No Banheiro

Liliana | Etiqueta ou o Óbvio Repassado | Friday, January 5th, 2007

Eu detesto quando eu entro num banheiro e vejo a louça branquinha com respingos de matéria fecal grudada pelas laterais. Ou olho no cesto de papel e acho uma coleção multicolorida de restos sujos de coisas usadas: marrons diferentes, amarelos e vermelhos. Ou sinto o aroma penetrante das atividades gasosas do meu antecessor. Descobrir a taxa de queda capilar de quem tomou banho antes de mim é fichinha perto dessas outras coisas. Pisar na água do banho de outrém, a gente usa umas Havaianas e tudo bem?

Essa minha introdução é para falar o óbvio sobre banheiros.

No banheiro a gente pode fazer o que quiser. Qualquer coisa. Tudo. E ninguém tem nada a ver com isso. É um santuário de paz dentro da sua casa e um refúgio para uma pausa enquanto no mundo cruel.

Só que ninguém deve saber o que você fez lá dentro. Para isso, apague qualquer sinal de sua presença nesse cômodo. Só saia dele quando estiver imaculadamente limpo e disfarçado de sua passagem. Nem que demore um tempo a mais.

Dobre bem ou embrulhe seu papel usado ou absorvente. Dê quantas descargas forem necessárias para deixar a porcelana brilhando. Ventile o ambiente, queime fósforos, aspirja perfume até que fique respirável. Recolha seus pertences e restos. Seque o que molhou. Pendure ou guarde o que tirou do lugar. Feche o que abriu. Deixe o lixo apresentável e imagine-se tendo que pôr a mão lá dentro.

Quando tiver arrumado sua bagunça, dê uma olhadinha final para conferir se não esqueceu de nada e saia tranquilo.

Sua intimidade será resguardada. Você se sentirá seguro por dentro, com um local onde você pode ser você mesmo, sem hipocrisias, sem limites, sem regras. Você experimentará a liberdade total, estará você com você mesmo. E vocês não imaginam como é difícil para as pessoas se sentirem realmente livres.

E se sentir constrangido pelos sons que você produz no banheiro. Não se sinta: leve um rádio, um music player e ponha para tocar alto. Ninguém deve saber o que você faz lá, lembra? Ou simplesmente abra a torneira ou o chuveiro e disfarce o barulho.

É um exercício dar-se a liberdade total no banheiro. Isso constrói nossa individualidade.E é uma prova de amadurecimento poder conter essa liberdade dentro de nós e não precisar mostrá-la para ninguém.

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  • 2 Comments »

    1. :D
      Adorei este post, eu tb acho isso de banheiro :D

      Responder

      Comment by Dricota — January 5, 2007 @ 5:50 pm

    2. Dica: Como nada dá certo na minha vida, já aprendi alguns truques. O principal: Em viagens em grupo para casa de praia, sítio, etc, eu NUNCA sou o primeiro a ir ao banheiro. Eu me seguro, me aperto, me tranço mas não vou. Se for é FATAL: Não vai funcionar.

      Aí são duas possibilidades: Em um dia de extrema sorte, a descarga vai estar apenas quebrada. Eu vou catar recipientes, baldes, etc e depois avisar o dono da casa.

      Já em um dia normal, o vaso estará entupido e a descarga travará ligada.

      Ambas já aconteceram comigo. A falta de papel também.

      Responder

      Comment by cardoso — January 6, 2007 @ 2:02 am

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