato estarrecedor: além de ter um lagarto enorme que ficava olhando para ele sem parar, a nossa caixa d’água estava furada. Alguém fez um furo bem embaixo na caixa, provavelmente com uma chave de fenda.

    Tchãrãã…

    O furo foi consertado mas nossa visão dos acontecimentos começou a mudar.

    E começamos a olhar em volta. E ainda estávamos sem água.

    Foi quando percebemos que havia muitas casas e pouca nascente. A gente bem que deu umas mudas de árvores para o dono da nascente reflorestar em volta para segurar mais água, mas ele não quis. O filho dele abriu uma pousada na rua, o que significava mais gente usando a água da exígua nascente. Um desentendimento com outros vizinhos foi uma boa desculpa para o corte de fornecimento para umas 3 casas do fim da rua. (Esse pessoal , numa ação terrorista e desesperada, acabou invadindo o terreno da outra nascente e roubou a água de lá.) Ahnnn…

    Sabotagem. Pura e simples sabotagem.

    Logo em seguida Seu Zé entrou furtivamente no terreno do vizinho e foi acompanhando nosso cano de borracha enterrado e descobriu que ele havia sido desenterrado e cortado. E quando nossa bomba funcionava, bombeava água para fora, para a grama do vizinho. Nós nunca tivemos problemas com as bombas.

    Como diz a mocinha do anúncio de carro: tudo bem.

    Vamos ficar sem água. Agora quem não quer esta água sou eu. Eu sou chata, chata.

    A porra da nascente está secando porque não cuidaram. Colocaram gado lá para pisotear em cima. Tiraram toda a vegetação em volta. O clima está mudando e os períodos de seca pioraram. E queriam a pouca água que restava só para eles.

    Então tá.

    A solução do Sítio Paineira Velha: eu juntei dinheiro por um bom tempo e mandei fazer um poço daqueles de oitenta metros de profundidade. A água que sai dele vem direto da rocha escavada. Água mineral pura e límpida. Maravilhosa. A vazão dá para abastecer quase que a cidade inteira (mas eu uso só um pouquinho e economizo porque água é um bem precioso e só porque eu tenho não vou gastar à toa).

    Demorou mas eles vieram me pedir água.

    E eu claro, disse… NÃO.

    PS- da construção do poço até poder usá-lo efetivamente demorou 2 anos porque não tínhamos energia elétrica para usar a bomba do poço. Essa é outra história….

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    Pois deu no que deu. Eu acabei falando sobre um assunto que eu não queria falar aqui. Eu e minha boca grande. Falei e pronto.

    Acabei de postar sobre vegetarianismo, recebo um telefonema de uma moça me convidando para almoçar. Foi mais ou menos assim: oi Liliana, eu li seu blog…. estou aqui em São Francisco… eu vi que você é vegetariana… tem um resturante que tem comida vegetariana aqui…

    Eu já tinha encontrado a moça uma vez, nunca tinha ido ao restaurante e achei a idéia interessante. Fui.

    Chegando lá. Pergunto para a dona: o que tem de vegetariano? Resposta: nada.

    Tudo bem, pensei eu. Fico na minha. “Tem prato feito?” “Tem”. “Então quero arroz, feijão, purê e ovo frito.” Para beber eu sempre peço Coca light. Minha acompanhante pediu o PF com bife, torradas, suco de limão e depois ainda sobremesa.

    Veio uma salada para nós duas e nossos pratos separados em travessinhas minúsculas.

    O purê demorou e juro, veio 4 colheradinhas ridículas.

    Na hora da conta, fomos no balcão e minha conhecida perguntou quanto era.

    13 reais.

    Ela pagou.

    E daí eu perguntei: e eu?

    14 reais.

    Como?

    14 reais.

    Por que?

    Teve o ovo e o purê.

    Como assim? Não entendi, me explica.

    (A mocinha chama então a dona do restaurante.)

    É 14 reais sim. Estou cobrando o ovo e o purê.

    Como assim? O ovo está no lugar do bife. Não vou pagar. Então quanto fica? Me explica isso.

    O purê você pediu.

    Pedi.

    O purê é a parte.

    Se eu pedi o purê e o purê é a parte, eu pago.

    Mas tem as torradas.

    Eu não pedi as torradas, foi ela. Por que minha conta é 14 reais? Me explica. Quanto é a Coca?

    2 reais.

    Quanto é o prato?

    6 reais.

    Quanto é o purê?

    2 reais.

    E por que você está me cobrando 14 reais?

    (A dona do restaurante visivelmente tentando achar uma razão para os 14 reais… De repente ela acha…)

    A salada! A salada vegetariana. Eu mandei uma salada especial porque você é vegetariana.

