A Luz do Sol e Meu Humor

Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Friday, February 19th, 2010

Eu sofro com dias nublados. Sofro mesmo. Fico triste, irritada, sem energia.

E aqui em São Francisco esses dias são mais frequentes do que eu gostaria. Por isso procurei o sol do nordeste.

Infelizmente não pude me mudar para lá e tive que dar um jeito aqui mesmo. Então pesquisei bastante e resolvi investir num tratamento que até é bem comum em países do hemisfério norte: fototerapia com luz de amplo espectro. São lâmpadas que simulam a luz solar.

Mas essas lâmpadas não são vendidas no Brasil e tive que importar.

Demorou 5 meses e muita burocracia até que minhas lâmpadas chegassem.

O princípio é que a luz solar ativa a produção de serotonina estimulando receptores na retina que mandam a ordem para o cérebro para fabricar o neurotransmissor antidepressivo. E a escuridão ativa a produção de melatonina que dá sono e que só é parada de fabricar quando a luz solar a bloqueia.

Então, num dia nublado, o cérebro continua produzindo melatonina e não ativa a serotonina. E a pessoa, no meu caso, fica sonolenta, para baixo, sem energia, meio deprimida no sentido de dormindo em pé.

O tratamento é banhar as retinas com luz solar ou na falta dela, luz de amplo espectro por no mínimo 30 minutos pela manhã para interromper o ciclo da melatonina e ativar a serotonina e a pessoa “acordar”. (ATENÇÃO, NÃO PODE OLHAR DIRETAMENTE PARA O SOL OU PARA AS LÂMPADAS SENÃO VOCÊ VAI FICAR CEGO!)

Antes da minha lâmpada chegar, eu já estava tomando banhos de luz no jardim e senti uma diferença positiva. Mas o problema era mesmo os dias nublados.

Agora uso minha caixa de luz na mesa do café da manhã enquanto mexo no computador e realmente me sinto melhor.

Este é o site da Verilux, onde comprei minha caixa de luz.

Este é o site da FullEspectrumSolutions onde comprei meu Sunrise System.

Artigo comparando a eficácia de fototerapia e do uso de fluoxetina para Seasonal Affective Disorder.

A entrada na Wikipedia sobre Fototerapia. E sobre Desordem Afetiva Sazonal.

Texto sobre Insônia muito interessante.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta | Friday, January 1st, 2010

    Minha nova mania é a série Lie To Me, com Tim Roth.

    Ele faz o papel de um cientista, Cal Lightman, que estuda expressões e comportamentos para determinar as emoções do objeto. Na série ele é chamado de “detector de mentiras humano”.

    A série é muito boa e bem didática. Dá para aprender bastante coisa e entender melhor o mundo que nos cerca.

    Um dos personagens é uma moça jovem que é considerada “natural”. Ela detecta as emoções sem ter tido treino prévio e uma das explicações para isso seria a necessidade de sobreviver em um meio adverso na infância.

    Fiquei muito curiosa sobre o assunto e achei o responsável pela parte científica da série, o verdadeiro doutor Cal: o Dr. Paul Ekman.

    No site dele ele oferece inclusive cursos online para treinar pessoas nas técnicas de reconhecimento facial.

    O demo do curso é exatamente igual aos testes que aparecem na série para detectar microexpressões. Eu acertei 5 em 5.

    Eu me considero uma boa leitora de emoções. Porém, eu leio as emoções verdadeiras, não as que as pessoas querem passar como real. Isso é um problema porque uma pessoa pode estar falando uma coisa boa para mim mas toda a linguagem facial e corporal dela dizem o contrário e gera um mal estar em mim muito grande. Finalmente eu achei a explicação para essa minha “sensibilidade”. Não é nada além do que ler o óbvio impresso na cara do outro.

    Mas a gente tem que conviver com mentiras o tempo todo. Gente mentindo para você nas mínimas coisas. E tem que passar por cima. Dá para relevar, mas não sem uma grande dose de cinismo.

