Quando um blog dá dor de cabeça
Escrever é um prazer, certo?
Certo se você quer contar que foi no restaurante X ou Y ou preparou tal comida de almoço.
Mas quando dá coceira de realmente escrever o que você vê por aí. Retratar o mundo que vivemos, analisá-lo e comentá-lo… Você só tem dor de cabeça.
Eu sou uma prova disso com esse bloguinho chinfrim de porcaria.
Quanta encrenca, quanta confusão!
A primeira dor de cabeça foi por causa de egos que vestiram carapuças genéricas da minha coluna de fofocas do jornal on line. Eu escrevia uma nota sobre alguém e outra pessoa com ego enoooorme tomava para si a carapuça. E havia o grupo dos que queriam ver o circo pegar fogo com a palhaça aqui dentro e acendiam a lona. Perdi amizades mas não perdi minha integridade jornalística.
A segunda dor de cabeça foi a que eu pedi ajuda a jornalistas e blogueiros famosos e não tive resposta de ninguém.
Eu hospedava o Chá de Hortelã no UOL e sempre que postava colocava um aviso no fórum dos usuários. Um dia quis escrever no título da mensagem: “Chá de Hortelã está puta da vida”. E reparei que não conseguia escrever a palavra “puta”. O aplicativo não aceitava. Achei ridículo e uma censura idiota e inadmissível. Em represália, fiz um longo post sobre censura no meu blog e acabei com a frase: “UOL vá tomar no cú!” Em seguida, recebo um email deles me ameaçando para retirar o post senão teria meu blog cancelado. Acontece que eu pago o serviço e não há lei que me proíba mandar qualquer um tomar no cú. Consultei um advogado e respondemos ao UOL. Recebi outras ameaças mas não tirei o post e mandei-os tomarem no cú de novo, dessa vez em letras garrafais. Fiquei muito chateada pois não suporto censura, principalmente se não infringi nenhuma lei. No fim, contratei os serviços de um servidor particular e estreei meu domínio próprio. O blog do UOL ficou anos lá até que eu desativei por vontade própria.
A terceira e espero a última, foi uma crônica que escrevi sobre um fato policial que eu vi na televisão sobre um artista pouco famoso mas com alguns fãs. Ninguém entendeu nada e eu acabei tendo meus comentários invadidos por gente a favor do cara e gente contra. O pessoal brigava nos comentários. Briga feia porque o caso envolvia estupro de menor. E teve gente que achou que eu estava torcendo contra o “ídalo” deles e começaram a me ameaçar. Tive até “stalkers”. Um me ligou em casa e ameaçou minha família de morte. A gota d’água foi quando meses depois o advogado do sujeito me ligou e disse que queria que eu apagasse tudo que se relacionasse com o fulano, pois ele havia sido inocentado no julgamento e queria limpar seu nome na internet. E quando digitavam o nome dele aparecia o texto no blog. Eu expliquei que já havia apagado tudo desse senhor há tempos. Não havia nada dele em meus arquivos desde quando fui ameaçada de morte. E que o que aparecia era o que estava no cache do Google. E eu não tinha poder nenhum sobre isso.
Depois dessa, broxei de vez de escrever o blog. Eventualmente até parei. Fechei as portas. Apaguei tudo. Sumi e escafedi. Me enchi.
Hoje não sei porque acordei como nos velhos tempos. Sentei e escrevi o que estava entalado sobre coisas da minha cidade. Putaria e sacanagem. Postei. Deu dois minutos o marido veio ler e falou: “você sabe aonde você está se metendo? Você está comprando briga com a cidade inteira. Se um procurador ler isso aí você vai ter que se explicar. Não é nada ilegal o que você escreveu, mas são denúncias. Tem potencial de muita dor de cabeça.”
Me voltou tudo.
E arreguei. Não estou com força para comprar briga que não é minha.
E me coloco aqui, humilde, aprendendo a blogar na tênue linha do equilíbrio.

é um saco isso viu
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Comment by Dricota — January 4, 2007 @ 3:39 pm
Cria um blog anônimo, só pra postar esse tipo de coisa
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Comment by Lucas BiM — January 4, 2007 @ 6:30 pm
Há que se pesar o fator-aporrinhação. De vez em quando aparece um idiota desocupado e resolve que você é a Cruzada Pessoal dele.
Tive um que me ameaçou de tudo, jurou que ia tirar meu blog do ar, mandou email pra polícia federal, pro presidente da república e pro ACM (nessa ordem, ao menos ele entende como funciona o Brasil).
O pior é que essas malas são os visitantes mais fiéis.
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Comment by cardoso — January 5, 2007 @ 1:42 pm
Conseguiu exprimir tudo.
É foda, mas nem se preocupe viu…
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Comment by Alex Gonçalves — May 8, 2007 @ 6:23 pm