    Eu não falei que eu era vegetariana. E não pedi salada nenhuma. Pedi? (Perguntando para minha acompanhante.) Pedi? (Dessa vez olhando para a garçonete.) Não pedi.

    Mas eu sempre mando uma salada especial para os vegetarianos, porque a salada simples só vem com alface, tomate e uma couvezinha. E essa foi com manga, legumes e um monte de coisas.

    Eu nunca vim aqui, como eu vou saber a diferença da salada simples e da especial. Eu não pedi salada especial. Vamos lá: o prato custa 6, o purê custa 2, são 8, a Coca é 2, são 10. Então…

    ….

    Como é? O que vai ser? Estou esperando meu troco.

    Então vou cobrar só 10 mesmo e vou ficar no prejuizo da salada.

    Que eu não pedi.

    (Virei as costas e fui embora para nunca mais voltar.)

    Ser vegetariano implica sofrer um preconceito que equivale a ter a cor roxa. É como se eu fosse pintada de roxo, inteira. As pessoas querem te arrancar mais dinheiro, acham que você é mais rica, que você está disposta a pagar mais só pelo fato de ser vegetariana. Tudo é mais caro para os vegetarianos, somos visados inclusive politicamente pois há essa conotação errônea que temos idéias políticas estapafúrdias apenas pelo fato de sermos vegetarianos. Somos seres exóticos que os outros querem exibir por aí e ficam falando para qualquer um, sem nos perguntar e nos expõe: “ela é vegetariana”, como aconteceu no restaurante.

    Se eu não tivesse feito o post sobre ser vegetariana neste blog, nada disso teria acontecido.

    E caralhopintobunda, como diria meu querido amigo Pinga, a gente não come só salada, porra! Eu só como salada quando o tempo está estupidamente quente (que não era o caso hoje). E eu detesto berinjela! Bosta!

    Nota- O restaurante onde aconteceu este episódio se chama Trutas Mariser e fica na Praça Cônego Antonio Manzi em São Francisco Xavier, SP.

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    Essa eu tenho que contar e vocês vão acreditar. Têm que acreditar.

    Eu fico com meu laptop na sala de visitas, ao lado do sofá numa mesinha de centro. Ele fica conectado na internet por um fio que é curto demais, então eu ponho uma conexão para outro fio que vai até a parede. E assim, me conecto via uai-faia, discada, com velocidade máxima de 42kbps.

    Meu cahorro Tai, o chow-chow, veio me pedir agrado ao lado do computador. Eu o agradei rapidamente na cabeça e voltei para o meu trabalho no laptop.

    Ele não teve dúvidas, foi até a conexão dos fios, deitou em cima e mordeu-a até desconectá-los.

    Como se não bastasse a conexão cair toda hora por sei lá que razão, até meu cachorro me desconecta a hora que ele quer. E eu tenho que me levantar e ir até ele, tirá-lo de cima do fio e conectar os fios tudo de novo.

    Agora se vocês não sabiam que eu uso conexão discada… pôxa! Até meu cachorro sabia!

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz.,Filosofando | Tuesday, April 10th, 2007

    Eu não ia falar nada disso aqui. Mas acordei pensando no assunto e corri para o computador. Ontem um dos textos que li e me deixou furiosa foi sobre vegetarianismo. Uma mocinha dizia entre outras coisas que vegetarianos não comem carne para protestar.

    Eu sou vegetariana há 7 anos. Antes disso eu comia carne de vez em quando. E posso afirmar que eu adoro carne. Adoro um bom filé, um salmão que eu preparo com sal grosso, um Cheddar McMelt, uma Lagosta ao Termidor.

    Mas eu morro de dó dos bichos. Eu me sinto muito mal sendo a responsável pela morte de animais sencientes para eu comer enquanto eu tenho opções tão gostosas quanto.

    Assim, um dia eu parei de comer qualquer tipo de carne apenas por motivos éticos. Minha ética, a ética pela qual eu vivo, ou seja, as regras que dirigem minha conduta na vida e a forma pela qual me relaciono com o meu meio me fazem optar por não comer carne. Eu não compartilho a idéia de que um deus me fez melhor que as outras criaturas e por isso eu posso comê-las. Eu sou atéia, não acredito em deus. Por isso tenho minha Ética que me guia.

    Sou vegetariana na intimidade do meu lar. É uma coisa particular minha. Ninguém tem nada a ver com isso. E quando saio para comer fora, quase passo despercebida. Eu não tento convencer ninguém a ser vegetariano porque vai da ética de cada um. Como só eu é que posso sentir a satisfação de ser coerente comigo mesma.

