Parar de Fumar…

Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu iria ter que parar de fumar.

E até que foi bem interessante porque eu vivia dizendo que não queria ir para os Estados Unidos porque era um lugar inóspito para fumantes. E claro, eu cuspi para cima porque eu não só vim passear aqui nos EUA como estou morando em plena Califórnia, um estado conhecido por hábitos de vida saudáveis.

Bem, enfim, cigarro não combina com Califórnia e nem com minha vida nova. Então parei.

Parei assim, de repente. Cold Turkey. Eu fumei meu último cigarro Marlboro Light no Aeroporto de Natal, antes de embarcar para cá. Isso foi no dia 31 de outubro de 2013. Desde então não fumei mais cigarros convencionais.

Já aqui na Califórnia, por volta do décimo dia sem fumar nada, comecei a fumar cigarros eletrônicos porque sentia muita falta da nicotina. E os cigarros eletrônicos quebravam o maior galho.

Mas eu ainda queria me livrar do vicio de qualquer jeito. E decidi que o dia do nosso casamento seria o dia que eu pararia de fumar os cigarros eletrônicos também.

E sem ajuda de adesivos nem nada, parei com os eletrônicos também no dia 5 de fevereiro de 2014.

Estou sem fumar nada desde então. Parabéns para mim, né?

Mas eu não escrevi esse texto para dizer isso. Escrevi sim para contar o grande efeito colateral de parar de fumar: eu engordei feito uma bola.

Eu já sabia que isso ia acontecer e corajosamente fui para a forca sabendo que ia engordar.

E como engordei.

Acho que maioria das pessoas engorda quando para de fumar.

Mas esse texto não é para desencorajar ninguém a parar de fumar porque depois você emagrece!!

Verdade!!

Claro que tem que cair um piano na sua cabeça e você tem que se tocar que não pode mais comer tudo que você vê pela frente.

Você tem que se tocar que não vai emagrecer sozinha, por milagre.

E que além do cigarro, muitas comidas deliciosas simplesmente não te pertencem mais!

Esse dia que caiu o piano, foi há uns 4 dias atrás.

Eu me olhei no espelho e não me reconheci. Quem é essa gorda no espelho?

Era eu. Fofa. Rechonchuda. Bola.

Eu fiquei tão deprimida porque eu não fiquei assim gorda de um dia para o outro. Eu já estava gorda daquele jeito mas eu não me via gorda. Sabe como é? Daí, eu me toquei que eu estava gorda e tinha que fazer alguma coisa.

E gente, é complicado porque a comida daqui é muito boa…

No entanto, eu passei a entoar meu mantra: “PENSE MAGRO!” e tudo começou a se encaixar.

“Pense magro” não come porcarias, não come doces, não toma vinho a torto e a direito, come bem, come saladas e comidinhas saudáveis e magras. Não perde oportunidade de se mexer.

E principalmente, SE AMA!!

Primeiro de tudo você tem que se amar do jeito que você está para poder se cuidar bem. Se você não se ama mesmo gorda, como vai desejar o melhor para você?

Tem que caprichar nas roupas (as que servem, né?), caprichar nos detalhes, nos enfeites. Ficar bonita. Se gostar acima de tudo para poder tratar bem e com carinho essa pessoa que merece tudo de bom!!

E é preciso ter persistência. Se amar o tempo todo e não se deixar esmorecer. Enquanto a gente se ama, vai se tratando bem e o resultado disso é que a gente emagrece e fica mais saudável.

Confesso que estou bem animada. Não vejo a hora de voltar a ficar magrinha. Sei que vai demorar um bom tempo. Que tenho muito chão pela frente. Mas é totalmente factível. “DOABLE”.

O primeiro passo eu já dei.

E logicamente, se eu já fechei a boca, o peso começa a cair. Quem come menos do que gasta, emagrece. A conta é simples.

Não tem segredo.

 

 

10. March 2014 by Liliana
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O Complexo de Samantha Stevens

Bewitched-Credits-Opening-Sequence-bewitched-3232926-768-576Samantha Stevens – A Feiticeira (Bewitched)

Muitos de vocês viram minha nova capa no Facebook: o desenho da Feiticeira, Samantha Stevens.

Agora eu vou explicar o porquê.

Para quem não sabe ainda, estou morando por tempo indeterminado aqui na California na casa do Steve, meu queridíssimo namorado. E aqui nos Estados Unidos, eu não sou nada.

No Brasil eu sou médica, neurocirurgiã, profissional e trabalhadeira. Aqui nos EUA, eu não tenho profissão, diploma, nadica de nada.

Enfim, me resta aqui cuidar da casa tal qual Samantha Stevens, que de feiticeira, era obrigada a não usar seus poderes especiais.

É muito estranho não ser mais médica. Ou melhor, não poder exercer o que sou.

Minhas responsabilidades agora se resumem a lavar roupas, limpar a cozinha, fazer almoço, jantar, o café da manhã… Surreal para mim e para quem me conhece, né?

Esse descanso de responsabilidades mais sérias é uma benção! Ninguém vai morrer se a cozinha continuar suja por mais um dia.

Vocês podem me perguntar: e você não vai revalidar seu diploma? Sinceramente não sei. Estou pensando nisso sim. Mas é para o futuro. Não agora. E não sei se tenho o pique dos mais jovens para isso pois envolve muito tempo, dinheiro, esforços, muita coisa…

Samantha Stevens era feliz como dona de casa. E ela sempre acabava usando seus poderes de uma forma ou de outra na série de televisão. E lembrem-se: foi uma escolha dela!