    Mas a grande sacada que percebi é que observar expressões faciais é uma linha direta com o inconsciente. Assim, resolvi fazer um teste comigo mesma e ver qual a emoção real que determinadas pessoas e situações despertavam em mim. Afinal, eu também minto o tempo todo socialmente.

    A gente está tão acostumado a esconder e não considerar o que nós sentimos que perdemos o julgamento consciente das coisas.

    Eu liguei o Photo Both do Mac e fui registrando minhas expressões conforme pensava numa série de coisas e pessoas.

    Foi uma surpresa.

    Eu vi que tinha gente que me deixava triste. Gente que eu desprezava. Gente que me deixava feliz. Situações que me davam raiva. E situações que me davam alegria sincera.

    A maior surpresa foi o desprezo. Eu não esperava.

    Conhecer essas emoções foi muito importante para eu me conhecer melhor e modificar o meu meio.

    Acho importante que sintonizemos o que está dentro com o que está fora de nós.

    Ah! E o mais legal! Quando eu penso em mim, eu sorrio!

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    Liliana | Filosofando | Thursday, December 31st, 2009

    Eu não ligo para Natal, mas eu ligo muito para o começo do Ano Novo.

    Os dias que o antecedem são marcados por uma profunda reflexão do que aconteceu durante todo o ano velho e principalmente sobre o que aprendi nesse período.

    Não gosto de gente que diz que não tem nada para aprender ou mudar. A gente sempre tem o que melhorar em nós, em nosso entorno e principalmente na nossa qualidade de vida.

    Analisando, 2009 foi um ano muito importante. Foi o ano que estabeleci certos padrões para mim que ainda não estavam claros. Foi o ano que me descobri completamente auto-suficiente. Um ano que atingi uma certa paz que há muitos anos não tinha experimentado.

    E até o penúltimo dia do ano eu ainda estava aprendendo lições. Sobre as pessoas e principalmente sobre mim mesma.

    Fico feliz de me perceber cheia de esperanças boas para 2010.

    Mil planos.

    Mil desejos.

    E muita tranquilidade para realizar tudo.

    Acaba o ano e eu vejo que sou feliz. E que vou ser mais feliz ainda ano que vem com tudo que aprendi nesse ano.

    Eu desejo a todos vocês um Ano Novo cheio de esperanças renovadas, muita Saúde e Energia para realizar todos os seus mais maravilhosos planos.

    Feliz 2010!

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    Liliana | Bichos Incríveis | Tuesday, December 22nd, 2009

    Ontem à noite, o Tai deu um grito que parecia que estavam esfaqueando o coração dele.

    Fui correndo para a sala ver o que era e percebi que ele estava avisando que alguém ou algo havia entrado no perímetro da casa. O Tai sempre foi o cão de guarda por excelência daqui e ele gritou justamente por não poder ir atrás do invasor.

    Eu abri a porta para ver o que era e imediatamente o Pepê e a Joom La saíram correndo na minha frente.

    Segundo depois, escuto ganidos de outro cachorro que não os meus.

    Algum cachorro perdido veio comer das vasilhinhas que ficam na varanda.

    O Pepê pulou sobre o murinho e perseguiu o cachorro estrada abaixo. E a Joom La o seguiu quando abri o portãozinho da garagem para tentar ver que bicho era.

    Só muito tempo depois que os velhos pastores apareceram, andando devagar e capengando de dor na coluna.

    Os jovens foram ágeis em expulsar o visitante.

    Me senti segura de novo com essa dupla de baixinhos corajosos.

    Alguns minutos depois, eles voltam triunfantes e se instalam a minha volta. Acho que para me proteger. Ou então para aproveitar a maciez da minha cama. Não sei bem ainda.

    Mas eu quero acreditar que é para me proteger. ;)

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    Liliana | Bichos Incríveis | Monday, December 21st, 2009

    Quando meu pai morreu de infarte fulminante em casa foi aquele alvoroço.

