Sobre Descriminalização do Aborto

Liliana | Política não vivemos sem. | Tuesday, April 24th, 2007

Tomo este assunto hoje pois uma das palavras mais acessadas na pesquisa que trazem internautas a este site é “aborto”. Principalmente gente procurando “chá para abortar”, “chá para aborto”.

Vou logo dizendo que não conheço chá nenhum para isso, muito menos Chá de Hortelã.

Meu marido, que é advogado, me explicou que as leis aparecem para acompanhar a realidade da sociedade. Para legislar fatos que já ocorrem no nosso meio e que precisam ser organizados. As leis não aparecem antes dos fatos concretos. E sim, vêm depois dos fatos reais da sociedade.

Vou explicar. Por exemplo no divórcio. Os casais já estavam se separando e vivendo com outros parceiros muito antes da lei que regulamentava o divórcio. Não foi a lei do divórcio que fez os casais se separarem e casarem-se com outros. Ela só organizou a bagunça que estava ocorrendo decorrente de falta de regras quanto à guarda de filhos, pensões alimentícias, disposições dos bens do casal, etc.. A lei que regulamenta o divórcio surgiu de uma necessidade da sociedade. Assim como todas as leis devem surgir.

Meu marido conta que ouviu de uma senhora muito simples dizer na época da regulamentação da lei do divórcio que ela estava muito triste porque ela gostava muito do marido dela e não queria se divorciar.

Essa é uma confusão que infelizmente muita gente não entende. Não é só porque existe a lei que a gente tem que se divorciar. Como no caso do aborto. Não é só porque ele estaria regulamentado que as mulheres têm que abortar.

A prática de aborto[bb] já existe no Brasil. Sempre existiu. Em grande escala. E muitas mulheres morrem por causa disso devido às péssimas condições nas quais ele é praticado. O governo gasta muito dinheiro tratando dessas mulheres com complicações de abortos mal-feitos.

Friamente analisando é muito mais barato e pragmático disponibilizar abortos na rede pública, na minha opinião. E muito mais racional oferecer esta opção àquelas que não querem ter filhos e procuram lugares escusos para se livrar deles ou mesmo as que os têm e depois os abandonam por aí sem a mínima condição de cuidá-los.

O aborto acontece em qualquer classe social e em qualquer nível econômico-social-educacional. Quando a mulher decide fazê-lo, está decidida e a permissão ou não de seu governo não vai desestimulá-la. Só vai atrapalhar mais ou menos, leia-se encarecer, o procedimento. E assim, por em risco a saúde dela quanto menos dinheiro ela dispor.

Por isso, a descriminalização do aborto só é uma consequência da necessidade da população. A regularização de algo que já ocorre.

Aqui um artigo sobre o tema no nosso Congresso Nacional.

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  • 4 Comments »

    1. Acho realmente uma pena que a discussão no Brasil se baseie apenas na visão preconceituosa da igreja católica e outras que, nesta área, afinam com o pensamento dela. O ministro da Saúde tem feito um bom trabalho, na minha opinião, em colocar o tema em discussão, agitar as pessoas. Só assim seria possível acabar com o falso-moralismo e discutir o aborto como uma questão de saúde pública, que é o necessário.

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      Comment by Enio Luiz Vedovello — April 24, 2007 @ 5:13 pm

    2. Oi Liliana, achei bem interessante esse texto. Vc expôs de forma simples e clara algo que eu também penso, não é porque é ilegal ninguém faz e não é porque é legal que todo mundo vai sair transando e engravidando. Creio que primeiro de tudo de ve haver uma orientação maior em relação a sexo e gravidez e também doenças. Seria mais barato mas não sei se seria mais fácil. Abraços
      P.s.: vou te add no meu blogroll, pois sempre passo por aqui

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      Comment by Carol — April 25, 2007 @ 1:56 pm

    3. A discussão precisa ser baseada em fatos. Sim, você tem razão quando diz que as leis seguem a sociedade. Neste caso, estamos falando em cerca de 1,4 milhão de mulheres abortando todos os anos em clínicas clandestinas. É nosso dever refletir. Abs

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      Comment by Thiane — May 11, 2007 @ 1:28 am

    4. Bom dia Dra Liliana, gostei muito da materia, sera que tem um email para trocarmos informações. Obrigada

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      Comment by thais — February 10, 2009 @ 12:46 pm

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