    Eu respeito todos os seres sencientes como seres iguais, inclusive os humanos, embora alguns não mereçam. E eu não quero comer seres que eu respeito a não ser em casos de extrema necessidade. E minha ética me permite me manter viva a qualquer custo. Por isso, se precisar, comerei carne, qualquer carne, até de homo sapiens. E estou muito tranquila em relação a isso.

    Concluindo, sou uma onívora que está vegetariana porque as condições me permitem.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz. | Monday, April 9th, 2007

    Quase todo dia eu ligo meu computador. Incrivelmente tem dias que eu não o ligo. Já fui viciada em internet. Mas já passou. Bem, quando ligo, geralmente leio meus feeds. Porque também não é todo dia que eu os leio. Como não é todo dia que eu blogo, como não é todo dia que eu faço tudo igual. Mas isso já é outra história.

    Só sei que hoje eu passeei por vários blogs. Uns “famosos” e outros que “estão começando”. E quanto mais eu lia, menos vontade eu tinha de escrever. Foi dando um desânimo. Ah, sei lá.

    Meu blog não é famoso, nem considero que está no começo. Segundo as definições que vi, meu blog pode ser considerado uma bosta. Se eu ligo para isso? Não. Nadinha.

    Mas o que percebi e que me desanimou é que eu li e li e nada. Zero. Ninguém me acrescentou nada. Eu percebi que eu devia ser a mais velha de todos, a chata mal-humorada que acordou com o pé esquerdo e não viu graça em nada do que escreveram. Desde os blogs de gente metida a intelectual que usa de expressões em outras línguas e cita pessoas que nunca ouvi falar (e se até hoje nunca ouvi falar então essas pessoas devem ser irrelevantes para minha vida) e nem quero saber quem são, até opiniões de jovens recém-saídos da adolescência que escrevem coisas com tanta certeza que até eu senti vergonha por eles pela ignorância emitida tão ingenuamente e arrogantemente. Fiquei estupefata e enojada por ler pessoas que tem a escrita como profissão maltratar seu público e ver esse mesmo público bater palmas.

    É. Hoje eu acordei velha. Já vi tudo, vivi tudo, li tudo, fiz de tudo. Só não sei tudo. Só sei de mim. Só posso falar de mim.

    E com este post me junto àqueles que não acrescentam nada a ninguém.

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    As mulheres mandam umas paras as outras PPS’s de rapazes alegres e fortes semidespidos. De vez em quando eu recebo um desses em minha caixa postal.

    Não sei se já estou velha, ou se simplesmente estou satisfeita com o homem que tenho, mas o negócio é o seguinte. Eu não fico nada animada com esses Power Points de rapazes alegres.

    Se alguém quer alegrar realmente meu dia, eu preferia receber um Power Point com muitas jóias, fotos de notas de dinheiro, diamantes, barras de ouro e platina, vestidos caros, bolsas lindíssimas, sapatos maravilhosos, Bentleys, perfumes chiquésimos, maquiagens em embalagens supertransadas, muita coisa da Tiffany, da Prada, do Lagerfeld. Ai, ai…

    Pronto, falei.

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    Liliana | Filosofando | Saturday, April 7th, 2007

    So Long And Thanks For All The Fish

    So long an thanks and thanks for all the fish
    So sad that it should be like this
    We tried to warn you all, but oh dear
    You may not share our intellect
    Which might explain your disrespect
    For all the natural wonders
    that grow around you.
    So long so long and thanks, for all the fish!

    Your world’s about to be destroyed
    There’s no point getting all annoyed
    Lie back and let the planet disolve around you
    Dispite those nets of tuna fleets,
    We thought that most of you were sweet,
    Especially tiny tots and you pregnant women
    so lond so long and thanks, for all the fish!

    If I had lust one last wish,
    I would like a tasty fish
    If we could just change one thing,
    We would all have learnt to sing

    Come one and all, man and mammal,
    join together in life’s great gene pool!

    (long pause)

    so long so long so long so long so long!
    so long so long so long so long so long!
    so long so long and thanks for all the fish!

    (Até mais e obrigado por todo o peixe!

    Até mais e obrigado por todo o peixe.
    Que pena que tudo tenha que ser assim
    Nós tentamos avisá-los, mas ah, meus caros…
    Vocês não compartilham nosso intelecto
    O que explica o seu desrespeito
    Com a natureza maravilhosa que cresce em volta de vocês.
    Até mais e obrigado por todo o peixe.