    Primeiro eu atendi meu pai sem sucesso. Depois atendi minha mãe e minha irmã. E depois chamei os parentes.

    Gente pela casa sem acreditar no que tinha acontecido. Meu pai era muito moço.

    Lá pelas tantas eu lembrei de nossa cachorrinha Yorkshire e fiquei preocupada que ela tivesse fugido pela porta aberta e saí procurando.

    Fui achá-la no lugar mais tranquilo da casa: deitada sobre a barriga do corpo do meu pai no quarto.

    Ele que sempre a levava para passear.

    (Esse post foi inspirado por um twit.)

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    Liliana | Minha vida num sítio | Saturday, December 19th, 2009

    Não foi a primeira vez que aconteceu.

    Que eu me lembre essa foi a segunda.

    Agora há pouco fui levar o Tai dar uma volta e ele queria porque queria descer pela estrada. Fomos indo com dificuldade. Ambos cansados visivelmente fazendo o que não podíamos.

    Chegou num ponto da estrada que eu não aguentava mais. Ele queria continuar e eu queria voltar. A solução que encontrei foi deixá-lo lá no meio, no sol e voltar para casa onde a água do café estava fervendo. Eu precisava desligar o fogo.

    Eu caí na estrada. Torci o pé direito.

    Acho que meu corpo não aguenta mais e desabou.

    A dor foi lancinante.

    Eu gritei e gritei deitada no meio da estrada.

    A pastora e a gata lado a lado olhavam para mim preocupadas do gramado.

    Ninguém.

    Eu pensava na água secando na panela. No cachorro largado no meio da estrada no sol forte. Na dor. E que não teria ninguém para me ajudar.

    Nem tinha me preocupado de levar o celular porque só ia “até alí”.

    Suspirei fundo. Me levantei. Pisei com cuidado e vi que podia andar até o fogão. Fiz o café.

    Voltei para o Tai e o coloquei no cobertor para arrastá-lo de volta à casa pelos mais de 100 m. A dor… Ah, a dor!

    Deixei o Tai confortável na sala, na sombra, com água e comida e fralda limpa.

    E finalmente me sentei aqui no meu posto da cozinha.

    Acendi um cigarro atrás do outro.

    Fui vendo que além de ter torcido o pé, havia ferimentos na outra perna também, sangrando. Suando em bicas.

    Preciso tomar um banho para limpar os ferimentos e tirar a terra e a poeira da estrada mas não consigo. Em vez disso, resolvi escrever aqui para desabafar. Vi um episódio de Nurse Jackie e ainda não sei se gosto da série. Dela eu não gosto.

    Larguei a toalha do Tai lá na estrada.

    Fico pensando como é que eu vou descansar nesses dias que tirei de folga assim sozinha sem ninguém para me ajudar.

    Eu ia para Gostoso, depois eu ia para São Paulo mas estou muito cansada e como vou deixar o Tai sozinho?

    O corpo da gente avisa quando é hora de parar. O meu avisou. Foi bem claro agora.

    E o que que se faz?

    Simplesmente se faz.

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    Liliana | A UPA | Friday, December 18th, 2009

    Fim de Ano, festinha no trabalho.

    O local era o Pesqueiro da Déia e iam assar uma leitoa inteira.

    Eu indaguei: “por que não o porco pizza?”

    Ninguém conhecia o porco pizza. Ninguém. Só eu.

    E eu fui explicando como preparava o tal porco e o pessoal foi ficando com nojo e eu ria dizendo qual a diferença entre essa leitoa assada e o porco pizza?

    Muçarela?

    Para mim dava na mesma porque não ia comer nenhum dos dois.

    Enfim, tinha amigo secreto e eu peguei  uma certa enfermeira que escreveu nas sugestões que queria um “DVD Sertanejo”.

    Fui me informar pois nem sabia que existia DVD disso.  Comprei pelo Submarino uma das 3 opções da loja e boa.

