Os incomodados é que mudam o mundo
L. sacaneou M.
M. começou a achar justificativas do porquê L. teria agido assim. “Ela é ansiosa, doente, maluca… Mas eu gosto dela…”
Na verdade, M. não queria sentir o que estava sentindo. E estava confusa.
Então, pára tudo!
Vamos lá: primeiro pare de pensar no outro e pense em você. Volte-se para o que você está sentindo. Eu sei que é um mal-estar. É chato e desagradável. Mas você já está sentindo isso. Você se sente traída, desrespeitada, triste, brava. É ruim sentir isso, mas a gente sente e não dá para negar. Então aceite o que sente.
E agora? O que fazer com o que estou sentindo? Metabolize os sentimentos dentro de você. Digira como você faz quando come algo. Recolha-se dentro de você e pense.
Somente quando souber como se sente, é que poderá saber como se sentirá a respeito do outro. Só nesta hora é que M. poderá pensar em L. com clareza e se posicionar de que forma irá agir. Nem que não haja nenhuma ação.
Há uma tendência geral de justificar os outros para que não sintamos coisas ruins dentro de nós. Simplificando: a gente pensa nos outros em vez de se voltar para dentro da gente.
O povo é capaz de justificar as maiores barbaridades dos políticos só para evitar assumir a sensação de ser desprezado, ser desrespeitado, ser inferiorizado, ser anulado e tudo de ruim que isso gera dentro de nós pelo o que eles fazem conosco.
Sentir coisas ruins dentro da gente é o primeiro passo para a mudança de atitude. Só o incômodo faz a gente mudar.

Eu adotei essa prática, e é muito melhor a longo prazo, evita muitas úlceras.
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Comment by j. noronha — December 27, 2006 @ 4:17 pm