Casa Nova

Depois de um ano e alguns meses, finalmente me mudei para a casa nova.
Ela não está totalmente pronta e ainda tem pedreiros andando por aqui de vez em quando. Ainda não consigo aproveitá-la na sua totalidade porém o processo de conquistar o espaço dentro dela já começou.
Quando me mudei para São Miguel do Gostoso, fiquei morando provisoriamente no meu consultório. Um lugar construído e mobiliado voltado para o atendimento médico. Um espaço pequeno para se morar. Eu ficava restrita à minha cama no meu quarto.
Como disse, uma restrição.
Na casa nova é o oposto. Eu preciso me expandir de novo e ocupar todos os espaços pensados com tanto cuidado para o meu bem estar.
Posso ficar na sala vendo TV, posso ficar na cozinha escrevendo (como agora) o que adoro, tenho o meu escritório com meus livros, um banheiro com as minhas maquiagens, um closet com as minhas roupas e por aí vai…
Enfim, tenho que me acostumar de novo a fazer coisas que por mais de um ano eu não pude fazer.
Quando a gente sonha com casa, sonhamos com a nossa vida, conosco mesmo.
Concretizar uma casa, construindo-a como fiz é tirar do meu mais profundo inconsciente, passar para o consciente e materializar no mundo real uma expressão de mim mesma.
Viver nessa casa é me conhecer melhor.
É me expressar.
É me mostrar para o mundo também.
Não vou dizer que é fácil este choque inicial. Fico perdida aqui dentro. Perdida dentro de mim mesma.
Mandei vir de São Francisco Xavier toda a minha mudança. Dezenas de caixas embaladas e empoeiradas guardando meus cinqüenta anos de vida que agora estou abrindo uma por uma e filtrando: guardo ou descarto?
Está sendo um processo interessante. Descobrir quais bagagens vou manter nessa vida nova. Moveis, livros, papéis, roupas, tudo, tudo passado por um escrutínio que no final vai me deixar mais leve e feliz.
Cada dia, sacos de lixo vão embora para doação e para descarte.
Estou literalmente escolhendo quais memórias eu quero preservar para o resto dos meus dias.
A carga emocional de tal façanha é enorme!
Para me preparar para esta tarefa, assisti inúmeras vezes aquela série na TV Acumuladores. Não sou uma acumuladora, no entanto, cada coisa que está dentro da minha casa e que tem que sair vai após criteriosa consideração. Processo muito interessante mesmo.
Já estou nas ultimas caixas. E quando elas acabarem, vou fazer nova revisão nas coisas para mandar mais coisas embora e organizar melhor o espaço.
Só quero ficar com o que eu uso e o que me faz bem. Principalmente lembranças.
Todos os bichos estão bem e felizes na casa nova. Pepê, Gui, Liliana Júnior, Zap, Guida e Goldie. Três para um lado, três para o outro. Os pequenos não podem se encontrar com os grandes por razões óbvias. Mas todos estão contentes com seus espaços.
Mimi e sua filha também moram aqui, na casa de hóspedes e estão felizes.
E me livrei da vizinha chata que ouvia rádio superalto. Isso não tem preço.
Meu quarto é ao lado de um curral do vizinho e o único barulho que escuto é o sino da vaquinha tocando, alguns mugidos, uns balidos e outros sons desse teor.
Meu quarto é todo cercado de janelas de vidro sem cortina e o sol me acorda cedinho todo dia, mesmo no final de semana e feriados. E os coqueiros com cocos estão na altura da minha janela com um céu azul profundo.
Eu me pego sorrindo sozinha com bastante freqüência.
Depois de mais de uma ano construindo e muito infeliz (espero não ter que construir mais nada na minha vida) chego a conclusão que vida pode ser boa.