    Na quarta-feira, numa pausa rápida para um café com cigarro, veio uma das moças da limpeza me entregar um pacote: é o seu presente de amigo secreto porque eu não vou na festa. Com uma mão ocupada com o copo de café e a outra com o cigarro, tive que por o presente embaixo do braço e agradecer. A moça saiu correndo de perto de mim. Sei lá porque.

    Eu tinha pedido um sabonete da Natura. Nada complicado. Nem caro.

    Pois é. Obviamente que veio o único sabonete que eu não posso com o cheiro.

    De novo, enfim.

    Ontem, quinta, peguei o presente da enfermeira e fui trabalhar na dúvida se iria na festinha ver a leitoa ou não.

    Trabalhei para variar feito uma condenada e decidi que queria mesmo era ir para casa e deitar na minha cama sossegada e que não me confraternizaria com aquelas mesmas pessoas que me fazem trabalhar como uma condenada.

    Chamei a tal enfermeira na minha sala e entreguei o presente dela.

    Ela chorou de raiva e decepção!

    Eu juro.

    Ela falou que eu tinha estragado a festa dela e o amigo secreto dela e que não tinha mais porquê dela ir.

    Lágrimas escorriam pela sua face.

    Eu falei: você está brincando!

    “Não estou, sua chata!”

    “Putamerda! Você só pode estar brincando! Eu não acredito que você está chorando por causa disso! Eu recebi meu presente ontem tomando cafezinho!”

    Fiquei feliz de ter decidido não me confraternizar.

    “O que você me deu?”

    “O que você pediu, ué!”

    Bem, no fim ela ficou contente com o DVD Sertanejo dela. E eu saí fora daquele lugar para onde só voltarei em 6 de janeiro do ano que vem.

    Folga mais que merecida.

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    Eu tenho me divertido muito respondendo as perguntas que aparecem na moda nova da net, o Formspring.me.

    Você pode perguntar o que quiser.

    E me conhecer melhor.

    Vai lá!

    http://formspring.me/lilianap

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    Liliana | Minha vida num sítio | Monday, November 30th, 2009

    Nem sei por onde começar.

    Eu resolvi tirar uns dias livres no final de dezembro e para isso eu fui trabalhar todas as 3a. e 5as. pela manhã nesse mês de novembro. O resultado foi que eu esperava uma jornada de trabalho decente e no lugar simplesmente tiraram o meu couro. Entupiram de pacientes a minha agenda e eu fiquei extremamente cansada. Minha qualidade de vida ficou uma porcaria.

    Eu apenas me arrastava de casa para o trabalho e vice versa.

    Em casa as coisas não eram mais fáceis. O Tai dá trabalho. Os outros exigem bastante. Pela primeira vez na vida eu desejei não ter mais bichos.

    Não quero mais.

    Agora entendo as pessoas que falam que não vão pegar mais bichos. Empapucei.

    Ao mesmo tempo, nesse mês de novembro eu experimentei com minha medicação para ver se eu emagrecia. Porque o remédio engorda, é fato. E eu não tenho mais roupas para usar e isso me deixa muito triste. Tive que voltar às doses anteriores mas descobri que estava fazendo hipoglicemia, por isso a fome. E pelo menos parei de engordar. Para variar, estou esperançosa que em dezembro eu consiga emagrecer um pouco já que conheço melhor meu problema.

    Além de estar extremamente cansada com o trabalho e os bichos, cansei de São Francisco.

    Por duas vezes uma barreira caiu na minha rua primeiro me prendendo para fora de casa e depois me prendendo dentro de casa por dois dias. Fiquei sem luz, sem telefone e completamente ilhada. Se eu tivesse um treco, ia morrer sozinha aqui em casa porque não tinha acesso de ninguém, nem a pé.

    Resolvi que assim que tiver dinheiro quero construir em Gostoso e me livrar das chuvas para sempre. Não sei quando isso vai acontecer mas farei o possível.