    Seu mundo está para ser destruido
    E agora não adianta se incomodar com isso.
    Relaxe e deixe o planeta se dissolver a sua volta.
    Apesar daquelas redes das frotas de atum,
    A gente achava que a maioria de vocês era legal
    Especialmente os pequeninos e as mulheres grávidas
    Até mais e obrigado por todo o peixe.

    Se eu pudesse ter um último desejo
    Eu queria um peixe saboroso
    E se eu pudesse mudar alguma coisa
    Eu queria que todos nós tivéssemos aprendido a cantar

    Vamos todos, homens e mamíferos
    Vamos nos unir nessa grande mistura genética da vida!

    Até mais, até mais, até mais, até mais, até mais
    Até mais, até mais, até mais, até mais, até mais
    Até mais, até mais e obrigado por todo o peixe!)

    Veja o video.

    (From The Hitchhicker’s Guide To The Galaxy Soundtrack)

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    Infelizmente ainda tem gente grossa que aterroriza e maltrata outras pessoas do seu convívio. E infelizmente ainda tem gente que não sabe se defender dessa gente covarde e ignorante.

    Hoje vou aproveitar e passar para vocês umas dicas que eu tive que ensinar para uma paciente.

    Vocês sabem por que ninguém grita comigo ao telefone? Porque quando alguém começa a levantar a voz comigo eu desligo na cara da pessoa. Simples assim. E se estou de bom humor, eu ainda aviso: olha, se você não melhorar seus modos, eu vou desligar na sua cara. Se não, eu vou logo desligando. Puf. Desligo. E se a pessoa volta a ligar e pergunta o que aconteceu eu explico: é, eu desliguei na sua cara porque você gritou comigo e vou desligar de novo se você não for educado. Se a pessoa chiar… Puf. Desligo de novo. E se a pessoa continuar me enchendo. Daí eu nem atendo mais.

    Essa é a segunda lição: não atender o telefonema de quem você não quer falar. É simples. Eu não atendo. Nada no mundo me obriga a falar com quem eu não quero. Fulano? Não atendo. Aperto o botão vermelho logo de cara. Nem deixo tocar.

    Assim, eu não me exponho a ser maltratada ou desrespeitada. Coloco meus limites e dou minhas regras de como quero que me tratem: bem.

    Minha taxa de stress no telefone é praticamente zero.

    E ao vivo? De repente você está com uma pessoa, geralmente um familiar (engraçado como são sempre eles que nós deixamos nos maltratarem mais, não é?) e as coisas ficam feias para o seu lado e o outro começa a levantar a voz para você. Eu virava de costas e ia embora, na cara dura. Falo no passado porque isso não acontece mais comigo. Eu não fico ouvindo berros e gritarias. Eu vou embora. A não ser que eu queira gritar também. Daí é outra história… Mas geralmente, eu vou embora e deixo a pessoa falando sozinha. às vezes eu tinha até que pegar o carro e sair de casa para sair fora da gritaria. Mas eu não ficava ouvindo. Eu só conversava quando me dirigiam com educação.

    Você sair andando e deixar uma pessoa berrando sozinha é um ato de extrema coragem e também muito agressivo. Assim, esteja preparado para ir até as últimas consequências para defender sua integridade, seu respeito próprio. A pessoa pode segurar você e impedi-lo de ir embora. Acho que é por isso que a maioria das pessoas fica passivamente ouvindo coisas escabrosas sem se defender.

    Se alguém tocar em você, segurar no seu braço, impedi-lo de se movimentar, qualquer coisa desse tipo, fale em alto e bom som: NÃO ME TOQUE! ME LARGA! E prepare-se para defender sua integridade como puder. Isso é uma invasão inadmissível. NINGUÉM PODE TOCAR EM VOCÊ SEM A SUA PERMISSÃO. NINGUÉM. Nem marido, nem pai, nem mãe, ninguém. Quando passa para a esfera do físico, é que virou baixaria e daí vale tudo, até dar uma de louco. Este tipo de constrangimento é ilegal e você até pode chamar a polícia.

    Quando temos certeza de nossa inviolabilidade e estamos certos a respeito do respeito que merecemos, as ações que tomamos ficam fáceis e simples. E a vida fica muito mais tranquila.

    PS- Essas situações me lembram os valentões de quando eu estava na escola. A técnica de sair andando funciona nestes casos também. E mandar largar e chamar as autoridades se te constrangerem também funcionam. Mas você tem que ter coragem para se impor. Ou seja, você tem que saber que você merece não ser maltratado, que você merece ser defendido pelas autoridades (conselheiros escolares, professores, pais, polícia, amigos, etc.).

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