04. May 2013 by Liliana
Categories: Filosofando, Minha Vida Na Praia | Comments Off

são tantas emoções

decidi escrever sobre isso quando vi no facebook um anúncio de uma loja que se gabava de ter mais de mil e quinhentas bolsas.

se eu entrar em uma loja física e haver mil e quinhentas bolsas penduradas a minha volta acho que surto com claustrofobia aguda.

dei uma passadinha rápida numa outra loja online e lá estava: mais de trinta mil produtos para você escolher.

quantos anos de vida será que eu perderia vendo trinta mil produtos um por um?

o fato é que tem muita opção por aí e por isso as pessoas copiam umas às outras e todo mundo acaba meio parecido porque é impossível escolher dentre tudo que nos oferecem.

assim, looks do dia, blogueiras de moda, as antigas revistas vogue e semelhantes, e quetais que nos dirigem ao que comprar.

enfim, todo mundo igual.

nunca se teve tanta variedade e nunca se foi tão copiado.

eu não consigo lidar com toda essa informação então eu escolho umas marcas boas e confiáveis, preços razoáveis, qualidade boa e inquestionável e me atenho a elas.

tenho a MINHA loja de sapatos e duas ou três lojas de roupas e só.

e fim.

claro que detesto ver gente com roupa parecido com a minha ou com estampa semelhante. o que ocorreu a última vez que fui almoçar fora.

logo repenso em mudar de loja.

não quero ser igual a ninguém. apenas ser mais eu. mais Liliana.

06. September 2012 by Liliana
Categories: Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Minha Opinião Vale Ouro!, Moda e Beleza | Comments Off

A Gorda Bonita

Eu sempre pesei 58 quilos na maior parte da minha vida adulta. Hoje peso 77. Estou gorda pelos padrões médicos. Não adianta falar que sou alta. Estou gorda e pronto.

Desde criança eu tenho pavor de ser gorda.

Fui criança gorda dos 11 aos 15 anos e sofri todo tipo de bullying que podem imaginar. O resultado foi que desenvolvi um transtorno alimentar que me manteve magra até os 21 anos.

Eu alternava bulimia e anorexia.

Depois que casei, minha vida ficou mais agitada com a residência médica e meu peso estacionou nos 54-56 sem muitos esforços mas com uma disciplina alimentar de monge.

Parei de vomitar.

Fiquei mais saudável e praticava esportes quando tinha tempo.

Até há uns 5 anos atrás pesava 58 e estava muito feliz assim.

Tive momentos de ter engordado por problemas médicos mas logo conseguia voltar ao peso normal.

Mas o que aconteceu que engordei tanto e não consegui recuperar o peso antigo?

Só me passa pela cabeça: desilusão amorosa.

Relacionamentos amorosos me fizeram engordar. Família, divórcio, namorado, amigas… Gente que me fez sofrer muito.

E a minha “doença” me fez engordar. Remédios me fizeram engordar também.

Todo tipo de stress da lista de maiores stresses que um ser humano pode passar me fizeram engordar.

Até mudar de cidade, que está no topo da lista de stress me fez engordar também.

Mas tudo começou com desilusão de amor.

Não gosto de ficar me abrindo assim para todo mundo, mas me deu vontade de escrever.

Eu vejo a Mimi usando minhas roupas de magra e a acho linda.

Me pego comprando roupas novas de gorda e me acho linda!

O fantasma da Gorda Feliz me pegou. Tudo que eu mais temia e odiava. Ser gorda e feliz.

Estou até bonita, para uma gorda.

Cuido de mim, me maquio, escolho meus looks com carinho.

Está sendo suportável estar gorda.

Mas eu não desisti de voltar aos meus 58 quilos.

Para isso, tenho que começar do começo e me aceitar do jeito que estou para poder lidar comigo mesma com mais carinho.

A procura pela medicação certa continua. Não estou satisfeita com isso. Ainda tenho que esperar a medicação nova fazer efeito.

Mas tenho muita esperança. Esperança não me falta.

Vou ficar bem. Saudável de novo. Com a cabeça boa de novo.

Vou me alimentar direito de novo. Não vou mais comprar besteiras doces.

E nessa mistura de circunstâncias externas e internas que me fizeram engordar, vou ressurgir renovada.

Sem distúrbio alimentar de nenhum tipo. Sem fumar. Sem sofrer por amor.

Estou cercada de gente que me ama. Bichos me amam também.

Eu me amo.

E sou feliz.

Gorda bonita.

 

17. August 2012 by Liliana
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