    Meu Macbook queimou numa das tempestades. O bom é que eu tinha um outro computador de reserva que é o que estou usando agora como principal. O técnico disse que era a placa lógica e que não valia a pena consertar. Era melhor comprar outro. Como o Mac queimado funcionava tudo menos o teclado e o HD, troquei o HD e comprei um teclado e mouse externos e dá para usar como se fosse um desktop.

    Bem, basicamente é isso.

    Fico feliz que novembro esteja acabando pois acredito que dezembro vai ser bem melhor.

    O importante é que aprendi muito sobre mim, sobre os outros, e espero não repetir os erros desse mês. E espero ter tranquilidade para enfrentar as coisas que não dependem de mim.

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    Liliana | A UPA, Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Saturday, November 21st, 2009

    Mais uma semana se passou e eu aqui firme e forte.

    O Tai vai bem. Ele acostumou a andar pelo gramado pelo menos duas vezes por dia com a toalha segurando a traseira e parece estar bem satisfeito. Porém quase toda noite tem que dormir com sedativo para não me acordar de madrugada.

    O Pepê ainda morde tudo e todos. Ele só sabe se relacionar pela boca e percebo que já está se refreando um pouco de me abocanhar para chamar a atenção e interagir. Ele sobe na minha cama enquanto estou dormindo, escondido e deita-se em cima de mim, como um gatinho de mais de 20 quilos.

    A Graça vai bem, mas o tumor na traseira cresceu. Tenho que providenciar a cirurgia mês que vem quando eu tirar uns dias de férias.

    Joom La é minha companheira noturna de cuidar do Tai. Ela agora é quem me segue pela casa enquanto os outros dormem.

    O Gigio está ótimo. Brinca com os mais novos e não me chateia.

    O Mario some e aparece à vontade. Quando a gente acha que ele foi embora, ele está no meio da sala e eu quase piso nele.

    Mais dois sapos apareceram na varanda. Sapos genéricos, feios. Um entrou em casa e eu mandei embora com a vassoura. De sapo, só o Mario que eu acho bonitinho.

    O trabalho para variar está puxado. Minha agenda fica cheia todos os dias. Ninguém falta. Não tenho tempo de nada.

    Resolvi aceitar o cargo de diretoria técnica da Unidade e agora estou esperando ser empossada.

    Esta semana meu Macbook queimou numa tempestade. Deixei baixando séries e fui trabalhar. Quando voltei o teclado e o som não funcionavam. Falei com o técnico da assistência técnica da Apple e ele disse que provavelmente era placa lógica, que significava praticamente perda total do computador.

    Ao mesmo tempo, o HD de 500 que eu tinha comprado para ele chegou. Instalei o HD no meu notebook reserva e configurei tudo e o estou usando agora.

    Ainda não sei o que vou fazer com o que queimou. Já instalei um teclado externo USB e o teclado funcionou, porém, o trackpad deu defeito. Assim, acho que vou comprar um mouse USB e experimentar.

    Por várias razões esta semana eu fiquei pensando na Medicina como A Arte de Curar.

    Hanneman, o criador da Homeopatia dizia isso: é a arte de curar.

    Ser médico envolve o conhecimento técnico e um “quê” a mais para fazer a sintonia fina entre o paciente e seu tratamento. Cada caso é um caso. Cada paciente é um indivíduo diferente e único, uma singularidade. E para poder absorver essa totalidade do paciente devemos olhar “de fora da caixa”. O que serve para um, pode não servir para o outro. Tratamento individualizado é a arte de curar.

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    Liliana | A UPA, Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Monday, November 16th, 2009

    Alguém do Twitter disse que o Tai era o House e eu estou acreditando nisso.

    O pequeno cachorrinho peludo me escravizou. Mais um final de semana em casa só às voltas com ele, fazendo todas as vontades. E como ele chora! E pede.