Eu estou muito feliz do jeito que estou agora.

Eu sei o que eu sou. Sou uma feiticeira vivendo uma vida de dona de casa americana média, que adora ir no Costco, no Walmart e no Albertsons. E adora mimar o namorado.

Minha cabeça está descansando da vida dura.

E quanto ao futuro? Estou curiosíssima!!  O que será que vou aprontar?

Aguardem os próximos episódios!!

(Eu acabei de ler esse texto para o Steve e ele disse em respeito a eu ter escrito que eu era “nada aqui”. Ele disse: escreva que aqui você é tudo! <3)

21. December 2013 by Liliana
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Sobre o ATO MÉDICO

E abaixo segue a íntegra do “famigerado” ATO MÉDICO.

Uma Lei que tão somente  ”Dispõe sobre o exercício da medicina. ”

Ele é curtinho. Se você não leu, leia!

Antes de julgar e cair na falácia dos outros que querem barrá-lo, leia com atenção e veja que nós médicos não queremos nos meter nas outras profissões. Só queremos que a NOSSA profissão seja regulamentada.

Na minha opinião, quem é contra o ATO MÉDICO porque se sente tolhido de alguma forma, deveria ter estudado MEDICINA em primeiro lugar.

Uma das coisas que me deixa mais irritada é a quantidade de gente que quer ser “médica” sem pagar o ônus da nossa profissão.

Leia o ATO MÉDICO!! E tire suas próprias conclusões.

PROJETO DE LEI 7703/2006

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1o O exercício da medicina é regido pelas disposições desta Lei.

Art. 2o O objeto da atuação do médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza.

Parágrafo único. O médico desenvolverá suas ações profissionais no campo da atenção à saúde para:

I – a promoção, a proteção e a recuperação da saúde;
II – a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças;
III – a reabilitação dos enfermos e portadores de deficiências.
Art. 3o O médico integrante da equipe de saúde que assiste o indivíduo

ou a coletividade atuará em mútua colaboração com os demais profissionais de saúde que a compõem.

Art. 4o São atividades privativas do médico:

I – formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;

II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós­operatórios;

III – indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;

IV – intubação traqueal;

V – definição da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, bem como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas;

VI – supervisão do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva, incluindo a desintubação traqueal;

VII – execução da sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia

geral;

VIII – emissão de laudo dos exames endoscópios e de imagem, dos procedimentos diagnósticos invasivos e dos exames anatomopatológicos;

IX – indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses de uso temporário;

X – prescrição de órteses e próteses oftalmológicas;

Dispõe sobre o exercício da medicina.

XI – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico; XII – indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde;

XIII – realização de perícia médica e exames médico­legais, excetuados os exames laboratoriais de análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular;

XIV – atestação médica de condições de saúde, deficiência e doença;

XV – atestação do óbito, exceto em casos de morte natural em localidade em que não haja médico.

§ 1o Diagnóstico nosológico privativo do médico, para os efeitos desta Lei, restringe­se à determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por no mínimo 2 (dois) dos seguintes critérios:

I – agente etiológico reconhecido;
II – grupo identificável de sinais ou sintomas;
III – alterações anatômicas ou psicopatológicas.
§ 2o Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio­

funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva. (negrito meu)

§ 3o As doenças, para os efeitos desta Lei, encontram­se referenciadas na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

§ 4o Procedimentos invasivos, para os efeitos desta Lei, são os caracterizados por quaisquer das seguintes situações:

I – invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou

abrasivos;

II – invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos;

III – invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos.
§ 5o Exetuam­se do rol de atividades privativas do médico:
I – aplicação de injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e

intravenosas, de acordo com a prescrição médica;
II – cateterização nasofaringeana, orotraqueal, esofágica, gástrica,

enteral, anal, vesical, e venosa periférica, de acordo com a prescrição médica; III – aspiração nasofaringeana ou orotraqueal;

IV – punções venosa e arterial periféricas, de acordo com a prescrição

médica;

V – realização de curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico;

VI – atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.

§ 6o O disposto neste artigo não se aplica ao exercício da Odontologia, no âmbito de sua área de atuação.

§ 7o O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia. (negrito meu)

Art. 5o São privativos de médico:
I – direção e chefia de serviços médicos;
II – coordenação, perícia, auditoria e supervisão vinculadas, de forma

imediata e direta, a atividades privativas de médico;
III – ensino de disciplinas especificamente médicas;
IV – coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas

de residência médica e dos cursos de pós­graduação específicos para médicos. Parágrafo único. A direção administrativa de serviços de saúde não

constitui função privativa de médico.
Art. 6o A denominação de “médico” é privativa dos graduados em

cursos superiores de medicina e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação.

Art. 7o Compreende­se entre as competências do Conselho Federal de Medicina editar normas sobre quais procedimentos podem ser praticados por médicos, quais são vedados e quais podem ser praticados em caráter experimental.

Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e o controle dos procedimentos especificados no caput, bem como a aplicação das sanções pertinentes em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal.

Art. 8o Esta Lei entra em vigor 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação.

Senado Federal, em de dezembro de 2006 ”

23. June 2013 by Liliana
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