    Uma hora quer passear de toalha, outra hora quer correr atrás da gata(!) sendo que eu que tenho que carregá-lo. Ele mexe as patinhas da frente com rapidez e eu vou acompanhando recurvada carregando a parte de trás do corpo dele numa toalhinha de rosto. Ontem ele passeou pelo gramado quase todo, foi até atrás da garagem. Passeou 3 vezes! Eu fico exausta e nem descanso da semana puxada porque ele não dá um minuto de sossego.

    E se eu tento colocá-lo em algum lugar que ele não quer, mudá-lo de posição contra a vontade, ele morde. Tomei uma mordida na mão esquerda porque ele queria ficar na varanda. Nessas horas eu largo tudo, respiro fundo e vou para meu quarto fugir de bichos por pelo menos uma hora. Mas não passa 20 minutos ele começa a chorar de novo me chamando. “Cadê você, mamãe?”

    Eu praticamente não tenho mais vida. Só cachorros, só o Tai. É do trabalho para casa correndo para cuidar do pequeno tirano.

    O Tai não faz essa manha toda com a Graça assistente. Agora por exemplo, que é hora dela cuidar dele e eu poder ficar livre por umas horinhas, ele dorme gostoso. Ele sabe que eu estou pertinho cuidando do sono dele.

    Eu sei que a culpa deve ser minha. Sempre a culpa é minha se minha vida fica de um jeito que eu não gosto. E não estou gostando. Confesso.

    Tenho que fazer mudanças. Mas enquanto dentro do problema fica difícil ver o panorama geral e ter idéias.

    O trabalho está puxado. Todos os dias eu tenho agenda cheia e só casos empepinados. Está sendo muito intenso. Em compensação, a população da cidade e a chefia estão muito satisfeitos e querem que eu trabalhe mais. Ofereceram a Diretoria Técnica para mim mas eu ainda não aceitei.

    Lidar com médicos não é fácil. Existem dois tipos: os de ego tranquilo e os de ego frágil. Os tranquilos gostam de discutir casos, aprender uns com os outros, respeitam sua opinião, sua formação, hierarquia. Os de ego frágil têm a necessidade de se autoafirmar o tempo todo, não discutem casos, fogem e são grossos. No meu trabalho encontro os dois tipos. Trabalhar com outros médico onde há diálogo é uma delícia. Mas eu não tenho a mínima vontade de me relacionar com médicos idiotas e é o que teria que fazer se fosse diretora.

    Será que eu viro a Cuddy de fato?

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    Liliana | Moda e Beleza | Sunday, November 8th, 2009

    Está fazendo um calor muito grande e maquiagem pesada não combina muito com sol e suor.

    Então como fazer para ficar com a cara boa e ao mesmo tempo não destoar do clima?

    Eu não uso pó nem nada em pó em dias de muito calor quando sei que vou suar e quero ficar com um aspecto bem natural.

    Após cuidar da pele com tônico, soro e loção com protetor solar, eu aplico com os dedos uma base líquida numa camada bem fina que mal cobre as imperfeições. Ainda aparecem minhas pintinhas e sardas mas a base dá uma uniformizada na cor do rosto.

    Depois, coloco blush cremoso também. O suficiente para dar uma cara saudável.

    Uso corretivo líquido em torno dos olhos e por todas as pálbebras fazendo as vezes de sombra e iluminando o olhar.

    Máscara preta bem aplicada.

    E por fim um gloss.

    Tenho reparado que a máxima “menos é mais” é perfeita.

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    Liliana | Querido Diário | Saturday, November 7th, 2009

    Acho que bati algum tipo de recorde essa noite.

    Com exceção do Tai, todos os meu bichos foram ao meu quarto dormir comigo. Graça, Gigio, Joom La, Pepê, Mario que dorme lá faz umas 3 noites e agora a Manilha a gata.

    Quando acordei vi pedaços do forro da minha cama pelo chão e apenas um gato faz essas coisas. Chamei o nome dela e ela respondeu com um miado vindo debaixo da cama.

    Entrou pela janela aberta.

    Mas o que faz uma gata entrar num quarto com 4 cachorros por livre e espontânea vontade?

    Eu não contei antes mas ela tem medo de mim porque eu sou a “mulher dos cachorros”. Ela foge quando me vê.

    Ontem a noite ela estava na varanda com o Loshas, o primo do Mario, que por sinal é nojento. O que o Mario é bonitinho, o Loshas é feio. Então… A Manilha se encontrou com a Joom La e ficaram “brincando” ou melhor conversando por um tempo até eu chamar a Joom La para dentro. E ao chamar a Joom, eu peguei a Manilha no colo e ela não fugiu. Acho que isso foi um sinal que ela queria mais companhia e por isso foi parar no meu quarto.

    Confesso que me acostumei com o Mario ao lado da cama. Eu continuo com minha aversão por sapos e pererecas, mas o Mario é diferente. Acho que é o tratamento de choque de dormir com um sapo a poucos centímetros da sua cara que está me curando da aversão.

    Sabe, Diário, eu estou meio cheia de tanto bicho. Eu queria ver mais gente, sair mais. Porém o trabalho está tão puxado que quando eu chego em casa e acabo de tratar do pessoal daqui, só quero ir para cama ficar vendo séries no computador.

    Ontem encontrei um amiga e ela me perguntou “e os amores?” E eu tenho tempo? Tenho espaço para isso? Ela falou para eu beijar o Mario para ver se virava em príncipe. Conversar com o sapo, eu já converso. Beijar acho improvável.

    Mas cansa ser a tal da mulher forte. Um dos plantonistas, muito gracinha, sempre fala para mim: nossa, Liliana como você é forte!

    Eu queria ser mulherzinha fraquinha um pouquinho. Pode ser de vez em quando. E por algumas horas alguém tomar conta de mim.

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    Liliana | A UPA, Bichos Incríveis, Minha vida num sítio | Wednesday, November 4th, 2009

    Eu tive o melhor feriado do mundo!

    Não saí de casa nenhum dia. Fiquei de Havaianas, shortinho e top sem pentear os cabelos e óculos. Super a vontade.

    Dormi tudo que precisava dormir e voltei a me sentir forte e disposta como há anos não me sentia. O esforço físico de tratar do Tai junto com a calor e o sol maravilhoso fizeram maravilhas para meu organismo.

    Descobri que quando eu fumo muito, tenho sintomas de envenenamento por nicotina. Nunca ia imaginar que era tão fácil ficar envenenada. Diminui a quantidade de cigarros e quero muito parar de fumar. O bem estar sem o cigarro é visível. Porém, sou completamente viciada e diminuir a quantidade consideravelmente já e um grande passo.

    Os bichos passaram bem o feriado. Grudados em mim. Até o Mario, o sapo, insistiu em ficar perto do grupo.

    Eu descobri que o Tai consegue andar com ajuda de uma toalha na barriga apoiando o quadril. Ele adorou e tem passeado pelo gramado. Agora preciso providenciar aquele aparelho fisioterápico com rodinhas.

    Estava tudo muito bem, tudo muito bom até que acordei na terça-feira já preocupada em pagar as contas. O primeiro dia útil do mês é o pior dia para mim, o mais tenso. Acordei já meio chateada e fui para minha mesa na cozinha quando o computador avisa: “UPA Reposição”.

    Eu me esqueci completamente que havia combinado no trabalho que ia trabalhar todas as terças e quintas de novembro o dia inteiro para tirar uns dias em dezembro. Saí correndo e cheguei com quase meia hora de atraso.

    Eu detesto fazer as coisas correndo, com pressa. Odeio.

    Foi um dia interessante no trabalho. Não foi tão ruim apesar do começo torto. Atendi dois esquizofrênicos e ambos estavam em mal estado clínico. E ambos estavam internados em hospitais até pouco tempo. Isso significa o que eu sempre falo: que não se dá a devida importância para a parte clínica dos pacientes psiquiátricos.

    Doentes psiquiátricos têm mais outras doenças associadas que as outras pessoas. E a medicação que tomam favorece muito isso.

    E aconteceu uma coisa engraçada. Uma paciente chegou com o filhinho pequeno que começou a mexer em tudo pela sala. Ela mal impedia o menino de pegar nas minhas coisas. Uma hora, o garoto foi no interruptor de luz e ficou apagando e acendendo a luz do consultório. Por reflexo eu falei dura: para com isso menino! Como se estivesse falando com o Pepê. Foi tão automático dar a bronca já que eu fico dando bronca nos meus filhotes em casa o tempo todo. Expliquei para a mãe que estava tão acostumada a dar bronca e nem me toquei. Ainda bem que ela riu. De fato, meus cachorros são mais bem educados que aquela criança.

    Enfim, cheguei em casa e achei o Tai espumando e semi-consciente. Ele estava em hipertermia, o que é fatal. Foi uma correria para diminuir a temperatura corporal. Peguei um balde de água gelada e fui molhando o corpo dele até a temperatura abaixar. Meia hora depois ele já estava mais consciente e conseguiu beber água. Foi por pouco. Que susto. O resto da noite ele ficou irritado e muito cansado, obviamente. Até agora está quieto sem querer se mexer.

    Depois da emergência com o Tai, ainda fui cuidar das despesas da casa e só acabei minhas obrigações lá pelas 10 da noite.

    Que dia! Tudo que eu descansei em 5 dias, cansei num só.

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    Liliana | Aproveita que eu não vou cobrar a consulta, Bichos Incríveis | Sunday, November 1st, 2009

    O veterinário disse que ele não andaria mais e que eu devia sacrificá-lo.

    Mas não é assim que eu vejo.

    Eu vi um paciente com uma deficiência e fui atrás de como deixar sua vida a mais completa e confortável possível.

    Muni-me de todo um aparato para cuidar dele. Acredito que muitos idosos e deficientes não tiveram essa oportunidade.

    Ele reagiu bem. Curou-se da pneumonia, as escaras estão fechando. Come e bebe bem.

    Porém começou a chorar e eu não sabia o porque.

    Ele queria andar de novo, ir para a grama e dar a voltinha dele diária como fazia toda manhã.

    Levei na grama e observei ele levantando a parte da frente do corpo sem forças de alinhar as pernas de trás. Peguei uma toalha de rosto e fiz uma barrigueira com ela e o suspendi até ele ficar de quatro.

    Ele saiu andando todo feliz pelo gramado, cheirando tudo, comendo graminha, interagindo com os outros cachorros enquanto eu ia atrás segurando o maior peso do quadril. Cansou-se rápido e teve que voltar deitadinho no cobertor. Mas fez seu xixi de pé, como há muito tempo não fazia.

    No dia seguinte, fomos de novo fazer a fisioterapia/passeio no jardim. Ele andou bem mais. Estava muito mais forte. As perninhas de trás aguentaram muito melhor. Quis ir ver a gata. Mas a Manilha, esperta, não apareceu.

    Eu estou escrevendo isso porque o grande diferencial é que o paciente quer melhorar. Não tem nada mais broxante para um médico do que um paciente que não dá a mínima para a própria saúde. Como dizem, dá uma preguiça danada gente que não quer ficar melhor. Gente que acha que está bom assim mesmo. Ou gente que não se importa de estar ruim.

    Vejo esse tipo de gente como médica e no meu dia a dia. Como médica eu tenho uma postura que só meus pacientes sabem qual é. Mas como pessoa, eu procuro me afastar de gente assim. Passa o tempo e o discurso do fulano é o mesmo. As queixas são as mesmas porque nesse tempo todo o dito cujo não mexeu uma palha para melhorar sua situação, se melhorar como pessoa. Esses não merecem falar com meu anjo.

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